quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Brasil tem 156 confirmações de câncer de mama por dia, diz Inca

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O autoexame pode ser feito em casa pelas mulheres
O câncer de mama está entre os tipos da doença que ocorrem com mais frequência no mundo, perdendo apenas para o de pulmão, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, estimativas do Instituto do Câncer (Inca) indicam que ele terá sido responsável por mais de 57 mil novos casos até o fim deste ano, representando 156 diagnósticos por dia.

Os dados foram lembrados nesta quarta-feira (1º), em Santos, no lançamento do Outubro Rosa, mês de conscientização e combate do câncer de mama. A iniciativa busca alertar a população feminina sobre os riscos e a necessidade de diagnóstico precoce deste tipo de tumor.

No Município, a campanha é realizada em parceria com o Instituto Neo Mama, instituição que presta atendimento gratuito às pessoas com câncer de mama moradoras na Baixada Santista.

Durante o mês de outubro, na Cidade, serão oferecidos 2.500 exames de mamografia para mulheres a partir dos 40 anos, além de diversas atividades voltadas à prevenção da doença.

Cuidados

A oncologista clínica e coordenadora do serviço de oncologia do Hospital Ana Costa de Santos, Sueli Monterroso da Cruz, afirma que as mulheres precisam ficar atentas a qualquer mudança que ocorra da noite para o dia na região das mamas.

"É preciso prestar atenção em nódulos, acompanhados ou não de dor, em alterações na pele, que pode ficar vermelha ou com aparência do tipo casca de laranja e descamando, como se fosse uma alergia. Qualquer sinal de secreção saindo do mamilo também deve ser motivo de alerta".

Ainda segundo a especialista, caroços na axila também podem ser sinal de câncer de mama. "Qualquer desses sintomas que apareça não é motivo para pânico. Nem tudo é câncer", afirma.

A doença pode ocorrer homens e mulheres, mas o público de alto risco são os pacientes do sexo feminino de meia idade e com histórico de câncer de mama ou de ovário na família.

Para notar quando há algo errado, é preciso que a mulher conheça o próprio corpo. Além das visitas de rotina ao ginecologista ou profissional da área da saúde, a médica recomenda que o autoexame faça parte da rotina das mulheres. "É simples e pode ser feito no banho. O autoexame não é diagnóstico, mas faz com que a mulher se conheça e perceba melhor qualquer mudança que ocorra. É importante também a visita a um especialista, para que seja feito pelo médico um exame físico. Depois o profissional que indica a mamografia ou um ultrassom da mama. Alguns nódulos tem que ter pelo menos 1,5cm para ser palpável".

O Instituto Nacional de Câncer recomenda que mulheres acima dos 50 anos façam a mamografia a cada dois anos e o exame físico no médico anualmente. "Em caso de qualquer mudança, a mamografia poderá ser realizada antes do tempo", diz a oncologista.

Veja como fazer o autoexame:
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Alta incidência

Segundo a médica, a incidência de casos de câncer de mama no setor de oncologia do HAC é grande. "Não tenho números, mas o número de pacientes com câncer mamário é grande. Não só aqui, mas no Brasil como um todo. Infelizmente, muitas chegam ao hospital com a doença já avançada. A mortalidade da doença é alta no Brasil e a sobrevida das pacientes, em 5 anos, é de 61% dos casos apenas", relata.

Para tentar evitar a patologia, a médica recomenda hábitos saudáveis, como se alimentar de forma equilibrada, evitando carne vermelha e embutidos, e fazer exercícios físicos. "Quando falo exercício não exatamente me refiro à academia. É preciso que as pessoas caminhem, subam escadas e deixem de ser sedentários. Ter uma vida mais ativa diminui em 28% o risco de desenvolver um câncer de mama", alerta.

Descobriu com o autoexame

A presidente e fundadora do Instituto NeoMama de Santos e presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer do Estado de São Paulo, Gilze Maria Costa Francisco, descobriu que estava com câncer aos 38 anos, após realizar, em casa, o autoexame recomendado pelos médicos.

Após sete meses de tratamento, ela se livrou do nódulo canceroso, mas garante que o controle é essencial. "Faz 15 anos que me livrei do câncer, mas sigo com o controle anual para que a doença não volte. O monitoramento é essencial. Não podemos abandonar o tratamento", diz Gilze, que também é enfermeira.

"Recomendo a todas as mulheres o autoexame, ele pode salvar vidas". Ainda segundo a presidente do Instituto, com relação à prevenção da doença, "não há o que ser feito". "O que deve ocorrer é a detecção precoce da doença, para que ela não evolua de forma negativa", explica.

Gilze usa como exemplo a atriz Angelina Jolie que, em maio do ano passado, passou por uma dupla mastectomia preventiva, uma cirurgia para retirada dos seios. "A Angelina diminuiu as chances de desenvolver a doença, mas não a anulou".
A Secretaria de Estado da Saúde foi procurada por meio de assessoria de imprensa para fornecer dados da Baixada Santista ou do Estado sobre incidência da doença e taxa de mortalidade, mas, até a publicação desta matéria, não havia se pronunciado.

Abaixo, confira mitos e verdade sobre o câncer de mama:

> O câncer é contagioso
Mito - Mesmo o câncer causado por vírus não é contagioso, ou seja, não passa de uma pessoa para a outra por contágio como ocorre com resfriados, por exemplo

> O surgimento do câncer está relacionado a maus hábitos alimentares e consumo exagerado de álcool
Verdade
- O aparecimento da doença está relacionado a inúmeras causas. Além dos citados anteriormente, sedentarismo e, principalmente, o tabagismo também contribuem para desenvolver o câncer de mama

> Desodorante antitranspirante pode causar câncer de mama
Mito -
Esse é um boato que circula na Internet, mas nada tem de verdadeiro. Na axila não existem células mamárias e não existem pesquisas ou estudos que demonstrem haver qualquer ligação entre as duas coisas

> É melhor ter vários nódulos do que apenas um
Mito -
Estudos indicam que o fato de ter um ou vários nódulos não influencia na gravidade da doença. É importante lembrar também que nódulo nem sempre é câncer.

> O câncer tem cura
Verdade -
Embora a medicina mencione que o tratamento deve ser individualizado e que cada paciente responde de maneira particular às terapias, o câncer é curável, desde que diagnosticado precocemente e acompanhado corretamente.

> Alimentos cozidos em forno de micro-ondas podem provocar o câncer
Mito -
As micro-ondas não tornam o alimento radioativo, nem apresentam risco de exposição à radiação

> A frequência sexual interfere na ocorrência da doença
Mito –
Especialistas afirmam que não há relação alguma entre a frequência sexual e o surgimento de câncer. Cabe ressaltar que a atividade sexual não ajuda a proteger as mamas contra o câncer

> Se eu faço o autoexame de mamas todos os meses não preciso fazer mamografia
Mito -
Normalmente, se você fizer o autoexame todos os meses e visitar o seu médico anualmente, uma mamografia por ano é suficiente. Nem o autoexame, nem o exame clínico, nem a mamografia são eficientes sozinhos. Alguns cânceres de mama são detectados apenas com a mamografia. Outros são detectados apenas com o exame médico, por esta razão, a recomendação é fazer a mamografia, junto com o autoexame e o exame clínico físico feito por um profissional de saúde

> A radiação emitida pela mamografia causa câncer
Mito -
A exposição a qualquer tipo de radiação irá expô-la a riscos de câncer em geral, porém a quantidade de radiação de uma mamografia é relativamente baixa

> Amamentar protege o peito do câncer de mama
Verdade -
Quando o bebê mama, as células mamárias ficam ocupadas com a produção de leite e se multiplicam menos, o que reduz o risco de contrair a doença

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Criticado, horário eleitoral acaba nesta quinta-feira

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Horário político foi bastante criticado neste ano
O horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na televisão termina hoje. Para boa parte dos eleitores, a sensação é de alívio, porque terão de volta os horários normais de seus programas preferidos. Outra parte lamenta que esse espaço democrático, no qual o candidato deveria apresentar suas plataformas, tenha se tornado obsoleto.

Especialistas e observadores atentos a essa programação, estabelecida por regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendem mudanças em seu formato. O ideal é que seja reformulado, jamais extinto.

Fontes consultadas por A Tribuna dizem que o espaço hoje concedido às chamadas legendas de aluguel (sem representação no Congresso ou com poucos filiados) e aos candidatos nanicos tem de acabar.

Em nome do bom senso, eles defendem uma reforma política esperada há muito tempo, mas que ainda não ganhou força no Congresso.

Ex-prefeito de São Vicente, ex-deputado estadual e ex-deputado federal, Koyu Iha, de 74 anos, diz que os programas da propaganda eleitoral na TV e no rádio se tornaram monótonos e tediosos. Isso porque, entre outras razões, candidatos que já tiveram mandatos não falam de suas propostas, mas preferem destacar o que já fizeram.

Ele é contrário às produções externas, porque encarecem o custo de campanha e aumentam a dependência por marqueteiros. “Criam-se produtos”, reclama.

Debates internos

Entre suas propostas para mudar esse modelo, defende que os partidos organizem debates com seus candidatos a deputados estadual e federal, no horário eleitoral. Ao invés de apenas aparecer e dizer o que vai fazer, a discussão de temas específicos, dependendo do perfil dos candidatos, permitiria o confronto de ideias.

“Em cada programa, seriam abordados assuntos diferentes, como saúde, educação, transporte e segurança”.

O publicitário e comportamentalista Américo Barbosa avalia esse período como um dos piores do horário eleitoral dos últimos pleitos. Em razão de tempos diferentes concedidos a candidatos ao executivo e ao legislativo, ele viu um desfile de falta de identidade nas candidaturas. “Desconhecidos continuaram desconhecidos porque não se preocuparam em criar uma marca própria”.

Ele questiona se o horário gratuito da propaganda eleitoral cumpre com qualidade a sua função. Barbosa defende que o TSE crie um manual estabelecendo critérios para evitar, por exemplo, que alguns postulantes ignorem as competências do cargo e façam propostas e promessas inexequíveis. “Não seria censura. São mecanismos para impedir que se cometam tantas leviandades e irresponsabilidades”.
 
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