quinta-feira, 26 de março de 2015

Hospital da USP fecha 40% dos leitos de UTI e sobrecarrega setor de emergência

"Pacientes que precisam de internação acabam ficando na emergência, num ambiente que não é o ideal", diz médico

A perda de 213 profissionais entre médicos e servidores associada ao fechamento de oito dos 20 leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está impactando o dia a dia de pacientes e funcionários que recorrem ao Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HUSP), localizado no bairro do Butantã, zona oeste da capital paulista.

Com apenas 12 leitos na UTI, os pacientes que precisam de internação acabam ficando na emergência, num ambiente que não é o ideal", diz o infectologista Gerson Salvador, que também é diretor de comunicação do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).
Anderson Passos/iG São Paulo
Hospital Universitário da USP reduziu leitos de UTI e pacientes em estado grave acabam atendidos na emergência
Hospital Universitário da USP reduziu leitos de UTI e pacientes em estado grave acabam atendidos na emergência
No final da manhã desta quarta-feira (25), o total de pacientes internados na emergência era de 36 pessoas. O local conta com 11 leitos monitorados e o excedente é formado por macas. 

Segundo o Simesp, a causa central do problema é o Programa de Incentivo à Demissão Voluntária adotado pela Reitoria da USP, que tem por objetivo o corte de gastos da instituição, que está em crise financeira.

Gerson Salvador dá ainda outro ponto: "O antigo reitor [João Grandino] Rodas disse que deixou a universidade com R$ 4 bilhões de reservas justamente para enfrentar tempos de crise", comenta.
Segundo a legislação, as universidades paulistas têm autonomia financeira e são mantidas graças à arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O percentual conferido à USP, bem como à Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp), é de 9,57% do total arrecadado com o imposto.

O atual reitor Marco Antônio Zago alega que a gestão de seu antecessor inchou a folha de pagamento da USP e que a queda de arrecadação no ICMS forçou os cortes de pessoal.

Impacto no atendimento
Dos 213 servidores que aderiram ao plano de demissão volutária, 18 são médicos e tem prazo até abril para se desvincularem da instituição. Com a saída de servidores, o impacto no atendimento é visível: 15 cirurgias semanais foram suspensas. Houve também a redução no número de salas no Centro Obstétrico e no Centro Cirúrgico, de 11 para oito.

Os ambulatórios de ortopedia foram extintos e o serviço agora fica com o pronto-socorro. Os atendimentos de coloproctologia estão suspensos e as consultas mensais de cirurgia geral, entre casos novos e retornos, foram reduzidos. O número de partos no HUSP também teve queda por conta da redução de leitos no berçário.

"Devido à alegada crise financeira da Universidade, a reitoria tentou desvincular o HU da USP e, não obtendo sucesso, tem permitido o desmantelamento do serviço com prejuízo para a população atendida e para os profissionais que se mantiveram no emprego”, dispara Gerson Salvador.

Só o Pronto Atendimento do HU realiza, em média, 240 mil consultas com pacientes ao ano. São cerca de 2.500 estudantes/ano que passam no HU e que têm uma formação considerada de excelência em áreas como medicina, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, odontologia, psicologia e saúde pública.

Questionada sobre os problemas da instituição, a direção da instituição não respondeu à reportagem até o fechamento deste texto.

Na promotoria
A Promotoria de Direitos Humanos e de Saúde Pública do Ministério Público Estadual recebeu representantes da classe médica do HUSP na semana passada. Ao iG, o promotor Arthur Pinto Filho confirmou os relatos colhidos pela reportagem e que a promotoria atuará em duas frentes.

"Estamos pedindo informações administrativas ao Conselho Regional de Medicina (CRM), ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e à direção do hospital. Em outra frente, estamos estudando alternativas para que o hospital possa receber mais recursos já que as condições dos trabalhadores e da instituição são bastante precárias", afirmou.

A promotoria enviou à direção do HU um pedido de informações sobre os impactos da adesão dos funcionários ao plano de demissão bem como o fechamento de leitos. Tão logo o ofício seja recebido pelo hospital, os representantes tem sete dias para comparecer ao MP estadual.

Arthur Pinto Filho afirmou ainda que o reitor da USP não será chamado ao MP uma vez que "não tem interesse em manter o diálogo". o promotor argumenta que recentemente o retiro tentou repassar a gestão do Hospital Universitário para a Secretaria Estadual da Saúde, que rejeitou a proposta.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2015-03-26/hospital-da-usp-fecha-40-dos-leitos-de-uti-e-sobrecarrega-setor-de-emergencia.html

terça-feira, 24 de março de 2015

Lula sobe o tom e cobra de Dilma mudanças no governo

São Paulo - A relação entre Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff parece ter chegado ao seu pior momento. Em uma conversa na semana passada, o tom do ex-presidente e padrinho político da petista foi de broncas e cobranças. 

Dilma Rousseff e Lula: relação com o ex-presidente também passa por uma criseSegundo a coluna de Raymundo Costa, do jornal Valor Econômico, enquanto estavam a sós, Lula teria elevado a voz para Dilma mais de uma vez - e as pessoas que aguardavam para a reunião que ocorreria logo em seguida teriam ouvido tudo.

De acordo com o colunista, o ex-presidente teria deixado claro que não irá mais a Brasília conversar com Dilma se ela não fizer as mudanças necessárias no governo. Esta teria sido a primeira vez que Lula levantou a voz para Dilma.

© Divulgação Dilma Rousseff e Lula: relação com o ex-presidente também passa por uma crise
Lula teria falado também sobre a necessidade de mudanças na equipe política, incluindo substituir Aloizio Mercadante na Casa Civil por Jaques Wagner, atual ministro da Defesa. O ex-presidente também teria cobrado a designação de um papel especial para o vice-presidente Michel Temer, do PMDB.
A bronca sobrou para a atuação de Dilma também. Lula teria dito que a presidente precisa dialogar mais, pois o Brasil é um país muito complexo e não poderia ter uma governante que não exercite a boa prática do diálogo.

Lula tem razão em estar impaciente. Afinal, a crise política e econômica enfrentada por Dilma já começa a afetar também a imagem do ex-presidente. Segundo pesquisa Datafolha feita após os protestos do dia 15 de março, 67,9% dos brasileiros consideram que Lula tem culpa no caso de corrupção na Petrobras. 

Além disso, levantamentos internos do PT apontam que o partido perderia seu posto de campeão do voto de legenda se as eleições fossem disputadas hoje. Segundo a pesquisa, a sigla conseguiria 10% dos votos de legenda - nas últimas duas décadas e meia, essa porcentagem ficou em torno de 30%.

Respostas
Nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff comunicou Lula e o partido que está disposta a mudar as medidas provisórias 664 e 665, que restringem a concessão de benefícios trabalhistas e são parte do ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

A sinalização de Dilma é vista com otimismo pelo partido que considera o ajuste fiscal o principal motivo de desgaste da presidente neste segundo mandato. As medidas afastaram o governo do PT de movimentos historicamente ligados ao partido. 

Lula também faz parte dessa negociação. Na noite de ontem, o ex-presidente se reuniu com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, com o senador Paulo Paim (PT-RS), e com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, em São Paulo.

A preocupação de Lula é evitar que aliados tradicionais do PT abandonem a base de apoio ao governo caso se não haja uma mudança significativa no projeto. 

http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/lula-sobe-o-tom-e-cobra-de-dilma-mudan%C3%A7as-no-governo/ar-AA9VU60

Parlamentarismo pós-Dilma seria “coisa boa”, diz Cunha

Presidente da Câmara defende mudar marco regulatório do pré-sal


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), defende a mudança do marco regulatório do petróleo do pré-sal. Crê que a crise da Petrobras criará clima para isso. Afirma que discutir o “parlamentarismo” para depois do governo Dilma “seria uma coisa boa”. Acha que um eventual fracasso do atual governo “pode comprometer uma vitória eleitoral” do ex-presidente Lula em 2018.

Cunha nega desejo de ser candidato à Presidência. Defende que o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, dispute o Palácio do Planalto na próxima eleição como candidato do PMDB. Avalia que a aliança com o PT não será renovada em 2018.

O peemedebista considera que Dilma tem de fazer trocas na articulação política. Volta a rejeitar a posssibilidade de impeachment da petista, o que “beira o golpismo”. Critica a articulação política, dizendo que Dilma deve trocar nomes ou comportamento. Cunha acredita, que, “na política, [Dilma] fez no início desse segundo mandato muita coisa errada”. 

A seguir, os principais trechos da entrevista:
PMDB e eleição presidencial de 2018
“Acho pouco provável que o PMDB repita essa aliança em 2018. O mais natural e mais provável é que o PMDB tenha uma candidatura própria até porque time que não joga não tem torcida”, diz Cunha.

“Isso não quer dizer que a gente não tenha o compromisso ou não ajude na governabilidade, que não esteja presente no momento. Então, são duas coisas distintas. Uma coisa é a sucessão política que vai ocorrer; e outra coisa é o momento que a gente está vivendo. Então, separando as duas coisas, respondo que não tenho muita dúvida de que o PMDB vai caminhar pelo menos sozinho na eleição de 2018.”

Indagado se gostaria de ser candidato a presidente, diz que é “uma especulação”. Defende que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, seja o candidato. “Prefiro até porque ele tem um ativo administrativo para mostrar. Vai ter Olimpíada no ano que vem e, se sair bem, será um nome natural, credenciado para ser o grande nome do PMDB”, opina.

Sobre uma eventual candidatura ao governo do Rio, responde: “Não vivo o futuro em função do meu presente. (…) O futuro a Deus pertence.”

“Todo mundo que coloca qualquer tipo de ambição futura, seja por sonho e mesmo que não expresse, vai estar comprometendo o bom exercício do seu mandato presente. Prefiro exercer bem aquilo que me propus a fazer.”

Eventual volta de Lula e impeachment de Dilma
“O Lula tem um carisma pessoal. Sempre foi maior do que o PT. (…) O futuro [de Lula], de uma certa forma, está atrelado ao bom desempenho ou não do governo da presidente Dilma. Ela, querendo ou não, foi uma cria dele. Consequentemente, a partir de que não haja sucesso no fim do governo dela, isso, sim, pode comprometer uma boa candidatura dele.”

Na opinião do peemedebista, o fracasso de Dilma “pode comprometer uma vitória eleitoral” de Lula.

Cunha diz não ver possibilidade de prosperar uma discussão sobre o eventual impeachment da presidente. “Não pode ser usado o instrumento de impeachment como recurso eleitoral. Me parece que é mais esse o caminho que estão tentando utilizar. Eu acho que o impeachment sem razão beira o golpismo”, declara.

“Temos, sim, uma crise política. Essa crise política se torna mais grave quando o governo está no início do seu mandato. Ou seja, com 3 meses praticamente de exercício do segundo mandato da presidente, faltando ainda 45 meses, ter um desgaste acaba gerando esse tipo de especulação. Ela tem todo tempo para se recuperar ou não. Mas, mesmo que se recupere ou não se recupere, jamais será o impeachment o remédio para conter. Quem votou e se arrependeu do voto vai ter que corrigir na próxima eleição. Essa é logica da política. Você pode discutir tudo: qual melhor de sistema de governo do Brasil, a forma que você vai discutir o processo eleitoral, mas jamais a falta de legitimidade dela, na medida em que se elegeu.”

“O Brasil não é uma republiqueta para tirar um presidente porque ele não está bem popularmente. Não acho que essa razão de “perdeu a condição de governabilidade” seja suficiente para o impeachment. Vira um impeachment político. Essa figura não existe no país. Senão, a gente tira a condição de governabilidade de qualquer governante do futuro e terá a obrigatoriedade de ter o impeachment dele. Então, é preciso que a gente crie as condições de proteção para ter o mínimo de garantia do cumprimento daquilo que o eleitor [decidiu].”

“A crise é política. A saída é ter uma mudança política. Sempre critiquei a articulação política, que está atabalhoada, tanto que gerou essa disputa na presidência da Câmara e teve as sequelas que teve.”

“A atual crise é muito mais profunda que aquela disputa. Aquela disputa [vitória dele sobre o governo na eleição para a presidência da Câmara] pode ter sido um erro no processo. O processo já vem errado desde antes na formulação da equipe de governo, no patrocínio de um partido fictício que visava única e exclusivamente enfraquecer os seus parceiros.”

“Você vai ter uma contradição falando que a reforma política é fundamental, mas ao mesmo tempo estimula um partido que não existe com o objetivo de enfraquecer aliados. Então, a concepção política, a estratégia foi errada. A partir daí, são execução e consequência da estratégia.”

“Os nomes de articulação política, provavelmente, precisam ser trocados ou, no mínimo, mudarem o comportamento. (…) O governo precisa corrigir rapidamente para que esse envelhecimento que a gente sente de um governo que mal iniciou o seu segundo mandato não se aprofunde e acabe gerando problemas cada vez mais difíceis de serem solucionados.”

Reformas ministerial e política
Indagado se a reforma ministerial seria uma saída, afirma: “Não sei. Se não mudar a forma e estratégia de articulação política, não adianta nada trocar o nome e continuar fazendo tudo errado. O problema é trocar ou não o nome e fazer certo”.

“Eu não diria que ela esteja fazendo tudo errado, até porque não deu tempo para avaliar. Você só vai avaliar o segundo mandato dela no decorrer do tempo. Mas, na política, fez no início desse segundo mandato dela muita coisa errada. Pode ser que ela esteja com desejo de consertar, mas não encontrou o caminho. Mas que precisa dar uma demonstração que está mudando, precisa.”

“Não acho que tenha parlamentarismo branco [devido à fraqueza do Poder Executivo hoje]. Os poderes têm de ser independentes e harmônicos entre si. Eu ganhei a eleição pregando a independência da Câmara dos Deputados. (…) As pessoas não estava habituadas mais a ver o Parlamento exercendo seu papel de parlamento. E agora está exercendo. O que nós estamos fazendo é devolvendo esse papel [ao Legislativo]”, afirma.

A respeito da reforma política, diz que não discutiria o conteúdo, mas que a colocará em votação após o final da tramitação na comissão especial. A ideia é levar obrigatoriamente para votação no plenário se a comissão não votar uma reforma após 40 sessões deliberativas. “Findas as 40 sessões, se ela não apreciar, eu vou avocar para o plenário e o plenário vai decidir com as suas emendas. A minha ideia é, cumprida essas 40 sessões, ter uma semana inteira para votar só a reforma política. Começando na segunda-feira e só terminando na hora que acabar de votar.”

Defende a votação de alguma legislação para de combate ao terrorismo. Avalia as regras de hoje não são suficientes.

Crise da Petrobras e mudança do marco regulatório
A respeito do efeito econômico da Operação Lava Jato, citou “um exemplo clássico”. “Sou o mais votado numa cidade do Rio de Janeiro que se chama Itaboraí, onde tem a sede do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). O Comperj está parado. De 26 mil empregados, 19 mil foram mandados embora, pedindo esmolas pelas ruas de Itaboraí. A Petrobras tem uma influência na economia brasileira que as pessoas ainda não mediram. Eu diria tranquilamente que 1% do PIB de 2015 vai ficar comprometido em função dessa crise da Petrobras.”

“A Petrobras está em crise. É preciso que o governo aja rapidamente para evitar essa crise, que começou também com um processo equivocado quando se discutiu a partilha. A partilha se mostrou um equívoco. A obrigatoriedade de você ter 30% do investimento obrigatório pela Petrobras sem condições de alavancagem e, ao mesmo tempo, a Petrobras assumir compromissos muito acima da sua capacidade, acaba levando a uma crise econômica da Petrobras. Que foi agravada pelas denúncias de corrupção e pelo prejuízo todo que a cadeia teve em função das denúncias.”

Cunha é a favor da revisão do marco regulatório do pré-sal. Afirma que a mudança de regra “só serviu para ter uma guerra federativa pelos royalties”. Defende o modelo anterior, de concessões, que seriam mais atraentes.

“Estamos com um problema muito simples: a economia querendo, como se diz na gíria, desmamar. Consequentemente, você está querendo tirar o Estado do financiamento da atividade produtiva.” Segundo Cunha, capital estrangeiro seria atraído para investir por meio de concessões.

Ele avalia que o clima político para mudar o regulatório “vai evoluir na medida que os resultados da Petrobras mostrem que ela está praticamente fazendo desinvestimento. Consequentemente, você vai ter clima pra isso”.

Defende a política de conteúdo nacional, mas afirma que não poderiam ser criadas “indústrias fictícias”
Ao falar das limitações da política de conteúdo nacional, ele fez uma análise mais geral sobre a crise econômica: “É como a gente brinca: tempestade perfeita, só que está faltando água”.

Cunha diz ter dúvida se seria uma boa solução taxar grandes fortunas. Acha que talvez seja possível cobrar imposto de herança. “Em nenhum lugar do mundo se tributa patrimônio, tributa-se renda. Você pode até considerar que herança seja uma renda derivada da sucessão. Mas taxar patrimônio é uma coisa que não vai dar certo em lugar nenhum do mundo. (…) As grandes fortunas vão sair do Brasil e levarão seu patrimônio para outro lugar para não serem taxadas.” Questionado sobre um efeito simbólico de taxar grandes fortunas, afirma: “Economia não vive de simbolismo só. Ela vive da realidade. No real, você não afasta o capital, você atrai o capital.”

Meta de superávit primário de 1,2% do PIB
Cunha avalia que, mais importante do que cumprir a meta de superávit primário de 2015, de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto), é o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, “mostrar uma segurança de que as contas públicas estarão sob controle”.

Para Cunha, “o mercado acreditará muito mais do que cumprir o número e todo mundo ter dúvida se, no ano seguinte, ele vai continuar mantendo a condição [de atingir a meta].”

Indagado se Levy, em tese, poderia entregar um superávit inferior a 1,2% do PIB, responde: “Ou às vezes pode entregar mais e não resolver. O movimento do mercado é um pouco diferente do que a fotografia do número”.

Críticas a Rodrigo Janot e Cid Gomes
Cunha avalia que as críticas duras ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não foram um erro tático, o que poderia jogar o Ministério Público contra ele. “Não estou criticando a instituição. Eu estou criticando quem é responsável por assinar. Quis mostrar a incoerência dele. Se foi um erro tático ou não, quando se trata de honra, você não trata de tática. Quando você acusa um chefe de um poder, como é meu caso, sem razão nenhuma para isso, e usando critérios diferentes de outros, eu tenho que zelar pelo nome da instituição que presido. Até para mostrar aos meus pares, aqueles que me elegeram e até aqueles que não me elegeram, que eles têm um presidente que tem condições políticas de demonstrar que aquilo é um absurdo e os supostos indícios contra ele são frágeis, e realmente o são. (…) Se o procurador com isso vai ter um tipo de atitude contra mim, para tentar me prejudicar mais, seria piorar o quadro que ele mesmo criou me escolhendo. Eu não acredito que ele vai chegar a esse ponto.”

Cunha diz que o ex-ministro da Educação Cid Gomes “foi desqualificado, agressivo” ao falar da tribuna da Câmara na semana passada. Não fez críticas ao Legislativo no contexto do fisiologismo político, avalia o presidente da Câmara. “O que ele fez foi acusar ainda mais o plenário. Ele colocou os parlamentares, dando uma lição de moral, como se fossem realmente um bando de achacadores e ele fosse um santo.”

Defesa do parlamentarismo
“Temos uma constituição parlamentarista com um regime presidencialista. Isso já é um problema. É claro que o parlamentarismo protegeria muito o chefe de Estado, no caso da Presidência da República, das crises. (…) É claro que isso é uma discussão de futuro que vai voltar. Provavelmente, voltará. Não sei quanto tempo vai levar, mas não é coisa para agora. Até porque seria outra forma de você ter golpe. Mas o parlamentarismo é uma discussão que foi mal resolvida na Constituinte e depois, quando teve o plebiscito, acabou não sendo encampado pela população.”

Cunha afirmou que discutir parlamentarismo “agora seria subtrair a prerrogativa dela [Dilma] pela qual foi eleita”. “Seria muito difícil esse debate. Mas acho que discutir isso para o futuro seria uma coisa boa.”

 http://www.blogdokennedy.com.br/parlamentarismo-pos-dilma-seria-coisa-boa-diz-cunha/

"Não há nada além de destroços e de corpos", diz parlamentar francês

Avião A320 decolou de Barcelona e seguiria para Dusseldorf, mas caiu nos alpes franceses com 150 pessoas a bordo

"As imagens são assustadoras. Não há nada além de destroços e de corpos", afirmou o parlamentar francês Christophe Castaner pelas redes sociais. Ele sobrevoou o local do acidente na região de Digne-Les-Bains, onde caiu o avião A320 que seguia de Barcelona, na Espanha, a Dusseldorf, na Alemanha.

O avião da empresa Germanwings - que pertence à Lufthansa - caiu nos alpes franceses nesta terça-feira (24). "Não há sobreviventes", confirmou o ministro dos Transportes Alain Vidalies. 

Uma das caixas-pretas do avião já foi encontrada, segundo o jornal francês Le Figaro.
A companhia aérea afirmou em seu Twitter que o voo 4U9525 tinha 144 passageiros, incluindo dois bebês, e seis tripulantes a bordo - totalizando 150 pessoas. 

O jornal francês Le Dauphiné Liberé divulgou o que seriam as primeiras imagens do local em que caiu o avião, na região de Digne-Les-Bains. O local fica no meio das montanhas e é de difícil acesso.
Vítimas
A320: Turma de 16 estudantes alemães voltava de intercâmbio em BarcelonaEntre as 150 vítimas do acidente, ao menos 67 eram alemães, segundo a empresa Germanwings. Havia uma turma com 16 estudantes alemães que voltava de intercâmbio em Barcelona, na Espanha. As informações são da rede de televisão espanhola TV3. 

Os alunos, com idade ao redor de 15 anos, tinham feito aulas no Institut Giola de Llinars, em Barcelona. Além dos estudantes, há a possibilidade de que quatro professores acompanhassem o grupo, segundo o jornal catalão "Nació Granollers".

O governo espanhol confirmou que 45 pessoas com sobrenome espanhol estavam dentro do avião. 

Acidente
O avião do voo 4U9525 perdeu altitude por oito minutos até a colisão, informou o porta-voz da Germanwings, Thomas Winkelmann, em coletiva.

O voo da empresa Germanwings, bandeira de baixo custo da Lufthansa, decolou de Barcelona às 8h35 deveria ter pousado em Dusseldorf, na Alemanha, por volta das 11h (hora local). No entanto, a torre de controle francesa perdeu contato com a aeronave às 10h53, segundo o jornal francês Le Figaro.

Os dados recolhidos por uma série de radares amadores no site Flightradar.fr mostram que após a decolagem o avião voou sobre o mar Mediterrâneo até atingir a altitude de mais de 30 mil pés. 

A área da queda fica localizada a cerca de 900 metros do maciço "Trois Evechés". Um grupo de ao menos 240 pessoas - entre bombeiros e policiais - estão no local para ajudar nas buscas.

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-03-24/nao-ha-nada-alem-de-destrocos-e-de-corpos-diz-parlamentar-frances.html

Caixa-preta de avião que ia à Alemanha é encontrada nos alpes franceses

Aeronave que decolou de Barcelona em direção a Dusseldorf caiu com 150 pessoas a bordo; não houve sobreviventes

Uma das caixas-pretas do avião da Germanwings que caiu nos alpes franceses foi encontrada, no início da tarde desta terça-feira (24), na região dos Alpes de Haute Provence. O objeto, responsável por registrar dados e gravações de voz do voo, é decisivo para entender o motivo para o acidente que deixou 150 mortos

De acordo com Gilbert Sauvan, maior autoridade na região de Haute Provence, no sul do país, não há sinal de nenhuma peça da aeronave no solo que seja maior do que um pequeno carro. Ele afirmou ainda que as autoridades não devem conseguir retirar os corpos nesta terça devido ao gelo no solo – situação que provavelmente permanecerá semelhante na quarta-feira (25), quando deve nevar na região. 

"As imagens são assustadoras. Não há nada além de destroços e de corpos", afirmou nas redes sociais o parlamentar francês Christophe Castaner. Ele sobrevoou o local do acidente onde caiu o avião A320 que seguia de Barcelona, na Espanha, em direção a Dusseldorf, na Alemanha.
A caixa-preta foi encontrada cerca de três horas após a tragédia, que ocorreu por volta das 11h (7h no horário de Brasília). 

"Não há nada além de destroços e de corpos", escreveu Castaner a seus seguidores. A companhia aérea Germanwings afirmou em seu Twitter que o voo 4U9525 tinha 144 passageiros, incluindo dois bebês, e seis tripulantes a bordo – totalizando 150 pessoas. 

Entre os passageiros, havia uma turma de 16 estudantes alemães que voltava de um intercâmbio em Barcelona, na Espanha. Os alunos, com idade em torno de 15 anos, tinham feito aulas no Institut Giola de Llinars, em Barcelona. Além dos estudantes, existe a possibilidade de que estivessem juntos quatro professores acompanhando-os, segundo o jornal catalão "Nació Granollers".

O governo espanhol confirmou que 45 pessoas com sobrenome espanhol estavam dentro do avião. 

AcidenteO avião do Voo 4U9525 perdeu altitude por oito minutos até a colisão, informou o porta-voz da Germanwings, Thomas Winkelmann, em coletiva de imprensa.

O voo da empresa Germanwings, bandeira de baixo custo da Lufthansa, decolou de Barcelona, às 8h35, e deveria ter pousado em Dusseldorf, na Alemanha, por volta das 11h (hora local). No entanto, a torre de controle francesa perdeu contato com a aeronave às 10h53, segundo o jornal francês Le Figaro.

Os dados recolhidos por uma série de radares amadores no site Flightradar.fr mostram que após a decolagem o avião voou sobre o mar Mediterrâneo até atingir a altitude de mais de 30 mil pés. 

A área da queda fica localizada a cerca de 900 metros do maciço "Trois Evechés". Um grupo de ao menos 240 pessoas - entre bombeiros e policiais - estão no local para ajudar nas buscas.

 http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-03-24/caixa-preta-de-aviao-que-ia-a-alemanha-e-encontrada-nos-alpes-franceses.html

segunda-feira, 23 de março de 2015

Discurso de ódio não é liberdade de expressão, diz defensora que venceu ação contra Fidelix

 Em 2014, o então candidato relacionou homossexuais à pedofilia.

Era fim de setembro de 2014, quando os então candidatos à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB) e Luciana Genro (PSOL) começaram a debater a homossexualidade, na TV Record. De forma irônica, o candidato relacionou homossexuais à pedofilia, afirmou que nunca havia visto procriação entre pessoas do mesmo sexo e que preferiria perder votos a apoiar gays. Cerca de seis meses após o debate, Fidelix foi condenado pela Justiça de São Paulo, por causa das declarações homofóbicas.

"A liberdade de expressão tem, sim, limites", afirma a coordenadora do Núcleo de combate à discriminação, ao racismo e ao preconceito da Defensoria Pública de São Paulo, Vanessa Vieira. "Todo esse discurso homofóbico, transfóbico, discriminatório gera danos reais à sociedade. Nós vimos no ano passado, nesse ano, vemos sempre, pessoas sendo agredidas, assassinadas em virtude da sua orientação sexual ou da sua identidade de gênero".Após o episódio, a Defensoria Pública paulista ajuizou uma ação civil pública contra Fidelix. O resultado saiu nesta semana. O político foi condenado pela Justiça de São Paulo em 1ª instância a pagar R$ 1 milhão para ações de promoção de igualdade da população LGBT. Cabe recurso.

Durante sua fala, Levy chegou a defender um enfrentamento a "essas minorias": "Vamos ter coragem, somos maioria, vamos enfrentar essas minorias". "Instrua seu filho, instrua seu neto", pediu o candidato ao público. Ele disse ainda que "Aparelho excretor não reproduz", causando indignação em alguns integrantes da plateia.
A reação saiu do debate televisivo e chegou aos telefones da Defensoria Pública de São Paulo e do Disque 100, o Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, do governo federal. Em Brasília, foram registradas 3 mil denúncias e, na capital paulista, 5 mil.

Nesta entrevista, a defensora pública fala sobre a ação contra Levy Fidelix e afirma que 'discurso de ódio não é liberdade de expressão'. Ela avalia ainda o Estatuto da Família, projeto da Câmara que define como família o núcleo formado apenas pela união entre homem e mulher.
"Esse projeto é um absurdo retrocesso", atesta. "Ultimamente parece que a gente está regredindo."
ESTADÃO:
O que essa vitória representa para o movimento LGBT?

DEFENSORA PÚBLICA VANESSA VIEIRA:
Vencer essa ação civil pública, mesmo que na 1ª instância, é uma grande vitória para a Defensoria e para o movimento LGBT, porque afirma que as pessoas não estão livres para falarem discursos de ódio. Delimitou bem os limites da liberdade de expressão. Assim que a gente ajuizou a ação, na época em que o Levy Fidelix proferiu esses termos, isso foi muito discutido na sociedade, que o que ele tinha falado se baseava na liberdade de expressão. Nós não negamos que, de fato, a liberdade de expressão é um direito fundamental e que deve sim ser respeitado. Mas nós entendemos que depois que esse discurso é proferido, cabe sim uma reparação no caso daquele discurso ter incidido no discurso de ódio e ter ocasionado algum dano moral. Ficou muito claro na sentença da juíza. A gente espera que essa decisão prevaleça no Tribunal, no Supremo Tribunal Federal, para que seja mantido esse entendimento que discurso de ódio não é liberdade de expressão. A manifestação do pensamento das pessoas tem limites, sim.
ESTADÃO:
Como ensinar a diferença entre liberdade de expressão e incitação ao ódio?
 A diferença entre as duas coisas nem sempre é fácil de fazer. Muitas vezes, discurso de ódio está travestido de liberdade de expressão, de liberdade religiosa. O critério que a gente procura utilizar é que discurso de ódio é aquele que de fato incita a violência, a discriminação, coloca que aquele grupo social merece menos respeito, menos direitos que outros grupos. Muitas vezes, as pessoas falam coisas discriminatórias, preconceituosas, sob o manto da liberdade de expressão e da liberdade religiosa.
ESTADÃO:
Qual foi a estratégia usada para chegar à condenação?
VANESSA:
Nós entendemos que não foram apenas as pessoas que denunciaram ou as pessoas que de algum forma reclamaram para a gente as prejudicadas e lesadas, mas toda a população LGBT. Nós baseamos nossa ação no argumento de que a liberdade de expressão tem, sim, limites e afirmamos para a juíza que todo esse discurso homofóbico, transfóbico, discriminatório gera danos reais à sociedade. Nós vimos o ano passado, nesse ano, vemos sempre, pessoas sendo agredidas, assassinadas em virtude da sua orientação sexual ou da sua identidade de gênero. Muitas vezes pessoas heterossexuais são assassinadas por serem confundidas com homossexuais. Juntamos, na ação, recortes de jornal de mortes e agressões em virtude da orientação sexual e da identidade de gênero.
ESTADÃO:
O valor de R$ 1 milhão foi baseado em quê?
VANESSA:
Entendemos que esse valor é aquém do dano causado. Esse discurso de ódio foi proferido na televisão, com ampla audiência, no meio de um debate político e a juíza acatou um dos nossos argumentos que foi no sentido de que se essas questões estão sendo discutidas em um debate eleitoral, entre candidatos à presidência da república e algo desse tipo é dito, dá a impressão que aquela opinião, que aquela discriminação é algo tolerável, que é algo aceitável na sociedade. O que de fato não é. A juíza alegou na sentença que esse tema sobre orientação sexual, identidade de gênero são temas que devem ser discutidos sim na sociedade, que devem ser debatidos. Mas há uma diferença muito grande entre o debate dessas questões e você desrespeitar o outro, agredir, incitar, dizer que o outro tem que ser perseguido, tratado bem longe da gente, como foi dito pelo Levy Fidelix. A gente respeita a liberdade de expressão. Em outros casos, envolvendo políticos, já foram proferidos discursos dizendo que ser homossexual é pecado. Em respeito à liberdade religiosa, nós não ingressamos com nenhuma medida. No entanto, na situação do Levy Fidelix, mais do que expressar sua opinião e suas ideias religiosas, ele afirmou que a população LGBT deveria ser enfrentada. Ser enfrentada pode ser intepretada de várias formas. Mas provavelmente quem assistiu ao debate pode ter interpretado como agredir, discriminar, desrespeitar. Comparou à homossexualidade à pedofilia, afirmou que as pessoas homossexuais têm que ser tratadas bem longe da gente. Tudo isso significa um desrespeito à dignidade da pessoa, da população LGBT. Nós tivemos denúncias, inclusive, da população heterossexual, que se sentiu agredida, no sentido que ele não respeitou a diversidade na sociedade.
ESTADÃO:
Dizer que homossexualidade é pecado não seria discriminatório?
VANESSA:
Isso acaba sendo difícil de caracterizar. É uma discriminação e gera várias situações na sociedade, de violência, de discriminação até mesmo na família. Mas no âmbito do Judiciário, às vezes fica difícil você comprovar que aquilo ultrapassou a liberdade de expressão, a liberdade religiosa.
ESTADÃO:
Mover ação contra político é mais difícil?
VANESSA:
Independentemente da pessoa, se é político ou não, o mais difícil é identificar esse limite do que é uma mera opinião, uma mera concepção religiosa, ideológica, do que é um discurso de ódio. A gente procura analisar os casos de forma cautelosa, para também não desrespeitar a liberdade de expressão.
ESTADÃO:
O que você acha da criminalização da homofobia?
VANESSA:
Hoje, as pessoas investem bastante no Direito Penal. Eu acredito que o Direito Penal não é a solução para todos os problemas. O fato de ele ter sido condenado a uma indenização tão alta talvez tenha tido um efeito maior que o direito penal. Mas nós sabemos que a sociedade reivindica o Direito penal, ele tem uma função simbólica, de mostrar que aquelas condutas não são permitidas, toleradas. Acho que o Direito Penal só deve ser usado nos casos mais graves.
ESTADÃO:
Em um assassinato, por exemplo.
VANESSA:
Exatamente, numa situação mais grave. O principal é que o governo invista em políticas públicas, para que crie uma sociedade menos preconceituosa, menos discriminatória, principalmente, invista na educação, na sensibilização de crianças e adolescentes, para que a sociedade forme pessoas diferentes.
ESTADÃO:
Qual é a maior dificuldade que se tem na luta contra o preconceito? Por que ainda há tanta discriminação?
VANESSA:
As pessoas têm suas ideias pré-concebidas, seus preconceitos e muitas vezes é difícil você desconstruir esse preconceito. Não é um trabalho fácil. Você precisa muitas vezes de uma educação muito completa, que a pessoa se depare com essas questões, se sensibilize, para que haja uma mudança. O mais difícil é isso a resistência das pessoas a quebrar seus preconceitos. Olhar para si, para os outros, verificar que existem diferenças na sociedade e tudo bem.
ESTADÃO:
Em quais casos a Defensoria é mais acionada?
VANESSA:
Nós somos muito acionados em casos familiares, de pais, parentes que discriminam filhos gays. Muitas vezes expulsa o filho de casa, não dá a devida atenção, discrimina, xinga, maltrata e até agride.
ESTADÃO:
Como você vê o chamado Estatuto da Família, projeto da Câmara que define como família o núcleo formado apenas pela união entre homem e mulher?
VANESSA:
Esse projeto é um absurdo retrocesso. O STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu que é possível a união estável homoafetiva. Hoje a tendência do direito é reconhecer várias formas de família, não só aquelas tradicionais, com pai, mãe e filho. Existem várias formas de organização familiar. Você querer impor, por concepções religiosas, a sua forma de ver as famílias, isso é muito antidemocrático, totalmente inconstitucional, vai contra a dignidade da pessoa humana, contra o respeito à diversidade, previsto na Constituição, a igualdade de todos. Fico muito surpresa de ver tantos avanços em países próximos, como a Argentina, e aqui no Brasil a gente ter um Parlamento que ao invés de avançar nos direitos, está retrocedendo.
ESTADÃO:
Acha que o Brasil está progredindo, a sociedade está se tornando menos machista, menos discriminatória e preconceituosa?
VANESSA:
Ultimamente parece que a gente está regredindo. Até mesmo contra a população negra, parece que com a vinda do crime de racismo, tinha dado uma amenizada, as pessoas não falavam mais coisas racistas e preconceituosas, mas isso parece que está retrocedendo. A gente vê as pessoas falando coisas discriminatórias de forma aberta, sem nenhum pudor. A gente precisa trabalhar cada vez mais no enfrentamento dessas questões.

 http://www.msn.com/pt-br

Datafolha: Para 84% dos brasileiros, Dilma sabia de corrupção na Petrobras

Pesquisa foi divulgada neste domingo (22); entre eleitores de Aécio Neves, o percentual sobe para 94%

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha e que foi publicada neste domingo mostrou que 84% dos brasileiros acreditam que a presidente Dilma Rousseff sabia sobre a corrupção na Petrobras.

A pesquisa mostrou que 61% dos brasileiros acreditam que Dilma sabia sobre a corrupção na Petrobras e deixou que ocorresse; 23% consideram que a presidente era consciente, mas não podia fazer nada para evitá-la; 10% disseram que a governante "não sabia", enquanto 6% não souberam responder.

Do grupo de entrevistados que declarou ter votado em Dilma no segundo turno das eleições de outubro, 74% ressaltaram que a presidente sabia sobre o esquema de corrupção, enquanto essa porcentagem chega a 94% entre os que votaram em Aécio (PSDB)

Questionados sobre uma eventual privatização da companhia petrolífera, 61% dos entrevistados se posicionaram contra, 24% defenderam sua venda, 5% se mostraram indiferentes e 10% não souberam responder.

O Instituto Datafolha entrevistou 2.842 eleitores na segunda-feira e na terça-feira, depois das manifestações que levaram milhares às ruas no domingo.
 
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2015-03-22/para-84-dos-brasileiros-dilma-sabia-de-corrupcao-na-petrobras-diz-datafolha.html

Morador de rua proibido de circular no campus da UnB

Justiça decide afastar suspeito de atacar estudantes. Departamento havia suspendido aulas após ameaças



O morador de rua Renatinho, suspeito de agredir e assediar mulheres no campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte, está proibido de circular e permanecer na Universidade de Brasília (UnB). A Polícia Civil do Distrito Federal conseguiu medida cautelar na Justiça e, caso o homem descumpra a restrição, deve ser autuado em flagrante por desobediência. Para estudantes, há fraco policiamento no local, que não deve impedir a presença do acusado.

Há dois dias, o Jornal de Brasília mostrou que o Departamento de Artes Visuais da universidade precisou suspender as aulas depois que o suspeito, que passou a morar na UnB, agrediu duas mulheres no Instituto Central de Ciências Sul.

Tudo aconteceu no último dia 16, quando, após as 22h, ele abordou uma professora e uma estudante, de 22 anos, com as calças abaixadas na altura das pernas. Pouco depois, ele teria atacado outro grupo, com gritos e cuspidas. A previsão é de que  as aulas voltem ao normal amanhã.

Na última sexta, Renatinho estava detido no 2º Departamento de Polícia Civil, na Asa Norte, aguardando uma decisão da Justiça. Agora, segundo a PCDF, caso ele descumpra a medida restritiva, o juiz será informado e “poderá decretar sua prisão preventiva”. O crime é de menor potencial ofensivo e, por enquanto, o acusado segue em liberdade.

POLICIAMENTO 
A Polícia Civil informou que agentes estarão realizando diligências no local para verificar se Renatinho continua a frequentar as dependências da UnB. De acordo com a PMDF, as equipes “continuarão fazendo o patrulhamento na área e, caso seja verificada a presença dele no campus, o mesmo será conduzido à delegacia pelo descumprimento da ordem”.

Para estudantes, a medida da Justiça é falha. Garantem que não haverá policiamento suficiente para que o homem seja mantido fora da UnB. Amanda de Souza, de 19 anos, é estudante de Administração e diz que quase não vê seguranças ou policiais protegendo a universidade. “O campus está extremamente perigoso, a gente sempre reclama da questão da segurança. Com a decisão, essa sensação de medo vai diminuir. Mas duvido que tenha um controle”, acredita.

Para ela, o acusado vai voltar. A opinião é compartilhada por Isabela Braga, aluna de Ciências Biológicas, 19. “Não acho que tenha como garantir que ele não entre nas dependências da UnB. É claro que dá um pouco de alívio saber que ele está impedido, mas não tem como relaxar”, opina.

Histórico de ataques e memorando
 Velho conhecido dos estudantes, professores e frequentadores da Universidade de Brasília, o primeiro registro de reclamação a respeito de Renatinho é de 2013, quando um professor foi agredido e uma aluna e uma mulher foram atacadas, no estacionamento do campus. A primeira, com um pedaço de madeira, e a segunda, quando saía de uma academia.

Segundo relatos de testemunhas, o homem aguardava o momento em que as mulheres ficavam sozinhas para abordá-las. Quando saíam da sala de aula ou dos auditórios, se deparavam com o homem se masturbando nas escadas do campus. Ele teria agarrado e cuspido nas mulheres, além de agredir um professor do Departamento de Agronomia.

Com medo da reação do homem, alunas e funcionárias evitam andar sozinhas, e até mesmo sair das salas de aula, para não correrem o risco de se deparar com o agressor. Segundo os estudantes, um memorando relatando os casos acontecidos no campus foi enviado ao Decanato de Gestão de Pessoas da instituição de ensino. “É inadmissível que a gente não tenha segurança em um lugar como a UnB. Ele está sempre por perto, estamos sempre com medo”, afirmou uma estudante que preferiu não se identificar.

Rotina perigosa
Os estudantes da UnB reclamam da presença de moradores de rua como Renatinho (foto) no campus. Segundo eles, além de cometerem atentado ao pudor, essas pessoas também seriam responsáveis por assaltos. Apesar de serem presos com certa frequência, os estudantes dizem que os mesmos sempre retornam ao local.

Saiba mais
A reportagem não conseguiu contato com a Universidade de Brasília, para que comentasse o acontecimento e a decisão.

A PM diz contar com a colaboração da comunidade, de alunos e de funcionários da UnB para que denunciem caso o homem seja visto no campus.

A informação é de que, somente no início do semestre, quatro tentativas de estupro ocorreram dentro das dependências da instituição.

As mulheres teriam recebido recomendação, pelas redes sociais, de não andarem sozinhas no campus.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

 http://brasilia.ig.com.br/?url_layer=http://www.jornaldebrasilia.com.br/noticias/cidades/608543/atrativos-fazem-de-brasilia-um-bom-destino/

Pastor volta a atacar novela da Globo: "Destruição de valores"

Pastor Silas Malafaia voltou a criticar a novela "Babilônia" em seu Twitter: "É a reação da sociedade à destruição de valores que tem norteado a família"

O beijo entre Estela e Teresa foi suave e cheio de significado. Foto: Reprodução/TV Globo
Babilônia. Foto: Reprodução/TV Globo

 Neste domingo (22), o pastor Silas Malafaia voltou a atacar a nova novela da Globo, "Babilõnia", que estreou há uma semana. "A reação da sociedade à novela 'Babilônia' não é 'caça às bruxas' e, sim, contra a imoralidade pregada em uma hora em que adolescentes têm acesso", escreveu ele, no Twitter. "É a reação da sociedade à destruição de valores que têm norteado a família. Familias fortes, nação forte. Famílias detonadas, nação sem rumo", completou
Patrocinadora da imoralidade
Na semana passada, após a estreia, Silas promoveu um boicote à novela por exibir cenas de beijo entre as personagens Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg).

“Não tenho nenhuma dúvida que a Rede Globo é a maior patrocinadora da imoralidade e do homossexualismo no Brasil. Uma vergonha!”, escreveu o pastor no site Verdade Gospel. “O nome da novela – Babilônia – representa muito bem o que tem sido a Rede Globo, um instrumento de podridão moral. E espero, que como a antiga Babilônia, que eles se autodestruam.” Até o momento, a publicação já ultrapassou 41 mil compartilhamentos.

Caça às bruxas
Fernando Montenegro, em entrevista à "Veja", chamou o boicote de caça às bruxas e lamentou  “Não esperávamos essa reação. A situação toda do país está muito extremada, na discussão política e sobre comportamento”, espantou-se Fernanda na matéria. “Todos temos o direito de se posicionar. Não tiro o direito de ninguém. O problema é a radicalização desse pensar e no que ele pode se transformar. É caça às bruxas, de todos os lados.”
 
 
http://gente.ig.com.br/tvenovela/2015-03-22/pastor-volta-a-atacar-novela-da-globo-destruicao-de-valores.html

Fies: 'Não adianta entrar na faculdade em curso de baixa qualidade'

Para pesquisador da UFG, governo federal tem de cobrar qualidade dos cursos que financia pelo Fies e pelo Prouni

A rápida passagem do ex-ministro da Educação Cid Gomes foi marcada por problemas e polêmicas sobre o Fies (programa federal de financiamento estudantil). De um lado, o ministério criou novas regras para a obtenção de crédito, como o mínimo de 450 pontos no Enem, e a garantia de atendimento apenas para instituições com nota alta em avaliações do MEC. De outro, os problemas na comunicação e o atraso no calendário levaram estudantes a pagar matrícula e mensalidades sem saber das novas regras.

Governo Federal gastou mais com Fies na 1ª quinzena de 2015 que em 2010
 Na última semana, a presidente Dilma Rousseff chegou a admitir que o governo errou com o Fies e, por isso, precisou mudá-lo. Para João Ferreira de Oliveira, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, o governo tem dificuldades em melhorar os critérios de qualidade do programa por pressão do ensino privado.
 
 
Do ponto de vista dos estudantes, o coordenador do grupo de pesquisas sobre Expansão do Ensino Superior e Produção do Conhecimento diz que "não adianta entrar no setor privado em um curso de baixa qualidade. A pessoa porque é pobre tem que fazer um curso ruim?".

Confira abaixo a entrevista:
iG: Na última década, o governo federal tem feito um esforço para aumentar o número de alunos no ensino superior, com o Reuni (programa de expansão das federais), o ProUni (de bolsas no ensino privado)  e o Fies (de financiamento estudantil). Como o senhor vê a articulação desses programas? 
Acho que o grande debate é a questão do público e do privado, de como usar o recurso público para expandir o ensino público e o privado. A questão de fundo é se o Estado deve usar sua renda para expandir [a rede privada] ou só sua rede federal. O que a gente tem visto do governo Lula para cá é uma forte expansão da rede privada, mas também houve grande expansão de educação pública. 

O sistema, no entanto, mantêm os patamares de matrículas de 75% do ensino superior no setor privado e 25% no setor público que vinham do governo do Fernando Henrique Cardoso. Muitas dessas matrículas no setor privado têm se mantido com dinheiro do ProUni e do Fies. Estatísticas mostram que 40% das matrículas do setor privada são mantidas dessa maneira.

Estamos vivendo uma situação que é bastante complexa porque, como o governo ampliou enormemente os recursos para o financiamento em instituições privadas, ele agora está sofrendo as pressões do próprio setor privado quando tenta aperfeiçoar as regras. E ainda temos uma meta de duplicar as matrículas do ensino superior até 2024.

O fortalecimento do Fies e do Prouni foi feito sob o discurso de usar as vagas ociosas da rede privada para ampliar de maneira mais rápida a inclusão no ensino superior. O Brasil é o segundo país da América Latina com o ensino superior mais privatizado, só atrás do Chile. Outros países fizeram a expansão pelo setor público. Então, é uma balela dizer que para expandir a educação superior você tem de fazê-lo pela via do privado. O privado tem de seguir as leis de mercado e não depender de financiamento público para se manter. 

O discurso do Ministério da Educação, desde outros governos, é que expandir as vagas nas universidades federais é mais caro porque você tem uma outra lógica, de ter professor doutor, de ter geração de conhecimento, de ter pesquisa e ensino. No ensino privado, as instituições são mais focadas no ensino, seja presencial seja a distância.

No privado, o que temos visto é que essa expansão tem se baseado no professor contratado por hora-aula, basicamente focado no ensino de graduação, com mestrados e doutorado aqui e ali. O ensino mercantil se expandiu muito mais que o ensino privado sem fins lucrativos, como o das confessionais [PUC, Mackenzie], que ainda têm mestrados e doutorados e professores que fazem pesquisa.

Em dezembro, o ministério anunciou a adoção da pontuação no Enem como critério para seleção do Fies (450 pontos como mínimo). Era necessária essa alteração?
São duas coisas, uma é a nota que se pede do aluno no Enem e a outra é a nota exigida das instituições. Se há menos recursos ou se quer elevar a qualidade, pode-se exigir mais qualidade pelas avaliações [que vão de 1 a 5].
Um aluno com notas baixíssimas entrando em um curso de nota 3 agrega algum valor à sua formação? Se o foco é desenvolver habilidades e competências, um curso de baixo prestígio social vai agregar valor a essa formação? O outro aspecto é que nós não temos recursos para ficar gastando com cursos de baixa qualidade. Já que vai manter o sistema de financiamento a instituições privadas, que esse financiamento seja feito em instituições de qualidade.
Até o ano passado, o governo federal distribuía crédito estudantil para vagas em instituições que tivessem notas acima de 3 na avaliação do MEC. Este ano, o ministério afirmou que garante apenas o atendimento pleno para cursos nota 5, mas não disse como serão os critérios para cursos 3 ou 4. Essa mudança é suficiente?
Acho que tem de elevar os critérios. As notas vão de 1 a 5, em geral as instituições privadas trabalham com nota 3. A maioria dos alunos têm acesso ao ProUni e ao Fies em instituições que têm a nota mínima. Exigir a nota 4 da instituição seria exigir um patamar que puxa a qualidade para cima. E no Enem, tem de exigir uma pontuação que seja razoável até para o acompanhamento do curso.
O corte por nota não tira do sistema exatamente os alunos de baixa renda, que vêm da escola pública?
As instituições privadas dizem que estão fazendo a inclusão social. Hoje existe um sistema de cotas nas univesidades federais que separa ao menos 50% das vagas [até 2016] das federais para estudantes de escola pública. No Brasil, 88% das matrículas do ensino médio estão nas instituições públicas. O sistema de inclusão, mesmo nas públicas e mesmo com as cotas, é ainda injusto do ponto de vista das matrículas no ensino médio.
Essa inclusão precisa ser feita, sobretudo nas públicas. É evidente que o sistema de ensino superior no País ainda é considerado de elite porque você tem 15% dos jovens que conseguem entrar nele. Mas estão entrando mais alunos de baixa renda e, claro, não dá para negar que muita gente está entrando nas escolas privadas. Mas não adianta entrar no setor privado em um curso de baixa qualidade que não agrega valor nenhum. A pessoa porque é pobre tem de fazer um curso ruim?
O que defendo é que de fato haja uma inclusão social, que pessoas de escola pública com baixa renda também possam frequentar cursos de prestígio, como medicina e engenharia, e de qualidade. Uma ideia interessante: por que não ter cotas em cursos de prestígio social no ensino privado? 
Em 2010, tínhamos 4,7 milhões de alunos no ensino superior privado. Em 2013, o número era de 5,4 milhões. Se são 40% de alunos dentro dos programas de bolsa ou de crédito do governo federal, o crescimento não deveria ser da mesma ordem?
As matrículas estão crescendo. Agora, não dá para olhar para o número de vagas e de matrículas sem olhar para o cenário. As pessoas levam em conta se o curso tem prestígio, se vai agregar valor para o mercado de trabalho e também levam em conta a própria trajétoria escolar.

Há uma demanda muito grande por vagas de cursos de medicina, que às vezes têm cem candidatos por vaga. Um curso de licenciatura, mesmo em federais, às vezes não chega a ter um candidato por vaga. Estamos tendo um apagão nas licenciaturas porque é uma profissão pouco atraente. Precisamos desesperadamente formar gente em licenciatura em biologia, física, e não temos alunos interessados. A expansão não se faz sem planejamento estratégico. 

O curso de direito, por exemplo, você tem um grande número de alunos que fazem o curso e ficam anos e anos tentando passar no exame da OAB, às vezes nunca vão passar. Isso é uma tragédia.

O que é preciso fazer para que aumentemos o número de alunos no ensino superior e alcancemos a meta de 33% de alunos de 18 a 24 anos em 2024?
Se não houver uma estratégia forte com frente de expansão pública – seja no bacharelado seja na licenciatura seja tecnólogo –, dificilmente vamos alcançar a meta do PNE [Plano Nacional de Educação]. Acho que também vale a expansão via educação a distância em universidades públicas. E isso vai requerer do governo um outro Reuni, que não parece possível nesse cenário econômico. No patamar de crescimento que temos, não vamos chegar lá. Não para graduação.

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2015-03-23/fies-nao-adianta-entrar-na-faculdade-em-curso-de-baixa-qualidade.html

Nova ofensiva da Lava Jato mira uso de partidos para lavar propina

Nova fase da operação que investiga desvios na Petrobras deve analisar a participação dos partidos políticos no esquema

Suíça bloqueia R$ 1,3 bilhão de contas de investigados na Lava JatoO Ministério Público planeja investigar, em inquérito separado, numa nova fase da Operação Lava Jato, o suposto uso dos partidos políticos da base do governo no planejamento do esquema de arrecadação de propinas na Petrobras entre 2004 e 2012. 

A pista foi dada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nos despachos em que pede a abertura de inquéritos contra parlamentares ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os partidos visados pelas investigações são o PP, PT e PMDB. 

“(...) cumpre registrar que foi também requerida a instauração de inquérito próprio, para apurar (...) o denominado núcleo político do esquema criminoso perpetrado junto à PETROBRAS. (...) Assim, o processo sistêmico de distribuição de recursos ilícitos a agentes políticos, notadamente com utilização de agremiações partidárias, no âmbito do esquema criminoso perpetrado junto à PETROBRAS, será objeto de investigação apartada”, escreve o procurador.

Os despachos informando Zavascki estão relacionados a parlamentares com notória liderança junto aos principais partidos que dominaram o esquema montado para desviar recursos da Petrobras – 21 do PP, 7 do PMDB, 6 do PT. PSDB e PTB têm um parlamentar cada, mas são citados lateralmente no esquema.

Segundo os investigadores da Lava Jato, o esquema de corrupção na estatal foi organizado a partir do chamado núcleo político, formado por parlamentares que usavam os partidos para indicar os dirigentes da estatal comprometidos com os demais segmentos da organização.

Na sequência eram então organizados os núcleos econômico, representado pelas empresas cartelizadas; o administrativo, integrado por funcionários de alto escalão da Petrobras; e, finalmente, o financeiro, operado por personagens como o doleiro Alberto Youssef, responsável pela distribuição e lavagem da propina.

Janot descreve “a comunhão de esforços e interesses” entre empreiteiras e políticos, afirma que o esquema funcionou ao longo dos oito anos “de maneira periódica e ordinária”, mas também de forma “episódica e extraordinária” em épocas eleitorais, onde indica as suspeitas que podem pegar os partidos: “doações ‘oficiais’, devidamente declaradas, pelas construtoras ou empresas coligadas, diretamente para os políticos ou para o diretório nacional ou estadual do partido respectivo, as quais, em verdade, consistiam em propinas pagas e disfarçadas do seu real propósito”.

Organização complexa 
O organograma do grupo montado pela força tarefa da Lava Jato tem como base os depoimentos prestados nos acordos de delação premiada por Youssef e pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, o homem que operou o esquema do início ao fim e conhecia por dentro os segredos do esquema que o MPF define como “organização criminosa complexa”.

Os investigadores não chegariam aos políticos sem as revelações de Costa, que apontou nomes e explicou em detalhes a estrutura de corrupção implantada na estatal pelos partidos e pelo cartel de empreiteiras – um aprendizado que pode ser útil para esclarecer esquemas que podem ter funcionado em outras estatais federais.

O precursor, segundo Costa, foi o ex-deputado José Janene (PP-PR), falecido em 2010, que se apoderou da diretoria de Abastecimento da estatal um ano anos de vir à tona o escândalo do mensalão, do qual ele era, também, um dos mentores. Depois de indicar e bancar Costa, o PP abriu o esquema para a participação do PT e do PMDB, que passariam a controlar, respectivamente, a diretorias de Serviços e Internacional. Outros dois partidos citados, PTB e PSDB, pegaram apenas uma rebarba do esquema.

Acusado de receber R$ 1 milhão – cujo motivo e destino Costa ignora – e pedir outros R$ 2 milhões para a campanha da ex-governadora Roseana Sarney ao governo do Maranhão, em 2010, o senador e ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, é apontado como figura chave nos desvios da Petrobras.
 
Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo Lima

Antes de aparecer na lista de Janot, Renan Calheiros disse que não conhecia Youssef ou envolvidos na Lava Jato. Foto: Câmara dos Deputados/Gustavo Lima

Segundo Janot, a propina supostamente recebida por Lobão tem relação direta com o cargo que ocupava como ministro, com a condição de senador licenciado e pelo papel que exercia como um dos líderes do PMDB. Ele era responsável inclusive pela “manutenção de Paulo Roberto Costa como diretor de Abastecimento”. Mas não é só ele. Outros expoentes do partido, como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL) e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), também são alvos da investigação pelo suposto uso do partido.

O senador Lobão é apontado também por um executivo da empreiteira Camargo Corrêa, Dalton Avancini, como beneficiário de uma propina de R$ 10 milhões relacionado a construção da usina de Belo Monte, no Pará, e de obras da usina atômica Angra 3, no Rio de Janeiro.

Mãos Limpas 
O desembargador aposentado Walter Fanganiello Maierovitch, especialista no assunto, diz que, caso sejam confirmados os indícios de ligação entre doações eleitorais e origem ilícita dos recursos, o país estará diante de uma das formas mais criativas de lavagem de dinheiro. Segundo ele, o MPF quer investigar a extensão dos crimes junto aos partidos, o que, se comprovado, pode provocar abalo no sistema eleitoral nunca visto na história republicana. No caso do mensalão, lembra, o delator Roberto Jefferson assumiu a culpa para livrar o partido, embora nunca tenha apontado o destino de parte do dinheiro desviado dos Correios.

“Há semelhança entre o que está sendo investigado no Brasil e o que houve na Itália com a Operação Mãos Limpas. Lá, quando se provou que o sistema político estava corrompido, para evitar uma decisão judicial, os partidos se extinguiram”, lembra o juiz. No Brasil, diz ele, pelos acordos de delação e de leniência, é provável é que os nomes e siglas pelos quais são conhecidos hoje partidos e empreiteiras sejam trocadas. Maierovitch acha que partidos podem aproveitar a reforma política em curso para se refundar.

O outro lado 
Logo depois que a lista de Janot foi divulgada, o senador Edison Lobão se defendeu da tribuna do Senado, negando as acusações e garantindo que as investigações provarão que é inocente. Disse que seu nome foi incluído na lista e que não conhece o doleiro Youssef.

Ouvidos pelo iG por meio de suas assessorias, PP, PT e PMDB negam que os partidos tenham se envolvido com o recebimento de propina. O PP, que tem o maior número de parlamentares sob investigação, entre eles, o presidente do partido, o senador Ciro Nogueira (PI), afirma que “não compactua com atos ilícitos e está a disposição da justiça para auxiliar nas investigações. O partido confia na apuração da Justiça para que a verdade prevaleça nas investigações da Operação Lava Jato”.

O presidente do PMDB, o vice-presidente da República, Michel Temer, informou que o partido jamais autorizou ou permitiu qualquer intermediário usar o nome da legenda e que doações ao partido foram devidamente declaradas. O PT reiterou o que tem afirmado: o partido só recebe doações legais e declaradas.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2015-03-23/nova-ofensiva-da-lava-jato-mira-uso-de-partidos-para-lavar-propina.html

terça-feira, 17 de março de 2015

Reação homofóbica de pai ao saber que filho é gay movimenta redes sociais

Pai disse que filho é motivo de "vergonha e constrangimento" e que a situação é "pior que a morte". O jovem postou essa conversa nas redes sociais

Tyler mantém público seu relacionamento homossexual
Tyler, 15, de Vancouver, no Canadá, não recebeu uma reação positiva de seu pai quando decidiu contar à família que é gay. Em conversa por rede social, o pai de Tyler diz: "Nós cuidamos de você desde que você é um bebê. Nós amamos você e cuidamos de você quando você estava doente. Perdemos dias e noites com você em todos os seus quinze anos. Agora é isso o que nós ganhamos em
Tyler mantém público seu relacionamento homossexual
Na mesma conversa, o pai de Tyler fala sobre religião ao filho, aconselhando que fique longe do "mal" da homossexualidade. "Se você simplesmente não rejeitasse Deus e seus ensinamentos na sua vida, você poderia ter sido forte o suficiente para ficar longe do mal à sua volta", diz.

Tyler decidiu divulgar a reação homofóbica de seu pai na internet. Fez um print da conversa e compartilhou com amigos. Rapidamente, começaram os comentários sobre a reação do pai do adolescente.
Tyler recebeu dezenas de mensagens de apoio de diversas partes do mundo. Ele também virou notícia no Daily Mail e em outros portais de notícias internacionais.

Veja alguns dos comentários que Tyler recebeu:
A reação homofóbica do pai motivou uma série de mensagens a Tyler nas redes sociais. Foto: Reprodução/Twitter
A reação homofóbica do pai motivou uma série de mensagens a Tyler nas redes sociais. Foto:

O pai não gostou da divulgação e respondeu ao filho, na mesma conversa pela internet: "Tire seu post da rede social. Você me envergonha ante todas as pessoas que eu conheço (...) As pessoas vão me ridicularizar, me insultar. Você está tentando me arruinar. Isso é pior que a morte".

Esse comentário foi seguido de alguns palavrões do pai ao filho. Tyler também fez um print com essa parte da conversa e postou nas redes sociais. Até mesmo pessoas que não conheciam o jovem postaram mensagens de apoio pelo Twitter.

IG

Dilma admite que governo federal cometeu erros no Fies

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff reconheceu nesta segunda-feira, 26, que o governo cometeu um erro no Programa de Financiamneto Estudantil (Fies). De acordo com ela, o equívoco foi ter passado às instituições privadas o controle das matrículas dos estudantes.

"(Nós) fizemos um erro. O governo cometeu um erro e passou para o setor privado o controle dos cursos (do Fies). Não fizemos isso com o ProUni e não fazemos isso com o Enem nem com ninguém", declarou Dilma, em coletiva de imprensa após cerimônia de sanção do Novo Código do Processo Civil (CPC). "Em vez de você (o governo) controlar as matrículas, quem controlava as matrículas era o setor privado. E este é um erro que cometemos. Detectamos, voltamos atrás e estamos ajustando o programa."

No final do ano passado, o governo publicou uma portaria com mudanças regras de acesso ao fundo, que custeia bolsas com faculdades privadas. As modificações dificultam o acesso de estudantes ao crédito estudantil. 

Passa a haver, por exemplo, a exigência de uma nota mínima para os futuros candidatos ao Fies, assim como ocorre com os demais sistemas. O estudante precisará ter feito pelo menos 450 pontos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para poder tentar uma das vagas do programa.

De acordo com Dilma, as matrículas antes eram feitas diretamente com as instituições. "Agora vai ter de passar pelo governo. Não aceitamos mais que uma pessoa que tirava zero em português tenha direito à bolsa. Vai ter de ter uma (nota) mínima."

 http://www.msn.com/pt-br/noticias/educacao/dilma-admite-que-governo-federal-cometeu-erros-no-fies/ar-AA9QCbF

segunda-feira, 16 de março de 2015

Qual é a saída para Dilma? analistas e políticos listam três áreas de atuação


(Reuters): Pressionada pela oposição, por aliados hostis e pelas críticas vindas ruas, a presidente passa pelo pior momento desde que chegou ao Planalto   Pressionada pela oposição, por aliados hostis e pelas críticas vindas ruas, a presidente passa pelo pior momento desde que chegou ao Planalto
Acuada pela oposição, por aliados hostis e pelas críticas vindas das ruas ─ inclusive de seus próprios eleitores ─ a presidente Dilma Rousseff enfrenta a maior crise desde que chegou ao Planalto, há pouco mais de quatro anos: tem diante de si a árdua tarefa de superar o isolamento e restaurar a confiança da população em meio a um escândalo de corrupção de grande monta, uma economia fragilizada e ânimos cada vez mais polarizados.

Segundo estimativas, cerca de 2 milhões de pessoas estiveram nas ruas de várias cidades brasileiras para externar sua insatisfação com as políticas do governo, pressionando ainda mais a presidente que deverá se empenhar em encontrar uma solução para a crise.

A BBC ouviu lideranças sociais, cientistas políticos e parlamentares para entender como a petista pode vencer a prova de fogo por que passa seu governo e assegurar a governabilidade de seu segundo mandato, principalmente após os protestos, a grande maioria a favor de seu impeachment, no último domingo (15).

Segundo eles, a solução passaria por um tripé que inclui recuperar a confiança do seu eleitorado, ampliar o diálogo com a base aliada e retomar o crescimento da economia ─ este último pilar, acreditam, não erradicaria, mas atenuaria as fortes críticas que vem recebendo, sobretudo, de opositores.

"Dilma montou uma "cilada" para si mesma durante a eleição, ao prometer que não mexeria em algumas das conquistas socioeconômicas ocorridas nos últimos anos. Agora, mudou o discurso e tem dificuldade de explicar o ajuste fiscal que, invariavelmente, se viu obrigada a executar, especialmente, para os seus eleitores", afirmou à BBC Carlos Melo, cientista político e professor-adjunto do Insper.

Na última sexta-feira (13), protestos convocados por entidades ligadas a movimentos sociais, como CUT (Central Única dos Trabalhadores), MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e UNE (União Nacional dos Estudantes), tomaram as principais cidades do país para defender "os direitos trabalhistas, a Petrobras, a democracia e a reforma política".

Apesar de ter sido chamado nos bastidores de "Blinda Dilma", pelas manifestações de apoio à presidente e por ter ocorrido dois dias antes dos protestos de domingo, o ato não foi "nem a favor nem contra o governo", afirmaram lideranças à BBC.

"Queremos registrar nossa insatisfação com o rumo que o governo está tomando. Achamos que é necessário fazer ajustes fiscais, mas sem mexer no direito dos trabalhadores. A presidente pedir paciência não resolve o nosso problema. A saída é o diálogo. Não vamos pagar com nosso emprego essa crise que a presidente diz que existe. Ela tem um compromisso assumido conosco durante as eleições", disse à BBC Adi dos Santos Lima, presidente da CUT-SP, que defende a retirada das MPs (Medidas Provisórias) 664 e 665 que alteraram as regras de acesso a benefícios sociais, como seguro-desemprego, auxílio-doença, pensão por morte, entre outros.

Para a UNE, o protesto de sexta-feira foi uma forma de "pressionar o governo" para rever algumas das medidas tomadas recentemente.

"Nós fomos às ruas e conquistamos essa vitória. Agora seguimos em frente por mais direitos para garantir os 10% do PIB para a educação e para aprovar uma reforma universitária democrática no nosso país", afirmou a presidente da UNE, Vic Barros, após a manifestação.

Segundo Ricardo Ismael, cientista político da PUC-Rio, Dilma precisa "urgentemente" reconhecer que "errou", mas ainda tem dificuldades sobre qual estratégia de comunicação adotar junto à opinião pública.

"A presidente Dilma não conseguiu explicar por que mudou o discurso de campanha nem por que a população deve se submeter a tantos sacrifícios. A insatisfação popular não é pelo terceiro turno; ela é objetiva: o governo está tomando medidas impopulares e não resta dúvida de que isso gera uma reação negativa da população", disse ele à BBC.

http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/qual-%C3%A9-a-sa%C3%ADda-para-dilma-analistas-e-pol%C3%ADticos-listam-tr%C3%AAs-%C3%A1reas-de-atua%C3%A7%C3%A3o/ar-AA9P3Bg?li=AA9J22t

sábado, 14 de março de 2015

Médicos sul-africanos realizam primeiro transplante de pênis do mundo

Médicos da África do Sul realizaram com sucesso o primeiro transplante de pênis do mundo, em um jovem que teve seu órgão amputado após problema em um ritual de circuncisão, informou o hospital responsável nesta sexta-feira.

O transplante de nove horas de duração, que aconteceu em dezembro do ano passado, foi parte de um estudo piloto do hospital Tygerberg, na Cidade do Cabo, e da Universidade Stellenbosch para ajudar muitos homens que perdem seus pênis em rituais de circuncisão mal-feitos todos os anos.

"Esta é uma situação muito séria. Para um jovem de 18 ou 19 anos a perda do órgão pode ser profundamente traumática", disse em nota Andre van der Merew, chefe da unidade de urologia da universidade, que comandou a operação.

O jovem paciente teve recuperação total do órgão, disseram os médicos, adicionando que o procedimento eventualmente pode ser ampliado para homens que perderam o pênis por conta de câncer ou como última alternativa para problemas de disfunção erétil.

Achar um doador de órgão foi um dois maiores desafios para o estudo, disse a universidade em nota. O doador foi um falecido que doou seus órgãos para transplante.

Outros nove pacientes vão receber transplantes penianos como parte do estudo, de acordo com os médicos, mas ainda não está definido quando as operações vão acontecer.

 http://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia-e-tecnologia/m%C3%A9dicos-sul-africanos-realizam-primeiro-transplante-de-p%C3%AAnis-do-mundo/ar-AA9JkYJ