Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, também confirmou pagamento a tucanos, em 2009, a Sergio Guerra
Reprodução
O senador Aécio Neves em propaganda partidária do PSDB: ele nega todas as acusações
Atual presidente dos PSDB, o senador Aécio Neves
(MG) teria recebido dinheiro de propina de contratos de Furnas, afirmou
Alberto Youssef, nesta terça-feira (25), em depoimento na Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. O doleiro falou a
parlamentares durante a acareação com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de
abastecimento da estatal, que também citou irregularidades entre os
tucanos, mais especificamente em relação a uma de suas ex-lideranças.
“Fui
procurado pelo na época senador Sérgio Guerra e pelo deputado Eduardo
da Fonte", disse Costa, citando o ex-presidente tucano, morto em 2014,
que teria recebido dinheiro para abafar investigação da estatal em 2009.
"Tiveram, se não me engano, três reuniões, e depois foi pago pela
Queiroz Galvão esses R$ 10 milhões para que a CPI naquela época não
prosseguisse."
Youssef, por sua vez, reafirmou o que já
dissera antes sobre a suposta propina paga a Aécio. "A questão de
Furnas, eu fiz anexo e está lá", acusou ele. O deputado Jorge Sola
insistiu. “Confirmo por conta do que escutava do deputado José Janene,
que era meu compadre e eu era operador dele”, enfatizou o doleiro.
Anastasia Youssef
foi questionado a respeito de um suposto repasse para o senador Antonio
Anastasia (PSDB-MG). Segundo ele, um montante foi enviado a Belo
Horizonte, mas ele não soube precisar se o destinatário seria de fato o
senador mineiro.
Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa em acareação na CPI da Petrobras, nesta terça-feira
“Mandei, sim, dinheiro para Belo Horizonte, mas
não fui eu que fui lá entregar. A mim não foi dito que era para o
Anastasia, mas quem foi lá entregar foi o Jaime Careca, só ele pode
dizer para quem ele entregou. Eu mesmo recebi um endereço e o nome e
mandei ir lá entregar. E esse nome, eu me lembro muito bem, não era
Anastasia, tinha um outro nome e um endereço. Fiz inclusive uma
notificação ao STF justificando esse depoimento do Jaime (Careca)”,
afirmou o doleiro.
Em nota, o PSDB disse que “as referências
feitas ao senador Aécio Neves são improcedentes e carecem de quaisquer
elementos que possam minimamente confirmá-las”.
“Não se tratam de
informações prestadas, mas, sim, de ilações inverídicas feitas por
terceiros já falecidos, a respeito do então líder do PSDB na Câmara dos
Deputados, podendo, inclusive, estar atendendo a algum tipo de interesse
político de quem o fez à época”, cita a nota.
“Na declaração
feita hoje, diante da pressão de deputados do PT, Youssef repetiu a
afirmativa feita meses atrás: de que nunca teve qualquer contato com o
senador Aécio Neves e de que não teve conhecimento pessoal de qualquer
ato, tendo apenas ouvido dizer um comentário feito por um terceiro já
falecido."
Quatro das 1.237 casas que presidente vai entregar em Catanduva passaram por reformas de última hora nos últimos dois dias
Seguindo a orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de
botar o pé na estrada e rodar o Brasil em inaugurações para criar uma
agenda positiva para o governo, a presidente Dilma Rousseff estará nesta
terça-feira em Catanduva (SP), para entregar as chaves de 1.237
unidades do Minha Casa Minha Vida. As quatro unidades serão visitadas
pela presidente passaram por uma maquiagem nos últimos dois dias e
ganharam jardins com flores e arbustos plantados na última hora por uma
floricultura e pintura nova na área interna.
Na visita desta terça-feira, a imprensa poderá filmar e fotografar Dilma
apenas nas quatro casas que receberam a maquiagem. Ontem uma equipe da
EBC (TV oficial do governo) gravou uma reportagem nestas mesmas
unidades.
A reportagem do Estado visitou o local na véspera da inauguração.
Trata-se de um conjunto modelo, o primeiro a ser inaugurado com total
infraestrutura (escola, creche, praças, quadras esportivas, posto de
saúde e de polícia). As casas em geral estão em bom estado: todas têm 43
m2, sistema de aquecimento de água solar e quintal, mas não receberam o
mesmo tratamento estético do local que servirá de cenário para a visita
presidencial.
Segundo um trabalhador do local, a maquiagem foi feita entre domingo e segunda-feira especialmente para a chegada de Dilma.
Segundo a CEF, as casas que Dilma vai visitar foram escolhidas por
ficarem próximas ao palco do evento e os retoques estéticos têm como
objetivo "servir de modelo de uso e conservação" para os demais
moradores. De acordo com o banco, "não há maquiagem". A Presidência não
explicou o motivo da diferença entre as casas.
O conjunto custou R$ 108 milhões sendo que R$ 17 milhões são do governo
de São Paulo e o restante verbas da União. No total o governo vai
entregar nesta terça-feira 2.555 unidades do Minha Casa Minha Vida em
quatro cidades da região. Para aumentar p impacto político, Dilma
escalou os ministros Edinho Silva (Comunicação Social), Gilberto Kassab
(Cidades) e a presidente da CEF, Miriam Belchior, para entregar casas em
Araraquara, Araras e Mauá.
A imagem de um gato branco escalando a
lateral de um matadouro durante o "Dog and Cat Meat Yulin Festival", um
festival chinês que abate gatos e cachorros para virarem alimento, foi
capaz de salvar sua vida e a de outros animais que seriam mortos. As
informações são do site DailyMail. Segundo a publicação, a fotografia
chamou a atenção da entidade americana "Human Society International",
que promoveu ações para salvar o Haru, como é chamado o animal, além de
todos os bichos que estavam com ele.
Gatos e cães foram encaminhados para o "Washington Animal Escue
League", um abrigo americano que cuida dos animais antes de
encaminhá-los para a adoção.
O festival chinês mata, por ano,
cerca de dez mil animais. O evento é alvo de discussão nas redes
sociais. Milhares de usuários do Twitter condenam a prática e pedem o
fim do abate.
O desemprego no Brasil subiu a 8,3% no segundo trimestre de 2015, segundo o IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ele é maior tanto na comparação com o primeiro trimestre de 2015 (7,9%), quanto com o segundo trimestre de 2014 (6,8%), e é a maior taxa da série histórica, que começou em 2012.
O número de desempregados foi estimado em 8,4 milhões de pessoas,
subindo 5,3% em relação ao primeiro trimestre de 2015 e 23,5% na
comparação com o segundo trimestre de 2014. A população com trabalho foi
estimada em 92,2 milhões, ficando estável nas duas comparações, segundo
o instituto.
Os dados fazem parte da Pnad Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua e foram divulgados pelo
IBGE nesta terça-feira (25). Ela leva em conta dados de 211.344
domicílios particulares permanentes distribuídos em cerca de 3.500
municípios.
O IBGE considera desempregado quem não tem trabalho e
procurou algum nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram
coletados.
Em um ano, desemprego subiu em todas as regiões
No segundo trimestre de 2015, frente ao mesmo período de 2014, o
desemprego cresceu em todas as regiões: Norte (de 7,2% para 8,5%),
Nordeste (de 8,8% para 10,3%), Sudeste (de 6,9% para 8,3%), Sul (de 4,1%
para 5,5%) e Centro-Oeste (de 5,6% para 7,4%).
Entre os Estados, mais o Distrito Federal, Bahia teve a maior taxa (12,7%) e Santa Catarina, a menor (3,9%).
Número de carteiras e renda ficaram estáveis
Segundo o IBGE, 78,1% dos empregados no setor privado têm carteira de
trabalho assinada, mesmo percentual registrado no segundo trimestre de
2014.
O rendimento médio real (ajustado pela inflação) do
trabalhador cresceu 1,4% em um ano (de R$ 1.855,47 para R$ 1.882,20) e
caiu 0,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2015 (de R$ 1.891,52
a R$ 1.882,20).
Esses dados permaneceram estáveis nas comparações anual e mensal, de acordo com o instituto.
Desemprego é maior entre as mulheres
O desemprego entre as mulheres foi de 9,8% no segundo trimestre e continua maior do que entre os homens, que é de 7,1%.
Baseado no nível de escolaridade, o maior desemprego registrado foi
entre aqueles que têm ensino médio incompleto (13,8%). Para as pessoas
com nível superior incompleto, a taxa foi estimada em 9,7%, mais que o
dobro da verificada para aqueles com nível superior completo (4,1%).
Número de pessoas fora da força de trabalho fica estável
No segundo trimestre deste ano, 38,7% das pessoas em idade de trabalhar
estavam fora da força de trabalho. Ou seja, elas não tinham emprego, e
nem procuraram algum nos 30 dias anteriores à pesquisa. Esse número ficou estável na comparação com o trimestre anterior e com o mesmo período de 2014.
A população fora da força de trabalho é composta em sua maioria por
mulheres. No segundo trimestre de 2015, elas representavam 65,8%.
O Nordeste foi a região com a maior parcela de pessoas fora da força de
trabalho (42,8%). As regiões Sul (36,0%) e Centro-Oeste (34,8%) tiveram
os menores percentuais.
No segundo trimestre de 2015, cerca de
35,1% da população fora da força de trabalho era composta por idosos
(pessoas com 60 anos ou mais de idade). Aqueles com menos de 25 anos de
idade somavam 28,8% e os adultos, com idade de 25 a 59 anos,
representavam 36,1%.
Em outra pesquisa, desemprego subiu a 7,5% em julho
Além da Pnad Contínua, o IBGE divulga a PME (Pesquisa Mensal de
Emprego), com dados mensais do mercado de trabalho. Ela é baseada em
seis regiões metropolitanas do Brasil: Recife, Belo Horizonte, São
Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Na última, com o resultado de julho e divulgada na semana passada, o desemprego subiu a 7,5%, o maior para o mês em seis anos.
Julho teve corte de vagas
Na semana passada, o Ministério do Trabalho divulgou que o mês de julho teve corte de 157.905 vagas com carteira de trabalho assinada, o pior julho desde 1992.
No ano, de janeiro a julho, o Brasil perdeu 494.386 empregos com carteira assinada, segundo o Ministério.
A queda nas ações chinesas pressionou as bolsas em todo o mundo,
que registraram fortes baixas na segunda-feira. Mas por que isso é tão
importante?
O que está por trás da queda na China?
O crescimento econômico da China está desacelerando e há temores sobre
as consequências da transição para um ritmo mais lento e sustentável.
Além disso, houve um boom no mercado acionário chinês, que viu o
principal índice em Xangai mais do que dobrar entre junho de 2014 e o
mesmo mês deste ano.
Isto se deve, em parte, à compra de ações
com dinheiro emprestado. Assim, quando o mercado começou a cair, muitos
investidores decidiram - ou foram obrigados a - se desfazer de
investimentos para pagar suas dívidas. Isso ampliou a queda inicial.
Muitas vezes há um fator específico que pressiona para baixo as ações
em determinados dias. Mas dessa vez se tratou de um fator esperado que
não aconteceu. O Banco Central Chinês não tomou medidas para estimular o
crédito bancário, o que foi uma decepção para investidores - que
apostavam em maiores incentivos.
Como não houve estímulo novo, as ações caíram, e bruscamente.
O que isso significa para o resto do mundo?
A China é agora uma força tão grande na economia global que um
desaquecimento brusco inevitavelmente afetaria o resto do mundo. É a
segunda maior economia e o segundo maior importador de mercadorias e
serviços comerciais.
Mas o impacto financeiro direto da queda
dos preços das ações na China é moderado. Não há investimento
estrangeiro suficiente no mercado chinês para que isso se torne um
grande problema. A consultoria Capital Economics, de Londres, diz que
estrangeiros possuem apenas 2% das ações.
A questão maior é se
esse movimento expõe a desaceleração econômica da China, uma preocupação
que foi reforçada pela desvalorização da moeda local, o yuan, no início
deste mês.
E o Brasil?
A China é o
maior parceiro comercial do Brasil, que exporta, majoritariamente,
commodities. Entre os principais produtos vendidos pelo Brasil estão
soja e minério de ferro.
Em 2014, o comércio entre os dois
países caiu para US$ 78 bilhões, ante os US$ 83 bilhões do ano anterior.
Neste ano, as exportações brasileiras registraram queda de 19% entre
janeiro e julho na comparação com o mesmo período de 2014.
O
menor apetite chinês por matérias primas e o preço mais baixo das
commodities são fatores que contribuíram para desaceleração da economia
brasileira.
A queda no ritmo do crescimento chinês tem afetado
também outros países da América Latina, como Venezuela e Chile, que
vendem petróleo e cobre, respectivamente, ao país asiático.
A
Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) sinalizou que a
região crescerá cerca de 0,5% neste ano e citou a queda dos preços das
matérias primas devido à desaceleração chinesa como uma das principais
causas.
As moedas de países emergentes também têm sido
pressionadas pelas notícias vindas da China. Na segunda-feira, em meio à
tensão nos mercados, o dólar atingiu o maior valor em mais de 12 anos
ante o real.
Não são apenas as bolsas
Os preços de muitas commodities foram afetados, especialmente o do petróleo.
O preço do petróleo Brent caiu cerca de um terço desde meados de junho - quando começou a queda do mercado de ações chinês.
A China é grande compradora de commodities industriais e a
possibilidade de o país reduzir o consumo de materiais também pressionou
os preços do cobre e alumínio, por exemplo.
O ouro subiu nas
últimas semanas, embora seu preço ainda esteja menor do que no início da
queda da bolsa chinesa em junho. A commodity é vista por muitos como um
investimento seguro, proteção contra inflação e instabilidade
financeira.
As quedas mais recentes nas ações chinesas também
pressionaram algumas moedas vistas como investimentos seguros, como o
iene e o franco suíço.
O dólar certamente pode ser afetado da
mesma maneira. Mas o impacto imediato foi fazer com que investidores
acreditassem em um adiamento do esperado aumento da taxa de juros pelo
Federal Reserve, o Banco Central americano.
E o chinês comum?
Aqueles que emprestaram dinheiro para comprar ações nos últimos meses
foram fortemente atingidos. Mas a maioria das pessoas não possui ações -
apenas uma em cada 30 tem, segundo a Capital Economics.
A vida da maioria dos chineses seria afetada por problemas na economia do país.
Se a China conseguir transitar suavemente para um crescimento mais
lento e sustentável, é provável que continue tendo um desempenho
suficiente o bastante para aumentar o padrão de vida da maioria das
pessoas.
Uma desaceleração mais traumática significaria falências de empresas e perda de empregos.
O que autoridades podem fazer?
Autoridades têm várias opções para estimular a economia que podem afetar os mercados acionários.
A bolsa de Xangai caiu 7,6% nesta terça-feira, ampliando as perdas da
"segunda-feira negra", quando perdeu 8,5%. Após o fechamento dos
mercados, autoridades anunciaram um corte de 0,25 ponto percentual na
principal taxa de juros do país, para 4,6%.
É o quinto corte da
taxa desde novembro. O Banco Central chinês também cortou a taxa de
reserva exigida de bancos em 0,5 ponto percentual.
Além disso,
investidores e analistas dizem que o governo pode relaxar regras sobre
empréstimos bancários, aumentar os gastos ou fomentar uma queda ainda
maior do yuan para estimular as exportações.
Quão preocupados devemos ficar?
As opiniões variam sobre quão saudável a economia chinesa está.
Mas uma crise lá teria impactos graves no resto do mundo, especialmente
em países e empresas que exportam à China, já que o país asiático é um
comprador importante de commodities industriais, como petróleo, cobre e
minério de ferro.
http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/economia/2015/08/25/como-a-queda-da-bolsa-da-china-afeta-o-resto-do-mundo.htm
General senegalês Babacar Gaye, demitido após as denúncias de abuso na República Centro-Africana
A
sensação de impunidade diante dos casos de abusos sexuais em missões de
paz como a da República Centro-Africana ameaça a credibilidade da
organização
Foi em 14 de agosto que o secretário-geral da
ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, qualificou de "câncer" a enxurrada de
acusações de abusos sexuais cometidos por seu pessoal contra civis em
missões de paz. O contingente na República Centro-Africana (Minusca)
estava na mira: uma operação de ruandenses e camaroneses no início do
mês na capital, Bangui, havia terminado com a morte de um pai e seu
filho adolescente e a suposta violação de uma menina de 12 anos. Também
morreu um capacete-azul em confronto com a população.
Segundo os
dados facilitados até esse dia 14 pela ONU, a Minusca já reunia 57
denúncias, 11 delas de abusos sexuais contra menores. Isso pelo menos no
papel, porque dois dias antes das palavras de Ban o escritório da ONU
em Nova York havia sido informado sobre a violação de outras três jovens
centro-africanas. Os abusos já somavam 60 casos, e não 57, em apenas 11
meses de missão.
Segundo os dados apresentados na semana
passada ao "El País" por Vannina Maestracci, porta-voz do
secretário-geral, em 12 de agosto as famílias de três jovens denunciaram
suas violações por três membros da Minusca. Nesse mesmo dia veio a gota
d'água para o copo de Ban. O chefe da ONU pediu a demissão do líder da
Minusca, o general senegalês Babacar Gaye, um veterano em missões de
paz. Gaye aceitou.
Mas o câncer já havia se espalhado. Para
muitos não só o dos abusos, mas sobretudo da impunidade. Paula Donovan é
codiretora da Aids Free World (AFW), organização com sede em Nova York
que monitora a gestão que a ONU faz desses escândalos. "O problema não é
tanto que o pessoal das missões não receba formação contra os abusos",
diz Donovan, "senão que saibam o que pode lhes acontecer se os
cometerem, e isso não está muito claro."
Depois das palavras de
Ban, a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, admitiu que o número
real de denúncias contra capacetes-azuis "poderia ser muito pior" se a
cadeia denúncia-investigação não fosse tão deficiente. Precisamente uma
auditoria interna da ONU realizada no Haiti e publicada neste fim de
semana indicava que pelo menos 138 casos de denúncias por suposta "má
conduta" contra civis - em muitas ocasiões abusos sexuais - de pessoal
mobilizado seguem abertos e sem solução mais de um ano depois de
iniciadas as pesquisas. Há casos que superam os cinco anos.
Também sobre o Haiti, um informe interno vazado à imprensa em junho
revelou que membros da missão de paz mantinham relações sexuais com pelo
menos 225 mulheres em troca de comida e remédios, algo absolutamente
proibido. Haiti, República Centro-Africana, Libéria, Sudão do Sul... Dez
anos depois da primeira grande investigação sobre exploração sexual em
missões de paz, o chamado relatório Zeid sobre o Congo, os abusos
continuam sendo um buraco negro por onde escapa a credibilidade e
escorre a impunidade em operações da ONU, com mais de 125 mil
expatriados por todo o mundo em 16 missões.
Lisa Sharland,
analista do grupo de pensadores americano Stimson Center, insiste
especialmente na responsabilidade dos países que enviam tropas. Nem a
ONU nem o país receptor da missão têm poder para julgar os soldados
denunciados. É o país de onde eles saem que deve fiscalizar o caso.
"Alguns desses países são mais rigorosos e transparentes que outros em
suas investigações", aponta Sharland. "Os governos são muito sensíveis à
informação sobre denúncias contra seu pessoal", continua a analista, "e
isso deriva em falta de transparência na hora de saber como são
administradas as denúncias e se o pessoal é ou não castigado."
Esse déficit de colaboração levou Ban Ki-moon a ameaçar publicar a
informação por país das denúncias de peso feitas contra seu pessoal em
campo. Mas a ONU não evita o ocultamento da informação. A suspensão de
um de seus funcionários, o sueco Anders Kompass, por vazar à França o
caso sobre denúncias contra seus soldados na República Centro-Africana,
revelou, em primeiro lugar, um escândalo de abusos cometidos contra
menores de idade, e em segundo o cuidado especial da missão sobre as
pesquisas.
Donovan, da AFW, organização que trouxe à luz este
caso, alerta sobre o grande obstáculo que enfrentam as investigações
dessas ofensas: "o dinheiro". O que chega de contribuintes às missões e o
que é destinado aos países que contribuem com soldados. Com as
denúncias, essas quantias poderiam se ver em perigo.
Colégio Militar Tiradentes é a melhor instituição estadual de Alagoas16 fotos
Alunos perfilados durante atividade escolar; disciplina é o carro-chefe do ensino na Escola Militar Tiradentes, em Maceió
No Colégio Militar Tiradentes, em Maceió (Alagoas), os alunos vivem uma
rotina militar. Lá se respira a palavra disciplina. Localizado no
Trapiche da Barra, zona sul da cidade, há cinco anos se destaca no Enem
por Escola com base em uma "didática" baseada no rigor.
O
estabelecimento tem a maior nota de uma escola da rede estadual no
Estado, com média 521,17 entre as provas objetivas. Para se ter uma
ideia, a maior nota de uma escola da rede estadual é 657,59 e há 650
escolas de rede estadual com nota maior que a do estabelecimento
alagoano.
Para estudar no Tiradentes, o visual do aluno também
tem que estar alinhado: ele tem de estar com cabelos cortados e
arrumados no padrão militar, uniforme limpo e passado a ferro com vinco
e, ainda, bater continência para professores, coordenadores e direção.
O ritual dos alunos começa com vistoria nos cabelos e nos uniformes,
que são cinco ao todo – sendo dois uniformes de gala usado para desfiles
e solenidades. Durante a semana, outras obrigações militares são
atribuídas aos estudantes, que às terças-feiras, fazem uma solenidade de
hasteamento das bandeiras do Brasil, de Alagoas e do colégio.
A
diretora do Colégio Tiradentes, coronel da PM (Polícia Militar) Fátima
Escaliante, destaca que a disciplina do aluno conta até na permanência
dele na escola. Diferentemente dos demais colégios, o regimento do
Tiradentes permite que o aluno indisciplinado seja expulso da unidade.
No ano passado foram 14 alunos expulsos. Entre especialistas da área, a
seleção de alunos é vista como um ponto negativo no processo
educacional.
"Todo aluno entra com dez pontos, à medida que ele
vai deixando de cumprir obrigações, como chegar atrasado, não estar com o
uniforme de acordo com o dia ou estar com o cabelo desalinhado, ele vai
perdendo pontos. Ao atingir 3.9 ele vai para o conselho para ser
avaliado se permanece ou não", explica Escaliante. O aluno que se
envolver em agressões ou desrespeitar o professor comete falta grave e é
imediatamente expulso.
Patentes
Como na PM, há um
sistema de patentes e hierarquia: tenente, capitão, major,
tenente-coronel e coronel. A escala vai de acordo com a turma que está
cursando, as notas e os pontos que acumularam por estarem cumprindo as
atividades em sala de aula e extraclasse e, também as obrigações. No
terceiro ano, o aluno destaque ocupa a "patente" de coronel.
A
nova coronel da turma do terceiro ano B, Susana Glória dos Santos, 17,
estuda no Tiradentes há oito anos e diz que o segredo é a disciplina,
motivação e dedicação nos estudos. Filha de militar, ela conta que não
tem dificuldades em cumprir as regras da escola e o foco é nos estudos.
"Estudo pela manhã e faço cursinho a tarde, mas à noite ainda dou uma
estudada, por uma, duas horas para fazer as atividades de casa. Temos
também ter autocontrole para não se desesperar nas provas para
conseguimos notas boas e também se sair bem no Enem", disse a garota.
Segundo o professor de português e literatura, Paulo César dos Santos, a
disciplina e o treino são fatores de sucesso dos alunos nos exames como
o Enem. "O aluno escreve e nós corrigimos até o texto sair perfeito
para entendimento de todos", disse.
Especialistas criticam
Especialistas discordam da aplicação da militarização em sala de aula para obter resultados satisfatórios.
A professora de história, especialista em gestão de sistemas
educacionais, Pilar Lacerda, diz que o modelo abre mão da pedagogia ao
apelar para a rigidez e a disciplina militar.
"A escola de
educação básica é o lugar da formação de valores, de conhecer e
respeitar o outro. Do diálogo e da construção de normas comuns. Que
cidadão está sendo formado neste modelo militar? A não ser que o jovem
queira seguir carreira militar", argumenta Lacerda, que é presidente da
Fundação SM.
Ela explica que para estudantes se manterem focados
nos estudos, a escola deve tornar a sala de aula mais atrativa e menos
burocrática.
"Que pense no projeto pedagógico que seja
construído para o estudante entender o mundo e entender-se no mundo.
Atiçar a curiosidade e incentivar a criatividade. Nada feito a força
funciona", explica a professora.
Filhos de militares e filhos de civis
No estatuto da escola, a oferta de vagas se destina, prioritariamente, a
filhos de militares. Mas a seleção é feita pelo rendimento em uma prova
-- se o filho do militar não obtiver nota para ingressar, sua vaga fica
disponível para os filhos de civis que, atualmente, são maioria (53%).
Para entrar no Colégio Tiradentes, o aluno se submete a um concurso com
provas de português e matemática. O colégio tem 700 alunos distribuídos
em turmas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do
ensino médio.
As aulas ocorrem de segunda-feira a sábado, ou no
período da manhã ou da tarde. Os alunos do terceiro ano recebem reforço
de disciplinas isoladas de cursinho pré-vestibular que foi contratado
pelo próprio colégio.
Deputado estadual Coronel Telhada diz que ação robusta se justifica porque País vive 'guerra' e 'bandido não respeita a lei'
Na recepção do gabinete do deputado estadual Paulo Telhada,
um potinho de balas de goma saúda o visitante, embaladas em papel
branco com seu nome e a expressão "bancada da bala" ─ como é conhecida a
frente política conservadora integrada por Telhada, coronel reformado
da Polícia Militar de São Paulo.
Reprodução/BBC
Polêmico deputado Paulo Telhada integra a "bancada da bala", formada por ex-policiais
Na parede, mais um trocadilho: um grande cartaz
com o slogan que adotou ao ingressar na política ─ "Uma nova Rota na
política de São Paulo" ─ referindo-se à controversa unidade de elite da
qual foi comandante antes de ir para a reserva. Na sala de espera, o
encarte sobre o trabalho do deputado traz uma cartela destacável para
montar uma miniviatura da Rota.
Segundo deputado mais eleito de
São Paulo no ano passado, pelo PSDB, Coronel Telhada diz que as
"balinhas docinhas" são para ironizar o nome dado de forma "pejorativa" à
bancada da bala, que defende projetos para reduzir a maioridade penal e
flexibilizar o porte de armas. O grupo reúne um "um pessoal que quer
trabalhar forte, quer combater o crime, quer trabalhar dentro da lei",
define.
Telhada já afirmou à imprensa ter matado mais que 30
pessoas em seus anos na ativa. À BBC Brasil, diz que na verdade "nunca
contou" o total, mas que foi "uma pancada", sempre "dentro da lei".
O
coronel se exalta com críticas ao número de mortes causadas por
policiais, afirmando que matar "faz parte da ação policial' e não pode
ser evitado em um país em "guerra" como o Brasil.
No primeiro semestre deste ano, o número de pessoas mortas
por policiais em serviço cresceu 10% e foi o mais alto em dez anos,
segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
No
último dia 13, 18 pessoas foram mortas em Osasco e Barueri, na Grande
São Paulo, e suspeita-se que a chacina tenha sido cometida por policiais
para vingar a morte de um colega.
Segundo informações
obtidas pela TV Globo, a Corregedoria da Polícia Militar estaria
investigando 19 suspeitos de envolvimento nos assassinatos. Dezoito dos
investigados seriam policiais militares, de acordo com a emissora.
Telhada
diz que a chacina é "gravíssima" mas revolta-se com o Secretário de
Segurança Pública, Alexandre de Moraes, que afirmou logo após o crime
que a principal linha de investigação apura envolvimento policial ─ para
Telhada, uma "besteira" que joga a corporação "num mar de lama sem
qualquer prova".
Ele defende o projeto aprovado ontem pela Câmara
dos Deputados para reduzir a maioridade penal, mas queria que a redução
fosse dos 18 para os 14 anos. Para ele, o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) é um "Frankenstein" que criou "um monstro mirim", como
se refere ao infrator menor de idade. Os problemas sociais por trás do
envolvimento de adolescentes com o crime são de responsabilidade do
Estado, afirma ─ ele, como policial, trabalha "com o efeito". "Eu ganho
para resolver aquele problema", diz. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC
Brasil - O senhor é parte da chamada "bancada da bala", que vem
ganhando força no poder Legislativo. A que o senhor deve esse
crescimento?
Coronel Telhada - Aqui no
Brasil se costuma mostrar o criminoso como vítima da sociedade e o
policial como algoz. Isso veio após a revolução de 64, ou o golpe
militar, ou chame como quiser – onde tudo que é relativo a segurança e
ao nome "militar" virou sinônimo de tortura, violência.
Mas agora a população cansou disso, e quer uma posição firme contra o crime, firme contra as irregularidades.
A
nossa legislação criminal é muito benevolente com o crime. Tem que ser
alterada e fazer com que o criminoso sinta, sim, o peso da lei. Aqui no
Brasil, o crime compensa, porque o cara não recebe a sanção adequada
para o que fez. A sensação de impunidade é muito grande. O criminoso
fica à vontade para praticar crime, porque sabe que quase não vai ter
efeito nenhum sobre ele. A nossa principal briga é no sentido de
melhorar a legislação penal.
BBC Brasil - O senhor fala em
impunidade, mas comumente esta é um crítica feita também à polícia. O
outro lado é a polícia com fama de ser muito violenta e o policial
percebido como algoz.
Coronel Telhada - Acho
que isso é um ranço do regime militar. Toda ocorrência onde você tem um
confronto entre a polícia e o criminoso, de imediato já se fala que a
polícia é culpada.
A mídia sempre aponta a polícia como autora de
violência e essa conduta é muito ruim. O pessoal tem que entender que a
polícia não é culpada da violência.
O culpado da violência é o
Estado brasileiro. São nossas leis que são fracas para o criminoso e
favorecem o tráfico de entorpecentes e a falta de policiamento nas
fronteiras. É a nossa educação que está uma porcaria no Brasil. Todos os
segmentos da sociedade estão falhando. E quando chega no crime, a culpa
é da policia, e todo mundo lava as mãos.
BBC Brasil - Mas
infelizmente não é raro ver policiais envolvidos com violência. Semana
passada 18 pessoas foram assassinadas na chacina de Osasco e Barueri e o
secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, disse
que a principal linha de investigação considera a participação de PMs.
Coronel Telhada - O
secretário devia pensar mais antes de falar. Ele, por ser o chefe de
polícia, devia ter mais de cautela antes de falar besteira. Ele não tem
prova nenhuma. Pode ser policial? Pode, ninguém está negando essa
hipótese. Mas quando ele joga essa hipótese como a principal linha de
investigação, olha a grave falha que ele comete. Ele já acusa uma
corporação.
Se provado amanhã que há policiais envolvidos, que
paguem, e que paguem bem caro, porque cometeram um crime grave. Mas é
complicado você jogar uma corporação num mar de lama sem qualquer prova.
Ouvi falar que o governador (Geraldo Alckmin) está dando um prêmio de
R$ 50 mil para quem tiver alguma prova. Eles não têm uma prova de que
seja policial militar!
Aí vão falar da munição usada. Hoje qualquer bandido usa armamento exclusivo das Forças Armadas.
A
chacina é uma coisa gravíssima e não deve acontecer. Mas quando morre
um policial a preocupação não é a mesma. Nos últimos quatro anos, já
passamos de 400 policiais mortos em São Paulo. Quando morre um criminoso
a grita é geral. Poxa, será que nós valemos menos que um criminoso?
BBC
Brasil - Recentemente a Anistia Internacional divulgou um relatório
falando sobre o alto número de mortes causados por policiais no Estado
do Rio. Nos últimos cinco anos, a polícia matou mais de 1.500 pessoas, o
equivalente a 16% dos homicídios no período. Os casos foram registrados
como autos de resistência que, segundo a Anistia, podem mascarar
execuções extrajudiciais.
Coronel Telhada - O
que me chama atenção é que eles falam de 16% em decorrência de ações
policiais. E os outros 84%? São mortes de cidadãos pais de família.
Ninguém se preocupa. O elevado não são os 16%. O número de mortes no
Brasil é muito alto. A legislação penal não pune de maneira adequada. A
vida de um cidadão perdeu o sentido. Hoje um criminoso mata por causa de
um celular, por causa de R$ 10.
Então me assusto quando vejo os
outros países com essa hipocrisia internacional, porque no país deles a
lei funciona. Então eles vêm aqui questionar a minha polícia, se nós
estamos agindo legitimamente ─ em um país que não tem lei, onde ninguém
respeita a lei!
O único obstáculo entre o cidadão decente e o
bandido se chama polícia. E essa polícia está de quatro, essa policia
está amarrada. Essa polícia está desestimulada.
O policial civil e
militar não só ganha um mau salário como também não tem apoio da
família e da sociedade para trabalhar. O governo hoje não valoriza a
policia que tem. Quer que policia tome atitude, exige, e quando toma, o
policial é punido.
BBC Brasil - Mas o problema é a sensação de que a polícia pode matar e isso não tem consequências.
Coronel Telhada - Um
policial na rua está sujeito a tudo, a salvar, a matar e a morrer. E
infelizmente às vezes a gente é obrigado a matar para não morrer. O
interessante é que quando você mata como policial, a Anistia quer
imputar a pecha de que somos perigosos, de que nós matamos porque nós
queremos. Parte do princípio de que o policial matou porque quis matar,
ou porque é violento. Nunca de que ele matou para se salvar ou salvar
uma pessoa.
Se um policial fica 30 anos na rua e não mata ninguém,
quero saber a quantas ocorrências ele foi. Porque tem tiroteio todo
dia. Todo dia morre pai de família. Aliás, está fazendo 25 anos que eu
fui baleado pela primeira vez. Isso a Anistia não leva em consideração.
Mas quando eu matei, a Anistia ficou preocupada porque eu matei.
É
complicado você estar na guerra, não dar tiro, não morrer, não ser
baleado, não matar como já tive que matar. Infelizmente, isso faz parte
da ação policial. Em um país como o Brasil, onde o bandido não respeita a
lei, ele atira por qualquer motivo.
BBC Brasil - Mas o
senhor está falando de casos de legítima defesa e a Anistia está falando
de casos de suspeita de execuções extrajudiciais.
Coronel Telhada - Eu
desconheço casos de execução que tenha envolvimento do policial em que
não tenha sido tomada uma atitude. Eu conheço casos em que foram
encontradas várias pessoas mortas e não se chegou ao autor. Estamos
partindo do pressuposto de que todas as pessoas que foram executadas foi
policial que matou. É muito perigosa essa afirmação.
BBC Brasil - Então não existem execuções extrajudiciais na polícia?
Coronel Telhada - Que
eu saiba não. Eu nunca participei de nenhuma. Quando houve, a polícia
conseguiu constatar e expulsou da corporação, e (os responsáveis) estão
cumprindo pena.
Em todos os casos, sem exceção, é feito inquérito
policial. Eu mesmo já fui julgado e absolvido. Se o policial matou e não
foi condenado, é porque estava agindo legitimamente. É por isso que
existe um pressuposto da legítima defesa e do estrito cumprimento do
dever legal. Os bons policiais agem dentro da lei. Mas nós matamos
também. Graças a Deus nós estamos vivos. Eu sou avô hoje, graças a Deus.
BBC Brasil - O senhor disse diversos casos (de pessoas que matou). O que aconteceu depois?
Coronel Telhada - Todas
as vezes que eu tive ocorrência em que tive que trocar tiro e matar um
ladrão, eu apresentei a ocorrência no distrito, foi feito todo o
procedimento legal, foram ouvidas todas as testemunhas, todas as
vítimas. As vítimas confirmaram a versão do policial. Fomos julgados e
fomos absolvidos.
Nunca tive nenhuma condenação, porque nunca fiz
nada errado. Fiquei 33 anos no serviço ativo, tive inúmeras ocorrências e
nunca fui condenado. Porque sempre trabalhei dentro da lei. Eu não
posso falar pelo meu vizinho.
BBC Brasil - Quantas ocorrências?
Coronel Telhada - Ah, uma pancada. Muitas. Nunca contei, filha.
BBC Brasil - Mas já vi números citados em reportagens – ao New York Timeso senhor falou em mais de 30.
Coronel Telhada - Eu
queria que fosse aquele número mesmo. Eles falam em 36. A imprensa
fala. Eu mesmo não sei. Por Deus que está no céu. Eu nunca parei para
contar. Mas os caras levantam a minha ficha no Tribunal Militar e lá tem
um número "x" de ocorrências. Minha preocupação foi sempre trabalhar
dentro da lei. Quantos morreram ou não, não sei. Agora, nunca me
perguntaram quantos eu salvei.
BBC Brasil - Quantos?
Coronel Telhada - Ah, milhares. Milhares, milhares. Isso ninguém está preocupado.
A
redução da maioridade penal é uma das principais bandeiras da bancada
da bala. O projeto é defendido por parte da população, e outros criticam
com veemência a ideia de se julgar e penalizar menores como adultos.
Eu
entendo que quando o legislador criou a ideia da maioridade penal aos
18 anos, ele pensou no melhor para a sociedade. Mas ele criou um
monstro, chamado infrator menor de idade. Um monstro mirim. É um
'Frankenstein'. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) é um
Frankenstein, porque quis fazer uma coisa boa e criou um monstro.
O
jovem com 12, 13 anos atua no crime sabendo o que está fazendo. Nos
morros do Rio, os bandidos soldados que tomam conta das biqueiras (bocas
de fumo) são jovens de 12, 13 anos, e andam armados de fuzis. Aqui em
São Paulo, criminosos de 14, 15 anos estupram, matam, sabendo o que
estão fazendo. As quadrilhas usam os menores de idade porque sabem que,
caso eles sejam presos, os menores assumem o crime e ficam presos por um
ou dois anos no máximo.
O indivíduo praticou um crime, ele tem
que pagar pelo que ele fez. Se não fica uma imagem de impunidade que faz
com que outras pessoas cometam o mesmo crime. A sociedade brasileira
não aguenta mais. E a mudança necessária é a diminuição da maioridade
penal. Infelizmente para os 16 anos, eu gostaria que fosse aos 14.
BBC
Brasil - Mas outro argumento de quem condena a mudança é que a maioria
desses jovens são pobres, negros e crescem sem acesso a educação, com
uma falta absoluta de oportunidade.
Coronel Telhada - Minha
querida, você está entrevistando o Coronel Telhada. Estou falando como
PM. Eu, como Segurança Pública, trabalho com o efeito. Quem tem que
trabalhar com a causa é o Estado, que tem que prover educação,
assistência social, saúde publica, o que não é feito.
Eu trabalho
com o crime, eu pego a situação pronta. O menor de idade estuprando,
matando, fazendo tráfico de entorpecente. É com isso que eu tenho que
agir. Se ele teve problema na infância ou não, se não teve educação, se a
mãe dele era prostituta, se o pai era drogado, eu, como policial, isso
não é problema meu.
Eu ganho para agir para resolver aquele
problema. Fora isso, toda a sociedade falha. Todos os órgãos que
deveriam estar envolvidos para melhorar a segurança pública no Brasil
não se apresentam. E a culpa é só da polícia.
Fundador de equipe e ex-piloto de Fórmula 1, o francês Guy Ligier
faleceu neste domingo aos 85 anos. Nascido em Vichy, o ex-chefe de
escuderia não teve as causas de sua morte divulgadas.
Antes de se
aventurar no automobilismo, Ligier jogava rúgbi, chegando a defender a
seleção francesa da modalidade. Depois, entrou em corridas de moto até
chegar aos carros, onde dirigiu pela Porsche em algumas categorias.
Em
1966, Ligier chegou à Fórmula 1 guiando seu próprio monoposto,
utilizando um chassi Cooper com motor Maserati. O francês encerrou sua
carreira na categoria em 1967, conseguindo sua melhor classificação no
GP da Alemanha, no qual terminou na oitava colocação com um
Brabham-Repco.
Com a morte de seu amigo Jo Schlesser em 1968,
Ligier decidiu fabricar seus próprios carros. Ao lado de Michel Tétu, o
francês lançou o Ligier JS1, que competiu nas 24 Horas de Le Mans de
1970.
Em 1974, Ligier comprou o espólio da equipe Matra e entrou na F1-
utilizando seu sobrenome no nome da escuderia - estreando na temporada
1976.
A equipe Ligier teve grandes nomes durante suas 326 corridas
na F1 (1976 a 1996). Os grandes destaques da história da escuderia
foram os franceses Jacques Lafitte, Patrick Depailler, Didier Pironi e
Oliver Panis, além do belga Jacky Ickx e do sueco Stefan Johansson.
Em
suas 21 temporadas na F1, a Ligier teve dois pilotos brasileiros. Em
1983, Raul Boesel não pontuou defendendo a equipe. Já em 1996, Pedro
Paulo Diniz conseguiu dois pontos pela escuderia francesa.
Após a
temporada de 1996, Guy Ligier vendeu sua equipe para o tetracampeão
mundial Alain Prost, que colocou o seu sobrenome na nova escuderia.
Uma aluna foi obrigada a voltar para casa após sua escola em Kentucky,
nos Estados Unidos, julgar que sua roupa era inadequada. Stephanie
Hughes, de 16 anos, usava calça jeans e uma camiseta que mostrava sua
clavícula.
Stacie Dunn, a mãe da estudante, decidiu ir até a
escola após a decisão da diretoria. Revoltada, ela fez um post no
Facebook criticando a medida.
"Tive de ir à escola da minha
filha porque, segundo o diretor, o que ela estava vestindo está fora do
código de vestimenta e é inapropriado para o ambiente escolar. Isso é
ridículo. A escola está forçando uma regra na qual as meninas não podem
mostrar nem a clavícula porque isso poderia distrair seus colegas do
sexo masculino".
Ao chegar na escola, Stacie diz ter visto uma
fila de alunas na direção por conta de suas roupas. "Pais estão tendo de
sair dos seus trabalhos e estudantes estão perdendo aulas importantes
porque elas estavam mostrando a clavícula! Alguma coisa precisa mudar",
disse a mãe.
Na tentativa de remediar a situação, a estudante
chegou a colocar um lenço da mãe sobre os ombros, mas mesmo assim o
diretor não aprovou. Segundo a mãe da jovem, ele diz que a estudante
amarrou o acessório de forma inapropriada. “Como ele queria que ela
amarrasse? Como uma corda ao redor do pescoço dela?", Stacie.
Diretor
da escola, Scott Hawkins defendeu a posição da instituição, em
entrevista ao site Today.com. "A administração da escola tem estado
aberta aos estudantes e aos pais. Se eles querem que mudanças aconteçam,
eles podem fazer sugestões. A ideia da política de vestimenta é
garantir que você tenha um ambiente de aprendizado seguro e é isso que
estamos tentando criar”, explicou.
Depois da redução
da maioridade penal, é provável que desponte, até o fim do ano, a
proposta de revisão do Estatuto do Desarmamento na Câmara Federal, a ser
avançada pela chamada bancada da bala e que pretende, entre outros
itens, flexibilizar a restrição ao porte de armas no Brasil. Vai
significar, se aprovada a medida, mais armas nas mãos de civis, nos
aproximando de certa forma do modelo vigente nos Estados Unidos onde o
porte de armas é facilitado e mesmo estimulado, via a propaganda de
armamentos e a atuação de um forte lobby da indústria de armas.
Mas isto funcionaria no Brasil? De tempos em tempos retomo a questão no blog.
Creio
que a pergunta foi, em parte, respondida recentemente pela divulgação
do Mapa da Violência 2015 da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Para resumir. Segundo o
relatório da UNESCO, o Estatuto do Desarmamento, de 2003, aliado a
campanhas pela entrega de armas, conseguiu deter, ao menos por algum
período, a tendência de alta contínua de homicídios por armas de fogo
registrada no Brasil desde 1980.
O cálculo: entre 1993 e 2003 o
número de homicídios por armas de fogo no país cresceu a um ritmo de
7,8% ao ano. Este ritmo desacelerou de 2004 em diante , quando entrou em
vigor o Estatuto e campanhas de desarmamento tiraram de circulação 500
mil armas em todo o país. Segundo a UNESCO, como resultado disso, entre
2004 e 2012 (últimos dados disponíveis), o país deixou de ter 160 mil
homicídios por armas de fogo – a diferença entre o que estava “previsto”
pela curva estatística e o que de fato foi registrado ao longo de 9
anos.
Estudos como o Mapa da Violência ajudam a informar mais um
debate que no Brasil envolve o drama de milhares de pessoas, o cotidiano
de violência da população e também muitos interesses corporativos.
Particularmente
acho que mais armas nas mãos de civis não será solução, pelo contrário.
Com nosso machismo, intolerância, alcoolismo, com nossas relações
pessoais intermediadas por opressões de diferentes matizes, com a nossa
ambígua cordialidade a extravasar paixão e fúria da esfera individual
para a pública, com nossa cultura de nos engalfinharmos em público por
questões risíveis, por tudo isso me parece que mais armas nas mãos de
civis trarão apenas mais desgraça.
O procurador-geral
da República, Rodrigo Janot, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF)
denúncia contra Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara. No texto, de
85 páginas, ele pede a condenação do deputado por corrupção passiva e
lavagem de dinheiro.
Com a denúncia em mãos, o STF agora deverá
decidir se a aceita ou não. E caso positivo, Cunha automaticamente se
torna réu e responderá a ações penais no Supremo. Por ter foro
privilegiado em decorrência de ser deputado, ele não pode ser processado
em outra instância da Justiça.
De acordo com a denúncia, Cunha
teria recebido, entre junho de 2006 e outubro de 2012, pelo menos US$ 5
milhões para viabilizar a contratação de dois navios-sonda para a
Petrobras. As acusações surgiram após delação premiada do ex-consultor
Júlio Camargo, um dos intermediários da propina.
Collor também é denunciado
O ex-presidente e atual senador
Fernando Collor (PTB-AL) também foi denunciado por Janot. Assim como
Cunha, Collor também foi citado por suposto envolvimento no esquema de
corrupção da Petrobras. O senador também poderá responder por corrupção.
Além dele, a ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), atual prefeita de
Rio Bonito (RJ), e Pedro Paulo Leoni Ramos, ministro no governo Collor,
foram denunciados.
Três em cada quatro escolas do país não contam
com itens básicos de acessibilidade, como rampas, corrimãos e
sinalização. Menos de um terço possui sanitários adaptados para
deficientes. É o que revela o Censo Escolar 2014, do Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Dados tabulados a pedido do G1
pela Fundação Lemann e pela Meritt, responsáveis pelo portal QEdu,
indicam que apenas 23 municípios do Brasil contam com todas as suas
escolas acessíveis – incluindo banheiros totalmente adequados a
deficientes.
Os números revelam as barreiras para se
cumprir um princípio básico previsto por lei: o direito de todas as
crianças de frequentar uma escola.
A questão da acessibilidade é
fundamental. Hoje há um número significativo de alunos incluídos na
rede. É preciso investir na adaptação desses locaisManuelina Martinsvice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
No caso das escolas municipais, o índice é
ainda mais crítico: só 17% das unidades têm as estruturas mínimas para
deficientes. Manuelina Martins, vice-presidente da União Nacional dos
Dirigentes Municipais de Educação (Undime), diz que o dado é
preocupante. “A questão da acessibilidade é fundamental. Hoje há um
número significativo de alunos incluídos na rede. É preciso investir na
adaptação desses locais.”
Para Manuelina, que é secretária da Educação
do município de Costa Rica, em Mato Grosso do Sul – único estado do
país em que mais da metade das escolas tem acessibilidade –, um dos
principais problemas é o fato de a maior parte das construções no Brasil
ser antiga.
O presidente do Conselho Nacional de
Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps, concorda. “Na
época, não havia esse tipo de preocupação e de consciência na sociedade
de garantir o acesso. Pelo contrário. Isso vem, inclusive, de uma lógica
de segregação.”
Ele diz que atualmente se fazem
imprescindíveis duas linhas de atuação. “A primeira diz respeito ao
atendimento imediato. Ao se identificar numa determinada região
que há um número de alunos com algum tipo de deficiência que precisam
dessa acessibilidade, é necessário fazer imediatamente a adaptação.”
Na época [da construção das escolas], não
havia esse tipo de preocupação e de consciência na sociedade de
garantir o acesso. Pelo contrário. Isso vem, inclusive, de uma lógica de
segregaçãoEduardo Deschampspresidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação
A segunda, afirma, é realizar essa adequação
gradativamente em todas as unidades. “Isso leva mais tempo, dadas as
urgências que existem na rede. É preciso fazer ajustes em prédios onde
isso não é simples de fazer, arquitetonicamente falando. Mas é
fundamental garantir acessibilidade a qualquer cidadão,
independentemente de haver um aluno com deficiência estudando na escola.
As unidades novas e as em construção já atendem a legislação”, diz
Deschamps, que é secretário da Educação de Santa Catarina.
De acordo com dados do Censo Escolar, há
cerca de 700 mil alunos com deficiência matriculados hoje no ensino
básico – um número que não para de crescer.
Carências
Para o professor Joaquim Soares Neto, que dá
aulas na Universidade de Brasília (UnB) e foi presidente do Inep entre
2009 e 2011, as deficiências na infraestrutura das unidades estão
vinculadas ao fato de a responsabilidade da manutenção e da melhoria
física das escolas cair no colo exclusivamente das redes estaduais e
municipais. “Muitas vezes, as escolas têm carências tão imensas,
e elas são tão precárias, que [a falta de acessibilidade] é um item a
mais de muitos que estão faltando serem providenciados.”
O Ministério da Educação diz, no entanto, que
apesar de a educação básica ser de responsabilidade dos sistemas
estaduais, municipais e do Distrito Federal, o órgão oferece um apoio
suplementar por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola/Escola
Acessível. “Anualmente são transferidos cerca de R$ 100 milhões aos
sistemas públicos de ensino, a fim de ampliar a adequação dos prédios
escolares”, diz, em nota.
De acordo com o Estatuto da Pessoa com
Deficiência, sancionado em julho deste ano, “é dever do Estado, da
família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de
qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de
violência, negligência e discriminação”.
A lei afirma ainda que o poder
público precisa “assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar,
acompanhar e avaliar”, entre outras coisas, “acessibilidade para todos
os estudantes, trabalhadores da educação e demais integrantes
da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às atividades
concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino”.
O que ainda se vê em vários cantos do país,
no entanto, é que a falta de itens de acessibilidade dificulta ou,
muitas vezes, impossibilita a locomoção das pessoas com deficiência às
escolas. Na maioria das unidades visitadas pelo G1, especialmente na área rural, não há nenhuma condição que permita a inclusão de crianças com mobilidade reduzida.
Apesar do baixo percentual de escolas
adaptadas, os dados mostram uma evolução nos últimos anos. Em 2010,
apenas 14% tinham estruturas adequadas. Em 2014, o índice subiu para
24%.
“Embora seja o indicador que apresenta o
maior crescimento, requer, ainda, continuado investimento, a fim de que
todos os prédios públicos escolares assegurem a acessibilidade
arquitetônica”, afirma o MEC.
Também foi aprovada correção no fundo destinando 60% para programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida
A Câmara dos Deputados aprovou a proposta que corrige o
pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), considerada o
segundo dos itens das pautas-bomba da Casa, na noite desta terça-feira
(18).
Com a aprovação da proposta, apresentada pelo
relator Rodrigo Maia (DEM-RJ), a partir de 2019 a remuneração passa a
ser equivalente ao rendimento da poupança, algo que atualmente gira em
torno de 6%. Agora, ela segue para votação do Senado
O
aumento progressivo proposto dos atuais 3% somente será válido para
depósitos novos. O possível modelo de correção passará a ser: em 2016,
4%; em 2017, 4,75%; em 2018, 5,5%; e em 2019, o repasse acompanharia a
poupança.
Os deputados também aprovaram a destinação de
60% do lucro do FGTS para financiamento de programas habitacionais como o
Minha Casa Minha Vida.
Mais cedo, segundo o relator
Carlos Marun (PMDB-MS), o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, já
havia concordado em fechar uma proposta que permita o aumento escalonado
do índice de remuneração do FGTS até algo próximo ao que paga a
poupança.
O índice é o que a oposição busca por meio de um projeto de lei bancado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
"[Pela proposta do governo] fica garantido que a remuneração aumenta dos [atuais] 3% escalonado em um determinado tempo", disse Marun ao iG.
"Tem que equilibrar interesses"
Em
São Paulo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, alertou para a
necessidade de se chegar a um formato que não tenha impacto sobre o
crédito habitacional que usa recursos do FGTS.
"A gente tem
de equilibrar o interesse de dar um retorno para o dinheiro que está ali
com o objetivo maior que é o financiamento da casa própria", disse Levy
em evento do Santander em São Paulo. "O fundo de garantia é muito
importante para a habitação. Na verdade, ele é desenhado para financiar a
habitação popular."
Para evitar o impacto, segundo Marun, o
governo propôs usar uma fatia maior do lucro do FGTS para subsidiar os
empréstimos. Atualmente, cerca de 50% vira subsídio e o restante é
incorporado ao patrimônio do fundo. A ideia, segundo Marun, é usar esse
excedente para garantir o aumento da remuneração sem que seja preciso
mexer nos juros dos empréstimos.
"Mas isso tem um tempo de validade. Se daqui a cinco, dez anos [o lucro não destinado ao subsídio]
acaba, teremos de usar recursos do Orçamento", afirma o parlamentar,
autor de um projeto de lei que, em vez de aumentar o índice de correção,
distribui os lucros entre todos os cotistas.
Perda para a inflação
A
fórmula atual prevê que os recursos do trabalhador no FGTS tenham um
reajuste anual de 3% mais Taxa Referencial (TR). Desde 1999, entretanto,
essa regra tem resultado num índice inferior à inflação, o que faz com
que o dinheiro depositado no fundo – e que não pode ser sacado a
qualquer momento – perca poder de compra. http://economia.ig.com.br/2015-08-18/governo-fecha-acordo-para-aumentar-correcao-do-fgts-ajuste-deve-ser-escalonado.html
Esse cenário levou a uma
enxurrada de ações judiciais que pedem a troca da TR por um índice
inflacionário, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou o
Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Mais de 40 mil foram
apresentadas em todo o País, estimuladas por uma decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF) que determinou que a TR não podia ser usada para
corrigir precatórios (dívidas judiciais do Poder Público).
Embora
diminua as perdas, a equiparação da correção do FGTS àquela aplicada à
poupança não garante a manutenção do poder de compra – em 2013, por
exemplo, a inflação superou o rendimento da caderneta.
Crime ocorreu na cidade de Campo Grande (MS);
acusado, que é tio-avô do menino, estava em liberdade condicional desde
agosto do ano passado e foi autuado em flagrante pela polícia
Acusado de estuprar um menino de 10 anos em troca de um par de
chinelos e de um videogame, um pastor de 52 anos confessou à polícia ter
cometido o abuso sexual "em nome da glória de Deus", nesta terça-feira
(18). O crime ocorreu em Campo Grande (MS), na segunda (17).
O
pastor, que é tio-avô do menino, foi autuado em flagrante após exame de
corpo de delito na criança, que detectou ferimentos e sinais de
sangramento em seu ânus. De acordo com o delegado Reginaldo Salomão, o
acusado não se mostrou arrependido pelo crime.
TV Morena/Reprodução
O delegado que ouviu o suspeito, que confessou o crime, nesta terça: "Ele planejou tudo"
O pastor, cujo nome não foi divulgado, estava em
liberdade condicional desde agosto do ano passado, quando foi solto após
cumprir pena pelo estupro de outro menor de idade. Ele cumpriu a pena
anterior em regime fechado e, se condenado mais uma vez, pode pegar de 8
a 15 anos de prisão.
Na segunda-feira (17), o menino havia sido
deixado pelos pais na casa da avó, já que eles não poderiam ficar com a
criança durante o dia por terem de trabalhar. Um primo, que flagrou o
irmão da avó no momento em que ele praticava o abuso sexual, fez a
denúncia à polícia. Os agentes foram até a casa da família e autuaram o
pastor em flagrante.
O
delegado conta que a avó do menino foi autorizada a acompanhar as
investigações e o depoimento de seu irmão, mas, apesar de o pastor ter
admitido o crime, ela não acreditou em suas palavras.
"Ele
[o pastor] chegou a ajoelhar na frente dela, disse para a família orar
por ele. Na verdade, é um dissimulado. Ele sabia bem o que estava
fazendo. Planejou tudo", afirma o delegado. "Quando está apenas com os
policiais, ele conversa normalmente. Mas, na frente da família, utiliza
esse subterfúgio de dissimulação e afirma que está sendo
incompreendido."
Apesar de ter admitido o estupro, o pastor preferiu não dar detalhes sobre o caso.
"Desnudas de Nova York" alegam que suas performances são artísticas; não existe lei que impeça exibição de seios na cidade
No verão escaldante nova-iorquino, mulheres têm feito topless em pontos turísticos da cidade
Uma nova prática tomou conta da Times Square, um
dos pontos mais famosos de Nova York, no escaldante verão
norte-americano: jovens mulheres de topless, com calcinhas minúsculas,
bandeiras dos Estados Unidos pintadas no corpo e enfeites na cabeça se
oferecendo para tirar fotos com turistas em troca de gorjetas.
Jovens na região que concentra teatros e lojas de produtos de marca na cidade americana
Chamadas de "Desnudas da Times Square", as
garotas – em sua maioria latinas – têm irritado comerciantes locais, a
polícia e até mesmo o prefeito da maior cidade dos EUA, Bill de Blasio,
embora nenhuma lei impeça que elas exibam os seios na cidade.
Em entrevista nesta terça-feira (18), o chefe do poder executivo
municipal disse que a prática é "errada", mas não declarou como pretende
impedi-la. Ele lembrou que posar para fotos em troca de dinheiro é uma
"transação de negócios" que deve ser vigiada.
As "desnudas" alegam
que sua performance é "artística", assim como a dos músicos e estátuas
vivas que se apresentam na Times Square e também recebem gorjetas das
pessoas.
Presidente do PSDB repercute nota de FHC afirmando que não espera de Dilma a grandeza de renunciar ao governo federal
Reprodução/Twitter oficial Aécio Neves - 16.8.15
O senador durante ato pelo impeachment de Dilma Rousseff em Belo Horizonte, no domingo
Um dia após Fernando Henrique Cardoso elevar o tom
contra o governo Dilma Rousseff, o presidente do PSDB, Aécio Neves,
repercutiu a declaração do colega de partido afirmando que ele apenas
expressou seus sentimentos como "homem público e absolutamente
responsável", nesta terça-feira (18), e afirmou não esperar "a grandeza"
da petista em deixar o governo federal.
"O
que o presidente Fernando Henrique disse é o que está no sentimento e
na alma não apenas dos tucanos, mas de milhões de brasileiros. Ele
apresenta uma alternativa para um governo que já deixou de ser governo.
Lembro as palavras do grande Ulysses Guimarães, quando comentava um
momento parecido com esse, que passava o governo [do hoje senador
Fernando] Collor, e disse: 'Collor pensa que é presidente'. A presidente
Dilma pensa que é presidente, mas ela não é mais presidente da
República", disse Aécio em nota divulgada pelo partido.
"Porque
[Dilma] teve de delegar a condução da economia, a condução da política e
agora sequer tem iniciativa na agenda do país. O PSDB não fugirá a essa
conexão, a ser intérprete, como outros partidos da oposição, desse
sentimento. Desse sentimento que tomou as ruas de todo o Brasil."
David Shalom/iG São Paulo
Rogério Chequer, líder do Vem Pra Rua, no protesto realizado no domingo (16), em São Paulo
Na véspera, após meses em cima do muro em relação, FHC pediu que Dilma renunciasse ao governo,
no dia seguinte aos protestos que levaram mais de 600 mil pessoas às
ruas de todo o Brasil contra a presidente, realizados no domingo (16).
Para ele, a chefe do Poder Executivo deveria ter o "gesto de grandeza"
de sair, abraçar "a voz franca de que errou" e "apontar os caminhos da
recuperação nacional."
"A renúncia é um ato unilateral,
que não depende de uma iniciativa do PSDB", prosseguiu Aécio na nota.
"Ele [FHC] considera que a renúncia talvez seja o menos traumático dos
processos. E isso está também na mesa para ser discutido. Não sei se,
pelas respostas que ouvi hoje, o governo teria essa grandeza. Portanto,
temos hoje lei no Brasil. Leis para serem cumpridas, em especial pela
presidente da República."
No texto, o presidente tucano ainda
exaltou os atos de domingo como "um dos mais emocionantes momentos de
toda minha trajetória" e atacou Humberto Costa (CE), líder do PT no
Senado, que acusou FHC de ter inveja de Dilma.
"Um presidente que
é respeitado por onde anda no Brasil e fora do Brasil, que não é,
depois de oito anos, investigado pelo que quer que seja, por que ele
teria inveja? Inveja de quem?", apontou Aécio.
"Inveja
de uma presidente sitiada? Inveja de um ex-presidente investigado e
inflado nos céus de Brasília no último domingo? Inveja de um partido
político, que é o PT, mergulhado em denúncias que hoje alcançam
inclusive um terceiro tesoureiro do PT? O presidente Fernando Henrique é
um homem que anda de cabeça erguida no Brasil e presta contas apenas à
história. E nós nos orgulhamos muito de tê-lo como presidente de honra
do PSDB."
As constantes pressões do chefe para que deixasse
de lado a filha e priorizasse o trabalho fez com que a paulista Vanessa
Oliveira decidisse empreender; em cinco anos a Midia Pane já conta com
200 unidades no Brasil
Com investimento de R$ 1.200,00, no início os sócios trabalhavam em média 14 horas por dia
Em meio ao dilema de priorizar a vida profissional
ou a maternidade, Vanessa Oliveira decidiu deixar o cargo em uma
empresa de comunicação e decidiu empreender. Foi durante um encontro
com amigas em uma padaria que surgiu a ideia de criar um modelo de
negócios inédito até então: veicular conteúdo publicitário em sacos de
pão. A percepção de que o espaço em branco, ignorado pelos anunciantes,
poderia chamar a atenção dos consumidores e gerar bons retornos se
transformou na Mídia Pane, lançada em 2010.
“A ideia do saco de
pão foi bastante impetuosa. Tivemos a ideia em um dia, fizemos um
brainstorm para escolher o nome e, na semana seguinte, estava criando
todos os materiais gráficos e desenhando o projeto”, conta Vanessa.
Antes mesmo do negócio sair do papel, contudo, as amigas dessistiram da
sociedade e a empreendedora se viu diante da missão de seguir em frente
sem este apoio. Foi então que o irmão de Vanessa, Henrique de Oliveira,
decidiu tornar-se sócio do negócio.
Com
investimento de R$ 1.200,00 em papelaria, no início a dupla trabalhava
em média 14 horas por dia. Além de criar o site e as embalagens,
formatar o material e desenvolver fornecedores, eles precisavam sair
para vender o produto – mesmo sem ter qualquer tipo de experiência
prévia com vendas.
“Ficávamos a madrugada fazendo a arte da
empresa a ser visitada e a colagem nas embalagens em branco.
Preparávamos uma cesta com café da manhã com os sacos de pão
personalizados e caímos na graça de alguns clientes que acabaram
fechando contrato conosco. Em dois meses trocamos a sala do meu
apartamento pelo nosso primeiro escritório. Essa foi a nossa primeira
conquista”, conta Vanessa.
A opção para assegurar o crescimento e a conquista de novos anunciantes foi adotar o modelo de franchising
Expansão através de microfranquias
Original
de São José dos Campos, a empresa conquistou novos mercados. Passado um
ano do início das operação da empresa, a opção para assegurar o
crescimento e a conquista de novos anunciantes foi adotar o modelo de
franchising.
“Fizemos uma pesquisa por meio do site para saber se
havia interessados em adquirir um modelo de negócio como o da Mídia
Pane. Lembro-me até hoje: lançamos a ideia um dia antes do feriado de
Carnaval. Já no primeiro dia, tivemos 60 cadastros. Passei o Carnaval
inteiro atendendo. Ficamos mais um mês trabalhando madrugada afora para
desenvolver o material para a franquia”, diz Vanessa.
O formato
possibilitou expandir as atividades da empresa com mais rapidez e
eficiência. O franqueado da Mídia Pane tem a missão de prospectar
empresas para investir nos anúncios em sacos de pães. Assim que fecha
contrato, ele envia a solicitação para a franqueadora, esta responsável
pela arte e impressão dos anúncios. Depois de prontos, o franqueado
distribui o material gratuitamente em padarias parceiras de sua região.
“Cidades com até 100 mil habitantes são o nosso foco e o trabalho em
municípios com esse perfil tem obtido bons resultados!”, comemora a
empreendedora.
Segundo
Vanessa, outro ponto que favorece o acelerado crescimento de mercado da
Mídia Pane é o fato de que o dono do comércio também se beneficia do
modelo de negócio, já que recebe os sacos com os anúncios de forma
gratuita e, assim, economiza nos gastos mensais. “Temos cases de
padarias que economizam até 80% por mês”.
Atualmente a Mídia Pane é uma rede de microfranquias com
quase 200 unidades e presença nacional. A empresa conta com 12 mil
padarias cadastradas em todo o país e, por mês, são produzidos em média
2.500 anúncios de segmentos como pet shops, salões de beleza, clinicas
de estética, escolas, concessionárias, imobiliárias e construtoras,
entre outros. Ao todo, são impressos 1,8 milhão de sacos por mês.
“Existe um rodízio na distribuição das embalagens. Sempre consideramos o
público-alvo que o anunciante busca para definirmos onde será feita a
distribuição da campanha”, ressalta Vanessa.
Para se tornar
franqueado da Mídia Pane é preciso investir R$ 16.500, não é preciso
ponto comercial e nem espaço para estoque. A média de faturamento
mensal de cada unidade franqueada gira em torno de R$ 10 mil. Essa soma
deve gerar um faturamento total de R$ 18 milhões em 2015 para a rede.
Nada mal para uma mãe que só desejava provar para o chefe que é possível
conciliar a carreira e a rotina familiar sem prejuízos pessoais ou
profissionais.