Uma história
inusitada chamou a atenção dos moradores da cidade de Cacoal (RO)
durante a semana da Páscoa. Aparecido Kamp, de 28 anos, foi preso pela
Polícia Militar, suspeito de violar o túmulo da própria mãe, falecida em
29 de março e enterrada no cemitério público de Cacoal - distante 480
quilômetros da capital Porto Velho.
De
acordo com as as informações da Polícia Militar de Cacoal, o homem
desenterrou a mãe com o intuito de ressuscitá-la no Domingo de Páscoa,
assim como aconteceu nos relatos bíblicos sobre a morte e ressurreição
de Jesus Cristo. Um pedaço da madeira do caixão foi encontrado na
residência do rapaz, segundo o portal Terra.
Por
volta das 18h30 da quinta-feira (2), a delegacia recebeu uma
notificação sobre uma violação de túmulo no cemitério local. Ao chegar
lá, uma mulher se apresentou como uma das filhas da mulher cujo túmulo
foi violado. Segundo a irmã, ele chegou em casa sujo, emocionalmente
alterado, dizendo que iria ressuscitar a mãe na Páscoa.
Também
de acordo com a irmã, o rapaz chorava muito, abalado e inconformado com
o falecimento da mãe: “Ele disse que iria trazer a mamãe de volta”. Com
as informações, os policiais foram à residência e detiveram o homem.
Detido na delegacia, ele aguarda a decisão judicial sobre o caso. Pobre
rapaz, hein?
(Foto: Estadão Conteúdo) A
nova regra de distribuição de sacolinhas plásticas nos supermercados da
capital paulista começou a vigorar neste domingo, 5, com reclamação de
consumidores sobre falta de informação. Lei municipal prevê que, a
partir de agora, só saquinhos verdes e cinzas poderão ficar à disposição
dos clientes, abolindo as velhas sacolinhas brancas.
A
fiscalização da medida, que tem objetivo de estimular a separação do
lixo entre resíduos recicláveis e orgânicos, será feita com base em
denúncias encaminhadas via SAC e pela central 156, da Prefeitura de São
Paulo.
O comércio poderá cobrar até R$ 0,08 por unidade. Em quatro supermercados visitados pelo jornal O Estado de S. Paulo no domingo, clientes se disseram favoráveis à mudança, mas outros ainda desconheciam a novidade.
"Não
estava sabendo de nada disso nem que tinha diferença entre a verde e a
cinza. Acho que precisavam divulgar melhor, fazer uma campanha para
esclarecer", disse o mecânico Wailton Reis, de 21 anos, ao pagar R$ 0,08
por saquinho no supermercado Sonda, da Vila Prudente, na zona leste.
No
Extra da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na região central, as
sacolinhas ainda eram distribuídas gratuitamente para os consumidores. A
partir desta segunda-feira, 6, custarão R$ 0,08 a unidade. Pelo sistema
interno de som, inserções comerciais estimulavam os clientes a adotarem
sacolas retornáveis nas suas compras. "Mas e quem vem da rua e não de
casa? Como vou levar embora, se não tenho a retornável comigo? Tinham de
arrumar uma solução gratuita", disse a aposentada Nilza Azevedo Silva,
de 73 anos, que não sabia da alteração.
Já a cuidadora infantil
Beatriz Lima, de 29 anos, que comprava um ovo de Páscoa, foi precavida.
"Já vim preparada", afirmou ela, que levou para o supermercado uma
sacola plástica de uma loja de roupas, pensando que já fosse ser cobrada
pela nova sacolinha. O aposentado Carlos Alberto Pizarro, de 65 anos,
aprovou a mudança dos saquinhos. "Vai ser bom para o meio ambiente. Fora
que, agora, com as pessoas tendo de pagar, vão dar mais valor para
elas, usando-as melhor."
A opinião da professora Graziela
Azeredo, de 30 anos, é parecida. "Se as sacolinhas passarem a ser
recolhidas dessa forma, de acordo com a cor e a destinação correta, vai
ser legal. Se não, a mudança não vai fazer sentido", disse ela, que
comprava no hipermercado Zaffari da Pompeia, na zona oeste. Naquele
estabelecimento, as sacolinhas são distribuídas sem cobrança aos
clientes. No bairro do Limão, na zona norte, o Carrefour também
distribuía as sacolinhas novas gratuitamente para os clientes. Mas,
nesta segunda-feira, já serão cobradas.
Fiscalização As
novas sacolinhas terão de ser produzidas com material biodegradável em
dois tipos: na cor verde, em que deve ser descartado o lixo reciclável, e
cinza, para os outros resíduos. O comerciante que desrespeitar a lei
poderá receber uma multa de R$ 500 a R$ 2 milhões.
Já o cidadão
que não cumprir as regras para reutilização das sacolas, como descartar
restos de comida na sacola verde que irá para a central de triagem,
poderá receber advertência e, em caso de reincidência, ter de pagar uma
multa entre R$ 50 e R$ 500.
A fiscalização dos comerciantes será
feita pelos agentes do Departamento de Gestão Descentralizada (DGD), da
Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Eles serão
encarregados de averiguar as denúncias feitas por meio do SAC e pelo
telefone 156. No caso da fiscalização da reutilização correta das
sacolas pelos cidadãos, a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana
(Amlurb) vai informar e encaminhar os descartes ilegais para a
Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, que tomará as providências.
Prazos Na
última quinta-feira, o prefeito Fernando Haddad (PT) informou que não
prorrogaria novamente o prazo para o início da fiscalização do
cumprimento da lei. "Nosso objetivo não é criar uma indústria da multa. A
multa está valendo, ela pode ser aplicada. Se o fiscal for lá,
advertir, passar uma semana depois e a pessoa não tiver tomado nenhuma
providência, ele está autorizado a multar. Não é o objetivo", afirmou
Haddad naquele dia.
A lei que prevê novas sacolinhas foi
publicada pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) em 2011. A atual gestão
regulamentou essa legislação por meio de um decreto editado em janeiro.
O prazo original era de 60 dias para que houvesse a adaptação aos novos
modelos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
À espera de um milagre para reduzir seus índices de criminalidade, o
Brasil ameaça caminhar para trás ao reduzir a maioridade penal de 18
para 16 anos de idade, opinam especialistas em legislação de proteção
aos jovens. Em tempos em que a tendência global é a contrária, o país dá
espaço para uma proposta de emenda constitucional que quer mudar uma
legislação tida como uma das mais avançadas no mundo, resgatando ideias
que vigoravam por aqui no século XIX. Projeto, esse, que na última
terça-feira foi considerado constitucional pela Câmara de Deputados –
com o apoio de 92,7% da população, segundo dados de 2013 da CNT.
Poucos,
no entanto, sabem que a lei brasileira de proteção à infância e à
adolescência serve de modelo para a comunidade internacional. Nascido em
meio ao fervor da redemocratização e de uma nova Constituição, o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – que completa 25 anos em
julho – é observado especialmente pelos países vizinhos, que seguem
firmemente os passos do Brasil na área. Quem faz a observação é Gary
Stahl, representante da UNICEF em território nacional, recordando que o
país "foi o primeiro a assinar a Convenção sobre os Direitos da Criança e
do Adolescente, da ONU, da qual só os Estados Unidos está ausente".
Para
Stahl, “a simplicidade do pensamento" de quem acha que baixar a idade
penal vai reduzir a criminalidade é preocupante. “Acredita-se que a
violência vai diminuir milagrosamente. O que as pessoas ignoram é que
estabelecer os 18 anos como maioridade não é algo aleatório, e sim com
bases científicas, a partir de estudos de desenvolvimento do cérebro. Um
adolescente que vai pra prisão, vai pra uma escola de crime. A
criminalidade tem tudo pra aumentar”, diz. No mundo, cerca de 70% dos
países têm 18 anos como idade mínima para responder judicialmente.
Outra
grande motivação de quem apoia a redução da maioridade penal, acreditam
os especialistas, é pensar que o adolescente em dívida com a lei sai
impune de seus crimes. "Na realidade, com os atenuantes que existem, uma
pena pode ser menor no presídio comum do que no sistema de internação
socioeducativa”, explica o advogado Davi Tangerino, especialista em
direito criminal e professor da UERJ. Para ele, o fato do ECA estar
praticamente ausente do debate é um sinal de que “existe apenas um jogo
retórico" e não um desejo real de melhoria. "É um discurso que desonera o
legislativo da promoção dos direitos dos jovens e que responde apenas a
uma disputa ideológica, sem qualquer reflexão sobre seu impacto",
opina.
“A dívida está do outro lado”
Reportagens
que espetacularizam crimes envolvendo adolescentes, na visão do
deputado Alessandro Molon (PT), abrem abre caminho na sociedade para
discursos truculentos, como os que andam em vigor. “É uma falácia. Menos
de 1% dos crimes cometidos no Brasil envolvem adolescentes”, diz Molon,
citando o dado da Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Para
Gary Stahl, está em curso uma inversão de responsabilidades. “A dívida
está do outro lado. Há muito mais adolescentes morrendo no Brasil do que
cometendo crimes. Mais de 33.000 brasileiros de 12 a 18 anos foram
assassinados entre 2006 e 2012. Se continuar assim, até 2019 nosso
prognóstico é que morram outros 42.000”, afirma o representante da
UNICEF.
Tangerino é ainda mais incisivo no tom da autocrítica que
acredita que o país deveria fazer: “Tomemos de exemplo um estado como
São Paulo. Aqui, o PSDB, que é a favor da redução, está há mais de 20
anos no poder. Digamos que sejam 16, que seria a nova idade penal. O que
estão dizendo ao adolescente que comete o crime é: ‘Vamos pegar esse
resultado indesejável e encarcerar’. É uma inversão”.
Enquanto a
oposição defende que a PEC 171/93 deverá conseguir ampla maioria tanto
na Câmara dos Deputados, onde será votada em duas instâncias, depois no
Congresso (novamente em dois momentos), o Governo estuda acelerar a
votação de um projeto de lei que endurece as penas dos adultos que
cooptam crianças e adolescentes em crimes – também aprovado na semana
passada na Câmara. “Estamos discutindo também em que momento será melhor
ingressar uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a proposta”,
conta Molon.
Será que o Brasil vai mesmo acelerar em marcha ré?
“Precisamos de uma força para frear esse avanço, de vozes esclarecidas
do campo da oposição, como foi a de Fernando Henrique Cardoso na questão
da legalização da maconha. A figura dele permitiu que o tema entrasse
minimamente em debate”, diz o advogado.
Em seu último mandato, o
ex-presidente tucano se manifestou contra a redução. Em 2001, durante a
entrega do Prêmio Nacional Direitos Humanos, ele disse à Folha de S. Paulo:
“Não podemos, por causa da violência, nos envolver pela insensatez e
buscarmos bodes expiatórios. Esse seria o caminho mais fácil. Daria uma
sensação de que a sociedade estaria sendo dura, quando na verdade seria
um simples escapismo".
Do lado da UNICEF, o que Stahl prevê é que
os deputados brasileiros começarão a suavizar seu discurso policialesco
quando o tema chegar à comunidade internacional. “Eles se preocupam com a
imagem que projetam fora do país”, avalia.
Crianças tratadas como adultos
A
experiência de dar às crianças e aos adolescentes o mesmo tratamento
dos adultos, o Brasil já viveu no passado. Em 1890, durante a República
Velha, a maioridade penal foi estabelecida em nove anos de idade, sob um
tratamento praticamente igual para crianças, adolescentes e adultos,
com diferenças apenas nos tempos de pena.
Segundo o advogado
formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Hamilton
Ferraz, a lei “foi se especializando conforme a tendência
internacional”.
“[A mudança acontece] ao tempo em que o sistema
indiferenciado vai sofrendo críticas cada vez mais severas, não apenas
pelo contato entre jovens e adultos e pelas insuficiências e
ilegalidades dos estabelecimentos existentes, mas pela própria ideia de
punição e repressão a crianças e adolescentes por meio do
aprisionamento”, analisa, em sua monografia sobre a evolução do
tratamento jurídico dado aos jovens no Brasil.
Foto: Reprodução/ Facebook No dia 27 de março, os estudantes postaram no grupo Direito PUC-Campinas, do Facebook, 'memes' com conteúdo racista
A PUC-Campinas investiga denúncia de racismo feita contra
alunos do curso de Direito. No dia 27 de março, os estudantes postaram
no grupo Direito PUC-Campinas, do Facebook, memes com conteúdo
preconceituoso e alusão ao grupo de extermínio de negros Ku Klux Klan,
segundo a denúncia. As fotos foram postadas após uma aluna questionar a
divisão por gêneros da aula de futebol e ser defendida por um estudante
negro.
As fotos originais foram apagadas seis dias após a
publicação, mas jovens indignados com as postagens imprimiram a página e
divulgaram o conteúdo. Um dos memes tem um professor negro e um aluno
branco sentado, com a mão levantada. O texto na foto fala: “Professor,
poderia ser mais claro?”. Outra, com a imagem de um membro da Ku Klux
Klan tem a frase “A tocha da Ku Klux Klan chega a tremer". Um terceiro
meme tem uma mulher negra abraçada com membros da organização racista e
diz “Nego perdeu a noção do perigo”.
Foto: Reprodução/ Facebook
No dia 27 de março, os estudantes postaram no grupo Direito PUC-Campinas, do Facebook, 'memes' com conteúdo racista
Na manhã desta segunda-feira (6/4), alunos ainda debatiam no grupo
sobre a repercussão da denúncia. Enquanto parte considera a denúncia
“exagerada”, outros apoiam as apurações. A postagem original das fotos
recebeu cerca de 600 comentários. Um dos usuários disse: “(...)conheço
vários e vários negros que não se ofenderam nenhum pouco com os memes e
inclusive acharam graça de vários deles, existiram sim memes apelativos e
sem humor algum, sim existiu, agora olha o ponto que chegou”. Já outra
estudante respondeu no mesmo posto: “Ridículo, vergonhoso e
desnecessário é esse racismo perpetuado pelos futuros aplicadores do
Direito! Dessa maneira, à quem servirá a Justiça?” (SIC).
Uma das
meninas que compartilhou o memê, A.P., de 22 anos, se defendeu dizendo
que apenas reproduziu a foto porque “achou engraçada”. “Não acho que fiz
errado, acho apenas que foi uma atitude infeliz. Vou pedir desculpa ao
menino”. A. falou ainda que não fez nenhum comentário racista. “Metade
da PUC fez comentários racistas. Eu não disse nada”. Ela se reunirá com a
direção do curso para discutir o assunto. Segundo ela, a iniciativa de
procurar a PUC para esclarecer o caso foi dela.
O Correio
entrou em contanto com o estudante que fez a denúncia, mas ele não
retornou até o fechamento desta edição. Em nota enviada ao Centro
Acadêmico de Direito da universidade, ele afirmou que as piadas foram
como “uma porta que se abria para uma imensidão de ódio, hipocrisia,
racismo e covardia”. Ele disse ainda que se sentiu mal e com sensação de
“impotência, de solidão e vergonha” depois de ver as piadas. “A
história da minha etnia não é humor. As consequências sociais da nossa
história não é um passatempo. Minha melanina não é motivo para
hipersexualização. Não há graça nem humor em toda essa história e sim
uma juventude problemática, hipócrita e cronicamente racista”, disse, ao
final do texto.
Em nota, a universidade afirmou que
“desencadeou processo para averiguação do ocorrido”. Informou ainda que o
grupo não é gerenciado pela PUC-Campinas, que responsável apenas pelo
endereço www.facebook.com/puccampinas.
Foto: Reprodução/ Facebook
No dia 27 de março, os estudantes postaram no grupo Direito PUC-Campinas, do Facebook, 'memes' com conteúdo racista
Já o Centro Acadêmico do curso de Direito, publicou a seguinte nota
oficial em sua página no Facebook: “MACHISTAS, RACISTAS, HOMOFÓBICOS,
NÃO PASSARÃO!! O discurso de ódio disfarçado de “piada” e “brincadeira”
naturalizou, deu aval e legitimou muitas atrocidades na história da
humanidade. Assim, após diversas manifestações de racismo e discurso de
ódio propagados em mensagens e “Memes” no grupo “Direito PUC-Campinas”, o
estudante Fernando Morais resolveu não se calar e lançar uma nota, com
apoio do Centro Acadêmico XVI de Abril – Núcleo de Combate às Opressões e
coletivos autoorganizados da região de Campinas.
Delcídio Amaral segue no radar dos investigadores como possível vínculo do esquema na Petrobras com a gestão tucana
O depoimento do principal delator da Operação Lava Jato levantando
suspeitas de que a empresa francesa Alstom - envolvida também no
escândalo do cartel de trens em São Paulo - pagou propina ao senador
Delcídio Amaral (PT-MS) quando este chefiava a Diretoria de Gás e
Energia da Petrobras pode revelar um elo entre os governos do PSDB e do
PT no esquema de corrupção desmantelado na Petrobras.
Delcídio
ficou fora da primeira leva de inquéritos abertos pelo ministro Teori
Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, no início de março, mas a
passagem pela estatal, a ligação com personagens presos na Lava Jato,
sua trajetória política e o depoimento do delator Paulo Roberto Costa
reforçam a probabilidade de que o esquema de corrupção revelado no
governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter sido, na
verdade, continuidade de supostos desvios ocorridos na gestão de seu
antecessor, Fernando Henrique Cardoso.
A pista mais recente está
na petição do procurador Geral da República, Rodrigo Janot, em que ele
ressalva que o papel de Delcídio - assim como nos demais casos
arquivados - pode ser reanalisado e reproduz os principais trechos do
depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto
Costa.
Delcídio
foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 2000 e 2001, período em
que Paulo Roberto Costa também trabalhou no setor como gerente-geral de
Logística de Gás Natural. Costa não apresenta provas, mas sob o
compromisso de abrir o jogo no acordo de delação, fala da negociata em
vários trechos do depoimento.
Num deles afirma que “por meio de
comentários nesta área de Gás e Energia”, tomou conhecimento que a
compra envolveu Delcídio, e os ex-diretor Internacional da Petrobras,
Nestor Cerveró, preso atualmente no Paraná, e a Alstom. A negociação
teria sido fechada depois de acertado “pagamento de um valor alto como
propina para que saísse a compra das turbinas”.
O delator afirmou
que a situação de emergência gerada pelo apagão de 2001 - uma mancha na
gestão tucana - foi usada para alavancar “um contrato bilionário”, sem
licitação, diretamente entre a estatal e a Alstom, cuja decisão foi
tomada por Delcídio e executada por Cerveró.
“Era
de conhecimento interno da Petrobras, que teria havido um acerto para
viabilizar este contrato e que a propina paga pela Alstom teria sido
destinada a Nestor Cerveró e Delcídio Amaral”, afirma o delator,
acrescentando uma informação que, se verdadeira, extrapola os negócios
da política: “Não teria sido este dinheiro, aparentemente, destinado a
qualquer campanha política”. Costa e o doleiro Alberto Youssef eram os
responsáveis pelo repasse da propina a campanhas e políticos, mas não
souberam apontar detalhes sobre a suposta propina ao senador.
O
senador Delcídio do Amaral (PR-MS) não é formalmente investigado na
Operação Lava Jato, mas informalmente ainda é considerado suspeito. A
decisão pelo arquivamento, segundo fontes do Ministério Público Federal,
é provisória, o que significa que, se no decorrer das investigações
surgirem indícios dando credibilidade ao depoimento do delator, Delcídio
se tornará alvo de um novo inquérito.
Procurado pelo iG,
o senador não retornou. Quando seu caso foi para o arquivo, no início
de março, ele comemorou afirmando que a decisão de Janot era uma prova a
seu favor e chegou a afirmar que a denúncia estava “morta e sepultada”.
Disse que o episódio, baseado em “por ouvir dizer”, foi usado por seus
adversários desde 2002.
Mas não é bem assim. Os procuradores do
grupo de trabalho que atua ao lado de Janot estão em busca de outros
dados que joguem luzes na gestão de Delcídio e de sua influência na
estatal, onde tinha “entrada livre” e notório poder de influência,
segundo relatam Costa e o doleiro Alberto Youssef.
Perfil suprapartidário
Um
detalhe que tem chamado a atenção dos investigadores é o perfil
político polivalente de Delcídio, que foi filiado ao extinto PFL e
conseguiu dominar um poderoso setor da Petrobras com o apoio do PT e do
PMDB em pleno governo do PSDB. Quando deixou o cargo para disputar, em
2002, uma vaga ao Senado, segundo Costa, em função da parceria na compra
das turbinas da Alstom, Delcídio já era conhecido como “padrinho” de
Nestor Cerveró.
O ingresso no PT do Mato Grosso do Sul, com o
apoio do deputado Vander Loubet (PT-MS) - investigado na Lava Jato a
pedido de Janot -, deu ao senador um lustre ideológico numa época que o
então governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, era o único
interlocutor do partido junto a Fernando Henrique e pavimentou o caminho
para a Petrobras.
O trânsito foi fundamental para que
Delcídio fosse catapultado da Secretaria de Habitação e Infraestrutura
do governo do Mato Grosso do Sul, em 1999, para a diretoria de Gás e
Energia da Petrobras. O perfil híbrido que o liga às duas forças
políticas mais importantes o blindaria politicamente, mas o distanciaria
do núcleo do PT em 2005, quando presidiu a CPI do mensalão.
Internamente era visto um misto de petista tucano.
Um dirigente do PT nacional ouvido pelo IG -
que pediu para não ser citado - se disse surpreso com as declarações do
delator Paulo Roberto Costa e informou que os advogados do partido irão
analisar a passagem de Delcídio na Petrobras durante o governo tucano. O
PT pode encontrar aí um argumento forte para mostrar que não inventou a
corrupção na estatal.
Ligações antigas
Ao
vencer a eleição para o Senado, em 2002, o poder de Delcídio aumentou na
Petrobras ao ponto de indicar e bancar a nomeação de Cerveró no comando
da diretoria Internacional já no início do governo Lula. Isso
significa, conforme o delator, que Delcídio apadrinhava Cerveró, que
usava o operador Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, que
faria chegar a propina ao PMDB.
Foi por conta de suas antigas
ligações com o ex-senador Jader Barbalho (PA), desde a construção da
Usina de Tucuruí, que Delcídio se aproximou do PMDB para chegar a
secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia e, nos últimos
cinco meses do governo Itamar Franco, ministro da pasta no período de
transição para a gestão de Fernando Henrique.
Costa conta que
Cerveró só cairia em desgraça quando surgiram os primeiros
questionamentos sobre a desastrada compra da Refinaria de Pasadena - da
qual é o principal responsável pelas irregularidades. Ainda assim,
graças ao amparo de Delcídio, ele seria deslocado para a Diretoria
Financeira da Petrobras Distribuidora, de onde só sairia por cair em
contradição com Dilma no depoimento que prestou à antiga CPI da
Petrobras e, meses depois, pela prisão.
Logo depois de assumir o
mandato no Senado, em 2003, Delcídio enfrentaria a primeira suspeita de
recebimento de propina da Alstom. Uma ação aberta na Procuradoria da
República do Distrito Federal por abuso de poder econômico na campanha
do ano anterior traria a tona a compra de uma das turbinas, a que seria
usada na Termo-Rio, em cujo negócio a Petrobras teria sido lesada em US$
22 milhões.
A denúncia do MPF diz com todas as letras que parte
do dinheiro supostamente desviado foi repassado pela empresa francesa a
Delcídio e destinado a despesas de sua campanha e de outros políticos de
Mato Grosso do Sul. A denúncia foi arquivada por falta de provas.
Onze
anos depois, Paulo Roberto Costa forneceu a procuradores e ao juiz
Sérgio Moro detalhes que podem ligar os fios. Segundo ele, a demora no
uso das turbinas compradas da Alstom “a um custo substancial” e em
caráter de emergência chamou sua atenção e de outros funcionários da
área técnica porque os equipamentos ficaram longos anos “encostados” no
almoxarifado da Petrobras.
Costa diz que o negócio não fazia
sentido por causar prejuízos a Petrobras tanto pela depreciação do valor
das turbinas quanto pela defasagem tecnológica dos equipamentos. A
maior parte das turbinas só seria usada entre 2004 e 2008.
O
delator dá, então, sua interpretação ao que estaria por trás de um
aparente negócio malfeito: “Pelo contexto dos fatos, chega-se a
conclusão de que a Petrobras adquiriu uma quantidade muito maior de
turbinas do que o necessário”, diz Costa, afirmando que uma compra feita
na emergência do apagão embutia, na verdade, o pagamento de propina ao
senador e a Cerveró.
Gestão
O período de
Delcídio na Diretoria de Gás e Energia também foi marcado por sérios
problemas de gestão. O engenheiro gaúcho Ildo Luís Sauer, atualmente
diretor do Instituto de Eletrônica e Energia da Universidade de São
Paulo exerceu, entre janeiro de 2003 e setembro de 2007, o mesmo cargo
de Delcídio na Petrobras e lá encontrou o que poderia ser chamado, no
mínimo, de um descalabro administrativo.
Em apenas três contratos
auditados - El Paso, Enro e MPX, esta última do empresário Eike Batista,
amigo e financiador da campanha do senador -, a Petrobras sofreria
prejuízos da ordem de US$ 2,5 bilhões se Sauer não tivesse encaminhado
os casos para análise das comissões de arbitragem da Petrobras. As
perdas foram reduzidas, então, para cerca de US$ 1 bilhão. No caso do
negócio com a Alstom, a alternativa foi aproveitar os equipamentos para
por termoelétricas em funcionamento. Procurado pelo iG, Sauer explicou
que seu papel foi exclusivamente de gestão, para reduzir custos à
estatal, e que não cabia a ele investigar se havia irregularidades.
Em
2007, depois de uma contenda com o próprio Delcídio - e frustrado com
as posições do Palácio do Planalto -, Sauer deixou o cargo. Por
coincidência foi exatamente nesse período que a estatal colocou em
andamento os grandes investimentos em infraestrutura e PP, PT e PMDB,
implantavam um novo estilo de controle político na Petrobras, mais
agressivo porque tornava sólido o cartel das empreiteiras que
monopolizariam as obras mais importantes da petroleira.
A ordem
interna em todas as diretorias era não mexer em contratos fechados na
gestão de Fernando Henrique Cardoso. Se irregularidades fossem
encontradas, os tucanos é que se explicassem. A orientação era não
repetir erros do governo anterior, o que foi seguido à risca: o novo
esquema era bem diferente, mas mais feio.
A boa notícia é que há luz no final. Mas a má notícia é que ainda não se sabe quando sairemos deste túnel.
Esta foi em síntese a mensagem do ministro da Fazenda, Joaquim Levy,
ao núcleo político do governo durante reunião com a presidente Dilma
Rousseff, ocorrida hoje no Palácio do Planalto.
Na reunião foi decidido que a presidente deverá receber amanhã os
líderes governistas para falar das perspectivas de retomada do
crescimento da economia e defender a necessidade de ajuste.
A imagem do túnel foi usada por Levy na reunião de hoje, da qual
participaram, além do vice-presidente Michel Temer, os ministros
Aloizio Mercadante (Casa Civil), Gilberto Kassab (Cidades), Edinho Silva
(Comunicação Social) e Eliseu Padilha (Aviação Civil).
Joaquim Levy disse que o Brasil passa por um momento realmente
difícil — agravado, entre outros fatores, pela queda do preço das
commodities. Mas comparou esse momento à travessia de um túnel, com
saída no final apontando para a retomada do crescimento.
O ministro, no entanto, não arriscou uma previsão sobre qual o
momento de recuperação da economia. Neste ponto, deixou claro que há um
fator político, que passa pela aprovação das medidas de ajuste fiscal
pelo Congresso.
O tempo levado para convencimento, especialmente da base governista, a
fim de se obter a aprovação dessas medidas é que ele considera decisivo
para a retomada do crescimento.
E é esse o discurso acertado na reunião pelo núcleo político a ser
levado hoje aos líderes governistas. A presidente Dilma deverá pedir o
apoio dos líderes, sob o argumento de que, quanto mais tempo levar para
aprovar o ajuste, maior será o grau de insegurança do mercado e mais
difícil será para sairmos da crise.
Enfim, um discurso plenamente justificado. No entanto, em política nem sempre a lógica prevalece.
"Cadeia não conserta ninguém e não resolve os problemas do país", afirmou Marco Aurélio Mello sobre a PEC 171-A/93
Ministro
do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello disse nesta
quarta-feira (10) que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos
não deve ser vista como uma esperança de dias melhores. “Cadeia não
conserta ninguém e não resolve os problemas do país, que são outros”,
afirmou.
Agência Câmara
Manifestantes contra e a favor da redução da maioridade penal marcaram presença na votação (31/03)
A
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171-A/93, que altera a faixa
etária de responsabilidade penal, foi aprovada ontem (31) pela Comissão
de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), após mais de 20 anos em
tramitação.
O texto seguirá para uma comissão especial, que
será insalada no próximo dia 8 pelo presidente da Câmara a Câmara,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Marco Aurélio Mello lembrouu a articulação para
que a mudança se torne cláusula pétrea, dispositivo constitucional que
não pode ser alterado nem mesmo por uma PEC.
O ministro antecipou
que não concorda com a classificação legal para redução da maioridade.
“De início, não penso assim, mas estou aberto à reflexão”, ponderou,
afirmando que o projeto “baterá no Supremo”.
Mello reconheceu que o
ritmo de aprovação de novas regras demonstra que o Legislativo está
buscando se fortalecer. Entretanto, alertou sobre o receio de
normatizações “em época de crise, porque vingam as paixões exarcebadas”.
Segundo ele, o país já tem leis suficientes para correções e deveria se
concentrar em outros problemas.
Sobre o arquivamento das
investigações contra o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), acusado de
desvio de dinheiro da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia
(Sudam), o ministro explicou que a morosidade da Justiça brasileira
prejudica inquéritos antes que eles sejam concluídos. O processo
tramitava no STF desde 2003. “A sociedade fica decepcionada quando tem
arquivamento de um inquérito.”
Ao participar da solenidade de
comemoração dos 207 anos da Justiça Militar da União, em Brasília, Marco
Aurélio Mello alertou para o problema da corrupção. “Chegando ao
estágio que chegamos, verificamos que a corrupção foi banalizada, mas
não posso dizer que foi barateada, porque os valores são muito altos”,
ironizou.
Com relação a pedidos de abertura de inquérito contra a
presidenta Dilma Rousseff, Mello disse que a Constituição Federal não
veda a investigação, mas a responsabilização. Segundo ele, a cláusula
existe unicamente para proteção do cargo. “Já está tão difícil governar o
país. Imagina se tivermos um inquérito aberto contra a presidenta da
República. Não há impunidade, porque, por atos estranhos ao exercício do
mandato, ela responderá ao término do mandato. Aí, haverá julgamento na
primeira instância”, adiantou.
Também presente à cerimônia, o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi homenageado com a
Medalha Grã-Cruz, o mais alto grau da Ordem do Mérito Judiciário
Militar. Janot deixou o local sem falar com a imprensa.
Ministro
do Superior Tribunal Militar e chanceler da Ordem, William de Oliveira
Barros lembrou a história da justiça mais antiga do país, criada em
1808, meses antes da chegada da família real ao Brasil. Oliveira Barros
destacou juristas famosos que participaram da história, entre eles
Sobral Pinto. e lembrou contribuições como a formulação da Lei de
Segurança Nacional.
MP ajuíza ação contra servidores do sistema carcerário por autorizarem saída de Luiz Estevão da prisão
O
Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação de improbidade
administrativa contra dois servidores do sistema carcerário brasiliense.
Segundo a ação, Cláudio de Moura Magalhães, ex-coordenador da
Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), e Murilo José Juliano
da Cunha, ex-diretor do centro de detenção provisória (CDP) da Papuda,
autorizaram ilegalmente a saída do ex-senador Luiz Estevão em um fim de
semana de dezembro do ano passado.
Na época, Estevão, que também responderá à ação, cumpria pena na
Papuda por fraudes na construção do Tribunal Regional do Trabalho de
São Paulo. Para o MPF, o ex-senador sabia que não poderia sair do
presídio sem autorização judicial, mas, mesmo assim, foi passar o fim de
semana em casa.
As saídas temporárias, diz a ação assinada pelo procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, devem ser autorizadas pela Justiça.
Para Marcelo Bessa, advogado de Luiz Estevão, não houve
irregularidade. O ex-senador havia conseguido a liberação para trabalhar
e passar fins de semanas alternados fora da prisão.
“A partir do momento em que o presídio foi notificado pela Vara de
Execuções Penais (VEP) que foi deferido o trabalho externo, ele passou a
ter direito a passar o fim de semana em casa”, alegou o advogado do
ex-senador.
Favorecimento
Para o MPF, os agentes públicos agiram exclusivamente para
privilegiar o ex-parlamentar, “conduta que transpareceu um favoritismo
em detrimento dos demais detentos”.
Segundo a ação, Cláudio Magalhães enviou justificativa à juíza Leila
Cury, responsável pelo processo de execução penal do ex-senador,
alegando que teria autorizado a saída, porque o dia estabelecido para
visitas, sexta-feira, estaria conflitando com dia de trabalho.
O MPF cita que na mesma data em que Luiz Estevão obteve autorização
para sair do presídio, em 12 de dezembro, ele recebeu visitas da
família. O advogado explicou que a notificação da decisão da VEP só
chegou depois da visita.
Murilo da Cunha, em mais de uma tentativa do MPF, segundo a ação,
recebeu ofício para prestar esclarecimentos, mas não respondeu. Se
forem condenados, eles estão sujeitos a penas como perda da função
pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos e
proibição de contratar com o Poder Público.
Tecnicamente, seria “fuga”, diz ação
A ação do Ministério Público sustenta que não houve a devida
autorização judicial para a saída de Luiz Estevão da prisão. “Ou quiçá,
tecnicamente, ‘fuga’”, diz o texto.
Para o procurador, as “saidinhas” – como as saídas temporárias são
popularmente conhecidas – foram autorizadas “por agentes públicos
incompetentes”, o que configura “não apenas vícios no ato
administrativo, como também a imoralidade da conduta”.
A juíza responsável pela tramitação do processo de execução da pena,
Leila Cury, confirmou ao Ministério Público do Distrito Federal e
Territórios (MPDFT), que não proferiu decisão concedendo autorização
para saídas temporárias a Luiz Estevão, “até porque ele não preenchia os
requisitos legais exigidos para a concessão”.
Privilégio
No texto apresentado à Justiça Federal, o MPF insiste que os
servidores concediam “ privilégio ilegal e desnecessário dado” a Luiz
Estevão. O ex-senador, por sua vez, de acordo com o procurador, aceitou
ser privilegiado e saiu ilicitamente do Complexo Penitenciário da
Papuda, “sendo conscientemente beneficiado com o ato ilícito praticado”
pelos dois servidores.
O Ministério Público requereu a oitiva dos réus, da juíza da VEP e
das filhas de Luiz Estevão, que visitaram o ex-senador no mesmo dia em
que ele foi liberado.
A Secretaria de Justiça do DF, responsável pela gestão do sistema
carcerário na gestão de Rodrigo Rollemberg, foi questionada sobre a
conduta dos servidores em questão. Mas, até o fechamento desta edição,
não havia se pronunciado.
Nota de Esclarecimento
A Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do DF – SEJUS/DF,
através da Subsecretaria do Sistema Prisional – SESIPE/DF, esclarece que
a ação de improbidade contra os agentes da instituição, ajuizada pelo
Ministério Público Federal, é o instrumento jurídico adequado para
apuração de possíveis infrações cometidas por agentes públicos. Contudo,
o resultado final só poderá ser alcançado, confirmando ou não as ações
que pesam contra os referidos servidores públicos, ao fim da instrução
processual. Os fatos ocorreram na gestão anterior, e, segundo o
ex-subsecretário Claudio De Moura Magalhães, a saída do ex-interno se
deu por força da interpretação da portaria de n° 12/2001 – VEP-DF. A
SESIPE, no entanto, se compromete a coordenar e acompanhar a fiel
aplicação das normas de execução penal, zelando pelo cumprimento das
determinações judiciais do DF. Será aberto um procedimento apuratório,
concomitante à ação judicial, para a averiguação dos fatos narrados.
A Petrobras
informou nesta quarta-feira (1º) que assinou com o Banco de
Desenvolvimento da China (CDB) contrato de financiamento de US$ 3,5
bilhões, recursos que devem trazer algum alívio para empresa, que agora
tem mais dificuldades de captar recursos por conta da crise decorrente
do escândalo de corrupção.
O contrato, assinado entre o CDB e a Petrobras Global Trading BV,
subsidiária da estatal, é o primeiro de financiamento de um acordo de
cooperação a ser implementado ao longo de 2015 e 2016, ressaltou a
petroleira em comunicado.
"Adicionalmente, as duas partes confirmaram a intenção de desenvolver novas cooperações no futuro próximo", disse a Petrobras.
Segundo a Petrobras, o contrato é um importante marco para dar
continuidade à parceria estratégica com a China, para quem a estatal
exporta petróleo, "fortalecendo as sinergias entre as economias dos dois
países".
Por volta das 16h30, as ações preferenciais da Petrobras subiam mais de
4% na Bovespa, enquanto o Ibovespa tinha alta de 2,23%. Mais cedo, os
papéis da estatal chegaram a subir mais de 6%. Veja cotação
Momento difícil
O acordo vem em um momento de dificuldades para a Petrobras, que não
tem conseguido recorrer ao mercado por conta das denúncias de corrupção
da operação Lava Jato.
No mês passado, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou todas as notas de crédito da petroleira, que perdeu o grau de investimento –
aplicações consideradas seguras para os investidores. Com a decisão,
fica mais dificil para a empresa captar recursos no mercado.
Segundo a Moody's, os rebaixamentos refletem uma preocupação crescente
sobre as investigações de corrupção e pressões de liquidez, que podem
resultar em de atrasos na entrega de demonstrações financeiras
auditadas.
Na quinta-feira, o BNDES estimou uma perda de R$ 2,6 bilhões por conta
de sua participação na estatal. Desse valor, R$ 1 bilhão já foi
reconhecido no balanço de 2014.
Com limites para realizar captações no mercado de dívida, a Petrobras disse anteriormente que estudava "outras possibilidades de financiamento e incremento de fluxo de caixa", até para fazer frente aos pesados investimentos projetados.
A Volkswagen (VOWG_p.DE)
concedeu férias coletivas a 4.200 funcionários dos 5 mil trabalhadores
de sua fábrica de veículos compactos em Taubaté (SP) até 18 de abril,
informou o sindicato local nesta segunda-feira, em meio à queda nas
vendas de automóveis no país.
A
decisão paralisa a unidade que produz os modelos Voyage e up!, afirmou o
Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região. Procurada, a Volkswagen
disse em breve comunicado que "tem feito uso de ferramentas de
flexibilização para adequar o volume de produção à demanda do mercado",
mas não confirmou o número de funcionários em férias coletivas.
Segundo
a entidade, a decisão da montadora ocorreu diante da suspensão do
terceiro turno, que emprega cerca de 970 funcionários que serão
remanejados para os dois outros turnos.
Essa
alteração vai demandar mudanças no sistema de produção, o que exigirá a
paralisação da fábrica e por isso foram concedidas as férias coletivas,
disse o sindicato. Outros 500 funcionários da fábrica estão afastados e
250 com contratos de trabalho suspensos (layoff).
A
Volkswagen anunciou em fevereiro do ano passado investimento de 1,2
bilhão de reais na fábrica de Taubaté para a implantação da linha de
produção do up!. Segundo o sindicato, a empresa havia planejado produzir
1.400 carros por dia na fábrica, mas a produção atual está em 850
unidades.
O analista do
mercado de veículos Raphael Galante, da Oikonomia Consultoria, afirmou
que a decisão da Volkswagen de encerrar o terceiro turno ocorreu diante
da difícil conjuntura do mercado brasileiro este ano. Segundo ele, as
vendas de veículos leves no país devem despencar 17 por cento em 2015.
"Se
o up! estivesse bem de vendas, a Volkswagen sofreria só um pouco menos,
seria um atenuante de uma situação crítica do setor este ano", disse
Galante, citando que a média mensal de vendas do up! em 2014 foi de
4.905 unidades ante 15.225 do Gol, modelo mais antigo, também da
Volkswagen.
Ele acrescentou
que a montadora alemã registra queda de cerca de 22,5 por cento nas
vendas de veículos leves no acumulado do ano até o último final de
semana no Brasil, a 101,6 mil unidades, enquanto o mercado como um todo
tem baixa de 17 por cento, a 618,3 mil.
Segundo
a associação de montadoras, Anfavea, o setor terminou fevereiro com
queda de cerca de 9 por cento no total de funcionários ocupados sobre um
ano antes, a 142,3 mil.
Ainda
segundo o sindicato, a fábrica de componentes para motores da Ford,
também em Taubaté, mantém 137 trabalhadores em suspensão de contrato de
trabalho (layoff).
"Eles
deveriam voltar amanhã ao trabalho, mas ainda dependem de decisão da
empresa, que iniciou o layoff em julho passado", disse a assessoria de
imprensa da entidade. A fábrica da montadora norte-americana emprega
cerca de 1.500 trabalhadores.
Na
semana passada, a Ford anunciou acordo com funcionários de sua fábrica
em São Bernardo do Campo (SP) para abertura de um programa de demissão
voluntária para redução de 400 a 600 vagas excedentes, informou o
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
A
montadora norte-americana fechou um acordo com sindicatos do ABC e em
Taubaté que prevê congelamento de salários este ano em troca de abono de
8 mil reais e reajuste de salários, para repor inflação, e abono de 1,7
mil reais em 2016.
Entre 23 e 27 de março, o Indicador semanal Cepea/Esalq do hidratado
(Estado de São Paulo) foi de 1,2683 real/litro (sem impostos), alta de 4
por cento em relação à semana anterior.
Depois de recuar por seis
semanas seguidas nas usinas de São Paulo, os preços do etanol hidratado
subiram 4 por cento no mercado "spot", com chuvas atrapalhando a
colheita das unidades que iniciaram a nova safra e menores vendas de
outros Estados, avaliou nesta segunda-feira o Centro de Estudos
Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
"Apesar
do menor volume demandado, usinas paulistas se apoiaram na diminuição
das vendas de etanol de outros Estados para São Paulo e também nas
chuvas, que interromperam a colheita das unidades que já iniciaram as
atividades, para se manterem firmes nos valores pedidos", disse o Cepea,
da Universidade de São Paulo.
Entre
23 e 27 de março, o Indicador semanal Cepea/Esalq do hidratado (Estado
de São Paulo) foi de 1,2683 real/litro (sem impostos), alta de 4 por
cento em relação à semana anterior.
Na parcial do mês (até o dia 27), porém, o Indicador ainda acumula baixa de 2 por cento.
Para
o anidro, a maioria dos negócios continua vinculada a contratos. Além
disso, conforme a resolução da ANP nº 67, usinas precisam manter
estoques mínimos do produto até o dia 31 março de cada ano, ressaltou o
Cepea.
O Indicador semanal
Cepea/Esalq do anidro recuou 1,4 por cento no comparativo das duas
últimas semanas, com a média passando para 1,3387 real/litro (sem
impostos). Foi a sexta queda consecutiva para este combustível.
As
quedas ou altas registradas nas usinas não são imediatas para a bomba
no posto de combustível, variando de intensidade dependendo das
condições do mercado.
COMPETITIVIDADE NOS POSTOS
Nos postos, o biocombustível segue competitivo frente à gasolina em alguns Estados, especialmente naqueles que produzem mais.
De
acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis, referente ao período 22 a 28 de março, a cotação média
do hidratado em São Paulo foi de 2,075 real/l, correspondendo a 65,5 por
cento do valor da gasolina. O combustível derivado da cana-de-açúcar
também segue vantajoso nos Estados de Mato Grosso, Paraná e Goiás.
Em
Minas Gerais, onde o ICMS sobre o hidratado baixou de 19 para 14 por
cento desde o dia 18 de março, o biocombustível também passou a ser
competitivo, com o preço nos postos equivalendo a 69,8 por cento da
gasolina C, apontou o Cepea.
O hidratado é competitivo nos postos se for vendido a até 70 por cento do preço da gasolina.
Com
a maior competitividade do etanol em Minas Gerais frente à gasolina, a
consultoria Job Economia estimou anteriormente uma demanda adicional por
hidratado no Estado de 1 bilhão de litros neste ano, com um potencial
de 3 bilhões de litros nos próximos anos.
O
incremento no consumo deverá ocorrer, segundo a consultoria, a partir
do momento que os mineiros mudarem sua cultura no abastecimentos dos
veículos, usando um combustível financeiramente mais vantajoso.
Resultado foi impactado, principalmente, pela
variação cambial de R$ 426 mi, somados aos R$ 443 mi de perdas com
derivativos, segundo a companhia.
A Gol Linhas Aéreas
registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 631 milhões no quarto
trimestre de 2014, ante a perda de R$ 19,3 milhões em igual período do
ano anterior. O resultado atribuído aos acionistas controladores foi
negativo em R$ 668,4 milhões, alta de 1.299% ante os R$ 47,8 milhões
apurados nos últimos três meses de 2013.
A
companhia explicou que o resultado trimestral foi negativamente
impactado, principalmente, pela variação cambial de R$ 426 milhões,
somados aos R$ 443 milhões de perdas com derivativos.No acumulado do
ano, o prejuízo líquido acumulado foi de R$ 1,117 bilhão, ante os R$
724,59 milhões reportados no exercício anterior. O resultado dos
controladores, por sua vez, somou R$ 1,246 bilhão negativos, na
comparação com os R$ 724,6 milhões igualmente negativo de um ano antes.
Também neste caso, a companhia atribui as perdas à variação cambial.
"O
prejuízo do ano explica-se, principalmente, pela desvalorização do real
ante o dólar americano e pelas perdas com posições de hedge de
petróleo, resultando num patrimônio líquido negativo", disse o
presidente da companhia, Paulo Kakinoff, em mensagem da administração.
"A elevada liquidez e o adequado perfil de amortização de dívidas,
associado a uma reserva de ativos, criam condições de robustez
financeira para enfrentar este período", acrescentou.
O executivo
destacou que neste início de 2015 o cenário macroeconômico tornou-se
"ainda mais desafiador" e disse que a estratégia para enfrentar a
turbulência é focar em "segurança, inteligência, servir e lowest-cost".
O
Ebitdar (lucro operacional antes dos juros, impostos, depreciações e
amortizações somado ao valor dos custos operacionais com arrendamento
mercantil de aeronaves e com arrendamento suplementar de aeronaves)
atingiu R$ 482,2 milhões entre outubro e dezembro, queda de 12,6% ante
os R$ 551,9 milhões anotados no quarto trimestre de 2013.
A
margem Ebitdar ficou em 17,7%, queda de 2,5 pontos porcentuais (p.p.)
ante os 20,2% registrados um ano antes. No ano, o Ebitdar alcançou R$
1,812 bilhão, acima dos R$ 1,526 bilhão de 2013, com avanço de 1.0 p.p.
na margem Ebitdar, para 18%.
A receita operacional líquida somou
R$ 2,729 bilhões de outubro a dezembro, praticamente estável frente os
R$ R$ 2,728 bilhões do mesmo período de 2013. No ano, a receita líquida
acumulada foi de R$ 10,652 bilhões, alta de 12,4% e recorde para a
companhia.
Mercado
O prejuízo de R$ 668,4
milhões atribuído aos acionistas da Gol no quarto trimestre de 2014
ficou acima dos R$ 250 milhões estimados por analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.
A receita operacional, por sua vez, de R$ 2,729 milhões entre outubro e
dezembro, ficou em linha com os R$ 2,736 bilhões estimados pelos
analistas.
O diretor no Brasil da companhia aérea turca disse que a empresa
preferiu manter sigilo por motivos de segurança e para evitar o pânico
dentro do avião.
Os passageiros do avião da
Turkish Airlines que aterrissou de emergência nesta segunda-feira em
Casablanca, devido a uma ameaça de bomba, disseram ao desembarcar na
cidade de São Paulo, seu destino final, que só se inteiraram do ocorrido
quando aterrissaram no Marrocos.
'Eles
disseram que tínhamos que aterrissar por um problema técnico, mas que
já tinha sido resolvido', afirmou o empresário Joel Anderson, que
retornava ao Brasil após ter feito uma viagem de negócios à China, pouco
após seu desembarque no aeroporto internacional de São Paulo.
O
avião aterrissou em São Paulo por volta das 22h desta segunda-feira,
com quase três horas de atraso, depois de ter sido submetido no Marrocos
a uma minuciosa revista na qual se terminou descartando a existência de
uma bomba.
A tripulação do
avião da Turkish Airlines que fazia o voo TK15, que viajava entre
Istambul e São Paulo, se absteve de informar aos 256 passageiros que a
aterrissagem não programada em Casablanca foi determinada depois que se
encontrou uma mensagem em um banheiro com a palavra 'bomba' escrita em
turco.
O diretor no Brasil da
companhia aérea turca, Atagun Kutluyuksel, disse que a empresa preferiu
manter sigilo por motivos de segurança e para evitar o pânico dentro do
avião.
Os poucos passageiros
que conversaram com a imprensa em São Paulo após o desembarque
elogiaram a decisão e o profissionalismo da tripulação e disseram que
era melhor manter o motivo da aterrissagem em sigilo.
Após
a aterrissagem de emergência, as autoridades marroquinas desdobraram
todos os dispositivos de segurança em torno do avião e os agentes
realizaram uma varredura na aeronave.
Além disso, as autoridades comprovaram as identidades dos 256 passageiros que viajavam no avião e que foram evacuados.
SÃO PAULO - Depois de ouvir as exposições dos
representantes dos 27 Diretórios Estaduais do PT, o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva tentou nesta segunda-feira, 30, passar aos
correligionários uma mensagem de ânimo. Segundo dirigentes presentes no
encontro, Lula pediu que os membros do partido "levantassem a cabeça" e
reorganizassem a militância petista para defender o governo.
O
presidente estadual da legenda em São Paulo, Emídio de Souza, disse que
Lula vai "viajar o País". "Ele pediu para a gente levantar a cabeça e
seguir em frente. Temos história", disse. O ex-presidente foi
classificado como "esperançoso" com o quadro. De acordo com outro
dirigente presente na reunião, uma das preocupações do ex-presidente era
que o PT cuidasse melhor da base social do partido. "Ele pediu para
militar, buscar nos Estados e municípios o apoio. Pediu para cuidarmos
da base social do partido, que é quem votou na gente."
Durante a
reunião de mais de quatro horas, todos os dirigentes presentes na sala
ficaram sem seus celulares. Todos os aparelhos foram confiscados na
entrada. Os dirigentes descolavam as etiquetas com os nomes de cada um
do verso do aparelho enquanto deixavam o hotel na zona sul de São Paulo
onde aconteceu a reunião.
Insatisfação. Enquanto a maioria dos
petistas ouvidos pelo Broadcast Político demonstrava contentamento com o
resultado da reunião e do documento votado em seguida, o petista Markus
Sokol, líder da corrente de extrema esquerda O Trabalho, criticava o
resultado do encontro e dizia que "esperava mais".
Sokol disse que
esperava um posicionamento claro do partido frente ao governo,
contrário às medidas de ajuste fiscal. "O manifesto é forte, mas o que
propõe?", questionou antes de completar: "É a situação que é forte, não o
manifesto".
Soldado é acusado de explodir equipamento em Ilha Comprida
SÃO PAULO - O soldado da Polícia Militar Ricardo
Reginaldo Pereira, de 35 anos, foi preso na madrugada do último sábado,
28, acusado de explodir um caixa eletrônico, em um posto de gasolina em
Ilha Comprida, na Baixada Santista. Além do PM, outros cinco suspeitos
que formavam a quadrilha junto com Pereira foram presos em flagrante.
Segundo
a polícia, o bando estava com R$ 53.128 em dinheiro, três fuzis, duas
pistolas calibre .380 e 9 mm, munições para as armas, quatro coletes à
prova de balas, quatro toucas-ninja, uma mira laser, um rádio para ouvir
a frequência da Polícia Militar e 15 celulares.
Por volta das
4h, a quadrilha explodiu uma caixa eletrônico de um posto de
combustível. Após a ação, as Polícias Civil e Militar montaram uma
operação com cerca de 100 homens e um helicóptero Águia da PM. Com as
informações de testemunhas, os policiais encontraram um dos carros
utilizados pelo bando, que fugiu por um matagal às margens da Rodovia
Prefeito Casemiro Teixeira.
Houve uma troca de tiros, uma viatura
da PM foi atingida e um PM foi atingido por estilhaços no rosto. No
meio da mata, o soldado da PM foi preso. O policial estava desarmado e
portava algumas notas chamuscadas pela explosão do caixa eletrônico.
Na
sequência, outros dois criminosos foram detidos: um vendedor de 22 anos
e um pizzaiolo de 30 anos. A dupla estava com todo as armas, coletes,
toucas, celulares e o dinheiro.
Levados para a Delegacia de
Iguape, os assaltantes disseram que estavam uma casa na cidade de Ilha
Comprida, também na Baixada Santista. Na residência, os policiais
detiveram dois mecânicos, de 27 e 20 anos, e o operador de máquinas, de
32. A polícia ainda apreendeu duas bananas de dinamite, estopin, um
sistema de acionar explosivos e ferramentas. Os bandidos também
mantinham uma Hyundai Tucson preta, roubada e com placadas adulteradas.
Um atleta de MMA morreu durante
um torneio no Azerbaijão. De acordo com a reportagem do site "Sportbox",
Ramin Zeynalov, de 27 anos, participava de uma luta em seu país no
início desta semana quando recebeu duros golpes e sofreu com uma
hemorragia cerebral. Ainda segunda a publicação, o lutador chegou a ser
atendido dentro do ringue, mas os médicos não conseguiram reanimá-lo e
ele foi rapidamente declarado morto.
Aliabbas
Zeynalov, pai do atleta, informou ao "Sportbox" que seu filho
participou da luta sem a aprovação da família, que acreditava que ele
não estaria preparado para uma disputa profissional de MMA.
"Meu
filho competiu sem a minha permissão. Nós éramos conta isso. Não dei
permissão, ele não me ouviu e esse é o resultado. Está morto", lamentou o
pai.
Rahman Zeynalov, irmão
de Ramin, revelou que o lutador era faixa-preta de Tae-Kwon-Do, medalha
de prata no torneio nacional de kickboxing e tinha experiência no muay
thai, Mesmo assim, Rahman também considerava que seu irmão não estava no
nível profissional de MMA.
"Ele
não estava muito bem preparado profissionalmente, mas era um atleta de
verdade que tinha 11 medalhas. Eu assisti o vídeo do momento da morte e
não tem quem culpar. Ele voluntariamente fez parte da competição, apesar
de os pais não concordarem. Ramin era o irmão mais novo da família",
contou o irmão.
"Ele não
contou a ninguém que iria participar de uma luta sem regras. Descobrimos
por acidente. Tentamos impedí-lo dizendo que ele tinha família, que não
precisava, mas ele não nos ouviu. Ele não precisava do dinheiro, fez
por paixão", completou.
Uma
investigação foi instaurada para apurar as causas da morte de Ramin. Seu
adversário ofereceu condolências à família. O lutador deixa uma filha.
Incidente ocorre a menos de uma semana depois da tragédia com a aeronave da Germanwings, que matou 150 pessoas
Um avião da Turkish Airlines, que tinha como destino o Brasil,
aterrissou em Casablanca, no Marrocos, após um alarme de bomba a bordo,
informou o portal "Hurriyet". O voo TK15 saiu de Istambul e ia para São
Paulo.
Incidente ocorre a menos de uma semana depois da tragédia com a aeronave da Germanwings, que matou 150 pessoas.
Equipes
de segurança já estão procurando por algum artefato explosivo no avião.
Segundo a companhia aérea, 256 pessoas estavam a bordo da aeronave.
As
buscas estão sendo realizadas após os pilotos do Boeing 777 informarem
que o voo seria alvo de um ataque. De acordo com a "CNN" local, o alerta
foi encontrado por uma das comissárias, que viu um bilhete escrito
"bomba" no banheiro.
Ao verem o documento, eles informaram a
situação de emergência para os controladores que pediram a aterrissagem
no aeroporto de Casablanca, o mais próximo no momento.
Segundo as
autoridades do país, foram tomadas todas as medidas de precaução
necessárias e todas as bagagens passarão por investigação. A viagem só
deve ser retomada após toda a análise tanto da aeronave como da carga.
Ontem,
um avião da mesma companhia fez uma viagem inaugural na linha
Istambul-Tóquio e precisou voltar ao aeroporto por problemas no banheiro
da aeronave.
Em entrevista ao iG, Juliana Isen, musa da
direita, conta que votou no Aécio Neves e diz que gostaria de ver
Joaquim Barbosa, "um cara porreta", no lugar da presidente Dilma
Roussef; confira também o ensaio fotográfico
No
meio de milhares de pessoas, ao menos seis carros de som e diversos
gritos de protesto contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT),
no último dia 15, na Avenida Paulista, região central de São Paulo, a
empresária baiana Juliana Isen, de 36 anos, encontrou outra maneira de
chamar a atenção de todos que estavam ao seu redor.
Edu Cesar
Empresária protestou contra o governo Dilma no último dia 15 (26.03.15)
Juliana colocou dois adesivos nos mamilos e tirou a
camiseta diante de dezenas de policiais, que olharam impassíveis. Aos
gritos de “Fora Dilma, Fora PT, quero um País melhor, sem corrupção”,
ela caminhou seminua pela mais icônica avenida da principal cidade do
País, posou para fotógrafos e curiosos e ainda hoje, duas semanas após a
manifestação, fatura com a atitude incomum.
A
empresária diz que ficar semi-nua na Avenida Paulista foi uma decisão
totalmente passional, impulsiva, nada programada. Quando pequena,
Juliana conta que era tímida. Mas não foi o que se viu no protesto da
empresária. “Me deu aquela coisa... vi os policiais, coloquei os
adesivos [nos mamilos] e tirei [a blusa]. Quando olhei ao redor, vi um
monte de fotógrafos, um monte de gente e pensei: 'é agora que vou mandar
meu recado'. Gritei que queria liberdade, um país melhor, fora PT, fora
Dilma, fora Lula. Chega, já deu'". Ela garante que não premeditou a
nudez em busca de fama. "Fui movida pelo calor da emoção. Não achei que
ia causar polêmica. Minha aureola estava totamente coberta pelo adesivo.
Tirei a blusa, comecei e papapá. Nem imaginei aquele monte de
fotógrafos. Fui verdadeira, expontânea. E faria de novo", conta.
Debaixo
de uma leve garoa e no meio da empolgação, os adesivos de Juliana
descolaram e por alguns minutos ela ficou sem a proteção nos seios. O
jeito foi usar novos adesivos. Além dos novos seguidores nas redes
sociais, de programa de TV e ensaio nu, Juliana teve de administrar a
avó, por quem foi criada, que ficou dois dias de cama.
Surge uma neocelebridade
A
empresária, que é sócia do ex-marido em uma revenda de suplementos para
atletas, virou neocelebridade e conquistou o posto de musa dos atos
anti-governo. E nas últimas duas semanas, diz ter visto sua vida mudar,
com direito a pedidos de casamento pelo Facebook, cantadas de homens e
mulheres e até convite (já aceito) para posar nua para uma revista
masculina. No dia seguinte ao protesto, foi preciso contratar um
assessor de imprensa e um empresário – Cacau Oliver, o mesmo da
ex-vice-miss bumbum, Andressa Urach. Agora o sonho é ser apresentadora
de TV.
Em entrevista
ao iG, a empresária, que rechaça o título de socialite e se define como
de direita por ser “contra o PT”, diz que aquela foi a segunda
manifestação da qual participou. A primeira foi em junho de 2013, quando
se juntou a outras milhares de pessoas também na avenida Paulista para
pedir a revogação do aumento de R$ 0,20 nas tarifas de ônibus, metrô e
trem de São Paulo.
“Eu
não pego ônibus, mas eu tenho uma secretária. Não é porque não pego
ônibus que não vou lutar pelos direitos que eu acredito. Fui em nome do
povo”, diz Juliana. Mas no último dia 15, diz ela, a motivação era
também pessoal.
“Eu fui [no dia] porque não só eu, como todo
mundo, estamos insatisfeitos. Eu fui por mim, por todo mundo, dar um
grito de misericórdia. Fui pela insatisfação de tudo que vem sucedendo
no dia a dia, como por exemplo, o escândalo na Petrobras, criminalidade,
essa roubalheira incrível que tem no nosso País, a falta de
oportunidade, de escolas, de hospitais”, diz.
Sobre a avaliação feita por alguns de que os manifestantes
que saíram às ruas no dia 15 seriam da chamada “elite branca”, ela
rebate: “As pessoas têm mania de dizer que o PT é o partido de pobre,
que outros partidos são de rico, que as pessoas que estão contra a Dilma
são os ricos. Acho que não. Tinha porteiro, tinha zelador, tinha
taxista. Independente de classe, de grana, estava todo mundo unido
contra o PT, contra a Dilma”.
Direita X esquerda
Eleitora
do tucano Aécio Neves no primeiro e no segundo turno nas eleições do
ano passado, Juliana se define como uma pessoa alinhada com os ideais
pregados pela ala direita da política.
Ainda que pontuado por uma
confusão na hora de se explicar, o entendimento de Juliana sobre direita
e esquerda derruba qualquer teoria política vigente. "Ser direita é não
gostar do PT, se enquadra assim?", pergunta com ar de dúvida durante a
entrevista. "Ser esquerda é não gostar do PT", responde novamente,
titubeando. Ela tenta refletir melhor e corrige: "Não gostar do governo
do PT é gostar de qualquer partido que não seja o PT”.
A musa da
direita diz que nunca teve esperança em um bom governo de Dilma - por
quem diz sentir repulsa - credita a grande votação da atual presidente à
distribuição do programa federal de transferência de renda Bolsa
Família.
“Fiquei frustrada [quando soube que Dilma tinha sido
eleita]. Não acreditei, desliguei até a televisão de raiva. Nunca tive
esperança nenhuma em um governo melhor da Dilma e nem tenho. Nenhum dos
meus amigos votou na Dilma. Nem minha secretária votou. Como essa mulher
ganhou, gente? Nem vizinhos, porteiros, nem taxista. Ninguém votou”.
A
presidente Dilma Rousseff foi eleita por uma pequena diferença de votos
– 51,64% para a petista contra 48,36% de Aécio Neves. “Acho que [os
eleitores da Dilma] são as pessoas que recebem Bolsa Família. No
Nordeste, a Dilma ganhou disparada porque a maioria da população são
pessoas de baixa renda”, diz.
Apesar de ter votado no tucano,
Juliana Isen diz que fez uma escolha baseada nas opções que tinha à
mesa. Mas o seu maior desejo é outro. Fã do ex-ministro do Supremo
Tribunal Federal Joaquim Barbosa, ela diz que ele seria o presidente
ideal para o País. “Acho ele um cara sensato, honesto, digno. [Fiquei fã
dele] porque fala a verdade, não se corrompe, não se prostitui, por
tudo que falam e o que eu leio sobre ele, acho ele um cara porreta, como
diz minha avo", define.
"Sou bem nascida, mas sobrenome não paga as contas"
Apesar
de dizer pertencer a uma família tradicional de Salvador, Juliana
garante que “só ter um sobrenome não faz pagar as contas”.
“Vim de
berço, sou bem nascida, tenho um sobrenome de peso, mas precisei
trabalhar aos 17 anos em shopping”, diz. Ela conta que teve uma infância
tranquila com os avós realizando todos os seus desejos, mas a morte do
avô quando ela tinha 13 anos mudou a situação financeira da família
começou a piorar. De lá para cá, conta, sempre trabalhou. Primeiro no
shopping, depois com o primeiro ex-marido em uma loja de artigos de
informática.
Foi com o primeiro ex-marido, ainda em Salvador, que
Juliana se aproximou da política. O companheiro foi candidato a vereador
pelo Democratas. Na hora de explicar, Juliana se confunde e chama o
DEM, a sigla do partido, de "Demo". Antes, tem a lembrança da campanha
presidencial de 1989. Cita o slogan de Guilherme Afif Domingos ("Juntos
chegaremos lá"), Fernando Collor de Mello e Ronaldo Caiado, "fazendeiro,
um gato".
Para manter o corpo em forma, a empresária diz não
abrir mão de uma alimentação saudável, além de malhar 1h30 todos os
dias. “Adoro correr na esteira”. Juliana entrega ter recorrido a duas
lipoesculturas, ter colocado 325 ml de silicone nos seios “porque não
tinha nada” e ainda fez as maças do rosto, por meio de intervenção
cirúrgica. Mesmo assim, está insatisfeita com o corpo que exibe. “Quero
fazer mais uma lipo. Meu médico diz que sou louca”.
Planos para o futuro
Quando
questionada se não seria uma boa opção para assumir um cargo público,
caso apareça o convite de algum partido, ela refuta com veemência. “Não
quero me corromper”. O sonho é mesmo ser apresentadora de TV, assim como
a musa inspiradora, Hebe Camargo (1929-2012).
“[Eu gostaria de]
apresentar um programa jovem, com músicas. Queria muito ser
apresentadora. Se eu falar Hebe, vou estar sendo muito..? Ah, a Hebe
para mim é tudo. Quando eu era pequena, sempre sonhava em ir ao programa
Hebe Camargo. Achava ela chiquíssima”.
Apesar de ter certeza de
que a publicação do ensaio nu na "Sexy" vai potencializar essa virada
radical, Juliana diz não ter grandes expectativas destes momentos de
fama repentina.
“Tenho uma cabeça muito boa. Estou nessa, estou
aproveitando, estou usufruindo tudo que está acontecendo. Se não der,
vou continuar a minha vida como sempre vivi, sendo feliz”, diz.
Marcela afirma ainda que tem recebido o apoio da família e dos amigos
para seguir uma eventual carreira artística.
Mas enquanto a
verdadeira fama não chega, ela que é solteira segue na companhia de boas
taças de champanhe – sua bebida preferida – e do cachorro da raça
shitzu Francisco (em homenagem a São Francisco de Assis, protetor dos
animais), que mora com ela em um apartamento em Moema, bairro nobre da
zona sul de São Paulo.
O que é a direita e esquerda, afinal?
Os
termos direita e esquerda foram usados pela primeira vez na Assembleia
Nacional durante a Revolução Francesa, em 1789, para determinar a
localização dos que eram simpáticos à revolução, que ficavam à esquerda
do presidente da reunião, e os apoiadores do rei, que ficavam à direita.
Ao longo da história passaram a designar ideologia política, associada,
essencialmente à liberdade individual e ao bem coletivo, como explica o
professor de história contemporânea da Universidade Presbiteriana
Mackenzie Alexandre Hacker.
“Esquerda são todos aqueles discursos e
projetos que pretendem instituir a ideia de igualdade, que pretendem
derrubar as barreiras entre os grupos sociais. Direita é aquele grupo
que admite diferenças profundas na sociedade e aposta mais na liberdade
individual do que na igualdade social”.