domingo, 13 de março de 2016

O bilhete que liga o doleiro a Dilma

Em manuscrito de Alberto Youssef o nome da presidente Dilma aparece próximo a valores. Documento foi entregue pela contadora do doleiro à PF em abril de 2014, às vésperas da campanha eleitoral, e que estranhamente se mantinha incógnito até agora

Sérgio Pardellas
No dia 29 de abril de 2014, quando começou a atuar como informante da Polícia Federal, a contadora de Alberto Youssef, Meire Poza, forneceu à Lava Jato uma série de documentos recolhidos por ela nos escritórios do doleiro. Um deles, se divulgado à época, poderia ter efeito devastador sobre a campanha à reeleição de Dilma Rousseff. Trata-se de um bilhete escrito de próprio punho pelo doleiro em que ele menciona a presidente. No alfarrábio, o nome de Dilma aparece próximo a valores.
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Guardado a sete chaves pela Lava Jato, o manuscrito de Alberto Youssef atravessou a campanha presidencial incógnito e assim permaneceu até agora. ISTOÉ teve acesso com exclusividade ao documento. Na atual circunstância política, – com a presidente cada vez mais isolada e impassível diante da crise e das denúncias envolvendo sua campanha, – a anotação do doleiro renova o seu potencial explosivo. O bilhete é a principal revelação do livro Assassinato de Reputações II – muito além da Lava Jato – de autoria do delegado Romeu Tuma Jr, previsto para ser lançado nesta semana.
 
É a primeira vez que surge uma prova ligando Dilma ao doleiro. No manuscrito, a referência à Dilma é o segundo item abaixo do registro “1.000.000 Bsb” (um milhão Brasília). Ao lado do nome da atual mandatária do País aparece o número 17, a palavra viagem e ao que tudo indica ser um horário “16:30”. No primeiro item, Youssef refere-se a um “novo embaixador”. Na sequência, ele sugere o desembolso de alguma quantia: “1.000 – Pagar 50”. Para a secretária do doleiro, profunda conhecedora dos submundos do Petrolão, uma das explicações para o apontamento de Youssef seria “algum pagamento que deveria ser feito à Dilma”. 
 
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De acordo com relato da contadora, ao receber o papel, em abril de 2014 na Superintendência da PF na Lapa, em São Paulo, o delegado Márcio Anselmo, da força-tarefa da Lava Jato, vibrou: “Que coisa maravilhosa”, teria dito, segundo testemunho dela que consta do livro Assassinato de Reputações II. Ao presenciar a cena, Meire pensou na hora: “Dilma estava no esquema”. Anselmo estava acompanhado do agente Rodrigo Prado. Tanto o manuscrito citando Dilma como os demais documentos entregues por Meire foram acondicionados no porta-malas de uma Range Rover Evoque, apreendida pela Lava Jato e agora a serviço da PF. 
 
No dia seguinte, o agente Prado enviou um email à contadora de Youssef: “Nossa conversa foi muito boa. Vamos mantendo contato por aqui”. Começava ali o trabalho de Meire Poza como uma espécie de agente infiltrada da PF. Ao longo de mais de um ano, até meados de setembro de 2015, a contadora municiou os policiais federais com uma série de informações relevantes. A maioria delas foi considerada pelos integrantes da Lava Jato na hora de produzir provas contra envolvidos no esquema de desvios na Petrobras. 
 
Os relatos se revelaram cruciais para a deflagração de operações que vieram a seguir. Estranhamente, o bilhete em que o doleiro menciona a presidente teve outro destino. Nunca foi incorporado às provas da Lava Jato. Além de não aparecer no e-Proc, sistema de consulta dos processos da força-tarefa, ISTOÉ apurou que o documento nunca foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) – caminho obrigatório e formal de qualquer indício ou prova envolvendo um presidente da República. “Esse manuscrito nunca apareceu por aqui”, assegurou na semana passada à reportagem de ISTOÉ um alto integrante da PGR que se debruçou sobre o material relativo ao doleiro Alberto Youssef. 
 
Para Romeu Tuma Jr, o episódio é um claro indicativo de que possa ter havido pressão do Planalto para abafar o caso. “É uma indicação forte de que houve uma tentativa de proteger Dilma”, afirmou Tuma Jr. à ISTOÉ. Hoje, no momento de maior fragilidade da presidente, desde a posse, em que as discussões sobre o impeachment ganham força e vigor, tanto a revelação do bilhete, escrito pelo doleiro, como as suspeitas de mais uma interferência do Planalto na Lava Jato contribuem para tornar a situação da petista ainda mais delicada. 
 
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Internação do doleiro na véspera do 2º turno chegou a ser tratada como atentado.
Não foi, mas a relação dele com a candidata poderia influir na eleição
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Na semana passada, ISTOÉ publicou com exclusividade trechos da delação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). As revelações do parlamentar sacudiram a República. Entre elas, a tentativa de ingerência de Dilma nas investigações da Lava Jato, ao nomear o ministro Marcelo Navarro, ao STJ, em troca do compromisso de soltura de empreiteiros envolvidos no Petrolão. Esta seria mais uma investida de Dilma contra a Lava Jato, desta vez no sentido de evitar a criação de embaraços para ela própria. Razões não faltavam. 
 
Quando o manuscrito em que o doleiro menciona a presidente chegou às mãos da PF, em 29 de abril de 2014, o País encontrava-se às vésperas da campanha eleitoral. Em 17 de março daquele ano, Alberto Youssef fora preso, acusado de ser um dos operadores do Petrolão. Em setembro, o doleiro iniciaria os seus depoimentos à PF. Perguntado, em uma das sessões, sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro afirmou: “O Planalto sabia de tudo”. Questionado pelo delegado que colhia o depoimento a quem ele se referia, Youssef respondeu: “Lula e Dilma”. 
 
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Ficou por isso mesmo: Ao ver o bilhete, o delegado
Márcio Anselmo vibrou: “Coisa maravilhosa”
 
A afirmação se tornou pública na sexta-feira 24 de outubro, antevéspera do segundo turno das eleições. No dia seguinte, o doleiro era internado. Imediatamente, surgiram versões de que ele teria sido alvo de atentado ou queima de arquivo. Oficialmente tratou-se de um infarto. O resto da história, todos sabem: Dilma reeleita por uma margem estreita de votos em relação ao senador Aécio Neves (PSDB). Difícil prever se o surgimento desse novo elemento – no caso, o bilhete de Youssef – seria capaz de mudar os rumos da eleição. É certo, no entanto, que o Planalto, tinha total interesse em manter o documento incógnito em meio ao calor da campanha. Seu vazamento era totalmente inconveniente a Dilma àquela altura.
 
 O livro Assassinato de Reputações II, cujo fio condutor é a trajetória da contadora Meire Poza, a ligação com Youssef e sua atuação como informante da PF, traz outra revelação importante. Por intrigante. Segundo Meire, a Lava Jato poderia ter sido deflagrada dois anos antes, em 2012, quando ela se dirigiu pessoalmente à sede da PF em São Paulo e se dispôs a colaborar com informações sobre o esquema operado por Alberto Youssef. Quem a recebeu foi o delegado Otávio Margonari Russo, lotado na Lapa de Baixo, bairro da zona oeste de São Paulo. Ela diz ter levado tudo o que tinha de indícios de Youssef associados ao PT. 
 
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Dinheiro: Para Meire Poza, contadora do doleiro, anotação significa pagamento à Dilma
 
O delegado prometeu investigar, mas não tomou seu depoimento. Duas semanas depois, quando Meire telefonou cobrando uma posição, o delegado, de acordo com a contadora, primeiro disse não se lembrar dela. Depois, recomendou a Meire que não ligasse mais. “Se eu estiver precisando de alguma coisa, quem liga pra você sou eu”. A ligação nunca veio. Em 26 de maio de 2014, Meire relatou esse episódio em reunião com as estrelas da promotoria da Lava Jato: Deltan Dallagnol, Andrey Borges, Carlos Fernando e Roberson Pozzebon. Também participaram do encontro Márcio Anselmo, com quem Meire costumava conversar pelo whatsapp, e Rodrigo Prado. “Minha história começou em março de 2012, quando denunciei Alberto Youssef à Polícia Federal de São Paulo e não aconteceu nada”, disse. 
 
Silêncio sepulcral. O primeiro a falar teria sido Dallagnol. “Como assim? Você sabia disso, Márcio?”. Ao que o delegado respondeu: “É, eu sabia. Ela esteve lá com um colega nosso, mas, putz, ele estava cheio de trabalho e não levou isso pra frente”. Anselmo foi procurado por ISTOÉ desde a terça-feira 8, mas não retornou até o fechamento desta edição. A reportagem também tentou uma audiência com a direção da PF em Brasília para tratar do tema. Sem sucesso. Numa conversa mantida em Curitiba com o agente Prado, com o qual mantinha uma relação próxima, Meire ouviu do próprio policial que, em sua avaliação, Otávio Russo, ao não investigar a denúncia formulada por ela em 2012, havia incorrido num crime: o de prevaricação.
 
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“Esquema de Santo André se reproduziu em Brasília”
 
A expectativa é que o livro Assassinato de Reputações II - muito além da Lava Jato - repita o estrondoso sucesso da primeira edição
 
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Ingerência: Para Romeu Tuma Jr, Planalto atuou para retardar início da Lava Jato
 
Em 2012, Marcos Valério, o operador do mensalão, prestou um depoimento em que revelou pela primeira vez que o pecuarista José Carlos Bumlai havia intermediado um empréstimo de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin para, com metade deste valor, conseguir comprar o silêncio do empresário de transportes, Ronan Maria Pinto. Segundo Valério, Ronan ameaçou envolver o ex-presidente Lula, e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato do então prefeito de Santo André, Celso Daniel. 
 
Valério tentava um acordo de delação premiada e disse ainda que, como contrapartida ao empréstimo a Bumlai, a Schahin foi recompensada com contratos bilionários na Petrobras. Em fevereiro do ano passado, ISTOÉ trouxe um documento do Banco Central atestando a ilegalidade da operação. Em dezembro, depois de ser preso, Bumlai confessou o esquema. O livro Assassinato de Reputações II – muito além da Lava Jato – traz o contrato da transferência de R$ 6 milhões a Ronan, em 2004. Ele prova que a operação clandestina narrada por Valério e confirmada por Bumlai de fato ocorreu. 
 
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A documentação, segundo narra o livro, foi repassado à PF pela contadora Meire Poza. De acordo com a secretária de Alberto Youssef, quem lhe entregou o material foi Enivaldo Quadrado, braço-direito do doleiro. “O Enivaldo pediu para que eu guardasse como se fosse a minha vida, pois era o seguro dele contra o Lula”. Fornido dessas e outras importantes revelações, o novo livro de Romeu Tuma Jr. e Claudio Tognolli promete repetir o retumbante sucesso da primeira edição. O Assassinato de Reputações – um crime de Estado, lançado em dezembro de 2013, vendeu mais de 140 mil cópias e ficou 24 semanas na lista dos mais vendidos. 
 
“Demonstramos no livro que o esquema de Santo André se reproduziu em Brasília. Como ocorreu em Santo André, também tentaram abafar as denúncias de Meire Poza feitas em 2012 sobre o Petrolão. Suspeita-se que tenha sido para preservar o governo, afinal, com o andamento das investigações, tudo o que nós temos assistido sobre a Lava Jato estaria acontecendo às vésperas da eleição de 2014, vencida por Dilma”, diz Tuma Jr. no livro. 
 
Filho do ex-senador e diretor-geral da Polícia Federal Romeu Tuma - morto em 2010 -, Romeu Tuma Junior é delegado aposentado da Polícia Civil de São Paulo e ex-deputado estadual. Integrou a Interpol e, em 2007, durante o governo Lula, Tuminha, como é conhecido, foi nomeado secretário nacional de Justiça. No cargo, acompanhou operações importantes, como a Satiagraha. Acabou exonerado três anos depois, de maneira repentina, pelo Palácio do Planalto. Diz ter sido vítima de perseguição política.
 
http://www.istoe.com.br/reportagens/448517_O+BILHETE+QUE+LIGA+O+DOLEIRO+A+DILMA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

O esquema Erenice

Como a ex-ministra da Casa Civil e fiel escudeira de Dilma operou em Belo Monte, ao lado de Palocci e Silas Rondeau, um propinoduto de R$ 45 milhões para abastecer as campanhas eleitorais de 2010 e 2014

Além de fornecer um dossiê explosivo sobre as tentativas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff para tentar barrar as investigações da operação Lava Jato, o ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), revela, em acordo de deleção premiada, um sofisticado esquema de corrupção nas obras da usina de Belo Monte. As informações estão dispostas no anexo sete da delação, obtido por ISTOÉ na quarta-feira 9. 
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Antiga companheira: Erenice Guerra está com Dilma desde que a atual presidente
ocupou o Ministério de Minas e Energia 
 
Segundo o senador, um “triunvirato”, formado pelos ex-ministros Erenice Guerra, Antônio Palocci e Silas Rondeau, movimentou cerca de R$ 25 bilhões e desviou pelo menos R$ 45 milhões dos cofres públicos diretamente para as campanhas eleitorais do PT e do PMDB em 2010 e 2014. Nas duas disputas presidenciais os partidos estavam coligados na chapa liderada por Dilma Rousseff. “A propina de Belo Monte serviu como contribuição decisiva para as campanhas eleitorais de 2010 e 1014”, afirmou o ex-líder do governo no Senado aos procuradores.
 
Denúncias sobre corrupção nas obras de Belo Monte já haviam sido feitas por outros delatores, mas é a primeira vez que uma testemunha revela com detalhes como funcionava o esquema, qual o destino do dinheiro desviado e aponta o nome dos coordenadores de toda a operação. A delação feita por Delcídio leva as investigações sobre o propinoduto petista nos setores de energia e de infraestrutura para as antessalas do gabinete presidencial. Desde 2003, Erenice é tida como uma escudeira da presidente Dilma e mesmo após deixar o governo, sob a acusação de favorecer lobistas ligados a seu filho, permanece como uma das poucas interlocutoras de Dilma. 
 
Depois de homologada pelo STF, a delação de Delcídio deverá ser encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral e engrossar o processo que pede a cassação da presidente. Os relatos feitos pelo senador mostram que a operação montada para desviar dinheiro público de Belo Monte foi complexa e contínua. Começou a ser arquitetada ainda no leilão para a escolha do consórcio que tocaria a empreitada, em 2010, e se desenrolou até pelo menos o início do ano passado, quando a Lava Jato já estava em andamento. Tida como obra prioritária do governo e carro chefe do PAC, Belo Monte era acompanhado de perto pela chefia da Casa Civil, onde estavam Dilma, então ministra, e Erenice Guerra, secretária executiva. 
 
“A atuação do triunvirato formado por Silas Rondeau (ex-ministro de Minas e Energia), Erenice Guerra (ex-ministra da Casa Civil) e Antônio Palocci (ex-ministro da Fazenda) foi fundamental para se chegar ao desenho corporativo e empresarial definitivo do projeto Belo Monte”, afirmou Delcídio aos procuradores da Lava Jato. Em sua delação, o senador explica que os desvios de recursos do projeto da usina vieram tanto do pacote de obras civis como da compra de equipamentos. “Antônio Palocci e Erenice Guerra, especialmente, foram fundamentais nessa definição”, revelou o senador. 
 
Ele afirmou que as obras civis consumiram cerca de R$ 19 bilhões e a compra de equipamentos chegou a R$ 4,5 bilhões. De acordo com os relatos feitos pelo ex-líder do governo, em todas as etapas do processo houve superfaturamento. Entre os procuradores que já tomaram conhecimento da delação de Delcídio há a convicção de que Erenice era a principal operadora do triunvirato, uma vez que antes de assumir o cargo na Casa Civil trabalhou, ao lado de Dilma, no Ministério de Minas e Energia, responsável pelas obras da usina.
 
Delcídio afirmou que o triunvirato de Erenice começou de fato a operar três dias antes da data marcada para o leilão que escolheria o consórcio responsável pelas obras. O grupo formado pelas maiores empresas de engenharia do País desistiu da disputa. “Em algumas horas foi constituído um novo grupo de empresas que venceu o leilão, tendo sido a única proposta apresentada”, afirmou o senador. Entre essas empresas estão a Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Contern, JMalucelli, Gaia Engenharia, Cetenco, Mendes Jr Trading Engenharia e Serveng-Civilsan. 
 
“Alguns meses depois da realização do certame, várias empresas que não bidaran (não participaram no leilão) Belo Monte tornaram-se sócias do empreendimento e contrataram como prestadoras de serviço as empresas do consórcio vencedor”, relatou Delcídio. Com essa operação, as maiores empreiteiras do País passaram a mandar na construção sem se submeterem às regras impostas nas licitações convencionais. O ex-líder do governo no Senado afirmou aos procuradores da Lava Jato que durante as campanhas eleitorais aumentava o valor das propinas e que para isso as empresas recorriam a “claims”, instrumento usado para readequar valores de contratos. 
 
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Outro delator, Flávio Barra da Andrade Gutierrez,
confirmou propinas em Belo Monte
 
“Os acordos com relação aos claims eram uma das condições exigidas para aumentar a contribuição eleitoral das empresas”, explicou Delcídio. O senador destacou ainda a existência de várias ilicitudes envolvendo o fornecimento de equipamentos para a usina de Belo Monte. De acordo com ele, houve uma enorme disputa entre fornecedores chineses, patrocinados por José Carlos Bumlai (o pecuarista amigo do ex-presidente Lula), e fabricantes nacionais, entre eles Alston, Siemens, IMPSA e IESA. “O triunvirato agiu rapidamente definindo os nacionais como fornecedores, tudo na busca da contrapartida, revelada nas contribuições de campanha”, denunciou Delcídio. 
 
Erenice Guerra e Palocci, disse o ex-líder do governo no Senado, tiveram papel fundamental nessa definição. Pelo lado das empresas, segundo Delcídio, o principal negociador de Belo Monte foi o empreiteiro Flávio Barra, da Andrade Gutierrez. Na semana passada, ISTOÉ apurou que Barra já prestou depoimento de delação premiada e mencionou o propinoduto em Belo Monte. O nome do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi rapidamente citado por Delcídio aos procuradores. Ele afirmou que o governador exerceu influência direta em favor da IMPSA, mas não atribuiu a ele nenhuma pratica criminosa. 
 
Ainda sobre dinheiro irregular na campanha eleitoral de 2014, no anexo nove da delação, também obtido com exclusividade por ISTOÉ na quarta-feria 9, o ex-líder do governo no Senado afirma que o atual ministro de Comunicação Social, Edinho Silva, tesoureiro da campanha da presidente Dilma em 2014 trabalhou para “esquentar” recursos provenientes da indústria farmacêutica usando a contabilidade das campanhas para governador e forjando falsas prestações de serviço. Delcídio afirmou que em 2014, quando disputava o cargo de governador do Mato Grosso do Sul, foi procurado por Edinho, “para que pagasse R$ 1 milhão do saldo da dívida de sua campanha, sendo R$ 500 mil devidos à FSB Comunicação, e mais R$ 500 mil à Zilmar Fernandes, através de um laboratório farmacêutico chamado EMS”, revelou o senador. 
 
Zilmar Fernandes foi sócia do publicitário Duda Mendonça e já esteve envolvida no escândalo do Mensalão. O laboratório EMS é investigado pela Lava Jato por manter parceria com o doleiro Alberto Youssef. Os investigadores também apuram o pagamento de uma suposta consultoria de R$ 8 milhões que o laboratório teria contratado do ex-ministro José Dirceu. Delcídio disse que as faturas foram emitidas contra o laboratório, mas que os pagamentos não foram realizados. “Os impostos das transações financeiras para a EMS foram efetivamente pagos pela FSB e por Zilmar”, afirmou o senador. 
 
Por fim, ele disse acreditar que a mesma situação pode ter ocorrido com outros candidatos a governador. Ao finalizar sua delação, o ex-líder do governo no Senado, apontou para a força-tarefa da Lava Jato que laboratórios e planos de saúde, em troca de indicações para cargos na ANS e na Anvisa, têm despertado grande atenção dos políticos quando são discutidos os caminhos para a arrecadação de recursos. Por outras vias, os procuradores da Lava Jato já estavam trilhando por esse caminho.
 
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Erenice comandou o trio do propinoduto em belo monte
 
No anexo sete de sua delação, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado, descreve em detalhes o esquema de corrupção armado na construção da usina de Belo Monte. Ele afirma que a propina foi de aproximadamente R$ 45 milhões e que serviu como contribuição decisiva para as campanhas eleitorais de 2010 e de 2014. Diz que houve a participação de José Carlos Bumlai, mas que todo o esquema foi coordenado por um triunvirato formado pelos ex-ministros Silas Rondeau, Erenice Guerra e Antônio Palocci, especialmente Palocci e Erenice, uma das principais escudeiras da presidente Dilma Rousseff.
 
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“Delcídio tem conhecimento de que em 2010 seria feito o ‘leilão’ de Belo Monte. Contudo, três dias antes do certame, o consórcio constituído pelas maiores empresas de engenharia do País, desistiu de participar. Em algumas horas foi constituído novo grupo de empresas junto a CHESF e Eletronorte. Entre elas, participaram Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Contern (sob influência de José Carlos Bumlai), JMalucelli, Gaia Energia, Cetenco, Mendes Jr. Trading Engenharia e Serveng-Civilsan. 
 
Apesar de muito menos robusto, o consórcio em questão venceu leilão, tendo sido a única proposta apresentada. Alguns meses depois, várias empresas que não ‘bidram’ Belo Monte tornaram-se sócias do empreendimento e contrataram como prestadoras de serviços as companhias do consórcio vencedor. Em pouco tempo, o controle da principal usina do mundo, em construção, mudou de mãos, sendo que as empresas que compunham o consórcio vencedor passaram a desempenhar um papel secundário. A propina de Belo Monte serviu como contribuição decisiva para as campanhas eleitorais de 2010 e 2014. O principal agente negociador do Consórcio de Belo Monte foi o empreiteiro Flávio Barra, da Andrade Gutierrez.
 
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Triunvirato: Palocci, Erenice e Silas Rondeau (da esq. à dir.):
R$ 45 milhões para a acampanha
 
Os números da propina giravam na casa dos R$ 30 milhões, destinados às campanhas eleitorais. Delcídio do Amaral acredita que os números finais da propina sejam superiores, pois durante a campanha, houve acordo com relação a ‘claims’ de cerca de R$ 1,5 bilhão, apresentadas pelo consórcio. Era uma das condições exigidas para aumentar a contribuição eleitoral das empresas. É preciso dizer que a atuação do triunvirato formado por Silas Rondeau, Erenice Guerra e Antônio Palocci foi fundamental para se chegar ao desenho corporativo e empresarial definitivo do projeto Belo Monte. 
 
Delcidio estima que o valor destinado para as contribuições das campanhas (2010 e 2014) do PMDB e do PT atingiram cerca de R$ 45 milhões. ... ... Antônio Palocci e Erenice Guerra, especialmente, foram fundamentais nessa definição... ...Delcídio recorda-se da influência direta do ex-governador Eduardo Campos e favor da IMPSA... ...Ao longo do fornecimento de equipamentos, ficou demonstrada a inaptidão da IMPSA em fazer frente a um desafio dessa magnitude.”
 
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O tesoureiro Edinho e as notas frias
 
O ex-líder do governo no Senado disse que em 2014, quando disputou o governo do Mato Grosso do Sul, foi procurado por Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma e atual ministro da Comunicação Social. De acordo com Delcídio, Edinho lhe propôs um esquema para saldar R$ 1 milhão de dívida da campanha, usando para isso a ex-sócia de Duda Mendonça, Zilmar Fernandes, e a FSB Comunicações, que receberiam o dinheiro do laboratório EMS. O delator também afirmou que os laboratórios e planos de saúde estão no foco dos políticos que buscam arrecadar recursos.
 
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Proposta Edinho sugeriu esquema para Delcídio pagar dívida
 
“Nas eleições para governador do estado do Mato Grosso do Sul, em 2014, em que Delcídio do Amaral foi candidato, o atual ministro- chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva (na época tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff) orientou Delcídio do Amaral para que pagasse R$ 1 milhão do saldo da dívida de sua camapnha, sendo R$ 500 mil devido à FSB Comunicação e mais R$ 500 mil à Zilmar Fernandes, através de um laboratório farmacêutico chamado EMS. Delcídio solicitou a FSB e a Zilmar que emitissem faturas contra o laboratório EMS, entretanto os pagamentos não foram feitos...
 
...Delcídio sabe que os impostos das transações financeiras para a EMS foram efetivamente pagos pela FSB e por Zilmar, o que pode ser levantado por intermédio da quebra do sigilo fiscal de ambos. Delcídio acredita que essa mesma situação ocorreu com outros candidatos que podem ter usado laboratórios farmacêuticos para os mesmos fins ilegais similares. Delcídio do Amaral sabe que questões envolvendo laboratórios e planos de saúde na arrecadação de propina tem despertado grande interesse de lideranças políticas na indicação de cargos para diretorias da ANS e da Anvisa, a exemplo do que ocorria na Petrobras.” 
 
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 http://www.istoe.com.br/reportagens/448524_O+ESQUEMA+ERENICE

PMDB decide não assumir cargos no governo nos próximos dias



O PMDB decidiu neste sábado (12), em convenção nacional do partido, que nenhum peemedebista assumirá cargos no governo federal nos próximos 30 dias. Nesse período, o Diretório Nacional do PMDB vai decidir sobre a proposta de rompimento ou de manutenção do apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff. 

O PMDB reúne delegados do partido em convenção nacional em Brasília
 O cargo de ministro da Aviação Civil está vago com a saída de Eliseu Padilha, do PMDB, em dezembro. Havia uma expectativa de que o deputado federal Mauro Lopes (MG) assumisse a Secretaria de Aviação Civil nos próximos dias. 

Mais cedo, o vice-presidente da República, Michel Temer, disse, durante discurso na convenção nacional, que “não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar ânimos e levantar muros”. Segundo ele, em um momento atual de grave crise política e econômica, a hora é “de construir pontes”. 

O PMDB deve reconduzir Temer à presidência nacional do partido. No total, 454 delegados vão eleger os membros do Diretório Nacional, que, por sua vez, vão escolher a nova Comissão Executiva Nacional. 

Temer voltou a defender a unidade nacional e o diálogo entre todas as correntes de opinião. “O PMDB sempre teve diversidades internas, mas [que] convergem em todas as ocasiões em que é preciso cuidar do país”. 

http://noticias.terra.com.br/brasil/pmdb-decide-nao-assumir-cargos-no-governo-ate-decisao-sobre-independencia,02a4493d49b7fa18f45a6d85ee4e97a4gh76lj26.html

quinta-feira, 10 de março de 2016

Filho de Lula, Vaccari e ex-presidente da OAS também são denunciados pelo MP-SP

Ao lado de Lula e sua mulher, os três figuram em denúncia sobre irregularidades relacionadas a um tríplex no Guarujá (SP).

Apartamento teve reforma de R$ 700 mil paga pela construtora OAS e se seria de Lula e sua mulher
Motta Jr./Futura Press
Apartamento teve reforma de R$ 700 mil paga pela construtora OAS e se seria de Lula e sua mulher
O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, confirmou que o filho mais velho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva (Lulinha), o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro também foram denunciados pelo MP paulista. Conserino protocolou a denúncia contra o ex-presidente Lula e contra Marisa Letícia nesta quarta-feira (9). A peça contempla mais de uma dezena de denunciados, entre eles ex-dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop).

A Promotoria sustenta que Lula cometeu os crime de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica ao supostamente ocultar a propriedade do tríplex 164-A no Condomínio Solaris, no Guarujá – oficialmente registrado em nome da OAS.

A acusação tem base em longa investigação realizada pelos promotores Cássio Conserino e José Carlos Blat. O promotor afirma ter indícios de que houve tentativa de esconder a identidade do verdadeiro dono do tríplex, o que, segundo ele, caracteriza lavagem de dinheiro.

A reforma do tríplex foi contratada pela empreiteira OAS, também alvo da Operação Lava Jato, e custou R$ 777 mil, segundo o engenheiro Armando Dagre, sócio-administrador da Talento Construtora. Os trabalhos foram realizados entre abril e setembro de 2014.

Em 2006, quando se reelegeu presidente, Lula declarou à Justiça eleitoral possuir uma participação em cooperativa habitacional no valor de R$ 47 mil. A cooperativa é a Bancoop que, com graves problemas de caixa, repassou o empreendimento para a OAS.

Lula apresentou sua defesa por escrito no inquérito da Promotoria. O petista se recusou a comparecer pessoalmente ao Ministério Público de São Paulo, na quinta-feira (3). A audiência havia sido remarcada.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-03-09/filho-de-lula-vaccari-e-ex-presidente-da-oas-tambem-sao-denunciados-pelo-mp-sp.html


Lula e Renan acertam ação para tentar diminuir crise

Peemedebista se encontra com Dilma e marca conversa com cúpula tucana.

 Depois de conversar com Lula na manhã desta quarta, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teve uma reunião com a presidente Dilma Rousseff e marcou jantar com senadores tucanos. Lula aconselhou Dilma a ouvir Renan. A presidente convidou o peemedebista para conversar.

Em acerto com Lula, Renan agirá como bombeiro na atual crise, tentando algum tipo de entendimento que baixe a temperatura política e buscando um acordo em torno de medidas que possam ajudar a melhorar a economia.
Na conversa com Renan, Lula disse que não está disposto a radicalizar, que vê com preocupação os desdobramentos da Lava Jato e que teria disposição de dialogar com a oposição.

O presidente do Senado, que tem tido uma posição de moderação no atual ambiente de polarização política, saiu a campo. Esteve com Dilma e tinha jantar marcado nesta quarta com os senadores tucanos Aécio Neves (MG), Tasso Jereissati (CE), Cássio Cunha Lima (PB) e José Serra (SP).
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Decisão difícil
No início da noite de quarta, o ministro Wellington César analisava a possibilidade de renunciar à carreira no Ministério Público para continuar na pasta da Justiça. Após a decisão do STF que proíbe sua permanência no cargo, ele passou a estudar essa possibilidade.

Se a decisão de Wellington for permanecer no Ministério Público, o nome mais cotado no início da noite para a Justiça era o do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), mas havia outras sugestões na mesa de Dilma.
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Temas na TV
A articulação petista que tenta emplacar Lula no ministério de Dilma também foi tema do “SBT Brasil”.
O outro assunto foi a citação a Aécio feita na delação do senador Delcídio do Amaral. Uma fonte ligada à investigação confirmou ao SBT que ocorreu a menção ao tucano.

Mas essa delação de Delcídio ainda não foi homologada pelo ministro Teori Zavascki, que é o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. É preciso cautela, a fim de saber exatamente em que circunstâncias o tucano foi citado. Algumas menções a Aécio na Lava Jato já foram arquivadas. O senador disse hoje que a delação não o intimida e que a Lava Jato apura um escândalo que tem o DNA do PT.


http://www.blogdokennedy.com.br/lula-e-renan-acertam-acao-para-tentar-diminuir-crise/

MP-SP denuncia Lula por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica

 Promotor diz que houve tentativa de Lula em esconder a identidade do verdadeiro dono do tríplex

Promotoria sustenta que o ex-presidente cometeu os crimes ao supostamente ocultar a propriedade do tríplex no Guarujá, que está oficialmente registrado em nome da empreiteira OAS.

O Ministério Público de São Paulo denunciou criminalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher Marisa Letícia no caso do tríplex 164-A, no Condomínio Solaris, no Guarujá. A denúncia foi protocolada na Justiça, em São Paulo, nesta quarta-feira (9). A Promotoria sustenta que o petista cometeu crime de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica ao supostamente ocultar a propriedade do imóvel – oficialmente registrado em nome da empreiteira OAS.

A acusação tem como base uma longa investigação realizada pelos promotores Cássio Conserino e José Carlos Blat. Segundo Conserino, há indícios de que houve tentativa de esconder a identidade do verdadeiro dono do tríplex.

A reforma, contratada pela empreiteira OAS, alvo da Operação Lava Jato, custou R$ 777 mil, segundo o engenheiro Armando Dagre sócio-administrador da Talento Construtora. Os trabalhos foram realizados entre abril e setembro de 2014.

Em 2006, quando se reelegeu presidente, Lula declarou à Justiça eleitoral possuir uma participação em cooperativa habitacional no valor de R$ 47 mil. A cooperativa é a Bancoop que, com graves problemas de caixa, repassou o empreendimento para a OAS. A Polícia Federal e a Procuradoria da República suspeitam que a empreiteira pagou propinas a agentes públicos em troca de contratos fraudados na Petrobras.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-03-09/mp-sp-denuncia-lula-por-lavagem-de-dinheiro-e-falsidade-ideologica.html

 

quarta-feira, 9 de março de 2016

ONU vai denunciar Brasil por não punir policiais que matam

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) denunciará nesta terça-feira (8) a impunidade que predomina nos crimes cometidos pela polícia e por agentes de segurança no Brasil. Em informe que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos do órgão, o relator Juan Mendez alertará que os homicídios de autoria de forças de ordem são "ocorrências regulares".

Procurado, o Ministério da Justiça não quis comentar a denúncia por considerar que os policiais respondem aos governos estaduais.

"Os casos de agentes de segurança que cometem abusos contra prisioneiros ou detidos não são investigados de maneira significativa e tais autores raramente são levados à Justiça", diz Mendez. "Nenhum mecanismo independente de investigação existe para impedir que esses casos sejam arquivados."

O relator afirma que a impunidade que vigora no Brasil "contribui para o aumento dos crimes violentos". Ele relata que os suspeitos tentam resistir à prisão pois sabem que serão torturados. Em muitos casos, diz, esses mesmos prisioneiros tentam se vingar da tortura que sofreram ao deixar a cadeia. "A espiral da violência criminal é exacerbada pela impunidade que prevalece."

Mendez deixa claro que os casos de crimes cometidos pela polícia não são pontuais, mas sim "regulares". Usando dados nacionais, a ONU indica que, em média, seis pessoas morreram por dia no Brasil em 2013 em operações policiais. "Na vasta maioria dos casos de uso excessivo de força, a polícia indica resistência à prisão seguida por morte, o que evita levar os autores diante de uma corte", diz.

De acordo com a ONU, em 220 investigações, somente uma delas resultou em condenação. Por isso a organização pede o fim da classificação de "autos de resistência".

Mendez destaca que a taxa de mortes nas prisões é "muita alta". Com base em dados do Infopen, sistema de informações estatísticas das penitenciárias, o relator aponta que foram registradas, na primeira metade de 2014, 545 mortes - sendo cerca de metade intencional -, o que resulta em uma taxa de 167,5 para cada 100 mil pessoas por ano.

'Tratamento cruel'

O informe também ataca a situação das prisões brasileiras. "As condições de detenção são equivalentes a um tratamento cruel, desumano e degradante", diz o relator.

Mendez cita como exemplo a visita que fez à Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão. "As unidades estão superlotadas e prisioneiros ficam de 22 a 23 horas por dia fechados em suas celas. Visitas ocorrem em condições humilhantes. A presença de guardas fortemente armados também poderia 'levar à uma nova rodada de mortes'."

Segundo a ONU, o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, com 711 mil pessoas. Há 30 anos eram 60 mil. Mendez pede que o governo brasileiro foque em reduzir a população carcerária. Para isso, sugere medidas alternativas, mas ressalta que abrir mão de penas contra a violência doméstica não é o caminho. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/03/07/onu-vai-denunciar-brasil-por-nao-punir-policiais-que-matam.htm


terça-feira, 8 de março de 2016

Comissão libera testes com "pílula do câncer" em humanos

Centro de polêmicas, substância desenvolvida no Instituto de Química da USP será testada em pacientes com câncer.

Substância usada no tratamento do câncer foi produzida no Instituto de Química de São Carlos
divulgação/Usp
Substância usada no tratamento do câncer foi produzida no Instituto de Química de São Carlos
O protocolo de pesquisa com a fosfoetanolamina sintética, substância conhecida como "pílula do câncer", foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Conselho Nacional de Saúde (Conep/CNS). A substância se apresenta com potencial para curar o câncer, mas ainda não foi testada em seres humanos e não tem liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada como medicamento.
A aprovação do órgão é necessária para a realização de testes em seres humanos utilizando a fórmula. Segundo a Conep, a liberação foi feita no último dia 4, e, após a análise de todo o protocolo de análises clínicas, a comissão sugeriu apenas que "não haja limitação de ressarcimento ao participante da pesquisa", referindo-se à verba utilizada para transporte e alimentação dos pacientes.
A Secretaria Estadual da Saúde informou que "não foi notificada sobre a aprovação e aguarda o parecer da Conep, inclusive, para saber se todos os requisitos para o desenvolvimento do protocolo de pesquisa foram atendidos".
Testes
Desenvolvida pelo professor aposentado Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, a fosfoetanolamina sintética tem sido o centro de polêmicas após relatos de que seria capaz de curar pacientes com câncer. Durante anos, foi distribuída gratuitamente, mas, até o momento, não há comprovação científica de que tenha eficácia.
Em dezembro do ano passado, a Secretaria Estadual de Saúde anunciou que os testes com a substância seriam realizados em quatro hospitais de referência, entre eles o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), com a participação de até 1 mil pacientes. O investimento informado na época foi de R$ 2 milhões.
Na fase inicial do estudo, dez pacientes serão submetidos ao teste de segurança de dose. Caso eles não apresentem efeitos colaterais, grupos de 21 pacientes para cada tipo de câncer selecionado vão tomar a pílula. Dez tipos de câncer serão submetidos ao tratamento com a substância: cabeça e pescoço, mama, colo uterino, próstata, estômago, fígado, pulmão, pâncreas melanoma, cólon e reto.
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2016-03-08/comissao-libera-testes-com-pilula-do-cancer-em-humanos.html 

 

Governo está pronto para discutir o impeachment, afirma líder

José Guimarães declarou que governo aguarda a instalação da comissão especial do impeachment pelo presidente da Câmara.

Postura de querer discutir impeachment não é consenso entre os líderes da base aliada
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Postura de querer discutir impeachment não é consenso entre os líderes da base aliada
Mesmo sem consenso entre os líderes da base aliada, o governo passou a defender a celeridade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), disse após reunião com a base e com o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) que o Planalto está "pronto para discutir esta matéria". O início dos trabalhos depende da resposta do Supremo Tribunal Federal (STF) ao recurso apresentado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
"O governo, desde o ano passado, tem dito que está pronto para discutir o impeachment. Já existe uma decisão mais que clara. Cabe ao presidente (Cunha) colocar a comissão para funcionar. Estamos prontos para discutir esta matéria", afirmou Guimarães ao deixar a reunião.
Guimarães deu a entender que não é necessário aguardar uma resposta aos embargos de declaração que questionam, entre esses pontos, o veto à chapa avulsa. Eleita no final do ano passado, ela tem viés mais oposicionista. "Para nós, o Supremo já decidiu", afirmou Guimarães.
A postura do governo não foi consenso na reunião. Há líderes que entendem o encaminhamento como um erro, pois a sociedade pode interpretar mal, entendendo que o governo jogou a toalha ou que a própria base aliada defende o impedimento da presidente.
Na reunião, a avaliação do Planalto foi de que a morosidade do processo é culpa da oposição e do presidente da Câmara, responsável por deflagrar o impeachment. Para os governistas, a oposição arrasta o processo para fazer o governo "sangrar". "A gente não tem que ter medo do impeachment. Se não tiver 170 votos para barrar o impeachment, não vai ter os 250 votos que precisa para aprovar os projetos necessários para governar", disse Berzoini, segundo um participante da reunião.
Planalto avalia que a morosidade do processo é culpa da oposição e do presidente da Câmara
Lula Marques/ Agência PT - 03.03.16
Planalto avalia que a morosidade do processo é culpa da oposição e do presidente da Câmara
O ministro também afirmou que o objetivo do governo é não aumentar a instabilidade. "A instabilidade política não pode sufocar, emparedar a retomada do crescimento", afirmou Guimarães negando haver crise institucional no País. "O País tem governo" disse.
Criticando a oposição, Guimarães voltou a condenar a estratégia do "ou tudo ou nada". Apesar de o governo avaliar que a votação de matérias polêmicas, como a que aumenta as despesas obrigatórias da União com a Saúde e a que trata da dívida de Estados e municípios, pode ser arriscada em uma semana dominada pela tensão política, o líder voltou a criticar a estratégia oposicionista de obstruir as votações na Câmara, no Senado e na sessão do Congresso, marcada para esta noite.
Manifestações
Ao tratar das manifestações antigoverno marcadas para o próximo domingo, 13, Guimarães disse que os atos têm que ser encarados com normalidade e alegou que o governo quer evitar confrontos. O apelo foi feito também por Berzoini durante a reunião.
Questionado se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estimulava violência ao conclamar que sua militância fosse às ruas, Guimarães esquivou-se. "Teve violência maior que a que fizeram com o Lula?", questionou, fazendo alusão à condução coercitiva do petista para prestar depoimento à Polícia Federal, na última sexta-feira (4) no âmbito da Operação Lava Jato.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-03-08/governo-esta-pronto-para-discutir-o-impeachment-afirma-lider.html

Dilma pede que grupos pró-governo cancelem atos marcados para domingo

Presidente fez apelo para que grupos evitem manifestações no domingo a fim de evitar confronto entre militâncias contrárias.


Objetivo do apelo de Dilma é evitar violência e graves confrontos entre militâncias contrárias
Leonardo Benassatto/Futura Press - 17.2.15
Objetivo do apelo de Dilma é evitar violência e graves confrontos entre militâncias contrárias
A presidente Dilma Rousseff aproveitou a reunião de coordenação política, nesta terça-feira (8) para apelar a todos os ministros e aos partidos que eles representam, especialmente o PT, que cancelem os eventos marcados para o próximo domingo, pelo menos nas cidades onde já existem eventos agendados, a fim de evitar violência e graves confrontos. Principal preocupação da presidente é com a segurança neste tipo de manifestação. O governo não quer que ocorra "de jeito nenhum" um confronto direto entre militâncias contrárias porque teme um desfecho trágico de episódios como este.
Dilma diz estar "muito preocupada" com esta possibilidade, dado aos acirramentos dos ânimos, desde a última sexta-feira, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado coercitivamente à Polícia Federal para depor, e convocou a militância para ir para às ruas defendê-lo. A presidente apela aos partidos e às centrais sindicais, embora reconheça que não tem controle direto sobre elas, para que evitem as manifestações no domingo e escolham outro dia para protestarem.
Seguindo a orientação da presidente, o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoíni, reuniu-se logo após o encontro com os líderes da base aliada e replicou o apelo de Dilma. Pediu a todos que conversem com suas bases para que cancelem as manifestações, não aceitem provocações e evitem o enfrentamento. O Planalto teme que o governo e o próprio PT possa ser responsabilizado, caso haja conflitos, prejudicando ainda mais a imagem de ambos.
O governo age para "evitar a "exacerbação de conflitos" e "segurar as rédeas", inclusive da militância que, em muitos casos não admite não ocupar espaço para se defender neste momento de grave crise política. Também procura os governadores dos Estados para pedir que acompanhem as manifestações e que as Polícias Militares sejam empregadas o quanto antes, para garantir a segurança de todos e evitar os conflitos. Na última segunda-feira, 7, Berzoini e Jaques Wagner já haviam conversado com o presidente do PT, Rui Falcão, no Planalto, sobre esta preocupação.
União
Na reunião de coordenação política, a presidente e os ministros da Casa deixaram transparecer para os demais que a preocupação com o impeachment aumentou e este é um momento em que é preciso união da base para enfrentar este problema. Dilma disse que o momento "é grave" e, por isso, insistiu com ministros, parlamentares e ligados a partidos que ajudem a manter a unidade para evitar defecções, neste "momento delicado e difícil". Dilma quer evitar a "divisão do País" e salientou que o governo precisa de "paz" para enfrentar a crise. Reiterou ainda que a crise econômica só será resolvida quando a crise política for contornada.
Na avaliação do Planalto, a semana transcorrerá mais em função das mobilizações de domingo e de evitar maiores problemas, do que de trabalhar para conseguir aprovar medidas. Mais ainda porque, no sábado, 12, a reunião do PMDB poderá ser um novo fator de desgaste, caso a maioria seja favorável ao desembarque da base. O Planalto trabalha para evitar isso, a qualquer custo. Todos no governo trabalham para evitar que se coloque em votação na reunião do PMDB as moções a favor da saída da base. Não há previsão de encontros ou conversas de Dilma com o vice-presidente Michel Temer, mas há quem defenda que essa aproximação precisa ser feita antes da convenção do partido. A presidente ainda não se convenceu disso.
O apelo aos parlamentares da base em relação ao impeachment, que muitos integrantes do governo consideram mais próximo, é para que se enfrente esta discussão política e esta "guerra política" na defesa do governo Dilma. Para dar munição, a presidente voltou a falar sobre a sua defesa em relação ao que foi dito pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), em negociação de delação premiada. Ela defendeu ponto por ponto para municiá-los e insistiu que o momento é de "compreensão", "união" e "unidade".
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-03-08/dilma-pede-que-grupos-pro-governo-cancelem-atos-marcados-para-domingo.html

 

Moro intima Lula para depor na defesa de Bumlai

A oitiva do ex-presidente será feita por meio de videoconferência, na Justiça Federal em São Paulo, no dia 14 de março, às 9h30.

   

O juiz federal Sérgio Moro intimou na última sexta-feira (4) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que irá depor como testemunha de defesa do pecuarista José Carlos Bumlai. A decisão foi anexada hoje (7) na ação penal sobre Bumlai na Justiça Federal em Curitiba.O pecuarista José Carlos Bumlai 

O pecuarista José Carlos Bumlai

A oitiva de Lula será feita por meio de videoconferência, na Justiça Federal em São Paulo, no dia 14 de março, às 9h30. Para o mesmo dia, Moro marcou depoimentos de outras testemunhas que também foram arroladas pela defesa do pecuarista.

Os depoimentos ocorrem na ação penal em que Bumlai e mais dez investigados na Operação Lava Jato foram denunciados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.De acordo com a acusação do Ministério Público Federal (MPF), Bumlai usou contratos firmados com a Petrobras para quitar empréstimos com o Banco Schahin.

Segundo os procuradores, depoimentos de investigados que assinaram acordos de delação premiada revelam que o empréstimo de R$ 12 milhões se destinava ao PT e foi pago mediante a contratação da Construtora Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras, em 2009.

Desde o surgimento das primeiras denúncias, o PT sustenta que todas as doações obtidas pelo partido foram feitas de forma legal e declaradas às autoridades. A Schahin afirma que o modelo de contratação dos navios-sonda foi o mesmo praticado pela Petrobras com todas as concorrentes que prestaram o mesmo serviço. 

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/lava-jato/moro-intima-lula-para-depor-como-testemunha-de-defesa-de-bumlai,d81ffa7590b8e0be48b638c43ddd15d8amdu4vmu.html

Agora famoso, 'Japonês da PF' já foi preso pela própria Polícia Federal

Uma das figuras que mais ganhou destaque nas fases recentes da operação Lava Jato é Newton Ishii. Você pode não conhece-lo pelo nome, mas com certeza sabe quem é o “Japonês da Federal”.

Ishii ganhou até marchinha de carnaval por conta de sua atuação na operação. O agente da Polícia Federal está presente em todas as prisões efetuadas pela Lava Jato e, por isso, tornou-se símbolo de luta contra a corrupção. Mas nem sempre foi assim.

Presente em prisões importantes como as de José Dirceu, Marcelo Odebrecht e João Vaccari Neto, Ishii já foi ele próprio alvo da PF. Em 2003, o agente foi um dos cinco presos pela própria Polícia Federal durante a chamada Operação Sucuri.

À época, Ishii foi preso suspeito de integrar uma organização criminosa acusada de contrabandear mercadorias do Paraguai. No ano da prisão, o Tribunal Regional Federal (TRF) ainda negou o pedido de habeas corpus feito pelos agentes.

Segundo informações da revista Época, ainda por conta desse episódio, Ishii responde até hoje a processos criminais e civis, além de uma sindicância. A publicação afirma que sua reintegração à Polícia Federal se deu por conta de confiança da direção.

Ainda sobre Ishii, além da prisão em 2003, surgiram fatos citados pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) em audio divulgado na última semana. Nas gravações, o senador teria supostamente afirmado que um agente da PF conhecido como “japonês bonzinho” venderia informações sigilosas para veículos de comunicação.

Não houve manifestação nem do agente e nem da corporação sobre tais acusações.

https://br.noticias.yahoo.com/agora-famoso-japon%C3%AAs-da-pf-j%C3%A1-foi-preso-pela-180125608.html