domingo, 9 de dezembro de 2012

Operação Purificação: PM pede propina para “frango do almoço”, revela escuta


 pms

 Sargento ameaça traficante, caso valor não fosse pago: "vamos ter que trabalhar"

As escutas telefônicas obtidas com autorização da Justiça que provam o envolvimento de PMs do Batalhão de Duque de Caxias (15º BPM) com traficantes de 13 favelas da cidade, na Baixada Fluminense, revelam que um dos 63 policiais presos durante a operação Purificação, desencadeada na última terça-feira (4), justificou o pedido de propina alegando que queria apenas poder “ir para casa comer aquele frango”.

No dia 5 de maio, o terceiro sargento da PM Emerson Vagner Costa Sousa fala com o traficante identificado como Léo do Centenário e questiona o atraso de duas semanas no pagamento da propina, que chama de “sintonia”. O policial cita o valor do pagamento, R$ 2.000, que chama de “dois barãozinho”, e faz uma ameaça, caso o valor não fosse pago: “nós vamos fazer o nosso trabalho”.

O sargento Vagner diz então que vai aguardar uma posição dos traficantes. Em outra ligação, registrada às 19h07, ele cobra Léo do Centenário, que diz que o valor do “arrego” iria diminuir porque o movimento estava fraco. O PM então rebate a versão do traficante e faz uma análise do tráfico de drogas na comunidade.

— Fica um pouco difícil mas não é impossível, mano. Tua firma tá tranquilona, a firma é rica, tá tranquila, tá trabalhando na tranquilidade. Teus preços tão tudo na pista, os viciados tão subindo e descendo, tá ficando bom pra todo mundo e só não tá ficando bom pra nós, mano, entendeu? Então é só você desenrolar essa parada aí. Não vai fazer nenhum rombo na tua caixa, teu caixa vai ficar tranquilão, entendeu? Isso aí basicamente é só uma compreensão que vocês tão mandando pra poder ficar tranquilo pra todo mundo e nós ir para casa comer aquele frango.

Na tentativa de convencer o traficante a pagar a propina atrasada, o sargento lembra que o valor do “arrego” já foi mais alto do que o acordado atualmente.

 As investigações sobre o envolvimento de PMs do 15º BPM com traficantes de Duque de Caxias, todos ligados à maior facção criminosa do Estado, começaram após a Subsecretaria de Inteligência ter detectado um aumento da criminalidade da região. A partir de então, a Polícia Federal foi acionada e a investigação dividida: a PF ficou responsável pelos traficantes e a Coordenadoria de Inteligência da PM, pelos militares. 

Ao todo, 65 mandados de prisão contra PMs e 18 contra traficantes foram decretados pela Justiça.
Até a última sexta-feira (7), de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, 63 PMs haviam sido presos, dos quais dois em flagrante. Outros quatro eram considerados foragidos. Com relação aos traficantes, 11 mandados foram cumpridos, mas quatro deles já estavam presos por outros crimes.

A operação contou com a participação de quase mil policiais. De acordo com o comandante-geral da PM, coronel Erir da Costa Filho, todos os policiais militares serão presos no prazo máximo de 30 dias.




http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/escutas-revelam-que-pm-prestou-depoimento-em-favor-de-traficante-em-caxias-20121205.html

Ônibus é incendiado e dois passageiros morrem em SP

Um ônibus foi incendiado na madrugada deste domingo (9), no Parque Edu Chaves, na Zona Norte de São Paulo. Dois passageiros não conseguiram descer e morreram carbonizados no ataque, de acordo com a Polícia Militar. Por volta das 2h, o coletivo estava estacionado em seu ponto final no cruzamento da Avenida Edu Chaves e da Rua Basílio Alves Morango quando um grupo jogou combustível e ateou fogo. O caso será encaminhado ao 73º Distrito Policial, no Jaçanã.

Na noite de sábado (8), um garoto de 11 anos foi atingido por uma bala perdida na Rua Martinho Vaz de Barros, no bairro Campo Limpo, na Zona Sul da capital. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, a criança foi levada para o Hospital do Campo Limpo e passava bem. Os médicos disseram que não havia necessidade de cirurgia, mas o garoto seguia internado em observação.

Também na noite de sábado, ao menos cinco pessoas foram baleadas em dois ataques nos bairros Cipava e Jaguaribe, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Uma pessoa morreu e outras quatro permaneciam na madrugada deste domingo (9). No bairro Cipava, quatro pessoas foram atingidas por tiros na Rua Nilo Peçanha em uma praça conhecida como ponto de venda de drogas pela polícia por volta das 18h. Uma pessoa morreu e quatro permaneciam internadas na manhã deste domingo. No bairro Jaguaribe, um homem foi baleado por volta das 23h30. Ele foi levado Pronto-Socorro Santo Antônio.
 
                                        Cinco são baleados e um morre em Osasco, SP

Ao menos cinco pessoas foram baleadas em dois ataques nos bairros Cipava e Jaguaribe, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, na noite deste sábado (8), segundo informações das polícias Civil e Militar. Uma pessoa morreu e outras quatro permaneciam na madrugada deste domingo (9).

Quatro pessoas foram atingidas por tiros na Rua Nilo Peçanha, no bairro Cipava, por volta das 18h, segundo a Polícia Civil. O ataque ocorreu em uma praça que é conhecida como ponto de tráfico de drogas. Os atiradores ocupavam uma motocicleta e um carro e fugiram logo após os disparos.

Uma pessoa atingida morreu. As demais vítimas permaneciam internadas nos hospitais Municipal e Regional de Osasco e Pronto-Socorro Vila Pestana nesta madrugada. Não há informações sobre o estado de saúde delas.

Outro crime ocorreu no bairro Jaguaribe, segundo o 14º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Um homem foi baleado por volta das 23h30. No momento do ataque ele estava acompanhado de uma mulher, que não foi atingida.

A vítima foi encaminhada ao Pronto-Socorro Santo Antônio, mas não há informações sobre seu estado de saúde.


http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/12/cinco-sao-baleadas-em-osasco-sp-e-um-morre.html

Corpo 'que caiu do céu' intriga polícia britânica


 Imagem computadorizada mostra como seria o rosto da vítima (Foto: BBC) 


Imagem computadorizada mostra como seria
o rosto da vítima (Foto: BBC)

Investigação, iniciada há três meses, quer descobrir identidade de homem que, escondido em trem de pouso, caiu em pleno voo.


Investigadores tentam, há mais de três meses, solucionar o mistério envolvendo a identidade de um homem que, aparentando ter 20 anos, morreu ao cair de um avião em pleno voo na 

Grã-Bretanha.

Até agora, a polícia sabe muito pouco sobre o caso e acredita que o jovem seria um imigrante ilegal de Angola.

Ele teria embarcado na aeronave na capital angolana, Luanda, ao entrar sem ser percebido no minúsculo compartimento do trem de pouso.

Como proteção à baixa temperatura e à alta pressão, o jovem teria tomado uma única precaução. Segundo os investigadores, ele encheu os ouvidos com pedaços de lenços de papel.

Porém, oito horas depois, quando o avião já se aproximava da cidade de Mortlake, no sudoeste de Londres, para pousar no Aeroporto Internacional de Heathrow, o homem 'caiu do céu', segundo relatos de moradores da região.

'Eram 7h42. Acordamos com um barulho infernal', afirmou Lizzie Calfe.
O corpo do homem foi encontrado próximo à casa da britânica, com graves ferimentos. Apesar de o incidente ter acontecido três meses atrás, ela, como muitos de seus vizinhos, quer descobrir a verdadeira história do homem - e porque ele decidiu por uma jornada tão desesperadora e sem volta.

'É difícil esquecer (...) quando começo a me lembrar do episódio, penso: ele tinha uma família', lamenta Calfe.
Foto mostra a tatuagem (Foto: BBC) 
Foto mostra a tatuagem com as iniciais Z.G.
(Foto: BBC)
 
Tatuagem

A polícia metropolitana londrina ainda tentar juntar, em vão, as peças do quebra-cabeça.
'Pode ser que seus familiares não saibam que ele está desaparecido e estão desesperados para encontrá-lo', disse o sargento Jeremy Allsup, que ainda não conseguiu descobrir a identidade do homem.

O 'passageiro ilegal' estava carregando algumas cédulas da moeda de Angola e caiu em um ponto quando o avião, da companhia aérea British Airways, sobrevoava uma das principais avenidas de Mortlake.

A polícia, porém, já divulgou pistas que podem levar à sua real identidade. O rosto do homem, que ficou destruído com o impacto, foi reconstruído para ajudar os detetives a solucionar o caso. O que se sabe, de fato, é que ele tinha uma tatuagem em seu braço esquerdo com as iniciais ZG.

'Se essa imagem for divulgada para um familiar ou amigo da vítima, possivelmente eles conseguirão identificá-lo', disse Allsup.

Mas a pista mais importante parece ter sido encontrada nos bolsos do jovem. Ele carregava um celular que contém números de sua família e amigos e possivelmente os contactaria em poucas horas, tão logo o avião aterrissasse na Grã-Bretanha.

O telefone, no entanto, está bloqueado. Detalhes do chip foram encaminhados às autoridades angolas que, de posse do DNA do homem, sua arcada dentária e fotos, também tenta descobrir sua identidade, até agora, sem sucesso.

Para o sargento Allsup, a polícia angolana tem concentrado poucos esforços na solução da morte, uma vez que, apesar de ter recebido indicações da vítima, ainda não deu sinais de que investigará o caso.
A Embaixada da Angola em Londres não fez comentários sobre o incidente.
 
Quebra-cabeça
 
Enquanto isso, outros ainda tentam descobrir informações sobre a identidade do homem.
Gama Mossi, um angolano que recebeu asilo político da Grã-Bretanha em 2000, organizou reuniões com outros exilados de seu país próximo ao local onde o imigrante ilegal caiu.

'É crucial para nós fazermos pressão sobre o governo de Angola para liberar informações à imprensa do meu país', afirma.

Para Mossi, crítico do governo, provavelmente o homem fugiu do país porque 'não tinha emprego, era um nada na sociedade angolana. Não tinha nada a perder, como milhões de angolanos. A nossa voz não tem peso', critica.

Segundo o sargento Allsup, 'ainda não sabemos como vamos resolver esse caso. Se não conseguirmos identificá-lo, teremos de enterrá-lo no Reino Unido'.

Mas para o angolano Mossi, o pior ainda está por vir. 'É muito importante em nossa cultura sabermos de quem se trata, uma vez que, pelas nossas tradições, uma pessoa só está morta quando ela é enterrada da maneira tradicional. Se ele for enterrado aqui, sem nome nem sobrenome, é como se ele ainda estivesse vivo. Uma alma em trânsito', afirma.

 http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/12/corpo-que-caiu-do-ceu-intriga-policia-britanica.html

PM da Unidade de Polícia Pacificadora é morto no Rio

O sargento Alexandre Antônio Barbosa foi assassinado após estacionar seu carro na zona norte. É a segunda morte de um agente de UPP em dois dias na cidade

Um policial militar da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) das favelas da Fé e Sereno, próximo ao Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio e Janeiro, foi morto na noite de sexta-feira (7). O sargento Alexandre Antônio Barbosa foi abordado por bandidos e assassinado a tiros após estacionar seu carro em frente a uma padaria na Rua Santa Mariana, em Higienópolis. 
 
O PM chegou a ser levado para o Hospital Federal de Bonsucesso, mas não resistiu aos ferimentos. A namorada de Barbosa, que estava com ele, não foi atingida. O caso será investigado pela Divisão de Homicídios. A polícia quer saber se a morte do PM foi uma tentativa de roubo de carro ou uma emboscada.
O Comando de Polícia Pacificadora (CPP) afirmou que não há informações que relacionem a morte do sargento ao confronto entre policiais e bandidos, ocorrido ontem (7) na comunidade Nova Brasília, que resultou na morte de dois suspeitos. “O CPP não tem indícios de que o assalto que levou à trágica morte do sargento Barbosa tenha qualquer relação com outras ocorrências policiais em áreas de UPP”, diz a nota.
Foi o segundo agente de uma UPP assassinado em dois dias no Rio. Na madrugada de quarta-feira (05), outro policial militar foi morto, na UPP da Favela Nova Brasília. Fábio Barbosa da Silva, de 36 anos, foi baleado na cabeça quando fazia o patrulhamento de rotina na localidade conhecida como Areal, na Fazendinha. Ele foi levado para o hospital, mas morreu no dia seguinte.

No mês de julho, já após a pacificação, a policial militar Fabiana Aparecida de Souza, de 30 anos, foi morta por um tiro de fuzil durante um ataque de 12 traficantes à sede da UPP na Favela Nova Brasília.

43% dos moradores de SP defende policial que mata criminoso


Policiais Militares na Zona Norte de São Paulo 

Rio de Janeiro - Quase metade dos habitantes de São Paulo, 43% mais precisamente, consideram que o policial que integra um grupo paramilitar e que assassina um delinquente não deve responder por seu crime, segundo uma pesquisa divulgada neste domingo pelo jornal 'Folha de São Paulo'.

Dos 1.082 paulistanos indagados na quinta-feira pela empresa 'Datafolha', 40 % defendem que esse policial seja detido e punido e 11% que seja expulso da corporação, mas não detido.

A pesquisa foi realizada em meio a onda de violência que castiga a maior cidade brasileira e que só em outubro deixou 176 mortos, um número 114,6% superior ao do mesmo período do ano passado.

O recrudescimento da violência em São Paulo é atribuído por ONGs a uma 'guerra' entre um grupo criminoso da cidade e que é dirigido desde as prisões, e grupos paramilitares integrados em sua maioria por policiais.

Sobre a origem da atual violência, 34% dos indagados a atribuiu aos grupos criminosos comuns, 17% a uma guerra entre policiais e delinquentes e 5% ao grupo conhecido como Primeiro Comando da Capital (PCC).
As medidas adotadas até agora pelas autoridades regionais e nacionais não cessaram os ataques violentos. Apenas entre a noite de sábado e a madrugada deste domingo, foram registrados outros 15 homicídios na região metropolitana de São Paulo.

A situação elevou significativamente a sensação de insegurança na maior cidade da América Latina.
A porcentagem dos moradores de São Paulo que se sentem inseguros ao caminhar de noite no bairro no qual vivem saltou de 26% em agosto até 61% em novembro, segundo a pesquisa da 'Datafolha'.
Apenas 11% dos paulistanos dizem que se sentem muito seguros ao andar durante a noite em seu bairro, frente a 19% em agosto.

44% dos indagados disse já ter escutado as ordens de grupos criminosos para não sair às ruas em determinadas noites.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A VIOLÊNCIA QUE ASSOLA NOSSA SOCIEDADE



A violência, gradualmente, vem invadindo a sociedade, cerceando a liberdade de cidadãos que, atemorizados, escondem-se por de trás de verdadeiros aparatos bélicos, cuja eficácia varia de acordo com a condição sócio-econômica de cada indivíduo. No entanto, nos últimos dias, houve uma avalanche de situações de extrema barbárie, que evidenciaram a total ineficácia do Estado no combate à criminalidade e demonstraram, ainda, a absoluta insegurança que assola todo o país e ignora os muros altos de condomínios luxuosos, a existência de seguranças armados, a presença de policias e todos os outros mecanismos que até pouco tempo geravam uma falaciosa sensação de segurança para aqueles que deles pudessem se valer.
A partir das notícias veiculadas na mídia escrita e televisiva, nas quais as favelas cariocas emergiram-se como verdadeiros campos de batalha, onde, ainda, demonstrava-se o completo despreparo dos agentes públicos para lidar com a delicada situação, surgiram diversas reportagens abordando o tema da violência e que acrescentaram dados preocupantes, principalmente em relação ao número de homicídios praticados no Brasil, que equivale e até supera muitas guerras ocorridas no mundo.

O cenário calamitoso que, de forma avassaladora toma conta das cidades, principalmente das grandes capitais brasileiras é o reflexo das políticas governamentais de segurança pública até agora implementadas. Reiteradamente, observa-se a torpe postura dos ocupantes de cargos públicos que, ignorando a realidade fática, preocupam-se em ocupar tribunas para proferir discursos panfletários e vazios em conteúdo e apresentar projetos, projetos e mais projetos de lei, criando novos crimes. Tantos quantos forem necessários para se acender na população uma falsa chama de esperança que logo se esvai, diante da patente ineficácia de tais medidas, mas que, no entanto, é suficiente para garantir os votos necessários para a eleição seguinte.
Ademais, a impunidade, hoje uma marca constante nos processos penais, consiste em fator preponderante para o incremento da indústria do crime, na medida em que o público alvo do direito penal já está mais do que definido e, com raras exceções, somente são condenados e cumprem pena as pessoas desprezadas pela estrutura social: indivíduos pobres, feios, fedorentos e sujos, cujo encarceramento chega a propiciar um alívio aos olhos daqueles que transitam nas ruas e não mais precisam encarar a face encardida daquele mendigo que estiver trancafiado.
No entanto, a nefasta estrutura jurídico-penal, que ao invés de punir os verdadeiros criminosos, apenas segrega parcelas hipossuficientes da população tende a se perpetuar, diante da atual estrutura política, na qual as campanhas eleitorais são financiadas por empresários que, evidentemente, romperiam o elo com seu “financiado” diante de ações públicas efetivas no combate à impunidade das lesões milionárias aos cofres públicos com sonegação de impostos, contribuições previdenciárias e diversos outros crimes cujo tratamento dispensado hoje pelo ordenamento jurídico é ínfimo, apesar da magnitude da agressão.

A situação é grave, principalmente ao analisar-se a crescente corrupção que vem dominando a estrutura governamental.
Verifica-se uma total inconsistência das medidas oficiais para o combate à violência e percebe-se uma má vontade dos governantes em assumirem atos concretos e eficazes para o combate à criminalidade, esta postura talvez se deva ao temor em contrariar interesses econômicos ou então à falta de preparo para a função que desempenha.
O cidadão não consegue mais viver acompanhado 24 horas do medo e da insegurança. Chega de leis penais mal feitas, inconsistentes e ineficazes, chega de projetos inócuos, chega de promessas vazias. A sociedade não se quer mais muros, mais crimes, mais penas. A sociedade deseja paz e tranqüilidade.
http://www.pontojuridico.com/modules.php?name=News&file=article&sid=36

Sargento da Aeronáutica preso acusado de estuprar cinco mulheres diz que precisa de ajuda psicológica: ‘Não sabia como parar’


O sargento Edvaldo, na delegacia

“Eu só não sabia como fazer para parar”. Foi assim que o sargento da Aeronáutica Edvaldo Silva Rodrigues, de 34 anos, justificou ter estuprado pelo menos cinco mulheres. Preso nesta sexta-feira por policiais da 25ª DP (Engenho Novo), Edvaldo chorou, pediu desculpas à sua família e às famílias das vítimas e disse precisar de ajuda psicológica. O militar teve a prisão temporária decretada pela Justiça.
 
O pai de uma das vítimas de Edvaldo esteve na delegacia. O militar do Exército, de 55 anos, disse que sua filha, de 23, foi rendida pelo sargento no último dia 23. Ele abordou a jovem de manhã, quando saía de casa, numa rua movimentada no bairro do Riachuelo, na Zona Norte do Rio.
 
- Minha filha entregou a bolsa, pois achava que era um assalto. E ele disse: “Não quero a bolsa. Quero você. Se não fizer o que eu quiser, te mato” - contou o militar do Exército.

O crime foi flagrado por uma vizinha. Edvaldo fugiu depois de obrigar a vítima a fazer sexo oral nele.

A mulher do sargento também esteve na 25ª DP. Ela disse estar envergonhada com os crimes do marido. Os dois - que se conhecem desde a adolescência - completariam um ano de casado neste domingo.
 
- Ainda não caiu a ficha. Nunca ia imaginar que ele faria uma coisa dessa. Ainda é difícil de acreditar - disse a mulher.

Segundo as investigações, Edvaldo agia de manhã. Ele saía de moto - que tem a figura de uma caveira na traseira - à procura das vítimas. Os agentes dizem que o sargento é um homem frio.

A mulher do sargento também esteve na 25ª DP. Ela disse estar envergonhada com os crimes do marido. Os dois - que se conhecem desde a adolescência - completariam um ano de casado neste domingo. A caveira na traseira da moto
A caveira na traseira da moto Foto: Fabiano Rocha / Extra
  - Ainda não caiu a ficha. Nunca ia imaginar que ele faria uma coisa dessa. Ainda é difícil de acreditar - disse a mulher.
Segundo as investigações, Edvaldo agia de manhã. Ele saía de moto - que tem a figura de uma caveira na traseira - à procura das vítimas. Os agentes dizem que o sargento é um homem frio.

http://assuntosdepolicia.blogspot.com.br/2012/12/sargento-da-aeronautica-preso-acusado.html

O pioneiro dos sistemas antivírus John McAfee é detido na Guatemala e pode ser deportado


 


CIDADE DA GUATEMALA (AFP) – O pioneiro dos sistemas antivírus John McAfee foi detido na noite de quarta-feira 5 pela polícia da Guatemala para esclarecer sua situação migratória, depois que o americano solicitou asilo político ao denunciar uma perseguição do governo de Belize.

“Agentes da Interpol e da Polícia Nacional Civil conduziram o senhor John David McAfee às autoridades de Migração. Ele está irregularmente em nosso país e está sendo colocado à disposição das autoridades de Migração”, disse à AFP o porta-voz da polícia, Pablo Castillo.

Castillo deu a entender que o gênio da informática pode ser deportado para Belize ou repatriado aos Estados Unidos.

McAfee desembarcou na Guatemala na segunda-feira 3 por considerar-se um perseguido político em Belize, onde mora desde 2009. O dono do antivírus McAfee é procurado há mais de três semanas pelas autoridades para ser interrogado sobre o assassinato de seu vizinho e compatriota Gregory Faull.

Apesar de ter sido detido na Guatemala por ter virado um foragido após ser acusado de assassinato, envolvimento com drogas e porte de armas em Belize, onde residia, John McAfee não conseguiu ficar longe da internet: o criador de um dos antivírus mais famosos do mundo deu um jeito de conseguir um computador e acessar a internet de sua cela – e escrever sobre isso.

Em seu site oficial, que já era constantemente atualizado, McAfee criou durante a madrugada de ontem (05) uma postagem chamada “Blogando da prisão”, em que conta que pediu – e ganhou – acesso a um computador e um copo de café. O responsável por ceder o aparelho teria sido um “carcereiro gentil e cavalheiro” do local.

Durante as horas seguintes, possivelmente por causa do tédio da prisão, o acusado fez várias postagens, algumas delas relatando o que acontece no local. Em uma postagem, ele fala que um juiz acabou de chegar ao local, enquanto em outra ele comenta sobre a tentativa de recorrer à embaixada dos Estados Unidos para tentar voltar ao país. Para ficar ligado nos textos de McAfee, é só visitar a página do sujeito.


A polícia da Guatemala deteve o norte-americano John McAfee nesta quarta-feira (5) por entrar ilegalmente no país e disse que vai tentar mandá-lo de volta para Belize, de onde ele saiu enquanto era procurado para responder sobre a morte do vizinho.

McAfee, que estava foragido há três semanas, atravessou a fronteira para a Guatemala com a namorada de 20 anos para escapar das autoridades de Belize que estão atrás dele para interrogá-lo como "pessoa de interesse" sobre o assassinato do também norte-americano Gregory Faull.

"Ele entrou ilegalmente no país e vamos buscar a expulsão dele por esse crime", disse o Ministro do Interior Mauricio López Bonilla. McAfee foi detido pela polícia guatemalteca e um membro da Interpol dentro do hotel Intercontinental na Cidade da Guatemala.

Um dos primeiros empreendedores do Vale do Silício a conquistar uma fortuna com a internet, o empresário de 67 anos ganhou milhões de dólares através do software antivírus que carrega seu nome.
A vida de McAfee tem sido marcada por polêmicas nos últimos anos, mas não existe mandado de prisão contra ele. A polícia de Belize diz que ele não é um suspeito principal.

Fernando Lucero, porta-voz do departamento de imigração da Guatemala, descartou uma deportação imediata para McAfee. O advogado do empresário, Telesforo Guerra, estava buscando um habeas corpus para libertá-lo e o norte-americano disse em seu blog (acesse, em inglês) que ele não voltaria a Belize até que um juiz de corte superior avaliasse seu caso.

McAfee foi levado a uma residência de propriedade do departamento de imigração, sob proteção de um pequeno grupo de policiais.

Ele vinha buscando asilo político na Guatemala, que trava uma prolongada disputa territorial com Belize.

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/12/guatemala-detem-pioneiro-de-software-antivirus-mcafee.html  

Conselho de Medicina de SP reprova mais da metade dos recém-formados


 


Brasília – Mais da metade dos alunos recém-formados em medicina no estado de São Paulo foi reprovada no exame do Conselho Regional de Medicina (Cremesp). A prova foi realizada em novembro deste ano e é obrigatória a todos os formandos do estado.

Dos 2.411 participantes, 54,5% acertaram menos de 60% da prova, ou seja, menos de 71 das 120 questões. O exame contou com a presença de 2.525 estudantes das 28 escolas médicas paulistas que funcionam há mais de seis anos. Desses, 114 tiveram suas provas invalidadas.

Ao todo, 2.943 recém-formados se inscreveram na avaliação. Desses, 71 (2,5%) não compareceram. Dos 2.872 presentes, 119 (4,2 %) tiveram as provas invalidadas (114 de São Paulo e cinco de outros estados), sendo que 86 boicotaram o exame, assinalando a letra “b” em todas as questões, e 33 apresentaram outros padrões de respostas consideradas pelo Cremesp como inconsistentes.

Compareceram à prova recém-formados de 51 cursos de medicina de outros estados (347, do total de 2.872 presentes) que irão se registrar no Cremesp e atuar em São Paulo.
O exame contou com 120 questões objetivas de múltipla escolha que abrangem problemas comuns da prática médica, de diagnóstico, tratamento e outras situações, em nove áreas básicas: clínica médica, clínica cirúrgica, pediatria, ginecologia, obstetrícia, saúde mental, epidemiologia, ciências básicas e bioética.

Áreas de conhecimento
Médias (% de acertos)
Saúde Mental
41,0
Saúde Pública
46,1
Clínica Médica
53,1
Pediatria
55,3
Ginecologia
55,4
Ciências Básicas
61,0
Obstetrícia
63,1
Clínica Cirúrgica
66,7
Bioética
66,9
Fonte: Cremesp
 
Os resultados apontam que a média (percentual de acertos da prova) foi maior entre os cursos de medicina públicos (63,74% de acertos), quando comparados com os participantes oriundos de instituições privadas (54,38 % de acertos).

De acordo com o Cremesp, o comprovante de participação na prova será exigido para o registro profissional do médico no órgão, mas o registro não dependerá do desempenho ou da aprovação no exame. O resultado é confidencial.

“Por força de lei, o Cremesp não pode condicionar o registro à aprovação em um exame. Isso exigiria uma lei federal, como a que instituiu o exame da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], o que está em tramitação no Congresso Nacional”, informou o conselho em nota.

Os inscritos que faltaram ao exame do Cremesp no dia 11 de novembro deverão apresentar justificativa.

http://www.cartacapital.com.br/saude/conselho-de-medicina-de-sp-reprova-mais-da-metade-dos-recem-formados/

Brasileiros já pagaram R$ 1,4 trilhão em impostos no ano


 Brasileiros já pagaram R$ 1,4 trilhão em impostos no ano. (Foto: Reprodução)

Impostômetro da ACSP atingiu marca nesta sexta-feira (7).
Valor foi alcançado com antecedência de 6 dias na comparação com 2011.

O valor pagos pelos brasileiros neste ano em impostos federais, estaduais e municipais atingiu na madrugada desta sexta-feira (7), por volta da 1h, a marca de R$ 1,4 trilhão, segundo o “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Na comparação com o ano passado, a marca foi registrada com seis dias de antecedência, já que em 2011 esse valor só foi registrado no painel no dia 13 de dezembro.
 
Brasileiros já pagaram R$ 1,4 trilhão em impostos no ano. (Foto: Reprodução)

Em 2011, foi arrecadado R$ 1,512 trilhão durante o ano todo. Para 2012, a expectativa da associação comercial é que o "Impostômetro" deverá ultrapassar a marca de R$ 1,6 trilhão até o último dia do ano.

O presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato, defende a necessidade de dar transparência aos impostos pagos. “Realizamos esta semana o ato ‘Não Veta, Dilma’. Queremos que a presidente sancione o Projeto de Lei 1472/2007, que servirá para informar o cidadão sobre os impostos pagos na hora da compra de bens ou serviços", afirmou, em comunicado.

Inaugurado em abril de 2005 pela ACSP, em parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o painel eletrônico que calcula a arrecadação em tempo real está instalado na sede da associação, na Rua Boa Vista, região central da capital paulista.

O total de impostos pagos pelos brasileiros também pode ser acompanhado pela internet na página do "Impostômetro". Na ferramenta é possível acompanhar quanto o país, os estados e os municípios estão arrecadando em impostos.

 A carga tributária brasileira, que é o valor de todos os impostos pagos pelos cidadãos e empresas na proporção das riquezas produzidas no país, somou 35,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, estabelecendo nova marca recorde, informou nesta quinta-feira (29) a Secretaria da Receita Federal. O recorde anterior para a carga havia sido registrado em 2008, quando somou 34,54% do PIB.

 Arrecadação X PIB 

Os números do Fisco mostram que foram arrecadados no ano passado, em tributos federais, estaduais e municipais, R$ 1,46 trilhão (valor não inclui multas e juros), enquanto o PIB do mesmo período somou R$ 4,14 trilhões. Em 2011, a arrecadação de impostos e contribuições havia somado R$ 1,26 trilhão, enquanto o PIB do mesmo período totalizou R$ 3,77 trilhões. 

Segundo a Receita Federal, a maior parte dos tributos foi arrecadada pelo governo federal, no ano passado. A União arrecadou em 2011, ainda de acordo com dados oficiais, R$ 1,02 trilhão, o correspondente a 70% da receita total. Ao mesmo tempo, os estados foram responsáveis pela arrecadação de 357 bilhões, e os municípios responderam pela arrecadação de R$ 80,7 bilhões.
 
Crescimento econômico e Refis da Crise
 
A explicação para o crescimento da carga tributária no ano passado tem relação com o crescimento da economia brasileira, que avançou 2,7%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a geração de empregos formais e, também, com o Refis da Crise – programa de parcelamento de débitos em atraso com o governo federal. Por meio do Refis da Crise, o governo arrecadou R$ 26,7 bilhões. 

Com a economia crescendo mais, sobe também a arrecadação dos impostos diretos (Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, por exemplo). O impacto do crescimento econômico, entretanto, também acontece nos chamados "impostos indiretos", ou seja, aqueles que estão embutidos nos preços dos produtos, como o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual.

Além disso, a Receita Federal lembrou que também houve aumento da alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as operações de crédito das pessoas físicas. A alíquota diária avançou de 0,0041% para 0,0082%. Mesmo corrigindo a tabela do Imposto de Renda, que baixa a arrecadação e reduzindo a tributação sobre o microempreendedor individual, entre outros, as alterações na tributação geraram um acréscimo de R$ 1,4 bilhão nas receitas do governo.
 
Estudo do IBPT
 
De acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que considera 30 países, o Brasil continuou sendo, em 2011, o país que proporciona o pior retorno dos valores arrecadados em prol do bem estar da sociedade. 

"A Austrália, seguida dos Estados Unidos, da Coréia do Sul e do Japão, são os países que melhor fazem aplicação dos tributos arrecadados, em termos de melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos", informou o IBPT.

Segundo o IBPT, o Brasil, com arrecadação" altíssima e péssimo retorno desses valores", fica atrás, inclusive, de países da América do Sul, como Uruguai e Argentina.
  
http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/12/brasileiros-ja-pagaram-r-14-trilhao-em-impostos-no-ano.html

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Brasil aparece em 69º em ranking global de corrupção


O Brasil melhorou no ranking, passando de 73º em 2011 para 69º este ano, entre 176 países. No Brasil, a corrupção, seja ela ativa ou passiva, é punida com penas que variam de 2 a 12 anos de prisão, mais multa. O País é considerado pela Transparência Internacional o 69º menos corrupto do mundo, num ranking de 176 países divulgado nesta quarta-feira (5).
 
Enquanto no Brasil a corrupção é punida com de 2 a 12 anos de prisão, mais multa, em alguns países a punição é mais severa e pode chegar à pena de morte.
  • A América Latina ficou quase toda na parte de baixo de um ranking global de percepção da corrupção, obtendo pontuação menor que a média mundial e, em alguns casos, os mesmos níveis de países envolvidos em conflitos, revelou a Transparência Internacional nesta quarta-feira (5).
     
     
    A China é o país que mais executa pessoas em todo o mundo. Embora os dados não sejam divulgados pelo governo, a Anistia Internacional estima que mais de mil pessoas tenham sido executadas em 2011. Entre os crimes sujeitos à pena capital no país, está a corrupção passiva.
     
    Apesar da punição severa, a corrupção é um grave problema na China. O país é o 75º menos corrupto, duas posições atrás do Brasil, que está na 73ª colocação num ranking de 183 países. Na semana passada, durante o Congresso do Partido Comunista, o atual presidente, Hu Jintao, declarou que uma falha no combate à corrupção pode levar à queda do PC
     
    Montagem AP
     
    Venezuela e Paraguai são percebidos como os países mais corruptos da região, não muito distante de Somália, Coreia do Norte e Afeganistão, que são os piores do Índice de Percepção de Corrupção 2012 da Transparência.
     
    A edição de 2012 do já tradicional Índice de Percepção da Corrupção oferece um ranking regional com poucas variações na comparação com os relatórios dos últimos dois anos, mas faz uma advertência: "A região saiu bem da crise mundial. Seu modelo econômico dá bons resultados macroeconômicos, mas não se traduz em uma melhora da qualidade de vida dos cidadãos. A América Latina é a região mais violenta, onde a desigualdade é maior", assegurou ào diretor da TI para as Américas, Alejandro Salas
     
    Chávez (Venezuela) e Federico Franco (Paraguai) estão à frente dos países mais corruptos da América do Sul
    Chile e Uruguai, que aparecem empatados em 20º lugar, são os únicos países latino-americanos que ficaram junto com nações desenvolvidas na lista, que é liderada por Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia.
    O restante da região aparece na metade de baixo do ranking, em que pesa a percepção que a população tem de subornos, abuso de poder e acordos ilegais fechados por autoridades.
     
    A América Latina viveu um auge econômico durante a última década, o que ajudou a reduzir o nível de pobreza, porém continua sendo uma das regiões com os maiores níveis de desigualdade do mundo.
    A ampla corrupção acentua as desigualdades, debilita a democracia, instiga a violência e dá espaço para que o crime cresça, segundo especialistas da Transparência Internacional.
    "Os resultados do Índice de Percepção da Corrupção 2012 demonstram que as sociedades continuam pagando o alto custo representado pela corrupção", afirmou a presidente da Transparência Internacional, Huguette Labelle, em comunicado.
    Para conseguir maior transparência, o estudo recomendou que as instituições públicas e os funcionários forneçam informações de forma mais rigorosa.
    O Índice de Percepção da Corrupção foi elaborado pela Transparência Internacional com base em pesquisas e avaliações variadas sobre como a corrupção no setor público é vista nos países.




    http://noticias.r7.com/brasil/brasil-aparece-em-69-em-ranking-global-de-corrupcao-05122012

    Número 1 da AGU, Adams nega que vai pedir demissão após operação Porto Seguro

      (A.G.U)  Advocacia-Geral da União

    Operação Porto Seguro: Adams nega que esteja demissionário. Ele será ouvido no Senado sobre a operação da Polícia Federal
    O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse nesta quarta-feira (5) que a AGU (Advocacia Geral da União) está adotando um conjunto de medidas para corrigir possíveis distorções que levaram à demissão do número dois do órgão José Weber Holanda, envolvido em denúncias da Operação Porto Seguro, que desmantelou um esquema de venda de pareceres fraudulentos.

    — Estamos realizando um pente fino rigoroso em todos os atos realizados. Tomamos hoje uma série de medidas para regular a relação com os outros órgãos do governo, para regular as nossas relações internas e otimizar o funcionamento da comissão de ética pública.

    Adams falou ao chegar para a audiência pública no Senado, na qual será ouvido, juntamente com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a Operação Porto Seguro.
    Segundo ele, o conjunto de medidas coloca um "caminho certo para a AGU continuar desempenhando seu papel". Adams negou que esteja demissionário e que tenha perdido a confiança da presidente Dilma Rousseff.
    — Não sou porta-voz do sindicalismo e não me sinto atingido por manifestações desse tipo (contra sua permanência no cargo). Não cria espécie esse tipo de movimentação. O que existe é que, do ponto de vista institucional, o funcionamento da AGU está garantido. Mostrar para a sociedade e o Congresso que a AGU é uma instituição firme. Desvios acontecem, infelizmente, como em vários lugares, mas são identificados, corrigidos e vão ser punidos conforme a lei.

    Questionado se teria se arrependido de ter levado José Weber para a função de adjunto na AGU, Adams disse que a escolha foi técnica.
    — Eu levei um técnico, uma pessoa que acreditava que cumpria uma função, tinha uma trajetória técnica. É uma pessoa que vinha trabalhando em altas funções do governo desde 2001.
    Ele disse ter acreditado que Weber poderia cumprir a função.

    Infelizmente, ele quebrou a confiança. Quebrar confiança é algo não se recompõe. E o principal é corrigir. Qualquer instituição, em qualquer lugar do mundo vive com esse dilema de desvio de conduta por parte de servidores. O que é fundamental é ter capacidade de reagir a isso, identificar as falhas, corrigi-las e evitar que aconteçam no futuro. É o que estamos fazendo.

    Adams disse ainda que é preciso agir de maneira institucional, cumprindo a principal determinação da presidente, que é de corrigir malfeitos e práticas de desvios.
    — A confiança da presidente sempre foi na minha competência técnica e isso permanece, não muda. A atuação da AGU está sendo firme para resolver os problemas.

    O advogado-geral da União afirmou que, durante a audiência pública no Senado vai esclarecer o que o órgão conseguiu levantar até o momento.
    — Relatar o que nós tomamos como novas práticas na instituição, na comissão de ética, na regulamentação do relacionamento com demais órgãos. E procurar estruturar a instituição a lidar com essas situações. É isso que eu quero mostrar.

    terça-feira, 4 de dezembro de 2012

    Operação prende 63 policiais no RJ

     
    A ação, que recebeu o nome de Operação Purificação, tinha como objetivo cumprir 83 mandados de prisão

    Rio de Janeiro O 15º BPM (Duque de Caxias), conhecido pelos casos de corrupção envolvendo policiais, voltou a ser palco de novo escândalo. Ontem, 63 policiais originários da unidade foram presos, dois deles em flagrante.

    Eles foram detidos durante uma operação conduzida por agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria estadual de Segurança, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público estadual, e da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar e da Polícia Federal. Além dos militares, foram presas outras 11 pessoas por tráfico.

    Os policiais presos foram levados para o Quartel Geral da Polícia Militar, localizado na região central do Rio de Janeiro FOTO: REUTERS
    A ação, que recebeu o nome de Operação Purificação, tinha como objetivo o cumprimento de 83 mandados de prisão, sendo 65 contra PMs. O grupo é acusado de formação de quadrilha armada, tráfico de drogas, corrupção e extorsão mediante sequestro, entre outros crimes. Quatro militares estão foragidos. A operação também tinha como objetivo cumprir 112 mandados de busca e apreensão.

    No armário do sargento Emerson Vagner Costa Souza, um dos presos, foram encontradas uma touca ninja, cocaína e munição irregular. Apesar de o grupo de militares acusados ser formado por praças, a ação respingou em policiais de patentes mais altas.

    O comandante do 15º BPM, tenente-coronel Claudio de Lucas Lima, foi exonerado, bem como todos os oficiais ligados a ele. Em seu lugar, assumiu o tenente-coronel Maurício Faria da Silva. Na avaliação do comando da corporação, ele falhou ao não fiscalizar os seus comandados.

    "Bem contra o mal"

    "Se lá atrás não conseguimos apresentar provas o bastante para manter os acusados presos, desta vez conseguimos a materialidade dos crimes. Mostra que a PM pode cortar a própria carne e contar com a parceria e a integração com outras instituições. Essa é uma luta do bem contra o mal", disse o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, ontem à tarde. Ele se referia a uma operação semelhante, em 2007, que denunciou 59 PMs do Batalhão de Caxias. Na época, eles foram acusados de envolvimento com o tráfico, mas, por falta de provas, acabaram soltos.

    Segundo o comandante da PM, coronel Erir Costa Filho, os militares denunciados serão excluídos em um prazo de no máximo um mês. Todos foram encaminhados para Bangu 8, no Complexo de Gericinó. "Nós não aceitamos mais ser humilhados por desvios de conduta praticado por alguns", disse.

    Segundo o MP, os policiais vendiam armas e drogas apreendidas para traficantes de 13 favelas da região. Além disso, recebiam propina para não fazer operações e não efetuar prisões na favela Vai Quem Quer, em Caxias. O grupo também chegava a sequestrar traficantes e seus familiares quando os criminosos se recusavam a pagar.  

    http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1210775

    Policial militar morre após ser baleado por policiais civis, diz PM


    Caso está sendo investigado pelas corregedorias da PM e da Polícia Civil.
    Soldado de folga presumiu que seria atacado e reagiu, diz PM.

    O policial militar ferido por tiros no Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, na noite desta segunda-feira (3), não resistiu aos ferimentos e morreu por volta de 21h50. Segundo a Polícia Militar, o soldado foi baleado por policiais civis. O caso é investigado pelo DHPP e pelas corregedorias das polícias Militar e Civil.

    O cabo Geraldo Alves da Cruz, que estava de folga e sem farda, tinha ido ao Grajaú para visitar o sogro e parou para conversar com amigos. O grupo foi abordado por policiais civis, na Rua Jequirituba, no Grajaú.

    Segundo a Polícia Militar e uma testemunha que conversou com o Bom Dia São Paulo, os investigadores não se identificaram e o PM presumiu que estava sendo atacado por criminosos. Ele reagiu à abordagem dos policiais civis, que investigavam um caso de roubo de cargas na região.

    O soldado foi atingido três vezes: no crânio, na face e no peito, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Ele foi levado ao Hospital do Grajaú às 21h27, mas morreu pouco mais de 20 minutos após ser internado, ainda de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde.

    De acordo com o 27º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o policial militar tinha 19 anos de corporação e prestava serviços na Força Tática do 50º BPM.
     
    O Centro de Operação da Polícia Militar registrou o caso inicialmente como homicídio culposo, quando se entende que não houve a intenção de matar. Porém, não havia até 5h30 desta terça menção ao confronto com policiais civis. Até o mesmo horário, o caso não havia sido registrado no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) tampouco na Central de Flagrantes do 101º DP e permanecia sob os cuidados da Corregedoria da Polícia Civil.

    domingo, 2 de dezembro de 2012

    Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de qualidade de educação

      

     Uma das consultorias mais respeitadas do mundo na avaliação de sistemas de ensino colocou o Brasil no penúltimo lugar em um ranking da qualidade da educação.
    O estudo analisou dados de 40 países. Finlândia e Coreia do Sul aparecem no topo. A pesquisa da Economist Intelligence Unit levou em conta vários critérios. Entre eles, a qualidade dos professores, o desempenho escolar no ensino fundamental e índices de alfabetização.
     
    O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores.
    A pesquisa foi encomendada à consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países.
                                             
                                               
    Ele diz que no passado muitos países temiam os rankings internacionais de comparação e que alguns líderes se preocupavam mais com o impacto negativo das pesquisas na mídia, deixando de lado a oportunidade de introduzir novas políticas a partir dos resultados.
    Dez anos atrás, no entanto, quando pesquisas do tipo começaram a ser divulgadas sistematicamente, esta cultura mudou, avalia Barber.
    "A Alemanha, por exemplo, se viu muito mais abaixo nos primeiros rankings Pisa [sistema de avaliação europeu] do que esperava. O resultado foi um profundo debate nacional sobre o sistema educacional, sérias análises das falhas e aí políticas novas em resposta aos desafios que foram identificados. Uma década depois, o progresso da Alemanha rumo ao topo dos rankings é visível para todos".
    No ranking da EIU-Person, por exemplo, os alemães figuram em 15º lugar. Em comparação, a Grã-Bretanha fica em 6º, seguida da Holanda, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, Irlanda, Dinamarca, Austrália e Polônia.
                        
    Cultura e impactos econômicos
    Tidas como "super potências" da educação, a Finlândia e a Coreia do Sul dominam o ranking, e na sequência figura uma lista de destaques asiáticos, como Hong Kong, Japão e Cingapura.
    Alemanha, Estados Unidso e França estão em grupo intermediário, e Brasil, México e Indonésia integram os mais baixos.
    O ranking é baseado em testes efetuados em áreas como matemática, ciências e habilidades linguísticas a cada três ou quatro anos, e por isso apresentam um cenário com um atraso estatístico frente à realidade atual.
    Mas o objetivo é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas nações, e criar um banco de dados que a Pearson chama de "Curva do Aprendizado".
    Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira "cultura" nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo.
    Daí o alto desempenho das nações asiáticas no ranking.
    Nesses países o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas.
    Comparando a Finlândia e a Coreia do Sul, por exemplo, vê-se enormes diferenças entre os dois países, mas um "valor moral" concedido à educação muito parecido.
    O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade, a necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e o pagamento de bons salários.
    Há ainda menções às consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho, sobretudo em uma economia globalizada baseada em habilidades profissionais.
                                                
      1. Finlândia
      2. Coreia do Sul
      3. Hong Kong
      4. Japão
      5. Cingapura
      6. Grã-Bretanha
      7. Holanda
      8. Nova Zelândia
      9. Suíça
      10. Canadá
      11. Irlanda
      12. Dinamarca
      13. Austrália
      14. Polônia
      15. Alemanha
      16. Bélgica
      17. Estados Unidos
      18. Hungria
      19. Eslováquia
      20. Rússia
      21. Suécia
      22. República Tcheca
      23. Áustria
      24. Itália
      25. França
      26. Noruega
      27. Portugal
      28. Espanha
      29. Israel
      30. Bulgária
      31. Grécia
      32. Romênia
      33. Chile
      34. Turquia
      35. Argentina
      36. Colômbia
      37. Tailândia
      38. México
      39. Brasil
      40. Indonésia

    DF tem 1 branco assassinado para cada 7 negros, indica estudo

     
     
    Índice leva em consideração número absoluto de mortes violentas em 2010.
    Comparação proporcional por raça coloca o DF em 4º lugar em ranking.
     
    Levantamento do Mapa da Violência mostra que sete negros são assassinados no Distrito Federal para cada branco vítima de homicídio. O número é mais que o dobro da média nacional, de três negros assassinados para cada branco. As informações se referem ao número absoluto de mortes violentas registradas em 2010, sem levar em consideração o percentual de população de cada raça.
    Os dados foram divulgados nesta quinta (29) e são resultado de uma pesquisa realizada em parceria pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e pela Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Social, do governo federal, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento abrange também registros entre 2002 e 2010 e dados por número de habitantes.

    Sem levar em consideração o percentual de negros e brancos da população, a unidade federativa que com maior diferença entre as raças é Alagoas, com 40 negros assassinados para cada branco. Em seguida vem a Paraíba, com 29 negros para cada branco. Os estados do Sul são os únicos que registram maior número de mortes de brancos em relação a negros. Em Santa Catarina, são 6 brancos assassinados para cada negro; no Paraná e no Rio Grande do Sul a proporção é de 5 para 1.
     
    Recorte por raçasQuando se leva em consideração o percentual de negros e brancos por grupo de 100 mil habitantes de cada raça, a proporção no DF é de cinco negros para cada branco assassinado (diferença de 406% nos índices de homicício entre as duas raças).
    Esse índice, chamado de “vitimização”, coloca a capital na quarta posição entre as unidades da federação, atrás da Paraíba, que tem 1.824% mais mortes de negros do que brancos a cada grupo de 100 mil habitantes, Alagoas, com 1.713%, e Pernambuco, com 609%. A média nacional é de 132%. Nesse quesito, apenas o Paraná registra percentual negativo, com -42,6%. Os estados que vêm a seguir são Santa Catarina, com 5,8%, Acre, com 28,8%, e São Paulo, com 32,1%.
     
    “Este índice é mais fiel ao quadro porque leva em consideração a quantidade de negros e brancos de cada lugar”, disse ao G1 o autor da pesquisa, Julio Jacobo Waiselfisz.
    A pesquisa mostra ainda que mais que dobraram os casos de homicídio de negros em relação ao de brancos entre 2002 e 2010 no DF. De 2002 a 2010, o número de brancos assassinados pulou de 103 para 112, um aumento de 8,7%. Já entre a população negra, o número passou de 632 para 762, um crescimento de 20,6%.
     
    O Distrito Federal fica em 18º lugar quando comparados os assassinatos de brancos por grupo de 100 mil habitantes, com índice de 10,4%. Já em relação a mortes de negros, o DF tem 52,8 homicídios por grupo de 100 mil habitantes, 6º lugar no ranking entre as unidades da federação, de acordo com o estudo.
    O DF também está entre as oito unidades da federação que ultrapassam a marca dos 100 homicídios para cada 100 mil jovens negros. Entre 2002 e 2010 houve queda de 12,5% nos assassinatos de jovens brancos do DF. Entre os jovens negros, o aumento foi de 10,8%.
     
    “Preocupa enormemente não só o elevado índice de vitimização negra que encontramos em 2010. Preocupa mais ainda a tendência crescente do problema. Os níveis atuais de vitimização negra já são intoleráveis, mas se nada for feito de forma imediata e drástica, a vitimização negra no país poderá chegar a patamares inadmissíveis pela humanidade”, aponta o Mapa da Violência 2012.

    Negros representam 57% da população do DF, aponta pesquisa
    Dos jovens de 15 a 17 anos, 63% se autodeclaram negros.
    9% dos negros têm curso superior; índice sobe para 19% com brancos.

    Os negros são maioria no Distrito Federal, segundo dados da Secretaria da Promoção da Igualdade Racial. Pelos dados da última Pesquisa Distrital de Amostra por Domicílios, entre os 2,2 milhões habitantes da capital federal, 1,3 milhão são negros. O número representa 57% da população. Dos jovens de 15 a 17 anos, 63% se autodeclaram negros.

    A maior concentração da população negra está na Estrutural, onde o índice é de 76%. Os negros também são maioria em 17 regiões administrativas. Os dados foram divulgados pelo governo do Distrito Federal (GDF), nesta quarta-feira (21), durante cerimônia em comemoração ao Dia Internacional Contra a Discriminação Racial.

    No Paranoá, segunda região com maior concentração de negros, eles são 72,8% dos habitantes. Em seguida, estão Varjão, Itapoã e São Sebastião, com72%, 71,4% e 71,1% de concentração, respectivamente. Todas essas regiões são consideradas áreas pobres do DF.

    Escolaridade

    A pesquisa feita pelo GDF revela que, apesar de os negros serem maioria, ainda sofrem desvantagens, principalmente quando o assunto é educação. Apenas 9,91% dos negros têm diploma de graduação em uma faculdade. No caso dos brancos, esse índice sobre para 19,15%.

    De acordo com o secretário de Igualdade Racial, Hernandes Macário, o governo pretende iniciar as discussões sobre ações afirmativas. “Vamos montar um grupo de trabalho na ideia de lançar um plano de trabalho para estar inserindo essa pauta na educação e estar vendo perspectivas de ações afirmativas educacionais", disse.

    Entre os analfabetos, os que sabem apenas ler e escrever ou os que concluíram somente ensino fundamental, a maioria é formada pela população negra ou pardo. Os brancos se sobressaem nos ensinos médio e superior.

    Iniciativa

    Através da música, o grupo Obará, do Guará, faz trabalho com jovens de profissionalização e de incentivo ao desempenho escolar. Para participar, é preciso frequentar a escola, onde os negros recebem aula de seralheria e fabricação de instrumentos.
    O músico Gerson faz parte do grupo e acredita que o projeto garante a busca por direitos. “A intenção aqui é nossos direiros, no sentido de humanindade. A batralha é essa", disse.

    Preocupação social

    Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília Renísia Garcia Filino, doutora em Políticas Públicas, Gênero e Raça, os elevados números de homicídio contra os jovens negros no Brasil se devem ao que ela denomina “racismo estruturante”, que inclui o tratamento diferenciado a brancos e negros em diversas esferas e níveis da sociedade.
     
    “A segurança pública é violenta contra os negros, a educação é excludente, o sistema de saúde atende de forma diferenciada as mulheres negras e a mídia por muito tempo colocou os negros numa condição de subserviência. É um conjunto de fatores que leva à banalização da morte da juventude negra, como se cada caso fosse mais uma coisa, uma figura que morreu”, disse.
    Segundo Renísia, é necessária a aplicação de programas de combate à violência contra a população negra. “Existem recursos, mas muitos municípios não gastam. Isso tem a ver com a invisibilidade da mortalidade dos negros na sociedade”, afirmou.
     

    sábado, 1 de dezembro de 2012

    Homicídio de negro no Brasil é 132% maior

    Enquanto foram mortas 36 pessoas negras (por 100 mil habitantes) em 2010, 15 brancos morreram; Nordeste tem situação mais preocupante. O total de negros assassinados no Brasil é 132% maior do que o de brancos. Nos últimos oito anos, entre 2002 e 2010, enquanto o número de homicídios de brancos caiu, a morte de negros cresceu.  

    Em 2010, foram assassinados no Brasil 36 negros para cada 100 mil habitantes da mesma cor. A taxa de homicídios de brancos foi de 15,5 por 100 mil. Na pesquisa, o grupo dos negros também inclui os pardos.
    "A grande desproporção de negros assassinados em comparação aos brancos mostra que a discriminação no Brasil ainda é imensa", diz o pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, autor do Mapa da Violência 2012 - A cor dos homicídios, feito em parceria entre o Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos (Cebela) e a Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial.

    Essa diferença chega a ser escandalosa em Estados nordestinos. Alagoas é onde mais morrem negros, proporcionalmente, no Brasil: são 80,5 casos por 100 mil habitantes. Já o total de homicídios de brancos no Estado é baixo: 4,4 casos por 100 mil habitantes, o que o coloca como o segundo menos violento para brancos no Brasil.

    A situação é semelhante na Paraíba, Estado onde brancos têm menor chance de ser assassinados no Brasil: 3,1 casos por 100 mil. O assassinato de negros é 1.824% maior: 60,5 casos por 100 mil habitantes.
    Paulistas. Em São Paulo, apesar de a situação ser menos dramática do que a do Nordeste, o total de negros assassinados é 32% maior do que o de brancos (12,2, contra 21,5). A situação piora em períodos de crise, como nos últimos seis meses, quando o crescimento dos assassinatos se acelerou. "Isso é reflexo de 500 anos de história, boa parte dela com escravidão e até hoje com negação de direitos. A morte de negros é tolerada e não choca", diz Douglas Belchior, da Uniafro - instituição educacional voltada para negros e pessoas de baixa renda - e do Comitê de Luta contra o Genocídio da Juventude Negra.

    Mulheres negras são maioria entre jovens que não trabalham nem estudam. Mulheres pretas, pardas e indígenas são a maioria entre os 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que não trabalham nem estudam no País, a chamada “geração nem nem”. Cruzamento de dados inédito feito pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a pedido da Agência Brasil, revela que elas somam 2,2 milhões, ou seja, 41,5% desse grupo. Do total de jovens brasileiros nessa faixa etária (27,3 milhões), as negras e indígenas representam 8% - enquanto as brancas na mesma situação chegam a 5% (1,3 milhão). 

    Para o coordenador do levantamento, Adalberto Cardoso, que fez a pesquisa com base nos dados do Censo 2010, do IBGE, várias razões explicam o abandono da educação formal e do mercado de trabalho por jovens. Entre elas, o casamento e a necessidade de começar a trabalhar cedo para sustentar a família. Cerca de 70% dos jovens “nem nem” estão entre os 40% mais pobres do País. A gravidez precoce é o principal motivo do abandono, uma vez que mais da metade das jovens nessa situação têm filhos.

    É o caso de Elma Luiza Celestina, de 24 anos, moradora da Estrutural, na periferia de Brasília. A jovem deixou de estudar aos 16 anos, com o nascimento do primeiro filho. Ela continuou frequentando as aulas até terminar o 6.º ano do ensino fundamental, mas engravidou novamente meses depois. Com isso, precisou adiar a volta às salas de aula. Desde então, dedica-se quase exclusivamente aos filhos, conseguindo, raramente, alguns bicos como faxineira. Há sete meses, no entanto, quando o terceiro filho nasceu, não assume nenhum compromisso profissional e vive com dificuldade financeira.

    “Como só tenho o 6.º ano, não conseguia coisa muito boa, que ganhasse um bom dinheiro. Era mais para fazer faxina mesmo. Mas, agora, não tenho como (trabalhar). Com três filhos é difícil sair para fazer qualquer coisa.”

    Elma vive apenas com a ajuda da mãe, de 57 anos, para sustentar as três crianças. Os dois ex-maridos estão presos e não podem reforçar a renda da casa. “O problema é que agora ela (minha mãe) também não está podendo trabalhar, porque está com problema no joelho. E, sem a ajuda dos pais das crianças, está bem difícil”, conta a jovem que não consegue fazer planos para o futuro.

    “Se eu quiser coisa melhor, tenho que voltar a estudar, mas não sei se vou conseguir, porque, com esses filhos todos, como vou fazer?”, disse. Ela acredita que engravidou cedo por falta de orientação familiar. “Minha mãe não sabe nem escrever, não tinha como me orientar. Eu acabei engravidando, não me cuidei e engravidei de novo.”

    A gravidez na adolescência também levou Lucineide Apolinário a abandonar os estudos. Aos 25 anos, a moradora da Estrutural está grávida do quarto filho e, sem ter com quem deixar as crianças, desistiu de trabalhar. O atual marido, que é pai apenas do bebê que ainda vai nascer, é ajudante de obras e, mesmo sem ter emprego fixo, assume sozinho as despesas da casa. O primeiro marido morreu há cerca de dois anos. A jovem cursou até a 7.º ano do ensino fundamental e lamenta o casamento e a gravidez precoces.

    “Parei de estudar por causa das crianças. Casei aos 15 anos, arrumei filho muito cedo e veio um atrás do outro. Estava apaixonada, era ilusão de adolescente. O problema é que sobra muito para a mulher. A gente tem de se dividir em mil para dar conta dos filhos e da casa e não consegue pensar na gente”, diz.
    Enquanto se prepara para dar à luz a mais um menino nos próximos dias, Lucineide diz que sonha em retomar os estudos “algum dia”. Ela espera que os filhos tenham uma história diferente da sua.

    “Ainda vai demorar um pouco, mas algum dia eu volto a estudar. Para conseguir um emprego melhor tem que estar pelo menos no 1.º ano (do ensino médio) e eu quero voltar a trabalhar para poder dar um futuro melhor para os meus filhos, uma história bem diferente da minha”, diz.

    Moradora do Morro do Juramento, na zona norte do Rio, Jéssica Regina Martelo, de 22 anos, parou de estudar no 6.º ano, quando passou a achar a escola menos interessante do que a vida real. A jovem conta que “era chato” ir à escola e que preferia ficar com as amigas. Órfã de pai e mãe, ela foi criada pelas irmãs e teve a primeira filha aos 17 anos. Envolvido com o tráfico, o companheiro morreu assassinado logo depois do nascimento da menina. Como não pôde contar com o apoio do pai da criança, acabou tendo de trabalhar para se sustentar.

    Aos 19 anos, Jéssica teve a segunda filha, da união com Jony Felipe Coli, de 24 anos, que também não estuda e já tinha dois filhos ao conhecê-la. Ele também não tem emprego formal tampouco estuda, embora cuide dos filhos do relacionamento anterior e que agora fazem parte da nova família. Para sustentar a casa, Jéssica faz bico. “Prefiro ser manicure por conta própria porque tenho mais tempo para cuidar das meninas e o dinheiro fica comigo e com elas, não com o salão.”

    Além da gravidez, outro fator de peso para o abandono da escola, segundo o pesquisador da Uerj, é a falta de perspectiva de vida de jovens pretos, pardos e indígenas, maioria nas escolas públicas, em geral, de menor qualidade. Ele acredita que o estímulo à educação é fundamental para mudar a realidade desse grupo.

    “Uma coisa perversa no sistema educacional do Brasil é o fato de pessoas deixarem a escola porque não têm a perspectiva de chegar ao ensino superior”, diz. “As ações afirmativas são importantes por isso. Têm o efeito de alimentar aspirações de pessoas que viam a universidade como uma barreira, mas que vão se sentir estimuladas a permanecer no ensino”, destaca.

    Ao analisar os dados do levantamento, a professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Rosângela Araújo diz que é preciso entender o que está por trás do comportamento das meninas. “Não é falta de informação. Tenho certeza de que a maioria conhece um preservativo. Mas tem uma questão da mudança de status, de menina para mulher. Elas podem não ver (o abandono escolar) como um passo atrás, mas no futuro, pode pesar.”

    Segundo o levantamento, embora a taxa de jovens da “geração nem nem” no Brasil seja considerada alta (19,5% do total de pessoas de 18 a 25 anos), o índice não está distante do verificado em países com características demográficas semelhantes onde é comum que a mulher deixe de trabalhar e estudar para se casar. É o caso da Turquia e do México, segundo estudos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), citados pelo pesquisador da Uerj.

    A pesquisa também identificou entre os “nem nem” jovens com deficiência física grave e os que saíram da faculdade, mas ainda não estão empregados. Os dados completos constam do estudo Juventude, Desigualdade e o Futuro do Rio de Janeiro, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e deve ter um capítulo publicado em 2013.

    Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,mulheres-negras-sao-maioria-entre-jovens-que-nao-trabalham-nem-estudam,962688,0.htm

    sexta-feira, 30 de novembro de 2012

    Barbosa diz que Justiça Militar estadual poderia deixar de existir



    Para ministro, Justiça Militar poderia ser absorvida pela justiça comum.
    Presidente do STF e CNJ disse que poderá criar comissão para avaliar. 

    O presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Joaquim Barbosa, afirmou nesta terça-feira (27) que a Justiça Militar estadual não tem “necessidade” de existir.
    Ele deu a declaração durante o julgamento pelo CNJ de um procedimento disciplinar contra magistrado do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais que teria deixado prescrever processos por lentidão nos julgamentos.

    “Uma justiça que poderia muito bem ser absorvida pela justiça comum, porque não há qualquer necessidade de sua existência”, afirmou Joaquim Barbosa, quando os conselheiros debatiam se a demora na análise dos processos militares se devia à falta de estrutura do tribunal.

    Barbosa afirmou que deverá criar uma comissão para avaliar a produtividade das justiças militares estaduais e propor mudanças. A criação de tribunais militares estaduais foi autorizada por lei federal em 1936. A composição e efetiva criação das cortes é feita por legislação estadual.

    ”Vai ser proposta a criação de uma comissão ou talvez eu peça para o departamento de estatística do conselho para fazer um estudo preliminar e só depois desse estudo preliminar é que talvez eu designe uma comissão para fazer propostas mais concretas. Tudo está muito preliminar.

    Indagado se também avaliaria o desempenho da justiça militar federal, inclusive do Superior Tribunal Militar, Barbosa afirmou: “Não, por enquanto a Justiça Militar estadual. A questão é relativa à Justiça estadual. Eu não posso dizer nada antes de ter esses dados em concreto.”

    O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, presidente da corte máxima do país e relator do processo do Mensalão, onde políticos de grande porte estão sendo condenados por prática de corrupção, tocou em um assunto há muito silenciado, mas de uma razoabilidade significativa, pelo menos para ser posto em discussão: qual a utilidade da Justiça Militar Estadual?
    Atualmente a Constituição define o seguinte (Art. 125):
    § 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.
    Em um contexto em que a equiparação das práticas das polícias militares com as das Forças Armadas é cada vez mais inócua, já que possuem objetivos institucionais distintos, é cada vez mais flagrante a irracionalidade da submissão das polícias militares aos regulamentos do Exército. A iniciativa do Ministro Joaquim pode gerar bons frutos, que nada tem a ver com impunidade ou tolerância com desvios, mas com a eficiência administrativa de certas estruturas e regulamentos que pouco resultam em ganhos sociais e institucionais.

    O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta terça-feira (27/11) que vai estudar a possibilidade de instituir um grupo de trabalho para avaliar se há justificativa para a existência da Justiça Militar. Se os estudos mostrarem que as atribuições dos tribunais militares podem ser absorvidas pelos tribunais de Justiça, o CNJ poderá sugerir a extinção desse ramo da Justiça.

    Joaquim Barbosa fez essa declaração durante a 159ª Sessão Ordinária do colegiado, na apreciação do processo administrativo disciplinar nº 0002789-79.2012.2.00.0000, contra dois juízes do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (TJMMG). O conselheiro José Roberto Neves Amorim, relator do processo, opinou pela improcedência da acusação de negligência dos magistrados, que teriam dado margem à prescrição de 270 processos.

    "A culpa não é deles", afirmou Neves Amorim, que visitou o Tribunal Militar de Minas Gerais e constatou a falta de estrutura para que os magistrados possam trabalhar. "A estrutura é extremamente precária. É impossível fazer mais de uma audiência por dia", disse o conselheiro. Ele ressaltou que a prescrição é grave, mas a responsabilidade é do tribunal que não dá condições para o trabalho dos magistrados.

    Além de considerar a acusação improcedente, o conselheiro Neves Amorim apresentou algumas sugestões, entre elas a proposta de sugerir ao Congresso Nacional a revisão da legislação sobre os crimes militares. O conselheiro Bruno Dantas acrescentou a proposta de extinguir a Justiça Militar, que julga pequeno número de processos.

    Para o ministro Joaquim Barbosa, os processos da Justiça Militar poderiam ser repassados para a Justiça comum. "Não há qualquer necessidade de sua existência", afirmou o ministro, alertando que o Judiciário precisa de uma visão de conjunto.

    O conselheiro Carlos Alberto Reis de Paula, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), acrescentou que a "questão mais grave é a existência da Justiça Militar". Ele defendeu uma profunda reavaliação desse ramo da Justiça, que tem "um custo alto para a sociedade". Para Neves Amorim, o CNJ deve avaliar se o número de processos justifica a manutenção da Justiça Militar.

    http://abordagempolicial.com/2012/11/ministro-joaquim-barbosa-defende-fim-da-justica-militar-estadual/
    http://cnj.jusbrasil.com.br/noticias/100208411/ministro-joaquim-barbosa-quer-estudo-sobre-justica-militar