segunda-feira, 24 de junho de 2013

Alta de alimentos e do dólar pressiona inflação

Economistas dizem que aumentou o risco de fechar o ano com índice de 6%

O governo, que contava com a continuidade do forte recuo dos preços dos alimentos e a estabilidade do câmbio para segurar a inflação deste ano, está perdendo aliados. Os preços no atacado dos produtos agropecuários voltaram a subir este mês, apesar da supersafra. E o dólar disparou: o câmbio fechou a semana cotado a R$ 2,24, com alta de 10% em 30 dias.

Ainda é cedo para saber qual será o impacto dessas pressões na inflação ao consumidor.

Embora ainda não tenham revisado para cima as projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a medida oficial da inflação, economistas dizem que aumentou o risco de fechar o ano com um índice superior a 6%. No último Boletim Focus do BC (Banco Central), a expectativa do mercado para o IPCA de 2013 era de 5,83%. E em 12 meses até maio, o indicador acumula alta de 6,5%.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, comenta:

— Ninguém esperava que a alimentação fosse ficar mal comportada de novo e houvesse uma explosão do câmbio tão forte.

Segundo ele, esses dois elementos novos combinados têm efeito devastador sobre a inflação.

O economista, que já previa IPCA de 6% para este ano, acredita que essa marca possa ser superada. Ele diz achar difícil "comprar" a visão do BC de que há uma queda drástica nos preços dos alimentos e cita o feijão como o próximo vilão.

Em 12 meses até maio, o preço do feijão carioca ao consumidor subiu 44%. Na sexta-feira, o governo propôs à Camex (Câmara de Comércio Exterior) a isenção até dezembro da incidência da TEC (Tarifa Externa Comum) nas importações do produto para aumentar a oferta e aliviar a pressão na inflação. O feijão tem peso grande no cálculo da inflação (0,5%), o dobro do macarrão, por exemplo.

O superintendente adjunto de inflação da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Salomão Quadros, explica:

— Os preços das matérias-primas, que ajudaram a alimentação no varejo a ter uma desaceleração forte em maio, trocaram de sinal este mês. Algumas podem ainda estar com variação negativa, mas todas estão em trajetória de elevação.

Na segunda prévia de junho do IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado), as matérias-primas agropecuárias voltaram a subir no atacado e tiveram alta de 1,25%, depois da deflação de 2,22% em maio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


 

OAB-RJ realiza manifestação por reforma política no Brasil

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio de Janeiro vai realizar às 10h desta segunda-feira (24) uma manifestação pela reforma política. O ato é aberto ao público e vai contar com a presença de movimentos estudantis, sindicatos, partidos, cientistas políticos, entre outros.
 
O encontro será no 9º andar da sede da OAB-RJ, na avenida Marechal Câmara, 150, no centro do Rio. Segundo a OAB, o projeto inclui a criação do comitê de mobilização para promover ações em prol da reforma política. 
 
Para o presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, os protestos que estão acontecendo por todo o País refletem a crise representativa das instituições democráticas e apontam para a necessidade de uma reforma política.
 
— É inegável a necessidade de uma reforma política que rejuvenesça os partidos e resgate a agenda do parlamento para com a sociedade. A crise representativa é mundial, e se manifesta mais fortemente entre os jovens. Os políticos no Brasil precisam entender que estão perdendo os canais democráticos de representação política. A população não compreende a atuação dos poderes estabelecidos, as disputas entre o Legislativo, Executivo e Judiciário.
 

Protesto na Zona Sul do Rio termina com debate sobre a Constituição

Manifestação começou em Copacabana e terminou no Leblon.
Grupo diz que vai continuar acampado no Leblon até segunda-feira (24).

 
Cerca de quatro mil pessoas participam de protesto na orla da Zona Sul do Rio. (Foto: Vitor Teixeira / TV Globo)Cerca de quatro mil pessoas participam de protesto na orla da Zona Sul. (Foto: Vitor Teixeira / TV Globo)
O policiamento foi reforçado neste domingo (23), na Avenida Atlântica, em Copacabana, Zona Sul do Rio, devido ao protesto contra a PEC 37, que acaba com o poder de investigação do Ministério Público, e a corrupção na política. Os manifestantes se reuniram na altura do posto 4 e seguiram em direção ao Leblon. Cerca de quatro mil pessoas participaram do ato; muitos eram moradores do bairro e funcionários do judiciário e Ministério Público.
 
A cada 200 metros grupos de seis PMs guardavam a orla. Antes da passeata, policiais do 19º BPM (Copacabana) distribuíram panfletos pedindo paz nos protestos. O comando do batalhão informou que o efetivo nas ruas foi de 350 policiais. Um carro do Bope acompanhou a manifestação.

A funcionária Cláudia, que preferiu não informar o sobrenome, de 46 anos, disse que o povo foi à rua para reclamar de várias coisas.  "O discurso da Dilma [Rousseff] na TV foi uma balela, não deu respostas. Os 20 centavos foram a gota d'água. Estou aqui porque sou contra tirar o poder de investigação do MP, se não fosse o MP muitos mensaleiros não seriam investigados", disse.

As turistas Alice Fabri e Sarah de Brito, ambas de 25 anos, moram na França e estão no Brasil a passeio há três meses, viajando e conhecendo o país. "Viemos participar do protesto porque nos falaram que é um movimento legítimo contra a corrupção no Brasil",  disseram as turistas que pediram explicações sobre o que era PEC 37.

O grupo começou a se deslocar em direção ao Leblon por volta das 16h. Segundo o comandante do 19º BPM, tenente-coronel Cláudio Costa, por volta das 16h30m, a manifestação já contabilizava entre mil e 1,5 mil participantes.

Estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, é coberta por uma máscara de Guy Fawkes. (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade,
em Copacabana, é coberta por uma máscara de
Guy Fawkes. (Foto: Tahiane Stochero/G1)
 
A estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, foi coberta por uma máscara de Guy Fawkes, um dos símbolos adotados por manifestantes nos protestos.

Morador do bairro, o empresário Luciano Borborema levou a filha Iris, de 12 anos, ao protesto. "Vim participar porque acho um absurdo o que está acontecendo no Brasil, precisamos dar um grito de basta. Este cartaz contra a PEC 37 me representa", disse ele.

Os manifestantes chegaram em Ipanema por volta das 17h20. O comandante Cláudio Costa, do 19º BPM (Copacabana), informou que cerca de quatro mil pessoas participavam do protesto neste horário. Segundo ele, o clima era tranquilo. “A manifestação é pacífica e democrática, como nós já esperávamos”.

O grupo chegou à Avenida Delfim Moreira, no Leblon, por volta das 18h20. A pista junto aos prédios ficou interditada desde o acesso pela Avenida Niemeyer até a altura da Rua Aristides Espínola, segundo informou o Centro de Operações do Rio.

No trecho da casa do governador Sérgio Cabral, altura do posto 12 do Leblon, além de máscaras, cartazes e gritos de ordem, os participantes fizeram projeção na varanda de um prédio pedindo o fim da corrupção no país.

A região do Leblon é atendida pela 23º BPM (Leblon). Segundo o tenente coronel Luís Otavio, o clima continuava maravilhoso. “A passeata está ocorrendo de maneira tranquila”, disse o tenente coronel.

Parte da Avenida Delfim Moreira, metro quadrado mais caro do Rio de Janeiro, foi tomada por cartazes, que pediam a cassação de Renan Calheiros, o fim da impunidade e a não aprovação da PEC 37.
Ambulante vende máscaras de Guy Fawkes por R$ 10 durante protesto na orla da Zona Sul do Rio. (Foto: Tássia Thum/G1)Ambulante vende máscaras de Guy Fawkes por
R$10. (Foto: Tássia Thum/G1)
 
Máscaras do revolucionário inglês Guy Fawkes eram vendidas a R$ 10 no Leblon. Por mais R$ 5, o "kit manifestante" fica completo com a bandeira do Brasil. Apesar do poder aquisitivo de participantes do ato, vendedores afirmam que movimento no Centro é melhor.  "Hoje, o movimento foi abaixo do esperado, mas temos até o fim da semana para recuperar", disse o camelô Rodrigo. Ele diz ter vendido 150 máscaras do estoque de 200. "No Centro, vende mais de 500."

De acordo com a policia, a manifestação tinha por volta das 19h30 aproximadamente 1,5 mil participantes. Cinquenta homens da Polícia Militar cercam as duas entradas da rua Aristide Espínola, onde mora Sérgio Cabral.

Indígenas do antigo Museu do Índio também participaram de manifestação em frente à casa do governador do Rio de Janeiro.  Em março, eles foram obrigados a sair por decisão judicial, para a retomada do espaço pelo governo.
Índios do antigo Museu do Índio também participam de protesto. (Foto: Tássia Thum/G1)Índios do antigo Museu do Índio também participam de protesto. (Foto: Tássia Thum/G1)
 
A polêmica sobre o destino do espaço, que fica na Zona Norte do Rio, começou em outubro de 2012, quando o governo do estado anunciou mudanças no entorno do Maracanã, para que o estádio pudesse receber a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016. A saída dos indígenas foi marcada por tumultos entre manifestantes e PMs, que dispararam na ocasião spray de pimenta e balas de borracha.

A chuva fina que começou por volta das 20h45 não dispersou os manifestantes que permaneciam no Leblon. Eles fizeram um círculo e debaterem sobre a Constituição Brasileira. Cada participante tinha um tempo determinado para expor suas ideias.

Motoristas favoráveis à manifestação buzinavam como forma de apoio ao grupo que ocupava a avenida Delfim Moreira, na esquina da residência do governador Sérgio Cabral. Participantes do protesto retribuíram com aplausos.

De acordo com o comandante do 19º BPM (Copacabana), Cláudio Costa, duas pessoas foram detidas durante a manifestação. Um delas é um guarda municipal que estava armado com uma e o outro um homem que tentou furtar uma bicicleta.

Segundo a delegada da 12ª DP (Copacabana), Soraia Vaz, o guarda municipal e um camelô iniciaram uma discussão, quando o agente sacou uma arma. Policiais militares foram acionados por populares e conduziram o guarda para a delegacia. Foi verificado que a arma era registrada, mas o agente não tinha de registro de posse. Ele está preso e vai responder por porte ilegal de arma de fogo.

A Guarda Municipal esclareceu que o uso de armas de fogo não é previsto na legislação municipal, e que a GM-Rio considera falta grave e condena a conduta do guarda em questão. Ele fazia parte da equipe que efetuava o patrulhamento de rotina na areia neste domingo, não tendo qualquer relação com os agentes que faziam o ordenamento do trânsito durante a manifestação.

O guarda foi afastado de suas funções e a Corregedoria da GM-Rio determinou a abertura imediata de processo disciplinar junto à Secretaria Municipal de Administração visando à sua demissão.
Muitos veículos de imprensa estrangeira acompanharam a manifestação na orla da Zona Sul do Rio.

Protesto na Zona Sul do Rio ocorreu de forma pacífica. (Foto: Tássia Thum/G1)Protesto na Zona Sul do Rio ocorreu de forma pacífica. (Foto: Tássia Thum/G1)

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/06/protesto-na-zona-sul-do-rio-termina-com-debate-sobre-constituicao.html
 

Espanha: bebê é resgatado vivo depois de ser jogado no esgoto pela mãe

O bebê, que estava envolvido em um saco plástico, foi levado ao hospital de Alicante em estado grave, com fraturas e outros ferimentos, mas não corre risco de morte         

Um bebê jogado no esgoto pela mãe logo após o nascimento foi encontrado vivo preso em um cano neste domingo, quase dois dias após a barbárie, informou a polícia. O caso aconteceu na cidade de Alicante, no leste da Espanha.

Na manhã deste domingo, "um vizinho chamou os bombeiros devido a um miado procedente do encanamento de esgoto, pensando se tratar de um gato entalado, mas quando os socorristas chegaram descobriram que era um recém-nascido, e imediatamente iniciaram o resgate do bebê (...) que ainda tinha o cordão umbilical", revelou a polícia.

O bebê, que estava envolvido em um saco plástico, pesa 2,1 quilos e foi levado ao hospital de Alicante "em estado grave, com fratura no rádio e outros ferimentos, mas não corre risco de morte", destacou a polícia.

A criança nasceu na sexta-feira "e ficou por quase quarenta horas no cano do esgoto coletivo do prédio". A polícia deteve a mãe da criança, de 26 anos, por "tentativa de homicídio", após identificá-la como a mulher atendida na sexta-feira, no Hospital Geral de Alicante, afirmando ter sofrido um "aborto" em casa.
 
 

Presidente Dilma se encontra nesta segunda com líderes do MPL

A presidente Dilma Rousseff se encontra nesta segunda-feira com representantes do Movimento do Passe Livre (MPL), que vinha organizado em todo o País atos pela qualidade do transporte público e redução nas tarifas. O objetivo da reunião, que acontece às 14 horas, no Palácio do Planalto, é reverter a imagem de que é uma governante que não ouve ninguém.

À tarde, a presidente irá se encontrar com os 27 governadores de Estado e do Distrito Federal, além dos prefeitos de capitais.

Na terça-feira, uma nova rodada de reuniões será realizada, com a presidente Dilma recebendo outros segmentos representativos de movimentos jovens. Ainda estarão com a presidente os representantes de entidades tradicionais como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB

.http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=194496&idDepartamento=8&idCategoria=0

Movimento Passe Livre fará novo ato em SP na terça-feira

Movimento Passe Livre fará novo ato em SP na terça-feira A motivação do protesto é a tarifa zero para o transporte público

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Após anunciar que não voltaria às ruas pelos próximos dias depois da redução da tarifa dos transportes públicos devido a "infiltração de grupos conservadores" nos atos, o Movimento Passe Livre (MPL), convocou por meio do Facebook manifestantes para um novo protesto em São Paulo, às 17h desta terça-feira, partindo da estação do metrô Capão Redondo e do Largo do Campo Lindo, na zona sul da cidade.

A motivação do protesto é a tarifa zero para o transporte público, além da desmilitarização da polícia e mais verbas para a saúde e educação, conforme comunicado divulgado.

"Se antes diziam que baixar a passagem era impossível, a luta do povo provou que não é. Já derrubamos os 20 centavos. Podemos conquistar muito mais. O transporte só vai ser público de verdade quando não tivermos que pagar nenhuma tarifa para usá-lo", escreveu a organização.

Na tarde deste domingo, o MPL fará reuniões abertas em três pontos da capital paulista para apresentar o movimento à população, discutir o sistema de transportes, aumentos e a tarifa zero.

Os encontros ocorrerão a partir das 14h. na Quadra dos Metroviários, na Zona Leste; na subsede da Apeoesp Santo Amaro, na Zona Sul; e na Rua Medeiros de Albuquerque, 55, próximo à estação do metrô Sumaré, na Zona Oeste.
 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Policial é afastado de posto após se recusar a avançar sobre manifestante.

 
 

Aos poucos, começam a surgir vídeos de momentos nos bastidores das manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus e de metrô em São Paulo. O vídeo abaixo é um exemplo.
 
Um policial foi obrigado a entregar a arma e foi retirado do trabalho pelo comendante na operação na capital paulista. Ele se recusou a avançar sobre os manifestantes e foi repreendido aos gritos pelo chefe. Concorda com o PM? Ou o comandante agiu certo? (via @Samara7Days)
 



Há 3 anos na UTI, paciente comemora aniversário e sonha voltar para casa

Ele já recebeu alta médica, mas prefeitura ainda não montou homecare.
Gerson tem 44 anos e luta contra a esclerose em hospital de Santos

Gerson na cama da UTI do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos (Foto: Mariane Rossi/G1)Gerson na cama da UTI do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos (Foto: Mariane Rossi/G1)
 
Um paciente que sofre de uma doença degenerativa e está internado há mais de três anos em um hospital em Santos, no litoral de São Paulo, completou 44 anos de vida e recebeu o carinho de familiares e funcionários durante toda quarta-feira (19). Gerson Faltermeier, de 44 anos, está internado em uma UTI do Hospital Guilherme Álvaro desde 2009. Além de lutar contra a doença, ele busca um tratamento domiciliar. Gerson já recebeu alta médica há vários meses e já ganhou um processo na Justiça, mas o governo ainda não montou os equipamentos e nem escalou os médicos para realizar o tratamento que o paciente necessita para continuar vivendo.

Dentro do hospital, Gerson recebeu a equipe do G1 para contar sua história. Ele diz que os sintomas da doença apareceram aos poucos. Ele começou a sentir dor nas costas, depois ficou com dificuldade de andar e ia trabalhar de bicicleta. Depois, começou a perceber que tinha dificuldade para fazer algumas coisas do dia a dia, como pentear o cabelo e escovar os dentes. A fraqueza ficava cada vez mais aparente e, por isso, ele passou a usar muletas. ”Eu caía sozinho no meio da rua”, conta. Ele consertava antenas e não conseguia mais realizar o trabalho por conta dos problemas de saúde. Por isso, teve que se afastar do serviço e passou a fazer exames e procurar tratamento.
 
Em janeiro de 2010, ele passou mal em Itanhaém. Gerson foi levado para o hospital municipal, os médicos deram um antibiótico a ele e o mandaram para casa. Um dos quatro irmãos dele, Luiz Carlos Faltermeier, conta o que aconteceu. “No dia seguinte, ele tinha um exame neurológico, em Santos, para avaliar porque ele andava com a muleta e do nada caía no chão, no meio da rua. Ele andava normal, perdia as forças e caia. Depois do exame neurológico ele ficou com uma tosse. Ele disse para o médico que estava passando mal desde Itanhaém e tirou uma chapa. Depois uma médica veio e me disse para eu ir embora porque meu irmão tinha ido para a UTI e que o estado dele era grave”, lembra.

Gerson entrou em coma e depois acordou na cama de Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Guilherme Álvaro. “Eu entrei só para fazer uma consulta. Acordei desesperado. Não lembrava de nada e acordei na UTI”, explica. Três anos após o susto, Gerson continua no hospital. Os médicos coletaram seu sangue e fizeram uma série de exames. Eles conseguiram saber que Gerson tem esclerose, mas não sabem qual o tipo. Ele diz que não tem força muscular e pulmonar e, por isso, não consegue andar, está perdendo os movimentos das mãos e respira com a ajuda de aparelhos. A doença é degenerativa e os médicos acreditam que é uma herança familiar, já que a mãe de Gerson já tinha problemas semelhantes e um dos irmãos dele está começando a apresentar os mesmos sintomas.

Ele utiliza a ponta dos dedos para conseguir utilizar o computador (Foto: Mariane Rossi/G1)
Ele utiliza a ponta dos dedos para conseguir utilizar o computador (Foto: Mariane Rossi/G1)
 
Nos três anos em que está no hospital, Gerson já passou mal outras vezes. Ele diz que se sente sozinho em alguns momentos e que muitas vezes fica deprimido. “No começo ele chorava. Falava que aquilo era uma prisão”, conta o irmão. Nos primeiros meses, Gerson ficava ao lado de outros pacientes, o que o deixava pior. “Eu só via as pessoas entrarem e morrerem do meu lado. Cheguei a ir para a enfermaria, mas peguei infecção e voltei para UTI”, conta ele. Depois desse período, Gerson foi para um quarto individual e mais espaçoso.

Também ganhou um novo equipamento que lhe trouxe mais contato com o mundo. O notebook foi adaptado para ele, que nem sabia como entrar na internet e hoje não sai de frente da tela. Ele ganhou um celular e, apesar de estar com a traqueostomia, consegue falar com os filhos, de 13 e 17 anos, e familiares também. A televisão fica na sua frente e agora ele tem mais conforto para receber os parentes, que fazem visitas semanalmente. Os médicos, enfermeiros e fisioterapeutas viraram amigos e confidentes. Desde o porteiro até a diretoria conhecem a história de Gerson e o admiram por sua força de vontade e bom humor, que ele tenta manter para continuar na luta pela vida. “Todo mundo me conhece. Eu sou bem atendido aqui”, fala.

Por ser bem tratado, Gerson apresentou evoluções desde que foi internado. Karina Martin Rodrigues Silva, a coordenadora de fisioterapia das Unidades de Terapia Intensiva do hospital, acompanha o tratamento dele. “Nós sabemos que é uma doença degenerativa, mas ele está evoluindo aos poucos. A parte motora está melhorando aos poucos”, garante ela.

Gerson conseguiu alta médica há mais ou menos um mês. O problema é que a Prefeitura de Itanhaém ainda não disponibilizou o tratamento homecare, o atendimento médico em casa. “Ele tem condições de sair de uma UTI tanto pela parte médica, enfermeiros e fisioterapeutas. Na parte clínica não tem o que impeça. A luta agora é para ele ir para casa”, completa a fisioterapeuta.
Luiz Carlos, irmão de Gerson, sempre faz visitas e leva lembranças ao irmão (Foto: Mariane Rossi/G1)Luiz Carlos, irmão de Gerson, sempre faz visitas e leva lembranças ao irmão (Foto: Mariane Rossi/G1)
 
Essa luta começou há algum tempo. A família dele entrou na Justiça para provar que Gerson poderia receber tratamento em casa. A causa foi ganha, mas a prefeitura ainda não ofereceu o serviço. "A Prefeitura foi obrigada a arrumar um homecare. Eles têm que dar toda a assistência tanto o humano quanto o material. No dia que era para fazer a licitação, eles disseram que não veio nenhuma empresa. A Prefeitura foi multada em R$ 10 mil por dia. Daí eles entraram com um recurso em São Paulo”, argumenta o irmão dele. Gerson conta que funcionários da prefeitura chegaram a visitá-lo no hospital no ano passado e garantiram que ele estaria em casa neste ano, mas nada aconteceu. “Eles sumiram”, lamenta.

Weldon José Rosa, médico plantonista da UTI do hospital, afirma que o problema de Gerson já foi levado para a diretoria e que o Guilherme Álvaro já entrou em contato com a Prefeitura de Itanhaém para resolver essa questão. “O quadro dele é estável. Ele já esteve para sair daqui várias vezes, mas não montam a estrutura para ele. Estamos esperando” explica o médico.

O médico, assim como todos os profissionais do hospital e familiares esperam o dia em que Gerson possa voltar para casa. Esse é o grande desejo dele. No dia do seu aniversário, esse seria o melhor presente. “Eu queria estar em casa. Eu acordo todos os dias na esperança”, finaliza Gerson.

Em nota, a Prefeitura de Itanhaém afirma que já abriu dois processos licitatórios para contratar uma empresa prestadora de serviço de homecare para atendimento periódico de internação domiciliar, em cumprimento a determinação judicial. A Prefeitura afirma que as chamadas públicas são obrigatórias e atendem a Lei de Licitações. As mesmas foram feitas no Diário Oficial do Estado de São Paulo e em um jornal de grande circulação regional, mas não houve empresas interessadas. A Prefeitura garante que volta a preparar novo chamado público nos próximos dias.

Quarto na UTI com todos equipamentos necessários para Gerson (Foto: Mariane Rossi/G1)Quarto na UTI com todos equipamentos necessários para Gerson (Foto: Mariane Rossi/G1)

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2013/06/ha-3-anos-na-uti-paciente-comemora-aniversario-e-sonha-voltar-para-casa.html

Guarda israelense mata judeu por engano no Muro das Lamentações

Homem gritou frase em árabe e fez movimento suspeito, disse segurança.
Polícia não encontrou nada suspeito nos bolsos das vítimas.

Policiais israelenses no local do incidente no Muro das Lamentações nesta sexta-feira (21) (Foto: AFP)Policiais israelenses no local do incidente no Muro das Lamentações nesta sexta-feira (21) (Foto: AFP)
 
Um segurança israelense matou nesta sexta-feira (21) um visitante judeu no Muro das Lamentações de Jerusalém, que foi confundido com um militante palestino, anunciou a polícia.

"Um homem judeu estava na área dos banheiros. Por uma razão desconhecida, o visitante gritou Alá Akbar (Deus é grande, em árabe)", disse o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld.

"Um guarda de segurança atirou várias vezes contra o suspeito, que não resistiu aos ferimentos", completou.

A ação aconteceu às 7h55 locais na praça diante do Muro, onde muitos fiéis cumpriam a oração matinal antes do sabbath, o dia sagrado da semana judaica.

Segundo a rádio pública, o segurança afirmou que homem retirava algo do bolso enquanto gritava e pretendia atacá-lo.

A polícia não teria encontrado nenhum objeto suspeito no corpo da vítima, informou a rádio.
O Muro das Lamentações, cujo nome em hebraico significa literalmente Muro Ocidental, é um local sagrado para os judeus por ser um dos poucos vestígios do Segundo Templo, que foi destruído pelos romanos no ano 70 depois de Cristo.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/06/guarda-israelense-mata-judeu-por-engano-no-muro-das-lamentacoes.html

Na Austrália, criança de 7 anos dirige carro para pai embriagado

Polícia deteve o veículo na região turística de Surfers Paradise.
Carro circulou durante a madrugada com faróis apagados.

 
A polícia da Austrália surpreendeu, nesta sexta-feira (21), uma criança de 7 anos dirigindo um carro porque seu pai estava muito embriagado para retornar para casa, informou a imprensa local.

Os agentes detiveram o veículo às 3h da madrugada por circular com os faróis apagados pela região turística de Surfers Paradise, no nordeste do país, quando se deram conta de que quem estava conduzindo o veículo era uma criança.

O pai, que estava bêbado, fez o teste do bafômetro que indicou que o nível de álcool em seu sangue estava três vezes maior que o permitido.

O homem, de 41 anos, foi acusado de direção perigosa e por estar como responsável de uma criança quando estava sob efeito de álcool, segundo a agência local AAP.
A criança agora foi entregue a familiares.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/06/na-australia-crianca-de-7-anos-dirige-carro-para-pai-embriagado.html

Manifestação em Cuiabá reuniu cerca de 30 mil pessoas, calcula PM

Manifestação em Cuiabá reuniu cerca de 30 mil pessoas, calcula PM

Grupo seguiu em passeata da Prefeitura de Cuiabá até a Assembleia.
Manifestação foi pacífica na maior parte do trajeto de cerca de 6 km.

Manifestação em Cuiabá (Foto: Renê Dióz/G1)Manifestação passa pela avenida do CPA, perto do Viaduto da Miguel Sutil, em Cuiabá (Foto: Renê Dióz/G1)
 
Aproximadamente 30 mil pessoas tomaram as ruas de Cuiabá nesta quinta-feira (20) marcada por manifestações em todo o país. O número é uma estimativa da Polícia Militar, que sobrevoou a cidade de helicóptero e acompanhou a movimentação desde seu começo na Praça Alencastro (centro da cidade, em frente à Prefeitura) até o encerramento no prédio da Assembleia Legislativa (AL), a cerca de seis quilômetros de distância do início da passeata, onde ocorreram alguns princípios de tumulto e depredações.
 
Confira fotos da manifestação que reuniu milhares em Cuiabá nesta quinta-feira (20).
Na capital mato-grossense, o protesto serviu para a população expressar uma indignação abrangente: contra as condições do transporte coletivo na cidade; contra os gastos do governo com a realização da Copa do Mundo de 2014 em detrimento dos investimentos em saúde, educação, mobilidade urbana; contra a proposta de emenda constitucional 37 (PEC 37, que retira o poder de investigação do Ministério Público); contra a violência policial; contra a permanência do deputado estadual José Riva (PSD) na Assembleia Legislativa; contra a corrupção em geral; pela reforma política e outros.
 
Passeata
Com cartazes, faixas e bandeiras do Brasil, o grupo de manifestantes saiu da Praça Alencastro às 17h e desceu a Avenida Getúlio Vargas para tomar a Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha).
 
Parte do grupo resolveu sair da Praça Alencastro e passar por outras regiões centrais, subindo a Avenida Getúlio Vargas com direção à sede da Secretaria Extraordinária da Copa 2014 (Secopa) para depois ocupar a Praça 8 de Abril, descer a Isaac Póvoas e adotar o roteiro com direção à AL.
 
Na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (do CPA) os manifestantes já estavam em maior número. Eles tomaram os dois lados da via, que consistiu no maior trecho da passeata, cujo ponto final foi o prédio da AL.
Manifestação em Cuiabá (Foto: Renê Dióz/G1)Concentração de manifestantes foi na Praça Alencastro, centro de Cuiabá. (Foto: Renê Dióz/G1)
Parte do comércio fechou as portas à medida que a manifestação avançava e alguns funcionários dos estabelecimentos aderiram à passeata. A cada quilômetro, mais pessoas se juntavam à massa popular gritando palavras de ordem. O trânsito acabou interrompido na maior parte do trajeto e alguns condutores pararam os veículos para aplaudir ou fotografar a movimentação. A eles, os manifestantes diziam que também eram explorados e que também deviam se juntar ao protesto.
 
Em alguns momentos do longo do trajeto, o grupo à frente dos demais se organizava em cordão, sustentando faixas. Ao passar pela Praça Ulisses Guimarães, o grupo entrou na Avenida André Maggi até chegar à frente do prédio da AL. No trecho, houve uma rápida manifestação em frente ao prédio da empresa do senador Blairo Maggi (PR).
Manifestação em Cuiabá (Foto: Renê Dióz/G1)
"É o primeiro aviso do povo no poder", avisaram manifestantes. (Foto: Renê Dióz/G1)AL

 Na frente da AL, os manifestantes se depararam com uma fileira de policiais a postos diante da entrada principal. O grupo ocupou a área e logo começar a cantar trechos do Hino Nacional e a entoar palavras de ordem pedindo a saída e a prisão do deputado Riva, representado também por um boneco de cartolina. “Este é o primeiro aviso do povo no poder”, bradaram os manifestantes. Mensagens contra Riva foram pichadas no prédio da AL e algumas vidraças ficaram trincadas.
 
Imagens com conteúdo contrário ao parlamentar também foram projetadas em uma das paredes do prédio do Instituto de Memória do Poder Legislativo, logo ao lado. Ali, um grupo chegou a atacar vidraças do Instituto e tentou retirar a placa de identificação do prédio, no que foi impedido por líderes da maioria dos manifestantes, contrários aos atos de vandalismo. Minutos depois, foi ateado fogo em uma caçamba repleta de entulhos de construção; as chamas logo foram contidas pelos próprios manifestantes – entretanto, a fumaça permaneceu forte no local até a chegada do Corpo de Bombeiros, por volta das 21h.
 
Manifestação em Cuiabá (Foto: Renê Dióz/G1)Bandeira gigante que ocupou mastros da AL só foi retirada após fim da manifestação, por volta das 21h. (Foto: Renê Dióz/G1)
Bandeira
Como último ato simbólico do protesto, os manifestantes cercaram o espelho d'água da AL e hastearam nos mastros à frente do prédio uma gigantesca bandeira nacional, com cerca de 10 metros de largura, no lugar onde geralmente ficam as bandeiras oficiais do estado de Mato Grosso, do Brasil e do Mercosul. A cada movimento produzido pelo vento, os manifestantes espalhados pelo gramado da AL aplaudiam.
 
A partir deste momento, alguns líderes do movimento continuaram a bradar as palavras de ordem e a fazer chamamentos para manifestações futuras até as 20h30, quando os manifestantes já começaram a se dispersar e o trânsito no local voltava a fluir. A esta altura, a massa já havia se dividido em três – na rua de acesso e em frente à entrada principal da AL, nos gramados ao lado do Instituto de Memória e em frente ao estacionamento.
 
A maioria dos manifestantes recolheu o material usado para protestar e foi embora a pé, mas foi grande a quantidade de lixo deixada no entorno da AL. Assim que os últimos manifestantes deixaram a entrada da AL, os 150 policiais que controlaram a região deixaram a formação e reabriram o prédio.
Manifestação em Cuiabá (Foto: Renê Dióz/G1)Assim como em outras cidades do país, pauta de reivindicações em Cuiabá foi ampla. (Foto: Renê Dióz/G1)
 
Protestos
O protesto desta quinta-feira foi o terceiro ato político popular de realizado em Cuiabá esta semana. No domingo (16), um grupo decidiu protestar durante a Caminhada No Clima da Copa, realizada pela Secopa. Eles percorreram cerca de dois quilômetros do Museu do Rio, no bairro Porto, até o local onde está sendo construída a Arena Pantanal, que vai sediar quatro jogos na Copa do Mundo de 2014.
Na quarta-feira (19), cerca de 3 mil pessoas, de acordo com a organização do protesto, percorreram as avenidas Getúlio Vargas, Isaac Póvoas e Tenente Coronel Duarte para cobrar melhorias no transporte público, redução da tarifa e passe livre irrestrito.
 
http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2013/06/manifestacao-em-cuiaba-reune-cerca-de-30-mil-pessoas-diz-smtu.html

Marcha pacífica no Recife reúne 52 mil; PM coíbe atos violentos isolados

Multidão ocupou ruas do Centro da capital em passeata de mais de 5 horas.
Grupo que tentou cometer crimes foi preso; houve confronto na Agamenon.

 
Protesto no Recife (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)Protesto no Recife entrou pela noite, na Avenida Conde da Boa Vista (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)
 
Uma marcha que tomou as principais ruas do Centro do Recife e reuniu cerca de 52 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, marcou o protesto realizado na capital pernambucana nesta quinta-feira (20). Manifestantes se reuniram na Praça do Derby e saíram em passeata, por volta das 15h, pela Avenida Conde da Boa Vista, uma das principais artérias da cidade. Na saída, uma fumaça verde e amarela foi lançada e muitos cantaram o Hino Nacional. Exibindo cartazes e, em vários momentos, gritando pelo fim da corrupção, do preconceito e por melhorias na educação, saúde e no transporte público, a multidão caminhou por aproximadamente cinco horas.

O ato foi pacífico, mas em alguns momentos houve correria e confusão provocadas por pequenos grupos inflitrados entre os manifestantes. Eles tentaram iniciar arrastões e assaltar os participantes. A Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco informou, por volta das 23h, que registrou 30 ocorrências, 28 delas com detenções ou prisões. O movimento ocorreu em diversas cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Brasília e Belém.

Enquanto caminhava pela Avenida Conde da Boa Vista, a multidão foi saudada por uma chuva de papel picado jogado por moradores dos prédios. Ainda na via, um grupo com camisas do Partido dos Trabalhadores (PT) e da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe) foi hostilizado pela maioria, que afirmava não integrar partidos políticos. Houve bate-boca e explosão de bombas juninas. Ninguém ficou ferido. Ao chegar à Rua da Aurora, nas proximidades do Cinema São Luiz, a marcha se dividiu, por volta das 18h. Parte seguiu pela Rua do Sol e voltou à Aurora pela Ponte Princesa Isabel, para protestar em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Já a grande maioria partiu em direção ao Marco Zero da capital, passando pela Avenida Guararapes, Ponte Maurício de Nassau e Avenida Marquês de Olinda. Um dos tumultos ocorreu em frente ao edifício de número 111 da Guararapes. Um grupo que tentava assaltar os manifestantes foi surpreendido por dois policiais militares. Ao tentar coibir a ação, os PMs foram cercados em frente ao prédio enquanto o grupo arremessava pedras e paus, que atingiram Rubens Rocha, 60 anos. Ele disse ter saído de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, e estava na calçada acompanhando o ato quando foi ferido na perna.

Cartaz pede paz e a continuidade dos protestos (Foto: Rafaella Torres / G1)Cartaz pede paz e a continuidade dos protestos (Foto: Rafaella Torres / G1)
 
Em meio à confusão, os manifestantes vaiaram a ação do grupo. Alguns se sentaram no chão, para não serem confundidos com os que tentavam tumultuar. Em coro, gritavam: "sem violência, sem violência", até que os agressores fossem retirados. Um outro manifestante passou mal após ser atingido por fogos de artifício. Dois suspeitos de praticar crimes foram detidos na Praça da Independência e outros três, na Avenida Guararapes. Na Avenida Marquês de Olinda, o clima voltou a ficar tenso com novas tentativas de furto. Policiais detiveram nove pessoas no local. Por diversas vezes, a PM chegou a ser aplaudida pelos participantes da marcha. Os policiais que monitoraram a marcha estavam usando uma braçadeira com o nome "paz", por cima do fardamento, e flores nos coletes à prova de bala.

Na Ponte Maurício de Nassau, banners decorativos em alusão à Copa das Confederações - que tem o Recife como uma das sedes - foram rasgados. Os cartazes estavam afixados a postes de iluminação. Por volta das 19h30, quando grande parte dos manifestantes ocupou o Marco Zero, a marcha começou a se dispersar. Muitos saíram do local, voltaram pela Praça da República e subiram as escadarias do Palácio de Justiça. Em frente à sede do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), eles cantaram: "Ei, Brasil, vamos acordar, porque um professor vale mais que o Neymar".

Máscaras recolhidas na Alepe e depredação na Prefeitura do Recife
O outro grupo de manifestantes, que estava em frente à Assembleia Legislativa (Alepe), gritava chamando os deputados e criticando a atual administração municipal. Outras faixas reclamavam da gestão do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Policiais revistaram manifestantes perto da Alepe e recolheram máscaras, sem explicar o motivo da apreensão. "Levaram nossas máscaras e pertences. Eles pediram para a gente tirar porque estávamos como anônimos. Mostramos nossa cara, mas levaram mesmo assim", reclamou o manifestante Lucas Lopes.

Em frente à Prefeitura do Recife, um outro grupo se aglomerou gritando palavras de ordem e também questionando a atual administração. Por volta das 20h30, a Guarda Municipal reforçou a segurança do prédio, com o apoio do Batalhão de Choque da PM. No entanto, não foi suficiente para dispersar as pessoas. Um vidro da fachada foi apedrejado e uma mulher chegou a passar mal. Uma parada de ônibus situada em frente ao Executivo municipal também foi depredada.

À noite, o clima ficou tenso na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife (Foto: Kety Marinho/TV Globo)À noite, clima ficou tenso na Avenida Agamenon Magalhães, na área central (Foto: Kety Marinho/TV Globo)
 
Spray de pimenta e balas de borracha na Agamenon
No início da noite, o clima ficou mais tenso na cidade. Na Avenida Agamenon Magalhães, na altura do Parque Amorim, onde o trânsito já estava bloqueado, a PM foi deslocada para monitorar a ação e negociar com um grupo, que ficou sentado no asfalto, impedindo a passagem dos veículos. Os motoristas de ônibus, depois de aderir ao protesto paralisando a circulação dos veículos por três horas, voltaram a trafegar, mas um engarrafamento quilométrico se formou no local. Vale lembrar que, nesta quinta, começaram a vigorar as novas tarifas de ônibus no Grande Recife, após redução que baixou o valor do anel A de R$ 2,25 para R$ 2,15.

Com o trânsito interrompido, motociclistas que tentavam furar o bloqueio eram perseguidos. Um deles foi derrubado da moto, ferido na cabeça e ainda teve a carteira roubada. Algumas pessoas pegaram carrinhos de compras de um supermercado próximo e levaram até a via. Gelos baianos também foram usados para bloquear a pista. O grupo ainda fez uma fogueira no local. Muitos estavam armados com pedaços de pau.

Ainda na Agamenon, a PM deteve um homem que estaria com uma mochila cheia de documentos. Ele é suspeito de portar uma arma. Em outro ponto da avenida, perto da Praça do Derby, houve confronto. Na confusão, o jovem Rafael Ferreira disse ter sido agredido por policiais que estavam com cassetetes. Ele quebrou um dente e ficou desorientado. A polícia usou balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar o grupo. O trânsito na Agamenon Magalhães só foi liberado após as 23h.

Gradil do Palácio da Justiça (Foto: Lorena Aquino/G1)
Cartazes foram pendurados em grades do Palácio da Justiça (Foto: Lorena Aquino/G1)
Mensagens

 Nas grades do Palácio da Justiça e da Praça da República, manifestantes deixaram um rastro de mensagens a respeito das propostas que defendem nesse momento de agitação política e social que o Brasil atravessa.

A diversidade de cartazes mostrou a pluralidade das reivindicações, a maior parte focada no transporte público, como passe livre para estudante e trabalhador desempregado, licitação imediata nas linhas de ônibus, melhores condições de trabalho para rodoviários, ciclofaixas e metrô para Zona Norte. Também protestavam contra as PECs 37 e 35, ato médico e o projeto de "cura gay", além de cobrar reformas política e fiscal e ações contra a seca no estado.

A SDS organizou, junto com a Prefeitura do Recife, um esquema especial para acompanhar a manifestação, envolvendo mil homens, entre policiais civis, militares e bombeiros. Na Avenida Conde da Boa Vista, a polícia recolheu um pedaço de ferro, pequenas bombas e fogos de artifício com um grupo de cinco jovens. Após serem revistados, eles foram liberados e os itens, apreendidos. "Fiz por questão de segurança. Isso é coisa que se traga para uma manifestação pacífica?", questionou o tenente Carlos Oliveira. O comércio do bairro da Boa Vista fechou as portas e empresariais colocaram tapumes na entrada. Paredes de alguns estabelecimentos foram pichadas.

No meio do protesto, uma ciranda (Foto: Lorena Aquino/G1)
Manifestantes fizeram ciranda no meio do protesto
 
Ao longo da marcha, o clima de paz foi defendido pelos manifestantes, que pediam para algumas pessoas descer das paradas de ônibus e manter a calma. Uma ciranda foi organizada em plena passeata assim como 'olas' na Conde da Boa Vista. Luzes dos estabelecimentos e residências foram piscadas em apoio aos manifestantes.

Luzes piscam e pessoas sentam no chão para pedir paz (Foto: Lorena Aquino/G1)
Participantes do ato sentaram no chão para pedir paz
 
O cantor e compositor Zé Manoel participou da manifestação. "Também estou insatisfeito com a forma que o Brasil é gerido, está tudo muito errado, na raiz. Acredito também que a gente deve mudar e se transformar em cidadãos melhores, pois nossa politica é reflexo do que somos", comentou. "Estou aqui lutando, não só pela passagem, prefeituras falidas, pela corrupção e pela nossa cultura mais valorizada", disse o cantor e rabequeiro Maciel Salú.

Um grupo do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) saiu às ruas com um carro de som contra a PEC 37, que limita os poder de investigação do órgão. "Esse projeto cria um monopólio da investigação para a polícia, atinge outros órgãos como o Banco Central, e pode estimular a impunidade. A polícia não tem condição de investigar tudo", argumentou o promotor Salomão Ismail Filho.

Integrante de um movimento de mulheres de Brasília Teimosa (Zona Sul), Elides Queiroz, 71 anos, contou que já participou de vários protestos, mas nunca de um como esses que estão acontecendo no Brasil. "Nunca vi uma manifestação tão intensa, com tamanha participação popular", comemorou.

http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2013/06/marcha-pacifica-no-recife-reune-52-mil-pm-coibe-atos-violentos-isolados.html

'Alguns bandidos estão estragando', diz Pelé sobre os protestos pelo país

Em entrevista ao G1, Pelé defendeu e apoiou o movimento dos brasileiros.
Craque afirma ainda que Seleção não tem nada a ver com corrupção

Indignado com os atos de vandalismo cometidos por grupo infiltrados entre manifestantes pacíficos na Baixada Santista, Pelé recebeu a equipe do G1, nesta quarta-feira (19), e falou sobre os recentes protestos que acontecem em todo o Brasil. Segundo ele, bandidos infiltrados estão estragando um movimento legítimo da sociedade brasileira. Ele também aproveitou para afirmar que a Seleção Brasileira não tem nada a ver com corrupção.
 
Pelé critica as pessoas que estão usando os protestos para praticar atos de vandalismo. "Os bandidos estão estragando uma passeata que é de paz, de reivindicação, para o melhor do povo brasileiro, da nossa sociedade. Muitos estão aí com bandidagem, e nós temos que lutar contra isso. Eu acho que não podemos deixar, de maneira nenhuma, que alguns bandidos estraguem essa oportunidade. O nosso país merece ter um meio de transporte melhor, uma saúde melhor e uma escola melhor. Estou 100% de acordo com essa maneira de pensar e com esse povo que está na rua, mas o mau-caráter eu não aceito. A gente devia passar isso para esse pessoal que não quer que as coisas melhorem”", ressalta.
 
Segundo Pelé, o momento esportivo do país também não pode ser prejudicado. "Eu acho que nós não podemos misturar. A Copa do Mundo, a Olimpíada e a Copa das Confederações, que são eventos importantes para o nosso país crescer. Eu estou de acordo, nós temos que brigar, lutar contra a corrupção, sem dúvida nenhuma. Eu pedi para o governo dar educação quando fiz o milésimo gol. Então é isso mesmo, tem que reivindicar, mas nós não podemos misturar. Os jogadores da Seleção não têm nada a ver com a corrupção do governo, isso tem que ser separado. A minha intenção é pedir aos nossos queridos amigos brasileiros para que não estraguem esse momento do Brasil por causa de um problema interno, de corrupção. A Seleção e os jogadores não têm nada com isso", conclui.
 
Copa das Confederações
Em entrevista ao GloboEsporte.com, nesta quarta-feira (19), pouco antes do jogo entre Brasil e México, válido pela Copa das Confederações, Pelé fez um apelo aos torcedores do Brasil. Apesar do pedido do Rei, os torcedores viraram de costas na hora do hino nacional. "Vamos esquecer toda essa confusão que está acontecendo no Brasil e vamos pensar que a seleção brasileira é o nosso país, é o nosso sangue. Não vamos vaiar a seleção. Vamos apoiar até o final.", argumentou Pelé.

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2013/06/alguns-bandidos-estao-estragando-diz-pele-sobre-os-protestos-pelo-pais.html

 

Protesto em Porto Alegre termina com 20 presos e 15 feridos, diz BM

Cinco lojas foram depredadas e mais de 10 estabelecimentos saqueados.
Caminhada iniciou pacificamente e reuniu cerca de 18 mil pessoas.

Balanço do protesto em Porto Alegre (Foto: Reprodução)Balanço do protesto em Porto Alegre (Foto: Felipe Truda, Adriana Franciosi e João Vitor Santos)
 
Pelo menos 20 pessoas foram presas e 15 ficaram feridas nos confrontos ocorridos durante o protesto desta quinta-feira (20) em Porto Alegre, de acordo com a Brigada Militar. Após um início pacífico de caminhada que reuniu cerca de 18 mil pessoas, houve conflito em mais de um momento entre manifestantes e policiais. Cinco lojas foram depredadas, e mais de 10 estabelecimentos acabaram saqueados. Pelo menos 11 agências bancárias foram atacadas (veja mais sobre os protestos pelo estado).
Os detidos foram levados para uma área judiciária integrada criada para a noite do protesto. No local, trabalham Polícia Civil, Instituto Geral de Perícias, BM, Samu, Corregedoria do estado, além de um juiz.
 
De acordo com o comandante-geral da BM, Fábio Duarte Fernandes, havia pelo menos 150 depredadores, em sua maioria jovens e estudantes. "Percebemos que o espírito era incendiar a cidade. Quando os depredadores depararam com a tropa de choque, eles utilizaram bombas e coquetéis molotov em direção à tropa. Este método já tinha sido identificado à tarde pela inteligência, e fizemos uma apreensão de bombas", disse em entrevista à Rádio Gaúcha.

Fernandes avalia como positiva e tática utilizada pela Brigada Militar, já que houve apenas registros de casos leves de feridos. As ações preventivas foram localizadas em postos de gasolinas e outros lugares que seriam alvos.

"Queremos mais uma vez ratificar que a nossa prioridade é a garantia da vida das pessoas e defesa do patrimônio. Nossos procedimentos ainda estão conseguindo fazer frente a estes depredadores", avaliou o comandante-geral.

O protesto desta quinta-feira (20) estava marcado para as 18h, mas a concentração começou por volta das 17h. Manifestantes ocuparam inicialmente o Paço Municipal e parte das avenidas Sete de Setembro e Borges de Medeiros. Depois, eles se dividiram em três grandes grupos: um caminhava pela Avenida Júlio de Castilhos, outro pela Borges de Medeiros e um terceiro foi para a João Pessoa e se dirigiu à Avenida Ipiranga.

Manifestantes exibem placas no início do protesto em Porto Alegre (Foto: Felipe Truda/G1)
Manifestantes exibem placas no início do protesto em Porto Alegre (Foto: Felipe Truda/G1)
 
Os confrontos iniciaram na Ipiranga, próximo à Erico Verissimo, por volta das 20h, onde a polícia realizava um cordão de isolamento impedindo que os manifestantes avançassem. Alguns tentaram se aproximar e os policiais reagiram com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e alguns tiros com balas de borracha.

Depois, os manifestantes se deslocaram para outros pontos da Região Central da cidade. Alguns atiraram pedras e outros objetos nos policiais, que chegaram a usar a cavalaria para dispersar as pessoas. O Batalhão de Operações Especiais (BOE) avançou contra os manifestantes em mais de um momento durante a noite.

Na Avenida Venâncio Aires, manifestantes depredaram lojas. Pelo menos sete agências bancárias foram danificadas na cidade, como a do Banrisul (confira no vídeo acima). Houve tentativa de incendiar uma delas. A loja de calçados Paquetá que fica na Esquina Democrática (entre a Avenida Borges de Medeiros e a Rua dos Andradas) foi invadida, e o Shopping João Pessoa, na avenida de mesmo nome, foi atacado por pedras e outros objetos.

Mais cedo, na Avenida Azenha, manifestantes arrancaram tapumes que protegiam as vidraças de estabelecimentos comerciais danificadas no protesto de segunda-feira. A loja de motos Honda, que havia sido danificada na última segunda-feira, foi novamente alvo de depredadores. Houve também saques em diversos locais e placas de sinalização foram arrancadas para serem usadas como arma.

Policiais militares fazem cordão de isolamento para evitar ataque à prefeitura (Foto: Felipe Truda/G1)
Policiais militares fazem cordão de isolamento em frente à prefeitura (Foto: Felipe Truda/G1)
 
Após os confrontos na Ipiranga, o grupo se dispersou. Parte dos manifestantes se reencontrou no Centro. Eles tinham o objetivo de protestar em frente ao Palácio Piratini, sede do governo estadual, mas a Brigada Militar realizava cordões de isolamento nas ruas Jerônimo Coelho e Riachuelo, impedindo o acesso. O grupo retornou até a frente da Prefeitura, onde mais policiais do Batalhão de Choque faziam a proteção.

Um grupo se dirigiu à Avenida Sete de Setembro, onde depredaram quatro agências bancárias. A polícia reagiu com gás lacrimogêneo e os manifestantes fugiram para a Praça da Alfândega.

Um novo confronto ocorreu por volta das 22h40, quando um ônibus que levava pessoas presas durante o protesto passou pela Borges de Medeiros e cruzou a esquina da Rua José Montaury, onde há um posto do 9º Batalhão da Brigada Militar. Manifestantes pediam que os detidos fossem liberados, jogaram pedras e dispararam fogos de artifício em direção aos policiais, que responderam com tiros de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Uma agência bancária e pelo menos três lojas foram depredadas. Um bombeiro precisou apagar o fogo ateado a um caixa eletrônico.

Agência bancária depredada na Avenida Salgado Filho, em Porto Alegre (Foto: Felipe Truda/G1)Agência bancária depredada na Avenida Salgado Filho, em Porto Alegre (Foto: Felipe Truda/G1)
 
Parte dos jovens se refugiou na Avenida Salgado Filho. Lá, outras duas agências bancárias foram depredadas, sendo que em uma delas o Corpo de Bombeiros foi acionado para evitar um incêndio. Uma terceira agência foi pichada, e três contêineres foram derrubados. Alguns jovens também saquearam duas lojas.

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/06/protesto-em-porto-alegre-termina-com-20-presos-e-15-feridos-diz-bm.html

Manifestante invade Congresso e pede para conversar com o 'dono'

Homem foi detido após furar bloqueio policial e discutir com seguranças.
Presidente da Câmara chegou nesta quinta a Brasília após viagem oficial.


Entre os mais de 30 mil manifestantes que foram à Esplanada protestar nesta quinta-feira (20), um conseguiu furar o cordão de policiais militares e invadir o Congresso.

Mais à frente, ao se deparar com um grupo da Polícia Legislativa, justificou, ao ser abordado: "Eu quero conversar com o dono dessa porra! Me leva até ele", disse, numa tenso bate-boca com os seguranças da Casa (veja vídeo ao lado)

O psicólogo de 36 anos, cujo nome não foi divulgado pela polícia, foi detido e levado para prestar depoimento na delegacia interna da Câmara, acompanhado de um defensor público. De acordo com a polícia, ele foi liberado depois de ouvido, mas poderá ser autuado por crime de desobediência.

O manifestante havia passado despercebido pelos policiais militares, mas no momento em que policiais legislativos perceberam que se tratava de um manifestante, teve início uma tensa discussão e depois ele foi levado para dentro.

No momento da confusão, por volta das 19h30, ainda estavam no Congresso o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente interino da Câmara, André Vargas (PT-PR). Ambos deixaram o palácio pouco tempo depois, mas o homem detido não conseguiu falar com eles.

Por volta das 21h, chegou à Câmara o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que voltou para Brasília após passar a semana numa viagem oficial à Rússia.

Após se reunir com a direção da Câmara, disse que os parlamentares precisam “registrar” as insatisfações dos manifestantes e “colaborar”. “Essa Casa tem o dever, por ser uma casa do povo brasileiro, de saber registrá-las, interpretá-las e dar a leitura correta, para dar a sua colaboração. É o que faremos amanhã e nos próximos dias”, afirmou.

Concentração de manifestantes na Esplanada dos Ministérios (Foto: Antonio Augusto/Ag.Câmara)Concentração de manifestantes na Esplanada dos Ministérios (Foto: Antonio Augusto/Ag.Câmara)

Multidão cerca prédio do Congresso Nacional

Segundo avaliação da PM, manifestação reúne 23 mil em Brasília.
Policiais e Cavalaria fazem cordão para isolar prédio do Congresso.


Policiais fazem cordão de isolamento diante do Congresso Nacional (Foto: Rafaela Céo / G1)Policiais fazem cordão de isolamento diante do Congresso Nacional (Foto: Rafaela Céo / G1)
Depois de uma caminhada por toda a Esplanada dos Ministérios, uma multidão de cerca de 23 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, cercou o Congresso Nacional na tarde desta quinta-feira (20), em Brasília.

Policiais militares e homens da Cavalaria da PM fizeram um cordão de isolamento para impedir o acesso ao prédio.
A PM mobilizou 3,5 mil homens para a manifestação. No protesto da última segunda-feira, foram 580. A Câmara criou um "gabinete de crise" para monitorar o ato, e o Supremo Tribunal Federal dispensou os servidores mais cedo.

O gramado em frente ao Congresso foi totalmente ocupado. Uma parte dos manifestantes entrou no espelho d'água, embora a PM tivesse anunciado que não iria permitir.

Manifestantes sentaram no chão em frente à cavalaria da PM, que se posicionou ao lado do Congresso para impedir que os participantes do protesto chegassem a uma rua que dá acesso ao Palácio do Planalto, a cerca de 500 metros do Congresso. Os manifestantes gritavam: "Ei, policial pai de família, não proteja essa quadrilha".

Manifestantes concentrados no gramado do Congresso Nacional (Foto: Isaura Borba / G1)Manifestantes concentrados no gramado do Congresso Nacional (Foto: Isaura Borba / G1)
 
No Palácio do Planalto, sede da Presidência da República, um contingente de homens da Polícia do Exército se posicionou preventivamente sob os arcos do prédio e na rampa de acesso. Parte do integrantes da manifestação gritava em coro que iria "buscar a Dilma". A presidente adiou viagens à Bahia e ao Japão por causa dos protestos.
 
Em determinado momento da manifestação da tarde desta quinta, duas bombas explodiram ao lado do Congresso Nacional. Houve um princípio de confusão na via N1 do Eixo Monumental. No meio do tumulto, uma bomba explodiu entre os manifestantes e a cavalaria da PM.

Um grupo jogou garrafas de água em direção aos policiais, sem atingir nenhum PM do cordão de isolamento. Os policiais não revidaram. Um manifestante abriu uma bandeira do Brasil bem próximo ao rosto de um policial, que também não revidou.

Homens do Batalhão de Choque do Exército se posicionam em frente ao Palácio do Planalto (Foto: Priscilla Mendes)Homens do Batalhão de Choque do Exército posicionados em frente ao Palácio do Planalto (Foto: Priscilla Mendes)
 

Ato no Rio reúne 300 mil pessoas e termina em confronto com a PM

Manifestação que começou pacífica deixou mais de 60 feridos.
Cinco pessoas foram presas pelo Bope por saques a loja no Centro.

Mais de 300 mil pessoas foram às ruas do Rio de Janeiro para a manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus. Este foi o ato que reuniu o maior público desde o início dos protestos. A manifestação, que começou pacífica na Candelária, na tarde de quinta-feira (20), terminou com mais cenas de violência e vandalismo no Centro e no entorno do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul da cidade.
 
(O G1 acompanhou em tempo real as manifestações pelo país, em fotos e vídeos: veja relatos no Brasil inteiro, em São Paulo e no Rio.)
 
Até o início da madrugada de sexta-feira (21), 62 pessoas haviam sido atendidas no Hospital municipal Souza Aguiar, feridas durante o tumulto entre um pequeno grupo de manifestantes e a Polícia Militar. No mesmo horário, cinco pessoas tinham sido presas pelo Bope por saque a uma loja de calçados. Outras 10 pessoas foram detidas. Segundo a polícia, a maioria era menor de idade e foi liberada após a chegada dos responsáveis.
Com faixas e cartazes, as reivindicações pediam por maior orçamento na saúde e educação, a votação da PEC 37, além de críticas ao projeto de lei da Comissão de Direitos Humanos que pede o fim da proibição, pelo Conselho Federal de Psicologia, de tratamentos que se propõem a reverter a homossexualidade, chamada pelo deputado Marco Feliciano de “cura gay”.
Tumulto e confusão
Pacífica na maior parte do tempo, as primeiras cenas de tumulto começaram na chegada à Prefeitura do Rio, na Cidade Nova. Um dos manifestantes que estava, em frente à Prefeitura do Rio, contou como o confronto começou. "Um grupo de cerca de seis pessoas quebrou uma lixeira e explodiram dentro uma bomba. Em seguida, atiraram uma bomba contra a polícia. Os cavalos se assustaram e a polícia foi para cima de todo mundo", contou o jovem de 22 anos, que preferiu não se identificar.
Outros manifestantes contam que a confusão começou quando dois manifestantes começaram a brigar entre si em frente à cavalaria da PM, que estava em frente à Prefeitura. Os cavalos se assustaram e a cavalaria foi para cima dos manifestantes, que revidaram com pedras. Segundo outros manifestantes, esses homens eram da P2 - policiais militares do serviço reservado que trabalham descaracterizados - e brigaram de propósito para provocar o confronto. No entanto, aparentemente eles estavam na manifestação.
Já estudante Jennifer Menezes, de 23 anos, lamentou o confronto. "Estava com esperança que dessa vez o protesto fosse diferente porque a gente conseguiu que baixassem a passagem [de ônibus]. Não imaginava que isso fosse acontecer. Existem dois problemas: os vândalos e a polícia", disse a jovem.
Por volta das 19h, o entorno da Prefeitura do Rio se transformou em uma praça de guerra. Durante o caos, os policiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo na tentativa de dispersar a multidão. Manifestantes jogaram pedras nos PMs, que revidaram com tiros de balas de borracha. Prédios, bancos e lojas foram destruídas por vândalos. Vinte radares da Prefeitura do Rio foram derrubados na Avenida Presidente Vargas, assim como pontos de ônibus foram depredados.
O clima tenso durou por mais de três horas. Algumas estações do metrô e a estação das Barcas, na Praça XV, tiveram o tráfego interrompido por alguns períodos. Várias vias importantes, como as avenidas Rio Branco, Presidente Vargas, Pinheiro Machado, Praça da Bandeira e túneis Santa Bárbara e Rebouças foram fechados.
 
Por volta das 22h30, um grupo de cerca de 100 manifestantes chegou ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras. A PM cercou a sede do governo estadual, para evitar a depredação do prédio histórico. Um pequeno grupo de manifestantes tentou bloquear o tráfego de ônibus na Rua Pinheiro Machado, mas a situação foi controlada por volta de meia-noite.
 
No mesmo horário, uma outra confusão aconteceu na Lapa e nos arredores da Faculdade Nacional de Direito, no Campo de Santana, e do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, no Largo de São Francisco, todos no Centro. Alunos se refugiaram nas duas instituições com medo do tumulto. A Polícia Militar negou que tenha cercado as instituições de ensino. De acordo com a corporação, a PM se dirigiu ao local para garantir a segurança patrimonial dos prédios da universidade.
 
De acordo com o reitor da UFRJ, Carlos Levi, cerca de 700 estudantes se abrigaram nas duas unidades. Em nota, Levi demonstrou preocupação com os estudantes.
 
"A UFRJ vai continuar acompanhando a participação de seus estudantes nas manifestações legítimas, preocupada sempre com sua segurança, que deve ser garantida em nosso país, em sua democracia duramente conquistada", disse o reitor.
 
Rio de Janeiro - Polícia de choque entra em confronto com manifestantes durante protesto (Foto: Sergio Moraes/Reuters)Rio de Janeiro - Polícia de choque entra em confronto com manifestantes durante protesto (Foto: Sergio Moraes/Reuters)

Dilma adia viagem internacional devido a manifestações, diz Planalto

Dilma adia viagem internacional devido a manifestações, diz Planalto

Presidente viajaria no domingo para o Japão para uma semana fora.
Viagem à Bahia nesta sexta também foi cancelada a pedido de governador.   

Dilma Rousseff (Foto: Reprodução GloboNews)
Dilma Rousseff, durante lançamento de subsídios para compra de eletrodomésticos, no último dia 12
(Foto: Reprodução GloboNews)


A presidente Dilma Rosuseff decidiu nesta quinta-feira (20) adiar a viagem que faria ao Japão devido às manifestações que se alastram pelas principais cidades brasileiras, informou assessoria de imprensa do Palácio do Planalto. Também foi adiada viagem a Salvador, que seria nesta sexta-feira (21).

Dilma faria uma viagem oficial ao Japão neste domingo (24), onde teria encontro com o Primeiro-Ministro Shinzo Abe e seria recebida pelo Imperador Akihito. De acordo com assessoria do Palácio do Planalto, devido às manifestações, a presidente preferiu não ficar uma semana inteira fora do país - a volta estava prevista para o próximo sábado (29).

Também foi adiada a ida nesta sexta-feira a Salvador. A pedido do governador da Bahia, Jaques Wagner, a cerimônia de anúncio do Plano Safra do Semi-Árido – que ocorreria às 11h desta sexta – ficará para a próxima semana, de acordo com o Planalto. Wagner pediu que o evento fosse adiado porque outros governadores de estados que sediam a Copa das Confederações não poderiam participar.

Segundo a assessoria da Presidência, as novas datas para as idas ao Japão e a Salvador ainda não foram definidas.

Somente nesta quinta (20), são esperadas mais de 100 manifestações em cidades de todo o país. Em Brasília, duas manifestações estão previstas, partindo de dois pontos da capital rumo ao Congresso Nacional, cuja cobertura foi invadida por milhares no protesto da última segunda-feira (17). Na ocasião, os manifestantes não chegaram ao Palácio do Planalto, que foi cercado por ao menos 130 homens da Polícia do Exército.

Nesta quinta, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que vai bloquear o Eixo Monumental, na Esplanada dos Ministérios, para evitar que manifestantes possam ir até o Congresso Nacional. No Planalto, que fica ao lado, foi instalada uma cerca em frente ao Palácio e homens do Batalhão de Choque do Exército foram novamente chamados.

Cercas foram instaladas em volta do Palácio do Planalto para evitar invasões nos protestos desta quinta (20) (Foto: Priscilla Mendes/G1)Cercas foram instaladas em volta do Palácio do Planalto para evitar invasões nos protestos desta quinta (20) (Foto: Priscilla Mendes/G1)