General senegalês Babacar Gaye, demitido após as denúncias de abuso na República Centro-Africana
A
sensação de impunidade diante dos casos de abusos sexuais em missões de
paz como a da República Centro-Africana ameaça a credibilidade da
organização
Foi em 14 de agosto que o secretário-geral da
ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, qualificou de "câncer" a enxurrada de
acusações de abusos sexuais cometidos por seu pessoal contra civis em
missões de paz. O contingente na República Centro-Africana (Minusca)
estava na mira: uma operação de ruandenses e camaroneses no início do
mês na capital, Bangui, havia terminado com a morte de um pai e seu
filho adolescente e a suposta violação de uma menina de 12 anos. Também
morreu um capacete-azul em confronto com a população.
Segundo os
dados facilitados até esse dia 14 pela ONU, a Minusca já reunia 57
denúncias, 11 delas de abusos sexuais contra menores. Isso pelo menos no
papel, porque dois dias antes das palavras de Ban o escritório da ONU
em Nova York havia sido informado sobre a violação de outras três jovens
centro-africanas. Os abusos já somavam 60 casos, e não 57, em apenas 11
meses de missão.
Segundo os dados apresentados na semana
passada ao "El País" por Vannina Maestracci, porta-voz do
secretário-geral, em 12 de agosto as famílias de três jovens denunciaram
suas violações por três membros da Minusca. Nesse mesmo dia veio a gota
d'água para o copo de Ban. O chefe da ONU pediu a demissão do líder da
Minusca, o general senegalês Babacar Gaye, um veterano em missões de
paz. Gaye aceitou.
Mas o câncer já havia se espalhado. Para
muitos não só o dos abusos, mas sobretudo da impunidade. Paula Donovan é
codiretora da Aids Free World (AFW), organização com sede em Nova York
que monitora a gestão que a ONU faz desses escândalos. "O problema não é
tanto que o pessoal das missões não receba formação contra os abusos",
diz Donovan, "senão que saibam o que pode lhes acontecer se os
cometerem, e isso não está muito claro."
Depois das palavras de
Ban, a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, admitiu que o número
real de denúncias contra capacetes-azuis "poderia ser muito pior" se a
cadeia denúncia-investigação não fosse tão deficiente. Precisamente uma
auditoria interna da ONU realizada no Haiti e publicada neste fim de
semana indicava que pelo menos 138 casos de denúncias por suposta "má
conduta" contra civis - em muitas ocasiões abusos sexuais - de pessoal
mobilizado seguem abertos e sem solução mais de um ano depois de
iniciadas as pesquisas. Há casos que superam os cinco anos.
Também sobre o Haiti, um informe interno vazado à imprensa em junho
revelou que membros da missão de paz mantinham relações sexuais com pelo
menos 225 mulheres em troca de comida e remédios, algo absolutamente
proibido. Haiti, República Centro-Africana, Libéria, Sudão do Sul... Dez
anos depois da primeira grande investigação sobre exploração sexual em
missões de paz, o chamado relatório Zeid sobre o Congo, os abusos
continuam sendo um buraco negro por onde escapa a credibilidade e
escorre a impunidade em operações da ONU, com mais de 125 mil
expatriados por todo o mundo em 16 missões.
Lisa Sharland,
analista do grupo de pensadores americano Stimson Center, insiste
especialmente na responsabilidade dos países que enviam tropas. Nem a
ONU nem o país receptor da missão têm poder para julgar os soldados
denunciados. É o país de onde eles saem que deve fiscalizar o caso.
"Alguns desses países são mais rigorosos e transparentes que outros em
suas investigações", aponta Sharland. "Os governos são muito sensíveis à
informação sobre denúncias contra seu pessoal", continua a analista, "e
isso deriva em falta de transparência na hora de saber como são
administradas as denúncias e se o pessoal é ou não castigado."
Esse déficit de colaboração levou Ban Ki-moon a ameaçar publicar a
informação por país das denúncias de peso feitas contra seu pessoal em
campo. Mas a ONU não evita o ocultamento da informação. A suspensão de
um de seus funcionários, o sueco Anders Kompass, por vazar à França o
caso sobre denúncias contra seus soldados na República Centro-Africana,
revelou, em primeiro lugar, um escândalo de abusos cometidos contra
menores de idade, e em segundo o cuidado especial da missão sobre as
pesquisas.
Donovan, da AFW, organização que trouxe à luz este
caso, alerta sobre o grande obstáculo que enfrentam as investigações
dessas ofensas: "o dinheiro". O que chega de contribuintes às missões e o
que é destinado aos países que contribuem com soldados. Com as
denúncias, essas quantias poderiam se ver em perigo.
Colégio Militar Tiradentes é a melhor instituição estadual de Alagoas16 fotos
Alunos perfilados durante atividade escolar; disciplina é o carro-chefe do ensino na Escola Militar Tiradentes, em Maceió
No Colégio Militar Tiradentes, em Maceió (Alagoas), os alunos vivem uma
rotina militar. Lá se respira a palavra disciplina. Localizado no
Trapiche da Barra, zona sul da cidade, há cinco anos se destaca no Enem
por Escola com base em uma "didática" baseada no rigor.
O
estabelecimento tem a maior nota de uma escola da rede estadual no
Estado, com média 521,17 entre as provas objetivas. Para se ter uma
ideia, a maior nota de uma escola da rede estadual é 657,59 e há 650
escolas de rede estadual com nota maior que a do estabelecimento
alagoano.
Para estudar no Tiradentes, o visual do aluno também
tem que estar alinhado: ele tem de estar com cabelos cortados e
arrumados no padrão militar, uniforme limpo e passado a ferro com vinco
e, ainda, bater continência para professores, coordenadores e direção.
O ritual dos alunos começa com vistoria nos cabelos e nos uniformes,
que são cinco ao todo – sendo dois uniformes de gala usado para desfiles
e solenidades. Durante a semana, outras obrigações militares são
atribuídas aos estudantes, que às terças-feiras, fazem uma solenidade de
hasteamento das bandeiras do Brasil, de Alagoas e do colégio.
A
diretora do Colégio Tiradentes, coronel da PM (Polícia Militar) Fátima
Escaliante, destaca que a disciplina do aluno conta até na permanência
dele na escola. Diferentemente dos demais colégios, o regimento do
Tiradentes permite que o aluno indisciplinado seja expulso da unidade.
No ano passado foram 14 alunos expulsos. Entre especialistas da área, a
seleção de alunos é vista como um ponto negativo no processo
educacional.
"Todo aluno entra com dez pontos, à medida que ele
vai deixando de cumprir obrigações, como chegar atrasado, não estar com o
uniforme de acordo com o dia ou estar com o cabelo desalinhado, ele vai
perdendo pontos. Ao atingir 3.9 ele vai para o conselho para ser
avaliado se permanece ou não", explica Escaliante. O aluno que se
envolver em agressões ou desrespeitar o professor comete falta grave e é
imediatamente expulso.
Patentes
Como na PM, há um
sistema de patentes e hierarquia: tenente, capitão, major,
tenente-coronel e coronel. A escala vai de acordo com a turma que está
cursando, as notas e os pontos que acumularam por estarem cumprindo as
atividades em sala de aula e extraclasse e, também as obrigações. No
terceiro ano, o aluno destaque ocupa a "patente" de coronel.
A
nova coronel da turma do terceiro ano B, Susana Glória dos Santos, 17,
estuda no Tiradentes há oito anos e diz que o segredo é a disciplina,
motivação e dedicação nos estudos. Filha de militar, ela conta que não
tem dificuldades em cumprir as regras da escola e o foco é nos estudos.
"Estudo pela manhã e faço cursinho a tarde, mas à noite ainda dou uma
estudada, por uma, duas horas para fazer as atividades de casa. Temos
também ter autocontrole para não se desesperar nas provas para
conseguimos notas boas e também se sair bem no Enem", disse a garota.
Segundo o professor de português e literatura, Paulo César dos Santos, a
disciplina e o treino são fatores de sucesso dos alunos nos exames como
o Enem. "O aluno escreve e nós corrigimos até o texto sair perfeito
para entendimento de todos", disse.
Especialistas criticam
Especialistas discordam da aplicação da militarização em sala de aula para obter resultados satisfatórios.
A professora de história, especialista em gestão de sistemas
educacionais, Pilar Lacerda, diz que o modelo abre mão da pedagogia ao
apelar para a rigidez e a disciplina militar.
"A escola de
educação básica é o lugar da formação de valores, de conhecer e
respeitar o outro. Do diálogo e da construção de normas comuns. Que
cidadão está sendo formado neste modelo militar? A não ser que o jovem
queira seguir carreira militar", argumenta Lacerda, que é presidente da
Fundação SM.
Ela explica que para estudantes se manterem focados
nos estudos, a escola deve tornar a sala de aula mais atrativa e menos
burocrática.
"Que pense no projeto pedagógico que seja
construído para o estudante entender o mundo e entender-se no mundo.
Atiçar a curiosidade e incentivar a criatividade. Nada feito a força
funciona", explica a professora.
Filhos de militares e filhos de civis
No estatuto da escola, a oferta de vagas se destina, prioritariamente, a
filhos de militares. Mas a seleção é feita pelo rendimento em uma prova
-- se o filho do militar não obtiver nota para ingressar, sua vaga fica
disponível para os filhos de civis que, atualmente, são maioria (53%).
Para entrar no Colégio Tiradentes, o aluno se submete a um concurso com
provas de português e matemática. O colégio tem 700 alunos distribuídos
em turmas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do
ensino médio.
As aulas ocorrem de segunda-feira a sábado, ou no
período da manhã ou da tarde. Os alunos do terceiro ano recebem reforço
de disciplinas isoladas de cursinho pré-vestibular que foi contratado
pelo próprio colégio.
Deputado estadual Coronel Telhada diz que ação robusta se justifica porque País vive 'guerra' e 'bandido não respeita a lei'
Na recepção do gabinete do deputado estadual Paulo Telhada,
um potinho de balas de goma saúda o visitante, embaladas em papel
branco com seu nome e a expressão "bancada da bala" ─ como é conhecida a
frente política conservadora integrada por Telhada, coronel reformado
da Polícia Militar de São Paulo.
Reprodução/BBC
Polêmico deputado Paulo Telhada integra a "bancada da bala", formada por ex-policiais
Na parede, mais um trocadilho: um grande cartaz
com o slogan que adotou ao ingressar na política ─ "Uma nova Rota na
política de São Paulo" ─ referindo-se à controversa unidade de elite da
qual foi comandante antes de ir para a reserva. Na sala de espera, o
encarte sobre o trabalho do deputado traz uma cartela destacável para
montar uma miniviatura da Rota.
Segundo deputado mais eleito de
São Paulo no ano passado, pelo PSDB, Coronel Telhada diz que as
"balinhas docinhas" são para ironizar o nome dado de forma "pejorativa" à
bancada da bala, que defende projetos para reduzir a maioridade penal e
flexibilizar o porte de armas. O grupo reúne um "um pessoal que quer
trabalhar forte, quer combater o crime, quer trabalhar dentro da lei",
define.
Telhada já afirmou à imprensa ter matado mais que 30
pessoas em seus anos na ativa. À BBC Brasil, diz que na verdade "nunca
contou" o total, mas que foi "uma pancada", sempre "dentro da lei".
O
coronel se exalta com críticas ao número de mortes causadas por
policiais, afirmando que matar "faz parte da ação policial' e não pode
ser evitado em um país em "guerra" como o Brasil.
No primeiro semestre deste ano, o número de pessoas mortas
por policiais em serviço cresceu 10% e foi o mais alto em dez anos,
segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
No
último dia 13, 18 pessoas foram mortas em Osasco e Barueri, na Grande
São Paulo, e suspeita-se que a chacina tenha sido cometida por policiais
para vingar a morte de um colega.
Segundo informações
obtidas pela TV Globo, a Corregedoria da Polícia Militar estaria
investigando 19 suspeitos de envolvimento nos assassinatos. Dezoito dos
investigados seriam policiais militares, de acordo com a emissora.
Telhada
diz que a chacina é "gravíssima" mas revolta-se com o Secretário de
Segurança Pública, Alexandre de Moraes, que afirmou logo após o crime
que a principal linha de investigação apura envolvimento policial ─ para
Telhada, uma "besteira" que joga a corporação "num mar de lama sem
qualquer prova".
Ele defende o projeto aprovado ontem pela Câmara
dos Deputados para reduzir a maioridade penal, mas queria que a redução
fosse dos 18 para os 14 anos. Para ele, o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) é um "Frankenstein" que criou "um monstro mirim", como
se refere ao infrator menor de idade. Os problemas sociais por trás do
envolvimento de adolescentes com o crime são de responsabilidade do
Estado, afirma ─ ele, como policial, trabalha "com o efeito". "Eu ganho
para resolver aquele problema", diz. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC
Brasil - O senhor é parte da chamada "bancada da bala", que vem
ganhando força no poder Legislativo. A que o senhor deve esse
crescimento?
Coronel Telhada - Aqui no
Brasil se costuma mostrar o criminoso como vítima da sociedade e o
policial como algoz. Isso veio após a revolução de 64, ou o golpe
militar, ou chame como quiser – onde tudo que é relativo a segurança e
ao nome "militar" virou sinônimo de tortura, violência.
Mas agora a população cansou disso, e quer uma posição firme contra o crime, firme contra as irregularidades.
A
nossa legislação criminal é muito benevolente com o crime. Tem que ser
alterada e fazer com que o criminoso sinta, sim, o peso da lei. Aqui no
Brasil, o crime compensa, porque o cara não recebe a sanção adequada
para o que fez. A sensação de impunidade é muito grande. O criminoso
fica à vontade para praticar crime, porque sabe que quase não vai ter
efeito nenhum sobre ele. A nossa principal briga é no sentido de
melhorar a legislação penal.
BBC Brasil - O senhor fala em
impunidade, mas comumente esta é um crítica feita também à polícia. O
outro lado é a polícia com fama de ser muito violenta e o policial
percebido como algoz.
Coronel Telhada - Acho
que isso é um ranço do regime militar. Toda ocorrência onde você tem um
confronto entre a polícia e o criminoso, de imediato já se fala que a
polícia é culpada.
A mídia sempre aponta a polícia como autora de
violência e essa conduta é muito ruim. O pessoal tem que entender que a
polícia não é culpada da violência.
O culpado da violência é o
Estado brasileiro. São nossas leis que são fracas para o criminoso e
favorecem o tráfico de entorpecentes e a falta de policiamento nas
fronteiras. É a nossa educação que está uma porcaria no Brasil. Todos os
segmentos da sociedade estão falhando. E quando chega no crime, a culpa
é da policia, e todo mundo lava as mãos.
BBC Brasil - Mas
infelizmente não é raro ver policiais envolvidos com violência. Semana
passada 18 pessoas foram assassinadas na chacina de Osasco e Barueri e o
secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, disse
que a principal linha de investigação considera a participação de PMs.
Coronel Telhada - O
secretário devia pensar mais antes de falar. Ele, por ser o chefe de
polícia, devia ter mais de cautela antes de falar besteira. Ele não tem
prova nenhuma. Pode ser policial? Pode, ninguém está negando essa
hipótese. Mas quando ele joga essa hipótese como a principal linha de
investigação, olha a grave falha que ele comete. Ele já acusa uma
corporação.
Se provado amanhã que há policiais envolvidos, que
paguem, e que paguem bem caro, porque cometeram um crime grave. Mas é
complicado você jogar uma corporação num mar de lama sem qualquer prova.
Ouvi falar que o governador (Geraldo Alckmin) está dando um prêmio de
R$ 50 mil para quem tiver alguma prova. Eles não têm uma prova de que
seja policial militar!
Aí vão falar da munição usada. Hoje qualquer bandido usa armamento exclusivo das Forças Armadas.
A
chacina é uma coisa gravíssima e não deve acontecer. Mas quando morre
um policial a preocupação não é a mesma. Nos últimos quatro anos, já
passamos de 400 policiais mortos em São Paulo. Quando morre um criminoso
a grita é geral. Poxa, será que nós valemos menos que um criminoso?
BBC
Brasil - Recentemente a Anistia Internacional divulgou um relatório
falando sobre o alto número de mortes causados por policiais no Estado
do Rio. Nos últimos cinco anos, a polícia matou mais de 1.500 pessoas, o
equivalente a 16% dos homicídios no período. Os casos foram registrados
como autos de resistência que, segundo a Anistia, podem mascarar
execuções extrajudiciais.
Coronel Telhada - O
que me chama atenção é que eles falam de 16% em decorrência de ações
policiais. E os outros 84%? São mortes de cidadãos pais de família.
Ninguém se preocupa. O elevado não são os 16%. O número de mortes no
Brasil é muito alto. A legislação penal não pune de maneira adequada. A
vida de um cidadão perdeu o sentido. Hoje um criminoso mata por causa de
um celular, por causa de R$ 10.
Então me assusto quando vejo os
outros países com essa hipocrisia internacional, porque no país deles a
lei funciona. Então eles vêm aqui questionar a minha polícia, se nós
estamos agindo legitimamente ─ em um país que não tem lei, onde ninguém
respeita a lei!
O único obstáculo entre o cidadão decente e o
bandido se chama polícia. E essa polícia está de quatro, essa policia
está amarrada. Essa polícia está desestimulada.
O policial civil e
militar não só ganha um mau salário como também não tem apoio da
família e da sociedade para trabalhar. O governo hoje não valoriza a
policia que tem. Quer que policia tome atitude, exige, e quando toma, o
policial é punido.
BBC Brasil - Mas o problema é a sensação de que a polícia pode matar e isso não tem consequências.
Coronel Telhada - Um
policial na rua está sujeito a tudo, a salvar, a matar e a morrer. E
infelizmente às vezes a gente é obrigado a matar para não morrer. O
interessante é que quando você mata como policial, a Anistia quer
imputar a pecha de que somos perigosos, de que nós matamos porque nós
queremos. Parte do princípio de que o policial matou porque quis matar,
ou porque é violento. Nunca de que ele matou para se salvar ou salvar
uma pessoa.
Se um policial fica 30 anos na rua e não mata ninguém,
quero saber a quantas ocorrências ele foi. Porque tem tiroteio todo
dia. Todo dia morre pai de família. Aliás, está fazendo 25 anos que eu
fui baleado pela primeira vez. Isso a Anistia não leva em consideração.
Mas quando eu matei, a Anistia ficou preocupada porque eu matei.
É
complicado você estar na guerra, não dar tiro, não morrer, não ser
baleado, não matar como já tive que matar. Infelizmente, isso faz parte
da ação policial. Em um país como o Brasil, onde o bandido não respeita a
lei, ele atira por qualquer motivo.
BBC Brasil - Mas o
senhor está falando de casos de legítima defesa e a Anistia está falando
de casos de suspeita de execuções extrajudiciais.
Coronel Telhada - Eu
desconheço casos de execução que tenha envolvimento do policial em que
não tenha sido tomada uma atitude. Eu conheço casos em que foram
encontradas várias pessoas mortas e não se chegou ao autor. Estamos
partindo do pressuposto de que todas as pessoas que foram executadas foi
policial que matou. É muito perigosa essa afirmação.
BBC Brasil - Então não existem execuções extrajudiciais na polícia?
Coronel Telhada - Que
eu saiba não. Eu nunca participei de nenhuma. Quando houve, a polícia
conseguiu constatar e expulsou da corporação, e (os responsáveis) estão
cumprindo pena.
Em todos os casos, sem exceção, é feito inquérito
policial. Eu mesmo já fui julgado e absolvido. Se o policial matou e não
foi condenado, é porque estava agindo legitimamente. É por isso que
existe um pressuposto da legítima defesa e do estrito cumprimento do
dever legal. Os bons policiais agem dentro da lei. Mas nós matamos
também. Graças a Deus nós estamos vivos. Eu sou avô hoje, graças a Deus.
BBC Brasil - O senhor disse diversos casos (de pessoas que matou). O que aconteceu depois?
Coronel Telhada - Todas
as vezes que eu tive ocorrência em que tive que trocar tiro e matar um
ladrão, eu apresentei a ocorrência no distrito, foi feito todo o
procedimento legal, foram ouvidas todas as testemunhas, todas as
vítimas. As vítimas confirmaram a versão do policial. Fomos julgados e
fomos absolvidos.
Nunca tive nenhuma condenação, porque nunca fiz
nada errado. Fiquei 33 anos no serviço ativo, tive inúmeras ocorrências e
nunca fui condenado. Porque sempre trabalhei dentro da lei. Eu não
posso falar pelo meu vizinho.
BBC Brasil - Quantas ocorrências?
Coronel Telhada - Ah, uma pancada. Muitas. Nunca contei, filha.
BBC Brasil - Mas já vi números citados em reportagens – ao New York Timeso senhor falou em mais de 30.
Coronel Telhada - Eu
queria que fosse aquele número mesmo. Eles falam em 36. A imprensa
fala. Eu mesmo não sei. Por Deus que está no céu. Eu nunca parei para
contar. Mas os caras levantam a minha ficha no Tribunal Militar e lá tem
um número "x" de ocorrências. Minha preocupação foi sempre trabalhar
dentro da lei. Quantos morreram ou não, não sei. Agora, nunca me
perguntaram quantos eu salvei.
BBC Brasil - Quantos?
Coronel Telhada - Ah, milhares. Milhares, milhares. Isso ninguém está preocupado.
A
redução da maioridade penal é uma das principais bandeiras da bancada
da bala. O projeto é defendido por parte da população, e outros criticam
com veemência a ideia de se julgar e penalizar menores como adultos.
Eu
entendo que quando o legislador criou a ideia da maioridade penal aos
18 anos, ele pensou no melhor para a sociedade. Mas ele criou um
monstro, chamado infrator menor de idade. Um monstro mirim. É um
'Frankenstein'. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) é um
Frankenstein, porque quis fazer uma coisa boa e criou um monstro.
O
jovem com 12, 13 anos atua no crime sabendo o que está fazendo. Nos
morros do Rio, os bandidos soldados que tomam conta das biqueiras (bocas
de fumo) são jovens de 12, 13 anos, e andam armados de fuzis. Aqui em
São Paulo, criminosos de 14, 15 anos estupram, matam, sabendo o que
estão fazendo. As quadrilhas usam os menores de idade porque sabem que,
caso eles sejam presos, os menores assumem o crime e ficam presos por um
ou dois anos no máximo.
O indivíduo praticou um crime, ele tem
que pagar pelo que ele fez. Se não fica uma imagem de impunidade que faz
com que outras pessoas cometam o mesmo crime. A sociedade brasileira
não aguenta mais. E a mudança necessária é a diminuição da maioridade
penal. Infelizmente para os 16 anos, eu gostaria que fosse aos 14.
BBC
Brasil - Mas outro argumento de quem condena a mudança é que a maioria
desses jovens são pobres, negros e crescem sem acesso a educação, com
uma falta absoluta de oportunidade.
Coronel Telhada - Minha
querida, você está entrevistando o Coronel Telhada. Estou falando como
PM. Eu, como Segurança Pública, trabalho com o efeito. Quem tem que
trabalhar com a causa é o Estado, que tem que prover educação,
assistência social, saúde publica, o que não é feito.
Eu trabalho
com o crime, eu pego a situação pronta. O menor de idade estuprando,
matando, fazendo tráfico de entorpecente. É com isso que eu tenho que
agir. Se ele teve problema na infância ou não, se não teve educação, se a
mãe dele era prostituta, se o pai era drogado, eu, como policial, isso
não é problema meu.
Eu ganho para agir para resolver aquele
problema. Fora isso, toda a sociedade falha. Todos os órgãos que
deveriam estar envolvidos para melhorar a segurança pública no Brasil
não se apresentam. E a culpa é só da polícia.
Fundador de equipe e ex-piloto de Fórmula 1, o francês Guy Ligier
faleceu neste domingo aos 85 anos. Nascido em Vichy, o ex-chefe de
escuderia não teve as causas de sua morte divulgadas.
Antes de se
aventurar no automobilismo, Ligier jogava rúgbi, chegando a defender a
seleção francesa da modalidade. Depois, entrou em corridas de moto até
chegar aos carros, onde dirigiu pela Porsche em algumas categorias.
Em
1966, Ligier chegou à Fórmula 1 guiando seu próprio monoposto,
utilizando um chassi Cooper com motor Maserati. O francês encerrou sua
carreira na categoria em 1967, conseguindo sua melhor classificação no
GP da Alemanha, no qual terminou na oitava colocação com um
Brabham-Repco.
Com a morte de seu amigo Jo Schlesser em 1968,
Ligier decidiu fabricar seus próprios carros. Ao lado de Michel Tétu, o
francês lançou o Ligier JS1, que competiu nas 24 Horas de Le Mans de
1970.
Em 1974, Ligier comprou o espólio da equipe Matra e entrou na F1-
utilizando seu sobrenome no nome da escuderia - estreando na temporada
1976.
A equipe Ligier teve grandes nomes durante suas 326 corridas
na F1 (1976 a 1996). Os grandes destaques da história da escuderia
foram os franceses Jacques Lafitte, Patrick Depailler, Didier Pironi e
Oliver Panis, além do belga Jacky Ickx e do sueco Stefan Johansson.
Em
suas 21 temporadas na F1, a Ligier teve dois pilotos brasileiros. Em
1983, Raul Boesel não pontuou defendendo a equipe. Já em 1996, Pedro
Paulo Diniz conseguiu dois pontos pela escuderia francesa.
Após a
temporada de 1996, Guy Ligier vendeu sua equipe para o tetracampeão
mundial Alain Prost, que colocou o seu sobrenome na nova escuderia.
Uma aluna foi obrigada a voltar para casa após sua escola em Kentucky,
nos Estados Unidos, julgar que sua roupa era inadequada. Stephanie
Hughes, de 16 anos, usava calça jeans e uma camiseta que mostrava sua
clavícula.
Stacie Dunn, a mãe da estudante, decidiu ir até a
escola após a decisão da diretoria. Revoltada, ela fez um post no
Facebook criticando a medida.
"Tive de ir à escola da minha
filha porque, segundo o diretor, o que ela estava vestindo está fora do
código de vestimenta e é inapropriado para o ambiente escolar. Isso é
ridículo. A escola está forçando uma regra na qual as meninas não podem
mostrar nem a clavícula porque isso poderia distrair seus colegas do
sexo masculino".
Ao chegar na escola, Stacie diz ter visto uma
fila de alunas na direção por conta de suas roupas. "Pais estão tendo de
sair dos seus trabalhos e estudantes estão perdendo aulas importantes
porque elas estavam mostrando a clavícula! Alguma coisa precisa mudar",
disse a mãe.
Na tentativa de remediar a situação, a estudante
chegou a colocar um lenço da mãe sobre os ombros, mas mesmo assim o
diretor não aprovou. Segundo a mãe da jovem, ele diz que a estudante
amarrou o acessório de forma inapropriada. “Como ele queria que ela
amarrasse? Como uma corda ao redor do pescoço dela?", Stacie.
Diretor
da escola, Scott Hawkins defendeu a posição da instituição, em
entrevista ao site Today.com. "A administração da escola tem estado
aberta aos estudantes e aos pais. Se eles querem que mudanças aconteçam,
eles podem fazer sugestões. A ideia da política de vestimenta é
garantir que você tenha um ambiente de aprendizado seguro e é isso que
estamos tentando criar”, explicou.
Depois da redução
da maioridade penal, é provável que desponte, até o fim do ano, a
proposta de revisão do Estatuto do Desarmamento na Câmara Federal, a ser
avançada pela chamada bancada da bala e que pretende, entre outros
itens, flexibilizar a restrição ao porte de armas no Brasil. Vai
significar, se aprovada a medida, mais armas nas mãos de civis, nos
aproximando de certa forma do modelo vigente nos Estados Unidos onde o
porte de armas é facilitado e mesmo estimulado, via a propaganda de
armamentos e a atuação de um forte lobby da indústria de armas.
Mas isto funcionaria no Brasil? De tempos em tempos retomo a questão no blog.
Creio
que a pergunta foi, em parte, respondida recentemente pela divulgação
do Mapa da Violência 2015 da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Para resumir. Segundo o
relatório da UNESCO, o Estatuto do Desarmamento, de 2003, aliado a
campanhas pela entrega de armas, conseguiu deter, ao menos por algum
período, a tendência de alta contínua de homicídios por armas de fogo
registrada no Brasil desde 1980.
O cálculo: entre 1993 e 2003 o
número de homicídios por armas de fogo no país cresceu a um ritmo de
7,8% ao ano. Este ritmo desacelerou de 2004 em diante , quando entrou em
vigor o Estatuto e campanhas de desarmamento tiraram de circulação 500
mil armas em todo o país. Segundo a UNESCO, como resultado disso, entre
2004 e 2012 (últimos dados disponíveis), o país deixou de ter 160 mil
homicídios por armas de fogo – a diferença entre o que estava “previsto”
pela curva estatística e o que de fato foi registrado ao longo de 9
anos.
Estudos como o Mapa da Violência ajudam a informar mais um
debate que no Brasil envolve o drama de milhares de pessoas, o cotidiano
de violência da população e também muitos interesses corporativos.
Particularmente
acho que mais armas nas mãos de civis não será solução, pelo contrário.
Com nosso machismo, intolerância, alcoolismo, com nossas relações
pessoais intermediadas por opressões de diferentes matizes, com a nossa
ambígua cordialidade a extravasar paixão e fúria da esfera individual
para a pública, com nossa cultura de nos engalfinharmos em público por
questões risíveis, por tudo isso me parece que mais armas nas mãos de
civis trarão apenas mais desgraça.
O procurador-geral
da República, Rodrigo Janot, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF)
denúncia contra Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara. No texto, de
85 páginas, ele pede a condenação do deputado por corrupção passiva e
lavagem de dinheiro.
Com a denúncia em mãos, o STF agora deverá
decidir se a aceita ou não. E caso positivo, Cunha automaticamente se
torna réu e responderá a ações penais no Supremo. Por ter foro
privilegiado em decorrência de ser deputado, ele não pode ser processado
em outra instância da Justiça.
De acordo com a denúncia, Cunha
teria recebido, entre junho de 2006 e outubro de 2012, pelo menos US$ 5
milhões para viabilizar a contratação de dois navios-sonda para a
Petrobras. As acusações surgiram após delação premiada do ex-consultor
Júlio Camargo, um dos intermediários da propina.
Collor também é denunciado
O ex-presidente e atual senador
Fernando Collor (PTB-AL) também foi denunciado por Janot. Assim como
Cunha, Collor também foi citado por suposto envolvimento no esquema de
corrupção da Petrobras. O senador também poderá responder por corrupção.
Além dele, a ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), atual prefeita de
Rio Bonito (RJ), e Pedro Paulo Leoni Ramos, ministro no governo Collor,
foram denunciados.
Três em cada quatro escolas do país não contam
com itens básicos de acessibilidade, como rampas, corrimãos e
sinalização. Menos de um terço possui sanitários adaptados para
deficientes. É o que revela o Censo Escolar 2014, do Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Dados tabulados a pedido do G1
pela Fundação Lemann e pela Meritt, responsáveis pelo portal QEdu,
indicam que apenas 23 municípios do Brasil contam com todas as suas
escolas acessíveis – incluindo banheiros totalmente adequados a
deficientes.
Os números revelam as barreiras para se
cumprir um princípio básico previsto por lei: o direito de todas as
crianças de frequentar uma escola.
A questão da acessibilidade é
fundamental. Hoje há um número significativo de alunos incluídos na
rede. É preciso investir na adaptação desses locaisManuelina Martinsvice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
No caso das escolas municipais, o índice é
ainda mais crítico: só 17% das unidades têm as estruturas mínimas para
deficientes. Manuelina Martins, vice-presidente da União Nacional dos
Dirigentes Municipais de Educação (Undime), diz que o dado é
preocupante. “A questão da acessibilidade é fundamental. Hoje há um
número significativo de alunos incluídos na rede. É preciso investir na
adaptação desses locais.”
Para Manuelina, que é secretária da Educação
do município de Costa Rica, em Mato Grosso do Sul – único estado do
país em que mais da metade das escolas tem acessibilidade –, um dos
principais problemas é o fato de a maior parte das construções no Brasil
ser antiga.
O presidente do Conselho Nacional de
Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps, concorda. “Na
época, não havia esse tipo de preocupação e de consciência na sociedade
de garantir o acesso. Pelo contrário. Isso vem, inclusive, de uma lógica
de segregação.”
Ele diz que atualmente se fazem
imprescindíveis duas linhas de atuação. “A primeira diz respeito ao
atendimento imediato. Ao se identificar numa determinada região
que há um número de alunos com algum tipo de deficiência que precisam
dessa acessibilidade, é necessário fazer imediatamente a adaptação.”
Na época [da construção das escolas], não
havia esse tipo de preocupação e de consciência na sociedade de
garantir o acesso. Pelo contrário. Isso vem, inclusive, de uma lógica de
segregaçãoEduardo Deschampspresidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação
A segunda, afirma, é realizar essa adequação
gradativamente em todas as unidades. “Isso leva mais tempo, dadas as
urgências que existem na rede. É preciso fazer ajustes em prédios onde
isso não é simples de fazer, arquitetonicamente falando. Mas é
fundamental garantir acessibilidade a qualquer cidadão,
independentemente de haver um aluno com deficiência estudando na escola.
As unidades novas e as em construção já atendem a legislação”, diz
Deschamps, que é secretário da Educação de Santa Catarina.
De acordo com dados do Censo Escolar, há
cerca de 700 mil alunos com deficiência matriculados hoje no ensino
básico – um número que não para de crescer.
Carências
Para o professor Joaquim Soares Neto, que dá
aulas na Universidade de Brasília (UnB) e foi presidente do Inep entre
2009 e 2011, as deficiências na infraestrutura das unidades estão
vinculadas ao fato de a responsabilidade da manutenção e da melhoria
física das escolas cair no colo exclusivamente das redes estaduais e
municipais. “Muitas vezes, as escolas têm carências tão imensas,
e elas são tão precárias, que [a falta de acessibilidade] é um item a
mais de muitos que estão faltando serem providenciados.”
O Ministério da Educação diz, no entanto, que
apesar de a educação básica ser de responsabilidade dos sistemas
estaduais, municipais e do Distrito Federal, o órgão oferece um apoio
suplementar por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola/Escola
Acessível. “Anualmente são transferidos cerca de R$ 100 milhões aos
sistemas públicos de ensino, a fim de ampliar a adequação dos prédios
escolares”, diz, em nota.
De acordo com o Estatuto da Pessoa com
Deficiência, sancionado em julho deste ano, “é dever do Estado, da
família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de
qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de
violência, negligência e discriminação”.
A lei afirma ainda que o poder
público precisa “assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar,
acompanhar e avaliar”, entre outras coisas, “acessibilidade para todos
os estudantes, trabalhadores da educação e demais integrantes
da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às atividades
concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino”.
O que ainda se vê em vários cantos do país,
no entanto, é que a falta de itens de acessibilidade dificulta ou,
muitas vezes, impossibilita a locomoção das pessoas com deficiência às
escolas. Na maioria das unidades visitadas pelo G1, especialmente na área rural, não há nenhuma condição que permita a inclusão de crianças com mobilidade reduzida.
Apesar do baixo percentual de escolas
adaptadas, os dados mostram uma evolução nos últimos anos. Em 2010,
apenas 14% tinham estruturas adequadas. Em 2014, o índice subiu para
24%.
“Embora seja o indicador que apresenta o
maior crescimento, requer, ainda, continuado investimento, a fim de que
todos os prédios públicos escolares assegurem a acessibilidade
arquitetônica”, afirma o MEC.
Também foi aprovada correção no fundo destinando 60% para programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida
A Câmara dos Deputados aprovou a proposta que corrige o
pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), considerada o
segundo dos itens das pautas-bomba da Casa, na noite desta terça-feira
(18).
Com a aprovação da proposta, apresentada pelo
relator Rodrigo Maia (DEM-RJ), a partir de 2019 a remuneração passa a
ser equivalente ao rendimento da poupança, algo que atualmente gira em
torno de 6%. Agora, ela segue para votação do Senado
O
aumento progressivo proposto dos atuais 3% somente será válido para
depósitos novos. O possível modelo de correção passará a ser: em 2016,
4%; em 2017, 4,75%; em 2018, 5,5%; e em 2019, o repasse acompanharia a
poupança.
Os deputados também aprovaram a destinação de
60% do lucro do FGTS para financiamento de programas habitacionais como o
Minha Casa Minha Vida.
Mais cedo, segundo o relator
Carlos Marun (PMDB-MS), o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, já
havia concordado em fechar uma proposta que permita o aumento escalonado
do índice de remuneração do FGTS até algo próximo ao que paga a
poupança.
O índice é o que a oposição busca por meio de um projeto de lei bancado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
"[Pela proposta do governo] fica garantido que a remuneração aumenta dos [atuais] 3% escalonado em um determinado tempo", disse Marun ao iG.
"Tem que equilibrar interesses"
Em
São Paulo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, alertou para a
necessidade de se chegar a um formato que não tenha impacto sobre o
crédito habitacional que usa recursos do FGTS.
"A gente tem
de equilibrar o interesse de dar um retorno para o dinheiro que está ali
com o objetivo maior que é o financiamento da casa própria", disse Levy
em evento do Santander em São Paulo. "O fundo de garantia é muito
importante para a habitação. Na verdade, ele é desenhado para financiar a
habitação popular."
Para evitar o impacto, segundo Marun, o
governo propôs usar uma fatia maior do lucro do FGTS para subsidiar os
empréstimos. Atualmente, cerca de 50% vira subsídio e o restante é
incorporado ao patrimônio do fundo. A ideia, segundo Marun, é usar esse
excedente para garantir o aumento da remuneração sem que seja preciso
mexer nos juros dos empréstimos.
"Mas isso tem um tempo de validade. Se daqui a cinco, dez anos [o lucro não destinado ao subsídio]
acaba, teremos de usar recursos do Orçamento", afirma o parlamentar,
autor de um projeto de lei que, em vez de aumentar o índice de correção,
distribui os lucros entre todos os cotistas.
Perda para a inflação
A
fórmula atual prevê que os recursos do trabalhador no FGTS tenham um
reajuste anual de 3% mais Taxa Referencial (TR). Desde 1999, entretanto,
essa regra tem resultado num índice inferior à inflação, o que faz com
que o dinheiro depositado no fundo – e que não pode ser sacado a
qualquer momento – perca poder de compra. http://economia.ig.com.br/2015-08-18/governo-fecha-acordo-para-aumentar-correcao-do-fgts-ajuste-deve-ser-escalonado.html
Esse cenário levou a uma
enxurrada de ações judiciais que pedem a troca da TR por um índice
inflacionário, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou o
Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Mais de 40 mil foram
apresentadas em todo o País, estimuladas por uma decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF) que determinou que a TR não podia ser usada para
corrigir precatórios (dívidas judiciais do Poder Público).
Embora
diminua as perdas, a equiparação da correção do FGTS àquela aplicada à
poupança não garante a manutenção do poder de compra – em 2013, por
exemplo, a inflação superou o rendimento da caderneta.
Crime ocorreu na cidade de Campo Grande (MS);
acusado, que é tio-avô do menino, estava em liberdade condicional desde
agosto do ano passado e foi autuado em flagrante pela polícia
Acusado de estuprar um menino de 10 anos em troca de um par de
chinelos e de um videogame, um pastor de 52 anos confessou à polícia ter
cometido o abuso sexual "em nome da glória de Deus", nesta terça-feira
(18). O crime ocorreu em Campo Grande (MS), na segunda (17).
O
pastor, que é tio-avô do menino, foi autuado em flagrante após exame de
corpo de delito na criança, que detectou ferimentos e sinais de
sangramento em seu ânus. De acordo com o delegado Reginaldo Salomão, o
acusado não se mostrou arrependido pelo crime.
TV Morena/Reprodução
O delegado que ouviu o suspeito, que confessou o crime, nesta terça: "Ele planejou tudo"
O pastor, cujo nome não foi divulgado, estava em
liberdade condicional desde agosto do ano passado, quando foi solto após
cumprir pena pelo estupro de outro menor de idade. Ele cumpriu a pena
anterior em regime fechado e, se condenado mais uma vez, pode pegar de 8
a 15 anos de prisão.
Na segunda-feira (17), o menino havia sido
deixado pelos pais na casa da avó, já que eles não poderiam ficar com a
criança durante o dia por terem de trabalhar. Um primo, que flagrou o
irmão da avó no momento em que ele praticava o abuso sexual, fez a
denúncia à polícia. Os agentes foram até a casa da família e autuaram o
pastor em flagrante.
O
delegado conta que a avó do menino foi autorizada a acompanhar as
investigações e o depoimento de seu irmão, mas, apesar de o pastor ter
admitido o crime, ela não acreditou em suas palavras.
"Ele
[o pastor] chegou a ajoelhar na frente dela, disse para a família orar
por ele. Na verdade, é um dissimulado. Ele sabia bem o que estava
fazendo. Planejou tudo", afirma o delegado. "Quando está apenas com os
policiais, ele conversa normalmente. Mas, na frente da família, utiliza
esse subterfúgio de dissimulação e afirma que está sendo
incompreendido."
Apesar de ter admitido o estupro, o pastor preferiu não dar detalhes sobre o caso.
"Desnudas de Nova York" alegam que suas performances são artísticas; não existe lei que impeça exibição de seios na cidade
No verão escaldante nova-iorquino, mulheres têm feito topless em pontos turísticos da cidade
Uma nova prática tomou conta da Times Square, um
dos pontos mais famosos de Nova York, no escaldante verão
norte-americano: jovens mulheres de topless, com calcinhas minúsculas,
bandeiras dos Estados Unidos pintadas no corpo e enfeites na cabeça se
oferecendo para tirar fotos com turistas em troca de gorjetas.
Jovens na região que concentra teatros e lojas de produtos de marca na cidade americana
Chamadas de "Desnudas da Times Square", as
garotas – em sua maioria latinas – têm irritado comerciantes locais, a
polícia e até mesmo o prefeito da maior cidade dos EUA, Bill de Blasio,
embora nenhuma lei impeça que elas exibam os seios na cidade.
Em entrevista nesta terça-feira (18), o chefe do poder executivo
municipal disse que a prática é "errada", mas não declarou como pretende
impedi-la. Ele lembrou que posar para fotos em troca de dinheiro é uma
"transação de negócios" que deve ser vigiada.
As "desnudas" alegam
que sua performance é "artística", assim como a dos músicos e estátuas
vivas que se apresentam na Times Square e também recebem gorjetas das
pessoas.
Presidente do PSDB repercute nota de FHC afirmando que não espera de Dilma a grandeza de renunciar ao governo federal
Reprodução/Twitter oficial Aécio Neves - 16.8.15
O senador durante ato pelo impeachment de Dilma Rousseff em Belo Horizonte, no domingo
Um dia após Fernando Henrique Cardoso elevar o tom
contra o governo Dilma Rousseff, o presidente do PSDB, Aécio Neves,
repercutiu a declaração do colega de partido afirmando que ele apenas
expressou seus sentimentos como "homem público e absolutamente
responsável", nesta terça-feira (18), e afirmou não esperar "a grandeza"
da petista em deixar o governo federal.
"O
que o presidente Fernando Henrique disse é o que está no sentimento e
na alma não apenas dos tucanos, mas de milhões de brasileiros. Ele
apresenta uma alternativa para um governo que já deixou de ser governo.
Lembro as palavras do grande Ulysses Guimarães, quando comentava um
momento parecido com esse, que passava o governo [do hoje senador
Fernando] Collor, e disse: 'Collor pensa que é presidente'. A presidente
Dilma pensa que é presidente, mas ela não é mais presidente da
República", disse Aécio em nota divulgada pelo partido.
"Porque
[Dilma] teve de delegar a condução da economia, a condução da política e
agora sequer tem iniciativa na agenda do país. O PSDB não fugirá a essa
conexão, a ser intérprete, como outros partidos da oposição, desse
sentimento. Desse sentimento que tomou as ruas de todo o Brasil."
David Shalom/iG São Paulo
Rogério Chequer, líder do Vem Pra Rua, no protesto realizado no domingo (16), em São Paulo
Na véspera, após meses em cima do muro em relação, FHC pediu que Dilma renunciasse ao governo,
no dia seguinte aos protestos que levaram mais de 600 mil pessoas às
ruas de todo o Brasil contra a presidente, realizados no domingo (16).
Para ele, a chefe do Poder Executivo deveria ter o "gesto de grandeza"
de sair, abraçar "a voz franca de que errou" e "apontar os caminhos da
recuperação nacional."
"A renúncia é um ato unilateral,
que não depende de uma iniciativa do PSDB", prosseguiu Aécio na nota.
"Ele [FHC] considera que a renúncia talvez seja o menos traumático dos
processos. E isso está também na mesa para ser discutido. Não sei se,
pelas respostas que ouvi hoje, o governo teria essa grandeza. Portanto,
temos hoje lei no Brasil. Leis para serem cumpridas, em especial pela
presidente da República."
No texto, o presidente tucano ainda
exaltou os atos de domingo como "um dos mais emocionantes momentos de
toda minha trajetória" e atacou Humberto Costa (CE), líder do PT no
Senado, que acusou FHC de ter inveja de Dilma.
"Um presidente que
é respeitado por onde anda no Brasil e fora do Brasil, que não é,
depois de oito anos, investigado pelo que quer que seja, por que ele
teria inveja? Inveja de quem?", apontou Aécio.
"Inveja
de uma presidente sitiada? Inveja de um ex-presidente investigado e
inflado nos céus de Brasília no último domingo? Inveja de um partido
político, que é o PT, mergulhado em denúncias que hoje alcançam
inclusive um terceiro tesoureiro do PT? O presidente Fernando Henrique é
um homem que anda de cabeça erguida no Brasil e presta contas apenas à
história. E nós nos orgulhamos muito de tê-lo como presidente de honra
do PSDB."
As constantes pressões do chefe para que deixasse
de lado a filha e priorizasse o trabalho fez com que a paulista Vanessa
Oliveira decidisse empreender; em cinco anos a Midia Pane já conta com
200 unidades no Brasil
Com investimento de R$ 1.200,00, no início os sócios trabalhavam em média 14 horas por dia
Em meio ao dilema de priorizar a vida profissional
ou a maternidade, Vanessa Oliveira decidiu deixar o cargo em uma
empresa de comunicação e decidiu empreender. Foi durante um encontro
com amigas em uma padaria que surgiu a ideia de criar um modelo de
negócios inédito até então: veicular conteúdo publicitário em sacos de
pão. A percepção de que o espaço em branco, ignorado pelos anunciantes,
poderia chamar a atenção dos consumidores e gerar bons retornos se
transformou na Mídia Pane, lançada em 2010.
“A ideia do saco de
pão foi bastante impetuosa. Tivemos a ideia em um dia, fizemos um
brainstorm para escolher o nome e, na semana seguinte, estava criando
todos os materiais gráficos e desenhando o projeto”, conta Vanessa.
Antes mesmo do negócio sair do papel, contudo, as amigas dessistiram da
sociedade e a empreendedora se viu diante da missão de seguir em frente
sem este apoio. Foi então que o irmão de Vanessa, Henrique de Oliveira,
decidiu tornar-se sócio do negócio.
Com
investimento de R$ 1.200,00 em papelaria, no início a dupla trabalhava
em média 14 horas por dia. Além de criar o site e as embalagens,
formatar o material e desenvolver fornecedores, eles precisavam sair
para vender o produto – mesmo sem ter qualquer tipo de experiência
prévia com vendas.
“Ficávamos a madrugada fazendo a arte da
empresa a ser visitada e a colagem nas embalagens em branco.
Preparávamos uma cesta com café da manhã com os sacos de pão
personalizados e caímos na graça de alguns clientes que acabaram
fechando contrato conosco. Em dois meses trocamos a sala do meu
apartamento pelo nosso primeiro escritório. Essa foi a nossa primeira
conquista”, conta Vanessa.
A opção para assegurar o crescimento e a conquista de novos anunciantes foi adotar o modelo de franchising
Expansão através de microfranquias
Original
de São José dos Campos, a empresa conquistou novos mercados. Passado um
ano do início das operação da empresa, a opção para assegurar o
crescimento e a conquista de novos anunciantes foi adotar o modelo de
franchising.
“Fizemos uma pesquisa por meio do site para saber se
havia interessados em adquirir um modelo de negócio como o da Mídia
Pane. Lembro-me até hoje: lançamos a ideia um dia antes do feriado de
Carnaval. Já no primeiro dia, tivemos 60 cadastros. Passei o Carnaval
inteiro atendendo. Ficamos mais um mês trabalhando madrugada afora para
desenvolver o material para a franquia”, diz Vanessa.
O formato
possibilitou expandir as atividades da empresa com mais rapidez e
eficiência. O franqueado da Mídia Pane tem a missão de prospectar
empresas para investir nos anúncios em sacos de pães. Assim que fecha
contrato, ele envia a solicitação para a franqueadora, esta responsável
pela arte e impressão dos anúncios. Depois de prontos, o franqueado
distribui o material gratuitamente em padarias parceiras de sua região.
“Cidades com até 100 mil habitantes são o nosso foco e o trabalho em
municípios com esse perfil tem obtido bons resultados!”, comemora a
empreendedora.
Segundo
Vanessa, outro ponto que favorece o acelerado crescimento de mercado da
Mídia Pane é o fato de que o dono do comércio também se beneficia do
modelo de negócio, já que recebe os sacos com os anúncios de forma
gratuita e, assim, economiza nos gastos mensais. “Temos cases de
padarias que economizam até 80% por mês”.
Atualmente a Mídia Pane é uma rede de microfranquias com
quase 200 unidades e presença nacional. A empresa conta com 12 mil
padarias cadastradas em todo o país e, por mês, são produzidos em média
2.500 anúncios de segmentos como pet shops, salões de beleza, clinicas
de estética, escolas, concessionárias, imobiliárias e construtoras,
entre outros. Ao todo, são impressos 1,8 milhão de sacos por mês.
“Existe um rodízio na distribuição das embalagens. Sempre consideramos o
público-alvo que o anunciante busca para definirmos onde será feita a
distribuição da campanha”, ressalta Vanessa.
Para se tornar
franqueado da Mídia Pane é preciso investir R$ 16.500, não é preciso
ponto comercial e nem espaço para estoque. A média de faturamento
mensal de cada unidade franqueada gira em torno de R$ 10 mil. Essa soma
deve gerar um faturamento total de R$ 18 milhões em 2015 para a rede.
Nada mal para uma mãe que só desejava provar para o chefe que é possível
conciliar a carreira e a rotina familiar sem prejuízos pessoais ou
profissionais.
Até agosto deste ano, somente 30 contratos
socioambientais foram firmados pela empresa dentro do programa que
previa R$ 1,5 bilhão em ações compensatórias
Aramis Assis/Divulgação
O Programa Criança Petrobras na Maré foi um dos afetados pelo corte de recursos da Petrobras
Os desdobramentos no cenário político desencadeados pelas denúncias de corrupção instalada na Petrobras e investigadas pela Operação Lava Jato não
só fizeram despencar o lucro da empresa, como também obrigaram a
estatal a cortar drasticamente seus investimentos na área social. A
estimativa é que o rombo nos cofres da petroleira sejam de pelo menos R$
6 bilhões.
Em 2014, a empresa lançou seu atual programa
de responsabilidade social que previa o aporte de mais de R$ 1,5
bilhão, até 2018, em programas socioambientais. O ritmo de execução
destes programas, no entanto, tem sido comprometido pelo pé no freio da
atual diretoria da Petrobras.
Um exemplo disso se verifica no
número de patrocínios contratados nos últimos anos com iniciativas
voltadas à inclusão econômica dos grupos mais vulneráveis.
Em
2013, cerca de 350 contratos foram firmados. Este número caiu para 200
contratos em 2014. Neste ano, até agosto, somente 30 contratos foram
firmados pela empresa, destinados à inclusão de populações
vulneráveis.,
Por decisão da atual diretoria e de seu conselho de
administração – do qual fazem parte o presidente da empresa Aldemir
Bendine, além do diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), Luciano Coutinho – o orçamento da Gerência Executiva de
Responsabilidade Social foi cortado.
Em vez dos R$ 400 milhões
previstos inicialmente, a empresa decidiu investir apenas R$ 140 milhões
em 2016, contemplando apenas projetos já em andamento – ou seja, apenas
35% do previsto.
A empresa suspendeu o processo de seleção
pública de projetos socioambientais. A ordem é não conceder mais nenhum
patrocínio. A estimativa inicial de atingir cerca de 5,5 milhões de
beneficiados diretos do programa, hoje não passa de 500 mil pessoas.
A
decisão já impacta a demanda de projetos neste ano, já que a maior
parte dos contratos tem vigência de 24 meses. Projetos contratados agora
têm desembolsos até 2017. Além disso, também está suspensa a renovação
de projetos avaliados como exitosos.
Compensação a danos ambientais
Os
projetos socioambientais se apresentam como uma compensação diante de
atividades degradantes e, no caso da Petrobras, uma das maiores empresas
de exploração de petróleo do mundo, fazem diferença para comunidades
pobres e cidades inteiras cujas economias passaram a depender da
atividade.
Entre os poucos projetos renovados no ano passado está o
Tamar, focado na proteção de tartarugas marinhas, cujo contrato, de 36
meses, foi renovado no ano passado. No entanto, uma gama de projetos
bem menores e que são decisivos para comunidades vulneráveis não tiveram
a mesma sorte.
Polícia Federal de Curitiba
Desvios na Petrobras, revelados pela Operação Lava Jato, drenaram recursos na empresa
Um dos projetos que demandam por renovação e está
paralisado desde julho do ano passado é o Criança Petrobras da Maré, que
atendia mais de duas mil crianças no Complexo de Favelas da Maré, o
maior do Rio de Janeiro, aglomerado urbano de 16 favelas, com uma
população de 140 mil pessoas, localizado ao lado do maior centro de
pesquisas da Petrobras, na Ilha do Fundão.
Entre as mais diversas
atividades bancadas pelo projeto, havia o investimento de atividades de
dança, música, teatro, artes plásticas, literatura, uma gama de
atividades complementares à escola e que atendia crianças em situação de
vulnerabilidade social.
A diretora da ONG Redes da Maré, Eliana
Sousa Silva, diz que aguarda por parte da empresa uma resposta positiva
de renovação do contrato, mesmo que o valor previsto de investimentos
seja de menos da metade do que foi contratado anteriormente. O contrato
anterior era de R$ 1,8 milhão. Agora, a ONG pleiteia a renovação de pelo
menos R$ 800 mil para manter as oficinas em funcionamento.
“Estamos
sentindo falta de uma ação que era boa e que fazia diferença dentro da
Maré porque atingia um número expressivo de crianças. Era um projeto que
tinha escala e que impactava positivamente a comunidade”, pondera
Eliana, em entrevista ao iG.
Outro projeto bem
avaliado e que perderá a partir de setembro o apoio da Petrobras é o
Licres Toques, de Aquiraz, município cearense a 30 quilômetros de
Fortaleza. “Nosso contrato termina em setembro e já fomos avisados pelos
gestores da Petrobras que ele não será renovado, pelo menos por
enquanto”, diz Karla Gadelha Moreira, gestora de projetos da Tapera das
Artes, ONG que administra o projeto desde 2013.
O Toques Livres
atende hoje 460 crianças e adolescentes em situação de risco social com
aulas de musicalização, piano, violão, violino, acordeom, percussão,
entre outros instrumentos. Além disso, para pessoas com idades entre 15 e
29 anos, o projeto oferece cursos profissionalizantes de luthieria
(fabricação e manutenção de instrumentos de cordas), fotografia,
audiovisual e de áudio em estúdio.
Divulgação
O projeto Tapera das Artes é um dos patrocinados pela Petrobras que sofre com a falta de recursos
Sem o apoio de R$ 1,5 milhão da Petrobras, os
gestores terão que reduzir o atendimento. “Vamos buscar outros apoios e
tentar manter algumas atividades como os cursos de luthieria e de
musicalização, mas é claro que não conseguiremos atender a quantidade de
pessoas que atendemos hoje”, destacou.
Além desses
projetos, outra ação que corre risco de não ter seu apoio renovado é o
implantação da cadeia do caju, no município de Inhapi, em Alagoas. O
apoio firmado pela Petrobras em 2013 foi de R$1,3 milhão. O projeto
Plantando Caju e Colhendo Desenvolvimento atende diretamente 100
famílias assentadas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) e indiretamente, considerando os cursos de capacitação, cerca de
500 famílias do Semi Árido nordestino.
O contrato com a
Petrobras finalizaria neste mês de agosto, mas teve um aditivo de tempo e
deverá findar em dezembro deste ano. Até lá os assentados esperam
receber mais duas parcelas do convênio no valor total de R$ 300 mil,
recurso que será destinado à compra de equipamento para o beneficiamento
do caju.
De acordo com a coordenadora do MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra), Debora Nunes, ainda não há uma
sinalização da empresa em relação à renovação do contrato. No entanto,
essa negociação deverá ter início em novembro.
“O apoio da
Petrobras é fundamental, principalmente para as mulheres assentadas que
já se organizaram em torno da produção de doces. Para o assentamento,
como um todo, o cultivo e o beneficiamento do caju trouxeram uma renda
menos sazonal que as culturas tradicionais do milho e do feijão que
dependem mais da chuva”, explica Nunes.
Investimento depende de desempenho, diz Petrobras
Em resposta ao iG,
a Petrobras não apresentou perspectivas de mudança no atual ritmo de
execução do seu programa de responsabilidade social definido em 2014. De
acordo com a assessoria de imprensa, os projetos patrocinados pela
companhia no âmbito do Programa Petrobras Socioambiental “são de cunho
voluntário e não se confundem com obrigações legais ou cumprimento de
condicionantes ambientais”. Além disso, a empresa informou que o período
de vigência dos contratos é definido em conformidade com o regulamento
dos processos de seleção pública de projetos.
“A decisão de
celebrar novos contratos depende do desempenho dos projetos e das
prioridades estabelecidas pelo Plano de Negócios e Gestão da Petrobras.
Ressaltamos ainda que a Petrobras orienta as instituições a buscarem a
sustentabilidade de suas ações como forma de promover sua autonomia e
estimula o envolvimento de outros parceiros nos projetos patrocinados”,
informou a companhia.
“A Petrobras cumpre suas obrigações legais,
assim como os planos e programas estabelecidos em condicionantes
relacionados à mitigação e compensação dos impactos de seus
empreendimentos, possuindo as licenças necessárias à execução das obras,
obtidas junto aos órgãos competentes”, garantiu a petroleira.
Um outro PM também ficou ferido. Segundo a PRF,
um veículo fez o retorno por cima do canteiro, invadiu a pista sentido
Brasília e causou o acidente
Uma
viatura da Força Nacional colidiu com um caminhão, na BR-040, próximo a
Cristalina, na manhã desta terça (18). José Almir Albuquerque Torres,
45 anos, era policial militar de Alagoas e morreu no local. De acordo
com a Polícia Rodoviária Federal, um outro PM teve ferimentos leves.
Segundo a PRF, um veículo fez o retorno por cima do canteiro e
invadiu a pista sentido Brasília. A viatura tentou desviar, mas acabou
colidindo na lateral de um caminhão que vinha no sentido contrário.
Em nota, a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da
Justiça (Senasp-MJ) lamentou a morte do militar. “A morte de um membro
da Segurança Pública no país e integrante da Força Nacional nos
entristece muito. O sargento cumpriu com seu papel em seu estado e, a
exemplo de outros profissionais que deixam suas casas em todo o Brasil,
trabalhava junto a Força Nacional em uma missão tão importante. Enviamos
os votos de pesar à PM de Alagoas, aos amigos e familiares do sargento
José Almir Albuquerque”, afirmou a representante da secretaria, Regina
Miki.
O sargento prestava serviços na Força Nacional desde abril de 2014.
Segundo o órgão, ele ingressou na Polícia Militar de Alagoas em
fevereiro de 1991 e, antes de chegar na Força Nacional, trabalhava no 5º
Batalhão da PM, em Maceió. Ele atuava em missão Pacificadora no Rio de
Janeiro
A Justiça em São Roque, cidade do interior de São Paulo, condenou
nesta terça-feira, 18, a cinco anos de prisão em regime semiaberto o
comerciante Anderson Lúcio Oliveira, de 36 anos, por agressão à auxiliar
de produção Fernanda Regina Cezar Santiago, de 31. Em 16 de agosto do
ano passado, Oliveira deu uma cotovelada em Fernanda na frente de um
clube da cidade.
Após quase 10 horas de julgamento no Fórum de
São Roque, o júri popular acatou na noite de ontem a tese da defesa, de
lesão corporal grave. A promotoria queria enquadrá-lo na tese de
tentativa de homicídio, que foi afastada pelos jurados. O júri popular
era composto de seis mulheres e um homem.
Fernanda chegou a
ficar 15 dias internada após a agressão, sete deles na Unidade de
Terapia Intensiva (UTI), para se recuperar do politraumatismo craniano
causado pela cotovelada de Oliveira.
O julgamento no STF
previsto para se desenrolar em breve e que pode descriminalizar o
consumo individual de drogas é um marco importante. Dependendo da
sentença, poderá favorecer uma nova abordagem ao problema das drogas no
país, que o tire da lógica da “guerra”. A eficácia da “guerra” vem sendo
contestada em diferentes partes do mundo. É discussão cheia de
controvérsias, mas necessária. Vai ao coração do problema da violência
associada ao tráfico e seus (nem sempre tão visíveis) aliados.
No
Brasil, e segundo o artigo 28 da lei Antidrogas, portar drogas para uso
pessoal não dá cadeia, mas a pessoa pode ser penalizada com advertência,
prestação de serviços à comunidade e medidas educativas. O STF vai
julgar se este artigo fere ou não a Constituição – e aqui entra um rol
de argumentos jurídicos que giram em torno à inviolabilidade da
intimidade, à vida privada do cidadão e por ai vai.
A
descriminalização do consumo a ser examinada pelo STF ajudaria a separar
usuários de traficantes. São mais de 120 mil presos por tráfico de
drogas no país. Muitos, porém, seriam, de acordo com defensores
públicos, apenas usuários, o que além de ilegal, aguça o problema da
superlotação dos presídios. Muitas prisões, por sua vez, estão em estado
precário e dominadas por facções criminosas, o que faz do problema uma
bola de neve sem fim.
Mas não apenas isso: a lógica da ilegalidade
favorece o crime organizado e o tráfico. Essas organizações e cartéis
vendem um produto para o qual há uma demanda intensa, livre de pagamento
de impostos ou qualquer tipo de regulação. É um negócio com alta taxa
de retorno. A ilegalidade alimenta, ainda, alianças subterrâneas entre
organizações criminosas e representantes do Estado, como polícia,
judiciário, ocupantes de cargos executivos e legislativos.
Presídios
superlotados e dominados, no mais das vezes, por facções criminosas,
sugerem que prender, prender, prender, não é a solução. Este é um ponto
cego da política atual sobre as drogas: o encarceramento em massa pode
estar contribuindo para retroalimentar o tráfico e a violência. Drogas e
seu tráfico matam, desestruturam famílias e corroem vidas pessoais. Por
outro lado, usuários, principalmente se moradores de favelas e das
periferias, são frequentemente enquadrados como traficantes e presos.
O julgamento no STF é um bom momento para lançar luz do sol sobre uma discussão cheia de sombras.
Por Larissa Ximenes - O Windows 10
para computadores foi lançado pela Microsoft para alguns países no
final de julho, e na semana passada o número de usuários que em uso da
nova versão do sistema operacional chegava a mais de 50 milhões. Hoje,
um novo relatório mostra que esse número já passa de 53 milhões.
O relatório, de acordo com o NeoWin,
inclusive afirma que isso significa que cerca de 1.500 computadores
instalam o Windows 10 por segundo até agora, embora a tendência seja que
esse número de instalações por segundo diminua com o tempo a medida que
a maioria deles já contarem com o novo Windows em suas máquinas.
E
vale lembrar também que durante o lançamento oficial o Windows 10 ainda
não estava disponível para todos os países e que isso está acontecendo
por agora também, ou seja, alguns usuários só estão tendo acesso a
instalação do sistema recentemente, o que ajuda a manter esse número
crescendo exponencialmente.
A
StartCounter, uma ferramente web que é utilizada no mundo inteiro, diz
que o Windows 10 já conta com 4.95% do mercado, porém vale ressaltar que
o número ainda é vago. O novo sistema vem sendo bastante elogiado em
todo o mundo, e mesmo após alguns pequenos problemas de início, parece
que está agradando a maioria dos fãs da empresa. E você, já instalou o
novo Windows 10 em seu computador? Não esqueça de nos contar se gostou
ou não.
Era
só mais uma passeio na Catedral de Norwich, uma das mais visitadas — e
temidas — do Reino Unido. Mas quando Kerry Launders se deu conta do que
havia fotografado, entrou em completo choque. Ela divulgou a imagem na
qual garante ter ‘capturado’ o espírito de um bispo que está enterrado
ali.
A catedral em questão é famosa no Reino Unido por suas
histórias mal assombradas. Nunca, no entanto, um registro tão ‘fiel’
havia sido feito no local. Acompanhada de seus dois filhos e de seu
marido durante a visita, Kerry acredita que presenciou a aparição de um
dos 12 bispos que estão enterrados no local.
“Foi a minha
primeira visita à catedral e estava tudo bem legal, bem tranquilo. Mas
quando eu passei pelas fotos que havia tirando e comecei a reparar,
fiquei assustada com uma em especial. Ali vi um fantasma vestido com as
roupas de um bispo. Não me assustei, mas fiquei em choque com a
situação”, afirmou ela ao Express.
A foto de Kerry se junta a um
sem número de relatos de funcionários que trabalham na manutenção da
catedral. Segundo eles, não são poucas as vezes que objetos são vistos
se mexendo sozinhos ou vozes são escutadas mesmo quando se está sozinho
no interior da catedral. Para os céticos, é claro, tudo não passa de
muita imaginação — assim como a foto.