Acordo com companhia de provedor de armazenamento dá novo fôlego à Dell, que busca expansão em novas áreas.
AP
Dell compra EMC por US$ 67 bilhões, o maior acordo entre empresas de tecnologia
A gigante americana Dell anunciou nesta segunda-feira (12) a compra da companhia de provedor de armazenamento EMC pelo valor de US$ 67 bilhões. O movimento representa uma grande aposta num segmento que tem se mostrado mais rentável que o mercado de computadores pessoais.
A aquisição marca a última tentativa da Dell em reduzir sua dependência da indústria de PCs, que a empresa ajudou a construir, e a de notebooks, que vem perdendo espaço com a popularização de smartphones e tablets.
O valor da compra representa o maior acordo da história entre duas empresas de tecnologia. A união entre a Dell e a EMC ilustra o quanto as companias de tecnologia estão se esforçando para se adaptar à agitação desencada pelo crescimento da Apple e o surgimento de serviços hospedados em bancos de dados remotos, a chamada nuvem.
Desde que se tornou uma empresa de capital fechado, em um acordo de US$ 25 bilhões, em 2013, a Dell tem investido em pesquisa e no desenvolvimento e expansão de seus softwares e serviços para empresas.
"Nossa companhia estará excepcionalmente bem colocada para crescer em áreas estratégicas da nova geração da TI, incluindo a transformação digital, bancos de dados definidos por software, nuvem híbrida, dispositivos móveis e segurança", disse Michael Dell, fundador da empresa que leva o seu nome.Já a EMC tem deixado de ser somente um provedor de armazenamento para também investir em bancos de dados, oferecendo produtos que se adaptem melhor aos negócios, desde o serviço em nuvem a ferramentas de segurança.
A Dell será a responsável pela indicação do presidente e do CEO da companhia surgida da combinação entre as duas empresas. O atual presidente e CEO da EMC, Joe Tucci, permanecerá em suas funções até o acordo ser concluído.
Segundo Daniel Ives, analista da FBR, a compra da EMC significa que a Dell "não será somente a companhia de computadores do tempo da sua avó".
"Esse é um acordo histórico que realmente coloca essas empresas dentro do mercado corporativo e as torna gigantes", comenta Ives.
Secretaria de Educação estima acréscimo de cerca de 15 mil novos alunos na rede pública em 2016
Cerca de 15 mil novos alunos, oriundos de escolas particulares, devem ingressar na rede pública no próximo ano. A estimativa é da Secretaria de Educação, cuja previsão é superar em 25% o número de matrículas desse público em relação ao ano letivo em curso, que recebeu 12 mil egressos das unidades privadas.
Segundo a pasta, um dos fatores para esse aumento pode ser justificado pela alta nas mensalidades, que terão reajuste médio de até 21%, conforme levantamento feito pelo Jornal de Brasília.
“Essa alta nas escolas particulares tende a pesar no orçamento das famílias, sobretudo em uma época de dificuldades na economia. Além disso, verificamos que esse crescimento de alunos egressos da rede privada vem se acentuando nos últimos cinco anos”, afirma Fábio Pereira de Sousa, subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional do órgão.
“A rede pública tem melhorado o índice de concluintes, e a expectativa é que a quantidade de alunos nas escolas públicas venha a reduzir justamente por causa disso”, diz o subsecretário.
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particulares do DF (Sinepe), Álvaro Moreira Domingues, por sua vez, rechaça um cenário de possível migração de alunos da rede privada para as escolas públicas. Por isso, descarta haja qualquer redução significativa em 2016.
“Os dados confirmam o contrário, pois os números mostram que, pelo menos na última década, o que houve foi um crescimento entre 5% e 8% ao ano. Há seis anos, a privada tinha 150 mil alunos na educação básica; hoje, são 196 mil. Portanto, acho difícil que esse processo seja revertido", afirma o presidente do Sinepe.
De acordo com Domingues, um contexto de queda nesse sentido seria confirmado apenas diante de uma crise aguda na economia, o que ele descarta hoje.
Para Luis Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa), caso o País mergulhe, de fato, em uma recessão, tal migração ocorrerá paulatinamente.
“Pode ser que, em um primeiro momento, não haja um prejuízo impactante na rede privada. Mas uma meia dúzia de escolas que não fazem parte do grupo dos grandes empresários não vai durar muito tempo, principalmente considerando um cenário macro”, avalia Megiorin, que, por outro lado, prevê um crescimento em torno de 2% na inadimplência.
Mais 45 mil alunos na rede pública
Hoje, 470 mil estudantes estão matriculados nas 696 escolas públicas do DF. Para 2016, a Secretaria de Educação espera cerca de 45 mil novos alunos. Embora o Censo Escolar do Ministério da Educação de 2013 aponte que a rede pública perdeu 10,5 mil alunos naquele ano, Fábio Sousa, subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional, diz que isso é natural, pois são estudantes que concluíram o Ensino Médio. As escolas particulares ganharam cerca de 17 mil estudantes à época.
Famílias vão em busca de vaga
Diante da alta prevista nas mensalidades das escolas particulares, a universitária Grace Tavares, de 30 anos, não encontrou solução a não ser lutar por uma vaga na rede pública para o filho Cauã, de seis anos.
Desempregada desde junho último, ela se diz sem condições de bancar nem mesmo os atuais R$ 250 mensais de despesas escolares do filho, aluno da 1ª série do Ensino Fundamental. “Estou tentando matriculá-lo em alguma escola do Distrito Federal. Moro no Entorno, mas vou aproveitar que faço faculdade no DF para levá-lo comigo”, conta Grace.
Impacto
Já a bancária Fernanda Bolzan, 34 anos, não descartaria matricular o filho Pedro Bolzan, de três anos, em uma creche pública de qualidade. Preocupada com o reajuste de 15% a ser praticado em 2016 na instituição em que Pedro está hoje, ela diz, no entanto, que o impacto será muito pesado, uma vez que os R$ 900 que paga por mês ficarão muito mais pesados.
“Eu e o meu marido estamos analisando o que fazer. Ele, que é servidor do Governo do Distrito Federal, teve o salário reduzido em 20%. Adoramos a estrutura da creche do nosso filho, mas vamos tentar a melhor saída”, diz Fernanda Bolzan.
Especialista diz que é preciso pesquisar
Pesquisar dever ser a palavra de ordem para os pais que desejam manter os filhos na escola particular sem pagar por mensalidades tão caras, avalia o economista Cesar Bergo, professor da Universidade de Brasília (UnB).
"Vale a pena verificar quais são as instituições privadas que oferecem algum tipo de desconto e bolsas. Há muitas escolas novas, por exemplo, que oferecem mensalidades mais atrativas e têm a qualidade nem tão baixa assim, visto que estão interessadas em se firmar no mercado", afirma Bergo.
Considerações
Ao fazer esse levantamento, porém, um aspecto importante deve ser considerado, segundo o economista. "Essa pesquisa tem que ser feita com pais de outros alunos que tenham vivenciado essa experiência, e não procurar diretamente as escolas, onde o script é sempre o mesmo, e a bolsa oferecida não corresponde à realidade, sendo apenas uma estratégia de marketing", explica o especialista.
No caso de pais que têm mais de um filho, os descontos podem ser ainda mais interessantes. "Em uma situação em que a mensalidade vai pesar no orçamento de casa, é importante tirar da cabeça do filho a questão da escola de grife. É preciso deixar claro que ele vai estudar onde é possível pagar", afirma o professor da UnB.
Mudanças e adaptações
Especialista em Educação e doutor em Psicologia Educacional, Afonso Galvão afirma que tantos os pais quantos os filhos podem sentir o impacto proporcionado pela mudança de ambiente escolar na rotina.
Segundo o especialista, essa reação se dá, sobretudo, pela superioridade culturalmente atribuída às instituições privadas, máxima estruturada nas desigualdades sociais. “A tradição da classe média é educar os filhos na escola particular. E, no caso de uma mudança assim, a adaptação não costuma ser fácil”, diz.
Estrutura deficitária
Conforme Galvão, a inferioridade conferida às escolas públicas ocorre essencialmente por causa da estrutura deficitária na rede ao longo de anos.
“A escola pública entra em greve todo ano, e a particular, não. A escola pública tem problemas em suas instalações, banheiros sujos e quebrados, fiação exposta, ou seja, carece de organização em seu ambiente. Mas nem tanto pelos professores, muitos deles melhores qualificados dos que os das instituições privadas”, argumenta o especialista.
Para Galvão, entretanto, a transição de um aluno que estudou na rede privada durante a educação infantil e o Ensino Fundamental tende a ser mais tranquila. “Por causa do nível de disciplina e aprendizado nesse período, esses alunos chegam à escola pública com a visão de que tudo ali é mais fácil”, afirma.
Prazos
A matrícula de novos estudantes na rede pública segue até 23 de outubro, por meio do número 156.
É preciso informar nome completo, data de nascimento, nome do responsável e CEP da residência ou do trabalho do responsável.
Não é possível escolher a unidade escolar, já que as crianças e os adolescentes são alocados de acordo com o CEP informado.
Quem estuda na rede particular e quer ingressar na rede pública em 2016 pode fazer o registro pelo site www.se.df.gov.br.
Estudantes com deficiência têm até 20 de outubro para fazer a inscrição. É preciso ir à Gerência de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional nas coordenações regionais de ensino e apresentar relatórios médicos e documentos pessoais e escolares do estudante, além de documentos do responsável de onde deseja pleitear a vaga.
Novos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (no Ensino Fundamental, para alunos a partir de 16 anos; no Ensino Médio, para alunos a partir de 18) devem se inscrever de 24 a 31 de outubro. Nesse caso, é possível informar a escola em que o candidato deseja estudar.
Alunos que estudaram na rede pública devem fazer a renovação de matrícula nas secretarias das unidades escolares até 16 de outubro. O remanejamento de estudantes com deficiência acontece no mesmo período.
Apesar de pouco discutido, o racismo na infância e nas escolas existe e precisa ser enfrentado, na opinião de professores e especialistas que destacam a pouca representação de crianças negras nos meios de comunicação como uma das causas do problema.
O estudante Anderson Ramos passou boa parte da 4ª série (hoje 5º ano) sendo chamado de “macaco”, “preto fedido”, “sujo” e ouvindo “piadas” por causa do cabelo crespo. As ofensas vinham de colegas da escola que, assim como ele, tinham 10 anos. O menino relatava os casos para a professora, que nada fez, e para a mãe, que demorou a entender que o filho estava sendo vítima de injúrias raciais.
“Quando comecei a chorar muito para não ir à escola e pedi para raspar o cabelo, minha mãe percebeu que eu estava sofrendo com aquilo, mesmo sem eu saber direito o que era”, afirma Ramos, hoje com 20 anos. “Quando a gente é criança, não tem maturidade para fazer a leitura do que aconteceu, mas sente a dor que o racismo causa. E não é brincadeira de criança, é racismo”, diz o estudante.
Apesar de pouco discutido, o racismo na infância e nas escolas existe e precisa ser enfrentado, na opinião de professores e especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Eles destacam a pouca representação de crianças negras nos meios de comunicação como uma das causas do problema.
Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da instituição, Renísia Garcia Filice acredita que o racismo existe dentro das escolas e ocorre de forma cruel, efetiva e naturalizada. Para ela, essa atitude na infância é fruto do que a criança viu ou vivenciou fora do ambiente escolar.
“A criança pode ter vivenciado isso numa postura dos pais, em algum comentário ou até em algo que os professores fizeram ou deixaram de fazer”, diz Renísia. Segundo ela, alguns professores se omitem em situações de racismo pela falta de informação, por naturalizar os casos ou achar que não é um problema. “Por isso, são necessárias práticas pedagógicas para que as crianças se percebam iguais e com iguais direitos”, acrescenta.
Ildete Batista dá aula para crianças de 5 anos em uma escola no Distrito Federal. Ela afirma que as questões raciais aparecem principalmente no momento de disputa e durante as brincadeiras. Professora há mais de 20 anos, Ildete afirma que faltam referências para as crianças. “O que fica como belo é o que se aparece na TV, nos livros – inclusive nos materiais didáticos. A gente vê muitas propagandas, livros de histórias infantis em que os personagens são brancos.”
A professora desenvolve, na escola, um trabalho contra o racismo e para colocar mais referências africanas na educação. Isso, segundo Ildete, vem dando resultados. “No início do ano, uma menina me disse que não gostava do cabelo dela, por ser crespo. Em um desenho, por exemplo, ela se fez loira do olho azul. Agora, no final do ano, ela se desenha uma criança negra com cabelo enrolado. Isso mostra que o trabalho tem que ser feito e, se ele é feito com respeito, a gente consegue vencer esses problemas”, acredita.
Segundo o professor do curso de direito da UnB Johnatan Razen, quando há ofensas entre crianças, no colégio, os pais devem relatar o caso à escola, para a que a instituição promova ações educativas. “Se o caso envolver um professor ou a ofensa vier da instituição – como obrigar uma aluna a alisar o cabelo –, cabe acionar a Justiça”, orienta. Se tiver conhecimento de atitudes racistas dentro do espaço e se omitir, a escola também pode ser responsabilizada penalmente, de acordo com Razen.
Representação
Para a professora do curso de comunicação social da Universidade Católica de Brasília (UCB) Isabel Clavelin, há uma tendência de aumento na representação de crianças negras nos meios de comunicação, nos últimos anos. “Mas elas figuram em papéis de coadjuvantes e a representação está aquém da proporção de negros no Brasil”, diz a pesquisadora.
“Isso tem um efeito devastador, porque a criança se vê ausente ou não se vê como ela realmente é. Ela está sempre atrás. A interpretação dessas mensagens tem um efeito muito danoso, que é a recusa, de se retirar do espaço da centralidade”, afirma Isabel. “Enfrentar o racismo na infância é crucial e deve mobilizar toda a sociedade brasileira, porque ali estão sendo moldadas todas as possibilidades de identidade das pessoas”, acrescenta.
A escritora Kiussam de Oliviera, que trabalha com a literatura infantil com o objetivo de fortalecer a identidade das crianças negras, afirma que falta representação positiva. “Em um país de maioria negra, não se justifica uma televisão totalmente branca, como nós temos. A partir do momento que as emissoras entenderem que o público negro é grande, nós viveremos uma fase diferente desta que estamos passando, onde há violência por conta da cor da pele, agressões focadas na raça – cada vez mais banalizada.”
O estudante João Gabriel, de 11 anos, sente falta de mais crianças negras na televisão. “Nos desenhos e nos programas de TV, quem é gordo e negro está sempre sendo xingado, é sempre tímido e os outros zoam dele. Aí a gente vê isso e acha que é sempre assim. Os colegas acham que todos precisam ser iguais e ser diferente é ruim.”
Novo Programa
Com a maioria dos personagens negros, começa hoje na TV Brasil o desenho colombiano Guilhermina e Candelário. Para marcar a passagem do Dia da Criança, a emissora exibirá quatro episódios em sequência, às 9h45 e às 13h. A partir daí, o desenho será transmitido de segunda a sábado, na Hora da Criança, faixa de programação de segunda a sexta das 8h15 às 12h e das 12h30 às 17h; e no sábado, das 8h15 às 12h.
A série mostra o cotidiano dos dois irmãos, cuja capacidade de sonhar transforma cada dia em aventura. A cada dia, eles esperam ansiosamente a chegada do Vô Faustino, a quem contam suas aventuras. O avô desfruta das histórias narradas pelos netos e compartilha sua experiência de vida e sabedoria.
Coproduzida pelo Señal Colombia e pela Fosfenos Media, a animação Guilhermina e Candelário é um dos primeiros desenhos do gênero com protagonistas negros a ser exibido na TV aberta brasileira.
Ministros foram escalados pela petista para encontrar saídas para desarmar a estratégia do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Lula Marques/ Agência PT
Dilma esperará sessão de vetos presidenciais para enviar pacote fical
Pelo terceiro dia consecutivo, a presidente Dilma Rousseff reuniu nesta segunda-feira (12) o núcleo duro do governo federal para discutir cenários sobre a possibilidade de abertura na Câmara dos Deputados de um processo de impeachment contra o seu mandato.
A petista recebeu no Palácio do Alvorada os ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), José Eduardo Cardozo (Justiça) e o assessor especial Gilles Azevedo. Os quatro foram escalados pela petista para encontrar saídas para desarmar a estratégia do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O roteiro traçado pelo peemedebista com os partidos de oposição do governo federal prevê que ele deflagre o processo de impeachment nesta terça-feira (13), quando deve avaliar o pedido de afastamento da petista feito pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.
A tendência é que o presidente da Câmara dos Deputados arquive o pedido, levando a oposição a entrar com recurso em plenário -que poderá prosperar se aprovado por 257 deputados. Nesse caso, seria criada uma comissão especial para analisar o tema e a petista só é afastada se o processo de impeachment for formalmente aberto, o que ocorre com o voto de pelo menos 342 dos 513 deputados federais.
A avaliação do Palácio do Planalto é de que, caso o recurso da oposição seja aprovado no plenário da Câmara dos Deputados, será difícil reverter o afastamento da petista.
Com a ameaça de ser deflagrado o processo, o governo federal articula estratégia para frear a movimentação do presidente da Câmara. O Palácio do Planalto tentará carimbar nele a imagem de que age por motivos pessoais, ou seja, por vingança contra a petista.
É uma tentativa de enfraquecer sua legitimidade para dar prosseguimento a um pedido de afastamento da presidente.
Em outra frente, a presidente escalou ministros peemedebistas -como Kátia Abreu (Agricultura), Eliseu Padilha (Aviação) e Henrique Eduardo Alves (Turismo)- para monitorar o comportamento da bancada do PMDB na Câmara e evitar que deputados federais da sigla reforcem o movimento na Casa Legislativa.
Nova legislação permite que estudantes levem armas às aulas; Autor do projeto alega que o direito está "garantido por Deus"
Reprodução/Facebook
Protesto sugere que alunos levem vibradores em vez de armas - que passarão a ser permitidas dentro de campi no Texas
Em protesto contra uma lei que permite a posse de armas escondidas dentro de campi universitários, estudantes do estado do Texas, nos Estados Unidos, planejam protestar usando brinquedos sexuais.
"Você trouxe uma arma para a aula? Bem, eu estou carregando um enorme vibrador", escreveu no Facebook a estudante Jessica Jin, aluna da Universidade de Texas em Austin e organizadora do evento online "Campus Dildo Carry", planejado para o ano que vem, quando a lei entra em vigor.
"O estado do Texas decidiu que não é problemático permitir armas mortais escondidas dentro de salas de aula, mas impõe regras bem rígidas quanto à livre expressão sexual, para proteger sua inocência. Você receberia uma advertência por levar um vibrador à aula (mas não por) levar uma arma. Que Deus nos proteja do pênis", diz o texto do evento online.
O governador do Texas, Greg Abbott, promulgou em junho a nova lei, que abriu brechas para que armas sejam levadas para dentro de salas de aula, dormitórios estudantis e outros edifícios dos campi.
Pessoas com mais de 21 anos que tenham porte de armas poderão ter uma consigo nas aulas. Universidades públicas podem proibir as armas em determinadas partes de seu campus, e universidades privadas podem escolher não aderir à lei.
AP
Defensores das armas argumentam que elas podem conter assassinos que disparam indiscriminadamente
'Direito garantido por Deus'
O autor do projeto, o senador estadual Brian Birdwell, alegou que o direito ao porte de armas é "garantido por Deus".
E simpatizantes da lei argumentam que atiradores que promovem chacinas buscam "áreas livres de armas", como campi universitários e cinemas, para não enfrentar resistência armada.
"Como pai, me sinto mais confortável com meus filhos tendo armas dentro do campus do que tendo um vibrador", comentou um crítico na página do protesto no Facebook.
Mas, para muitos, estimular o armamento de civis pode resultar em mais mortes e mais caos. Um professor emérito da Universidade do Texas em Austin pediu demissão na semana passada, alegando temer por sua própria segurança e a de seus alunos. "Minha percepção é de que o risco de um estudante descontente trazer uma arma à aula e começar a disparar aumentou substancialmente desde a aprovação da nova lei", declarou.
Na mais recente matança universitária nos EUA, em Roseburg, Oregon, um estudante armado não usou sua arma contra o atirador - ele não estava perto do local dos tiros, temeu que a polícia o confundisse com o assassino e não quis colocar sua própria vida em risco.
Fernando Soares, o operador do PMDB, disse em seu depoimento que um dos filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da SIlva se beneficiou por pagamentos do esquema de corrupção na Petrobras. Os valores teriam servido para pagar despesas pessoais.
O jornal "O Globo" publicou a informação de que Fernando Baiano, como é conhecido, contou em sua delação que teria pago gastos pessoais de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. O valor seria de cerca de R$ 2 milhões.
O Instituto Lula afirmou, segundo o jornal, que não fará comentários. A defesa de Lulinha disse que "o sr. Fábio Luis Lula da Silva jamais recebeu qualquer valor do delator mencionado".
BRASÍLIA - Apesar da pressão pelo seu
afastamento do cargo, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
disse neste domingo que sua atuação será "normal" na volta à Câmara após a
divulgação de que contas secretas na Suíça eram usadas por ele para pagar
despesas pessoais da família. Cunha informou que decidirá na terça-feira sobre o
pedido de impeachment elaborado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale
Júnior e apoiado pelo PSDB. AO GLOBO, Cunha defendeu o rito estipulado por ele
sobre o processo de impeachment. Ele definiu que, em caso de rejeição de um
pedido de impeachment, cabe recurso ao plenário da Câmara. E entendeu que
bastaria a aprovação do recurso por maioria simples dos presentes à sessão.
Cunha disse que adotou o mesmo
procedimento definido pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), quando foi
presidente da Câmara. O presidente da Câmara informou também que ainda não tomou
uma decisão sobre o destino que dará ao pedido de impeachment. E, quanto ao
pedido de afastamento do cargo, ele disse que mantém a posição de que não se
afastará nem renunciará ao cargo, argumentando que foi eleito
democraticamente.
— Minha atuaão será normal (na
terça-feira). Vou tomar uma decisão — disse Cunha.
Numa articulação de dois partidos da
base aliada, deputados do PT e do PCdoB ingressaram com três tipos de pedidos no
Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar a tramitação dos pedidos de
impeachment em análise por Cunha. As ações — uma representação e dois mandados
de segurança — foram protocoladas junto ao STF pelos deputados Paulo Teixeira,
Wadih Damous (PT-RJ), aliado do ex-presidente Lula, e Rubens Pereira Júnior
(PCdoB-MA).
— O deputado Paulo Teixeira ir ao STF é
um direito dele, mas a minha decisão de questão de ordem (apresentada pelo líder
do DEM, deputado Mendonça Filho) está correta e seguiu a mesma decisão de Michel
Temer quando era presidente (da Câmara) — acrescentou Cunha.
O Palácio do Planalto teme a atuação
"imprevisível" de Cunha. Por causa disso, a presidente Dilma Rousseff se reuniu
no sábado com três ministros políticos e neste domingo voltou a Brasília para
mais uma conversa com eles. Alguns ministros tentam uma aproximação com Cunha.
Na última terça-feira, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, se reuniu com
Cunha. Segundo relatos, não teriam tratado dos processos de impeachment.
Cunha confirma o encontro. Mas nega que
tenha defendido que o vice-presidente Michel Temer ocupe o Ministério da Justiça
e diz não ter falado sobre o tema "com ninguém". Apesar da negativa,
parlamentares dizem ter ouvido essa argumentação de Cunha.
Nos bastidores, segundo petistas, Cunha
teria a mesma posição do ex-presidente Lula: de que as confusões e vazamentos
sobre a Operação Lava-Jato seriam fruto da má atuação do ministro da Justiça,
José Eduardo Cardozo.
Filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido cerca de R$ 2 milhões do lobista Fernando Baiano.
Líderes da oposição classificaram, neste domingo (11), como muito graves as denúncias de que o filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido cerca de R$ 2 milhões do lobista, tido como operador do PMDB no esquema da Petrobras, Fernando Baiano, para custear despesas pessoais.
Para os parlamentares, as denúncias podem colocar Lula no centro das investigações da Operação Lava Jato. "Se Lula que é o pai, fez o que fez, agora com os filhos enriquecendo, abusando da influência dele, não seria diferente. O fato vem a agregar aos desmandos das pessoas que integram esse esquema criminoso", disse o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).
De acordo com informações publicadas pela coluna "Lauro Jardim" no jornal "O Globo" neste domingo, Fernando Baiano contou que pagou despesas pessoais de Fábio Luís Lula da Silva, filho primogênito do ex-presidente, no valor de cerca de R$ 2 milhões.
A sua delação foi homologada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki na última sexta-feira (9). Baiano ficará preso até 18 de novembro, quando completará um ano preso.
Para Bueno, as denúncias aproximam, cada vez mais, o esquema do Palácio do Planalto e podem chegar a atingir a presidente Dilma Rousseff. "O mar de lama é tão grande que é claro as denúncias ameaçam ainda mais Dilma porque ela é parte integrante do esquema. Ela foi presidente do Conselho da Petrobras. Sabia o que estava acontecendo", disse.
"Se a delação for confirmada, é um fato gravíssimo. Chega na cúpula do governo", afirmou o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE).
O líder do partido no Senado, Ronaldo Caiado (GO), por sua vez, afirmou que, "uma vez comprovada a ligação entre um dos principais lobistas do petrolão e o filho do ex-presidente, cai por terra qualquer linha de defesa de Lula que o coloca como corpo estranho às investigações da Lava Jato".
Para ele, com a delação validada abre-se um novo capítulo das investigações que colocam Lula no centro da Lava Jato. "o fato novo é grave e merece uma investigação profunda e aberta. Só assim podemos identificar e acelerar a prisão do cabeça de todo o esquema do petrolão", afirmou.
Guarda os seus pertences em sacos de plástico. Vagueia pelas ruas de Washington. Mas Alfred Postell é, muito provavelmente, o sem-abrigo mais qualificado da cidade. Tem diplomas, prémios e certificados suficientes para encher um armário. O que lhe aconteceu?
O juiz pousou o olhar no sem-abrigo acusado de dormir em frente a um edifício de escritórios na Baixa de Washington. Era um sábado à tarde do início de Abril e no Tribunal de Instância Superior, diante do juiz Thomas Motley, estava Alfred Postell, diagnosticado com uma esquizofrenia. Postell tinha o cabelo um pouco comprido e grisalho. A barriga saía-lhe das calças. A barba estava desalinhada.
“Tem o direito de permanecer em silêncio”, disse-lhe um oficial, de acordo com a transcrição da acusação. “Qualquer coisa que diga, sem ser ao seu advogado, pode ser usada contra si.” “Eu sou advogado”, respondeu Postell. Motley ignorou aquela declaração bizarra, pesando se Postell, acusado de invasão de propriedade, apresentaria risco de fuga. “Tenho de voltar [à barra]”, protestou Postell, oferecendo uma explicação: “Passei o exame na Catholic University, fui admitido no Constitution Hall. Prestei juramento como advogado no Constitution Hall em 1979; licenciei-me em Harvard em 1979.” Isto já chamava a atenção de Motley. Também ele se licenciara na Faculdade de Direito de Harvard em 1979. “Sr. Postell, eu também”, disse-lhe Motley. “Eu lembro-me de si.”
Este sem-abrigo — que guarda os seus pertences em sacos de plástico brancos, vagueia por um cruzamento da Baixa e às vezes dorme numa igreja — estudou juntamente com o chefe do Tribunal Supremo, John G. Roberts, e o antigo senador do Wisconsin Russ Feingold. Todos eles se licenciaram em Harvard em 1979. Motley (que não quis ser entrevistado para este artigo) fez uma breve pausa antes de concluir: “Não tenho qualquer escolha neste caso.” Ordenou que o antigo colega fosse para a prisão até que as acusações contra ele estivessem resolvidas.
Numa cidade com milhares de sem-abrigo, é possível que Postell seja o mais qualificado deles todos. Diplomas, prémios e certificados enchem um armário no apartamento da sua mãe, como artefactos enterrados de uma vida perdida. Tem três licenciaturas: Contabilidade, Economia e Direito.
Numa noite de Verão, senta-se dentro de um McDonald’s, com uma toalha branca enrolada na cabeça como um turbante. Ouvi-lo falar da sua vida é como irromper num sonho. Ao princípio tudo parece normal. Mas rapidamente as coisas entram no caos. A cronologia vem aos soluços. Pensamentos incongruentes colidem uns com os outros. “Charleston”, diz ele, “eu tinha propriedades lá, na cidade. Os campos de algodão ficavam fora dos limites da cidade. Os campos de algodão: ficavam fora dos limites da cidade. Apanhei algodão uma única vez na minha vida. Mas os campos de algodão ficavam para lá dos limites da cidade. Eu vivia dentro da cidade. Tínhamos propriedades lá. Herdámos a propriedade. Pouco depois, conduzi até San Diego, Califórnia. Estava apaixonado por uma rapariga.”
Todas estas frases remetiam para o mesmo ponto. Ancoravam Postell nas águas turbulentas da esquizofrenia. Postell, dizia ele a si próprio e aos outros, tinha estudos. Trabalhava duramente. Saía-se bem.
Nasceu em 1948, único filho de uma mãe costureira e pai instalador de toldos. Cresceu a saber o que significa a privação. Era um rapaz normal, diz a mãe, Ruth Priest, mas sempre focado e motivado.
Queria mais do que os pais tinham. Por isso, depois de terminar o liceu, juntou um emprego a um curso no Strayer College. Os êxitos levavam a êxitos. Passou no exame e conseguiu trabalho como gestor de auditorias numa empresa de contabilidade, a Lucas and Tucker, onde diz que recebia um salário anual de 50 mil dólares (42 mil euros), o que na altura era muito dinheiro.
Mas não ficou por ali. Foi para a University of Maryland tirar o curso de Economia. E, ainda antes de se licenciar, apresentou uma candidatura a Harvard — e foi aceite.
“Parecia que a cada dois anos eu ficava a saber que tinhas subido mais um patamar”, escreveu E. Burns McLindon, um gestor importante de Bethesda, no Maryland, que foi professor de Postell em Strayer, numa carta que ele emoldurou. Foi em Strayer que recebeu o Prémio Aluno de Excelência. “O teu caso”, escreveu McLindon, que morreu em 2012, “serve de verdadeiro exemplo aos nossos jovens de hoje para que encontrem dentro deles determinação e ambição para ter sucesso”.
Folhear o livro online do ano de 1979 da Harvard Law School é um exercício semelhante a ver “Antes de eles serem famosos”. Lá está John Roberts com uma massa de cabelo. Lá está o sorridente Ray Anderson, que se tornou vice-presidente executivo das operações de futebol da NFL (Liga Nacional). Lá está Thomas Motley, 24 anos, activo na Associação de Estudantes Negros, de fato e gravata. E lá está Alfred Postell. Tem 31 anos, mais velho do que a maioria, usa um bigode bem cuidado e tem já entradas no cabelo. Tem o olhar de um homem bem sucedido na vida. E que espera ainda muito mais.
O colega Marvin Bagwell, vários anos mais novo, lembra-se dele a chegar às aulas de sobretudo e laço enquanto os outros se arrastavam, de olhos sonolentos. “Havia nele uma dignidade muito discreta”, diz Bagwell, agora vice-presidente de uma grande empresa de seguros. “Era brilhante e conseguia fazer perguntas introspectivas que iam ao âmago da questão.”
O mesmo sentimento foi expresso por outros cinco colegas. “Trabalhava com muito afinco e era extremamente disciplinado”, comenta Piper Kent-Marshall, há muito conselheiro da Wells Fargo. E vestia-se imaculadamente e cheio de aprumo. “Não me espantaria se alguém me dissesse que fazia manicure”, comentou outro colega de turma.
Por isso, os licenciados de Harvard ficaram tão surpreendidos quando souberam do seu destino. Como é que este homem — tão articulado, tão elegante — acaba numa existência invisível nas franjas da capital do país?
Havia nele uma dignidade muito discreta. Era brilhante e conseguia fazer perguntas introspectivas que iam ao âmago da questão.”
É uma história incrivelmente trágica e triste”, diz Kent-Marshall, “porque na Faculdade de Direito ele era um dos melhores alunos e um homem muito, muito, muito inteligente e charmoso”.
Se houver pistas para o que terá precipitado a queda de Postell na esquizofrenia, estão enterradas nos anos após a licenciatura, quando voltou a Columbia.
Aceitou um emprego num escritório que era então conhecido como Shaw Pittman Potts & Trowbridge, um escritório respeitado que no ano anterior tentara sem sucesso recrutar a futura juíza do Tribunal Supremo Sonia Sotomayor. Naqueles anos, a empresa estava a expandir-se muito rapidamente. Quando Postell chegou, segundo duas pessoas que trabalhavam lá na altura, ele era o único advogado negro do escritório. Devido à sua formação em Contabilidade, foi colocado na equipa fiscal e rapidamente conheceu um jovem advogado chamado Frederick Klein. Foram contratados com um ano de diferença. Ambos ganhavam 35 mil dólares. Klein ficou impressionado com a forma como Postell se vestia. “Era muito urbano”, diz Klein, que agora está no DLA Piper Global Law Firm. Era culto, atencioso, discreto.
Postell era tão discreto que, na verdade, vários advogados que trabalharam na Shaw Pittman não se lembravam de nada acerca dele. Klein e outros dois que se recordavam não conseguiram, ou não quiseram, dizer porque é que poucos anos depois de o ter contratado a empresa o deixou partir.
“Não fico muito confortável por estar a falar nisto”, comentou por email Martin Krall, que chegou a ser sócio da Shaw Pittman. “Já foi há muito tempo, já não sou sócio há mais de 20 anos e não tenho acesso aos arquivos do pessoal, se é que ainda existem.”
Talvez o facto de poucos se lembrarem do que aconteceu a Postell seja aquilo que trai a sua doença. A esquizofrenia assusta. Algumas pessoas, especialmente as bem sucedidas como ele, conseguem esconder os sintomas durante meses. Enquanto a vítima se retira da vida social e do trabalho, mergulhando no isolamento, familiares, amigos e colegas podem nem sequer dar por nada.
E depois há um corte. Os psicólogos referem-se a este momento como “surto psicótico” ou “primeiro surto”. É quando se quebra a ligação com a realidade que a vida se divide nestas duas categorias distintas: antes e depois.
“Infelizmente, o declínio rápido não é invulgar”, afirma Richard Bebout, director do Green Door, um centro de saúde mental que trabalha com sem-abrigo. “Conheço pessoas que tiraram Medicina, fizeram a faculdade e licenciaram-se com as melhores notas e, de repente, vêm-se abaixo. É como a história de John Nash em Uma Mente Brilhante.”
A velocidade com que acontece pode deixar as famílias sedentas de respostas.
“Ele tinha todas aquelas coisas chiques, um bom barco que costumava velejar por todo o lado”, diz uma familiar, LaTonya Sellers Postell. “Estava a viver uma vida de ricos. E, de repente, foi-se abaixo. Ninguém sabe exactamente o que aconteceu... Perdeu todos os seus bens materiais. É de loucos. Absolutamente de loucos.”
Nem a sua mãe, de 85 anos, consegue explicar o que aconteceu. Um dia, uma escuridão abateu-se sobre o filho, diz Priest. Não parava de dizer que ia ser preso. Achava que a polícia estava atrás dele. E a seguir teve uma má separação da mulher que amava. Pouco tempo depois, teve o seu surto psicótico.
“Eu tinha medo”, conta a mãe. “Ele corria lá para baixo e eu perguntava: ‘O que se passa? O que se passa?’ E tentava abaná-lo um bocado para o trazer de volta. E ele começava a chorar... E desde então foi por aí abaixo, abaixo, abaixo.”
Quando achou que já não conseguia tratar dele, a mãe foi procurar uma pastora evangélica local, Marie Carter, que o acolheu em casa, em meados dos anos 1980.
A sua filha, agora com 60 anos, achou que Postell ficaria lá por algumas semanas ou meses. Mas ele ficou décadas, passando dias inteiros à frente da televisão ou vagueando por um parque próximo, a ver as pessoas passar.
É estranho, como 30 anos passam depressa. A única marca que Postell deixou no registo público durante esse período foi em forma de acusações criminais. Foi acusado de roubo em 1989 pelo tribunal de Ocean City. Também teve outras acusações menores na década de 1990. Mas, para além disso, foi um fantasma.
“Entras numa empresa, tens prestígio”, diz Postell. “E quando perdes essa posição é como um suicídio. É o fim. É a atrofia. Ou, como diz um contabilista, é para se tornar obsoleto. Sabes o que isso quer dizer? Obsolescência. Para além da tua vida útil. Eu estava para lá da minha vida útil.”
Postell ficou à deriva. Todos os dias passava pelas mesmas montras. Uma delas era a loja de café Avondale — até ser barrado pelo dono, levando à sua detenção em Abril de 2014. Postell acabou por ir parar ao Brawner Building, na Baixa. A polícia prendeu-o lá por duas vezes, acusando-o de invasão de propriedade privada. Alegações que, ao fim de 30 anos, levarão Postell a encontrar-se novamente com Thomas Motley.
Depois de se licenciar em Harvard, Motley foi trabalhar para a Steptoe & Johnson, um importante escritório de advogados em Washington. Depois, tornou-se delegado federal do Ministério Público, até ser nomeado pelo Presidente Bill Clinton.
No dia em que Motley ficou frente a Postell, o sem-abrigo não o reconheceu. Tinham passado demasiados anos. Mas diria mais tarde que se lembrava de Motley nas aulas. (Mas não se lembra do presidente do Supremo, Roberts.)
Em Junho, foi ilibado de umas das acusações de entrada ilegal. Outra foi retirada. E assim passa novamente a maioria dos dias no edifício Brawner, perto da Farragut Square. Rhett Rayos, o gerente do edifício, diz ter esperança de que Postell “receba o apoio e serviços que precisa”.
E há esperança. A equipa de saúde mental da Green Door começou a trabalhar com ele, tal como a Pathways to Housing, outra organização que ajuda sem-abrigo. A mãe tentou juntar algum dinheiro para o tirar da rua.
Mas nada disso parece interessá-lo quando numa manhã recente está sentado sozinho à porta do Brawning Building. Tem espalhados jornais aos pés. Agarra num.
“O jornal usou o termo ‘troglodita’”, diz. “Troglodita: Homem das grutas.”
Depois, perde-se nas suas memórias. “Vivi num prédio de apartamentos na Presidential Towers. Poderia ser considerado um homem das grutas. Tinha varanda. Uma varanda no último andar. Um apartamento no último andar das Presidential Towers. Podia ser considerado um homem das cavernas.”