segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Haddad diz que polarização impede pedido de desculpas do PT por escândalos

Visto como 'plano B' do PT caso Lula seja condenado em 2ª instância e não concorra à Presidência, ex-prefeito de São Paulo diz que ex-presidente terá papel fundamental na decisão sobre sua candidatura em 2018. 

Pouco menos de um ano após perder a chance de reeleição para João Doria (PSDB), o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), está com a agenda cheia. Desde que deixou o cargo, ele tem feito uma série de viagens pelo Brasil, se encontrando com políticos de esquerda, realizando palestras e dando entrevistas.
Ex-prefeito diz que não teria deixado o PT para disputar as últimas eleições porque 'a população não entende traição de última hora'
Ex-prefeito diz que não teria deixado o PT para disputar as últimas eleições porque 'a população não entende traição de última hora'
Foto: BBCBrasil.com
Visto por alguns como um "plano B" do PT caso Lula seja condenado em segunda instância e não concorra à Presidência, Haddad nega estar em pré-campanha e diz descartar um cenário sem o ex-presidente em 2018. 

Segundo Haddad, Lula também terá papel fundamental na decisão sobre uma eventual candidatura a outro cargo ano que vem. "Eu vou querer ouvi-lo antes de tomar qualquer decisão. Não que necessariamente acate, mas quero ouvi-lo". 

Em entrevista à BBC Brasil na sede do Insper na última sexta-feira, Haddad afirma que o atual momento político polarizado impede uma autocrítica maior por parte do PT. "É difícil você conseguir que as partes façam as autocríticas cabíveis e promovam uma virada de página porque tudo virou briga de facção no Brasil". 

Haddad também fez críticas ao atual prefeito de São Paulo, João Doria. "A estratégia do Doria é só comunicacional. Ela não tem nenhuma outra finalidade. É uma estratégia de marketing. Pura e simplesmente." 

O ex-ministro da Educação também está de volta ao magistério. Há cerca de três meses pediu licença da Universidade de São Paulo para dar aulas no Insper, instituição privada cujas mensalidades beiram os R$ 4 mil na graduação. 

O ex-prefeito se mostra cético quanto à proposta de reforma política relatada na Câmara pelo petista Vicente Cândido e defende uma solução que chama de heterodoxa: que o STF tome a frente da reforma. 

Confira os principais trechos da entrevista à BBC Brasil:
BBC Brasil - O senhor viajou para diversos Estados nos últimos seis meses. Está iniciando uma pré-campanha, como Lula e Dória?
Fernando Haddad - Não. Na verdade, eu estou atendendo a um pedido do Lula. Ele me pediu para rodar as universidades. Eu me coloquei à disposição para integrar a equipe que vai formatar o plano de governo dele.
No começo do ano, quando ele me perguntou o que eu queria, falei que gostaria de ajudar a formular uma plataforma para a sua candidatura. Aí, ele falou: 'Une o útil ao agradável. Você está sendo convidado para dar palestras no Brasil. Nesse périplo, você pode se conectar a pessoas, estabelecer relações com pessoas no Brasil inteiro. Você tem um nome forte na educação em função do seu trabalho no MEC (Ministério da Educação) e seria uma oportunidade ótima para nós".
BBC Brasil - Movimentos sociais e políticos acabam de lançar um projeto chamado Vamos!. Como o senhor vê essa nova movimentação da esquerda?
Haddad - É natural que, diante de uma crise tão profunda, existam várias iniciativas. Eu entendo que é bom para o processo que haja mais de uma iniciativa. Considero importante a candidatura do Ciro (Gomes). Considero importante esse movimento Vamos!, considero mais importante ainda a candidatura Lula.
Mas eu penso que esses movimentos fazem parte do mesmo diagnóstico: de apresentar uma plataforma de superação da crise alternativa ao governo Temer. Porque o governo Temer é o que está posto hoje. E precisa de uma alternativa a isso. E o governo Temer certamente terá alguém do PMDB ou do PSDB para defender.
BBC Brasil - Mas é possível criar uma plataforma comum para essas esquerdas?
Haddad - Não saberia te dizer hoje e consideraria até prematuro.
BBC Brasil - Se o Lula for condenado em segunda instância, ele pode ter sua candidatura impedida pela Lei Ficha Limpa. O que o PT deveria fazer nesse caso?
Haddad - Não estamos trabalhando com essa hipótese. Para nós é muito caro o processo de revisão da sentença.
Lula está sendo acusado de uma suposição de que ele trocaria um apartamento por uma cobertura sem pagar a diferença. Não existe absolutamente nada no processo que indique que isso seria feito. E nem por que seria feito, que é um pressuposto do crime de corrupção.
É você indicar o ato que beneficiou aquele que está te favorecendo. Então juridicamente é frágil.
BBC Brasil - O fato de o PT estar se focando no Lula é um sinal de que o partido não conseguiu criar um quadro novo para substituí-lo?
Haddad - Um Lula é a cada 50, 100 anos que surge. Então, num certo sentido, o Lula não tem substituto, porque ninguém tem o carisma e a trajetória que ele tem. A trajetória dele é única.
Então, nesse sentido, o PT faz bem em dizer que não há plano B (à candidatura Lula). Agora, o próprio Lula hoje (sexta-feira) deu uma entrevista citando os governadores do PT. Citou Wellington Dias (governador do Piauí), citou Jaques Wagner (ex-governador da Bahia), citou Rui Costa (atual governador da Bahia).
BBC Brasil - Deveria ter citado Fernando Haddad?
Haddad - Certamente, alguém vai ligar para ele e dizer que ele esqueceu alguém e ele vai citar numa terceira entrevista.
Eu estava dando uma entrevista e citei Tarso Genro, Olívio Dutra. Por que não?
BBC Brasil - Lula teve que escolher a Dilma como pessoa de confiança quando não podia concorrer novamente à Presidência. Caso ele fique sinucado judicialmente, o senhor seria uma opção?
Haddad - Eu acho que ninguém deveria encarar essa possibilidade dessa forma. Os esforços não podem ser outros a não ser o de fortalecer a candidatura do Lula, de pedir Justiça, o que significa a revisão da sentença. Qualquer outro movimento é um movimento que não deveria ser feito.
BBC Brasil - O Fernando Haddad em 2018 pretende se candidatar a senador, a deputado, governo de São Paulo?
Haddad - Eu vou querer ouvir o Lula sobre isso.
BBC Brasil - O senhor aceitaria ser vice do Lula?
Haddad - Eu vou querer ouvir ele. Fui ministro a convite dele. Fui candidato a prefeito a convite dele. O mínimo que eu devo é a lealdade de perguntar para ele o que seria melhor para o projeto que ele e todos nós representamos.
Tem mais experiência política do que eu. Eu vou querer ouvi-lo antes de tomar qualquer decisão. Não que necessariamente eu vou acatar, mas eu quero ouvi-lo.
BBC Brasil - É possível trazer o Ciro ou o PSB para uma candidatura em volta do Lula?
Haddad - Está havendo muita conversa. Os dirigentes do PT conversam com os dirigentes de outros partidos. O Ciro é uma pessoa próxima nossa. Foi ministro nosso e um bom ministro. Um bom governador. É uma pessoa muito qualificada.
O PSB também tem quadros importantes. Tem governadores muito próximos. Ricardo Coutinho (governador da Paraíba), um grande quadro. Tive com o Paulo Câmara (governador de Pernambuco) esses dias no Recife.
BBC Brasil - Vocês estão estudando uma convergência com o PSB?
Haddad - Isso, por incrível que pareça, não é possível antecipar. Porque é muito grave a situação. Imagine se passa o distritão. Com quem você vai dialogar? É o fim dos partidos.
BBC Brasil - Mas o relator da reforma política que propõe o distritão é um petista (Vicente Cândido)…
Haddad - Não é ideia dele. É relator. Ele tem que aprovar um texto para ir a plenário. Não vamos também colocar a culpa em quem não tem. Tem que apanhar a opinião da maioria. Mas é o fim dos partidos. Se juntar parlamentarismo com o distritão… São duas propostas que no meu conceito de democracia…Não tenho aderência nenhuma a essas ideias.
BBC Brasil - O que o PT deveria propor em termos de reforma?
Haddad - Um fundo público modesto, para fazer campanhas que tenham sustentabilidade econômica com a sobriedade que a crise exige, e o fim da coligação proporcional.
Essas duas medidas representam mais da metade das tarefas que precisam ser cumpridas.
BBC Brasil - E a cláusula de barreira (dispositivo que restringe ou impede a atuação parlamentar de partido que não alcança um determinado percentual de votos)?
Haddad - A cláusula de barreira não é necessária se você acabar com a coligação proporcional. Eu manteria os partidos pequenos ideológicos. É importante para o Brasil ter um PSOL, PSTU, PCO. Os da direita também. É importante isso.
O fim da coligação proporcional vai fazer com que os partidos se organizem em torno de ideários mais robustos e, portanto, não tenha 30 partidos. Tenha quatro, cinco. O que vai possibilitar o presidente da República compor uma maioria com base em princípios e valores e plataforma política, que é o que tem que ser.
BBC Brasil - Então um fundo público ficaria mais barato do que voltar às doações de empresas?
Haddad - Muito mais barato. Olha o que deu no Brasil deixar empresa financiar campanha política. Acabou com o país.
BBC Brasil - Os jovens são a principal força da direita no Brasil? Temos o MBL, o Vem Pra Rua, mas não vemos nenhuma grande militância de esquerda.
Haddad - O Vamos! tem muito jovem.
BBC Brasil - Mas não tem esse poder de mobilização do Vem Pra Rua e MBL...
Haddad - A direita tem dinheiro, não tem mobilização. A atuação nas redes sociais da direita é com dinheiro. E muito dinheiro, inclusive dinheiro de fora do Brasil. Tem financiamento externo nessa atuação em rede desses movimentos sociais. Isso declaradamente. Nem eles negam isso. Tem petrolíferas americanas, tem tudo.
Saiu uma boa reportagem no The Intercept sobre isso. Mostrando como o dinheiro dos tycoons americanos está circulando na América Latina patrocinando ONGs, institutos, movimentos espontâneos.
BBC Brasil - Tem fundos patrocinando movimentos de esquerda também, fundações de partidos de esquerda alemães…
Haddad - Tem? Ótimo.
BBC Brasil - Em artigo na (revista) Piauí, o senhor disse que os protestos de 2013 tinham como pano de fundo uma movimentação patrocinada em redes sociais e que o Putin e o Erdogan teriam avisado o Lula e a Dilma sobre isso. O senhor acha que os protestos de 2013 foram manipulados?
Haddad - É um pouco mais complexo que isso. O que eu disse e repito é que o MPL (Movimento Passe Livre) tem uma forma de organizar protestos e de dialogar com a institucionalidade de partidos e governos que foi, na minha opinião, raptada por grupos que tinham outros objetivos. E que usaram aquela forma para fazer valer os seus pontos de vista.
O MPL estava defendendo uma tese dele. Só que a forma que ele escolheu para defender a tese dele favoreceu grupos que queriam minar as bases institucionais da democracia. Que, ao meu ver, levaram ao impeachment.
BBC Brasil - O senhor não acredita que esse discurso de neoliberalismo, privatizações, porte de armas não é mais atrativo para os jovens hoje que distribuição de renda e programas sociais?
Haddad - Pode acontecer porque quando existe uma crise sistêmica, em geral as pessoas ficam muito mais conservadoras. Isso tem vários precedentes históricos. Quando tem uma crise sistêmica, a tendência das pessoas não é a superação positiva. É uma reação conservadora. Um instinto de proteção meio atávico. As pessoas vão buscando proteção pelo supremacismo branco americano, volta da Ku Klux Klan, essas coisas.
As pessoas vão buscar refúgio nesse tipo de atitude. Vão buscando o que eles entendem que sejam os iguais. Buscando proteção em grupos cada vez menores. E isso aumenta a intolerância.
'O mínimo que devo ao Lula é lealdade', diz Haddad sobre possibilidade de ser candidato no próximo ano
'O mínimo que devo ao Lula é lealdade', diz Haddad sobre possibilidade de ser candidato no próximo ano
Foto: Ricardo Stuckert
BBC Brasil - O senhor perdeu em primeiro turno, perdeu muito voto na periferia. Aquela população que tinha virado a base do lulismo aparentemente abandonou o partido e a candidatura do senhor. A gente pode avaliar que é mais provável uma vitória da direita no próximo ano?
Haddad - A tendência mundial é de uma disputa entre a direita e a extrema-direita, conforme eu afirmei e dei exemplos. Holanda, França, Estados Unidos, Inglaterra com o Brexit.
A tendência é essa, mas no Brasil há duas variáveis que podem mudar a história.
Uma delas é o Lula e a outra é o governo Temer, que pode aglutinar contra si forças que impeçam a continuidade do projeto que ele representa.
BBC Brasil - O senhor acha que se não tivesse no PT teria tido mais chances em São Paulo?
Haddad - Não. Não porque a população não entende esses gestos de traição de última hora. Não entende isso. E outra, (o PT) tem um milhão e meio de filiados. De pessoas que a vida inteira se dispuseram a lutar por mais igualdade, por mais oportunidade.
Você não pode rifar uma experiência histórica em função de uma dificuldade.
BBC Brasil - O PT deveria tentar montar uma frente de esquerda, com um nome diferente?
Haddad - É o que estava previsto, né? Antes da crise, o Lula sempre disse que em 2018 o ideal seria apoiar um candidato de outro partido, numa frente mais ampla que o próprio PT poderia ajudar a constituir.
BBC Brasil - Isso está descartado agora?
Haddad - Está em função da candidatura Lula, que se impôs pela marcha mais acontecimentos. Mas não era o roteiro original, vamos dizer assim.
BBC Brasil - Como petista, o senhor se preocupa mais com Doria, Alckmin ou Bolsonaro no ano que vem?
Haddad - Óbvio que é o Bolsonaro. Mas eu acredito que ele seja o que tem menos chance de chegar à Presidência. Mas eu não considero nenhum dos três apto a governar o país. De maneira nenhuma. E não falo isso como crítica pessoal.
BBC Brasil - Mas com base em quê? Passado político?
Haddad - As circunstâncias são muito difíceis. Exige muita experiência, muito traquejo político. Exige um tipo de ousadia que não é a do espalhafato, não é a do marketing. É um tipo de ousadia da sobriedade, do estadista. Essa combinação não é uma combinação simples. Eu até gostaria que tivesse alguém dessa direita que tivesse estatura. Um John McCain (senador do partido Republicano nos EUA) aqui.
BBC Brasil - No Brasil, o senhor identifica alguém que já foi assim?
Haddad - O Fernando Henrique foi. Um cara de direita que tinha envergadura para presidir.
BBC Brasil - Doria, como o anti-Lula, tem capacidade de repetir o que aconteceu com o senhor no ano passado?
Haddad - Como candidato eu não saberia responder. Como presidente, a minha opinião é que não está à altura do que foi colocado.
BBC Brasil - O senhor não descarta uma viabilidade eleitoral do Doria?
Haddad - Não. Tudo é possível no Brasil de hoje. Absolutamente tudo.
BBC Brasil - No artigo da Piauí o senhor falou que a corrupção no Brasil é mais do que sistêmica, que é um 'corolário do nosso patrimonialismo'. O senhor tentou isentar o PT de responsabilidade dos problemas da corrupção?
Haddad - O que eu quis dizer é que não é fácil você fazer reforma política. E por que não é fácil? Porque o Congresso se protege da reforma política. A única reforma política que o Congresso aceita é aquela que o beneficia. Distritão, fundão, parlamentarismo. Eles só fazem a reforma política que os beneficia. O chefe do Executivo sempre fica de mãos atadas.
Por isso eu vejo com bons olhos o Supremo declarar inconstitucional a contribuição empresarial a campanhas. Ou essa sinalização que o Supremo está dando de que vai declarar inconstitucional a coligação proporcional. Porque a reforma parece impossível por dentro do sistema. Por dentro do Congresso ela parece impossível, a não ser para pior.
BBC Brasil - Como faz a reforma então? Constituinte exclusiva?
Haddad - Não. Por que quem você vai eleger como os constituintes?
BBC Brasil - Então não tem muito jeito?
Haddad - O Supremo tem feito a reforma. O que eu estou dizendo é que se resolver o problema do financiamento e da coligação proporcional, nós vamos melhorar a representação em 2018. Já é um caminho.
BBC Brasil - O senhor estava criticando essa crise institucional e está defendendo que o Supremo atue como legislador.
Haddad - Na reforma política, eu não vejo saída. Porque o sistema não se autorreforma. Então, é heterodoxa a saída.
Até do ponto de vista jurídico, o Supremo poderia declarar inconstitucional a contribuição empresarial? Tem gente que diz que diz que foi uma exorbitância. Mas de que outro jeito ia se colocar ordem no financiamento de campanha?
Há quem diga que não dá para resolver pelo Supremo. Tem que resolver pela Constituição, pelo Congresso. Mas o Congresso não quer pôr ordem nas coisas. Interessa aos integrantes manter essa desordem.
BBC Brasil - Voltando à responsabilidade do PT. O PT não deveria pedir desculpas, reconhecer os erros e expulsar os envolvidos em corrupção?
Haddad - O problema todo é de natureza política, num sentido muito preciso. Se não houvesse seletividade dos vazamentos, seletividade do tratamento…
Não vi nenhum tucano ser conduzido coercitivamente a lugar nenhum. Tucano preso parece que o Ibama proíbe. Não tem nenhum. Nem julgado. Tem processo se arrastando há 20 anos, que não se julga. Então nesse contexto é mais difícil você conseguir que as partes façam as autocríticas cabíveis e promovam uma virada de página porque tudo virou briga de facção no Brasil. Se estivéssemos numa normalidade institucional esses gestos seriam mais frequentes.
Haddad diz que estratégia de Doria na Prefeitura de SP baseia-se apenas em comunicação e marketing
Haddad diz que estratégia de Doria na Prefeitura de SP baseia-se apenas em comunicação e marketing
Foto: Secom
BBC Brasil - O eleitor não merece?
Haddad - Eu acho é que o ano de 2017 é muito mais favorável a esse tipo de gesto do que 2016, porque em 2016 nós vivemos uma situação de fraude no ponto de vista da informação. Represaram as informações contra o PSDB e contra o PMDB. Todo mundo sabia que elas existiam e não vinham a público.
Isso causou um desequilíbrio e é muito difícil você cobrar de quem quer que seja.
BBC Brasil - Então por causa dessa polarização, o senhor acha que o PT erraria se pedisse desculpas?
Haddad - Não é questão de errar ou acertar. É saber o efeito que aquilo vai ter. Porque tem que produzir um efeito de superação. Todo mundo tem que entender aquele gesto. Qualquer gesto político você tem que pensar no efeito que ele vai ter.
Então o contexto tem que estar preparado para aquele gesto, para que você promova a superação da situação.
BBC Brasil - E não tem esse contexto agora?
Haddad - Está sendo construído e tem gente contra essa construção. Tem gente querendo impedir que ela aconteça. Então, vamos pegar alguns casos. O mesmo Senado tratou o Delcídio de um jeito e o Aécio de outro. Não estou dizendo qual é o certo. Estou dizendo que são duas coisas completamente diferentes. O mesmo Senado.
A mesma Câmara tratou a Dilma de um jeito e o Temer de outro. Completamente diferente.
É um desequilíbrio muito grande em tudo. Isso vai impedindo avanços quando você nota esse desequilíbrio.
BBC Brasil - Como o senhor vê as pesadas críticas do João Doria ao PT e sua gestão?
Haddad - A estratégia do Doria é só comunicacional. Ela não tem nenhuma outra finalidade. É uma estratégia de marketing. Pura e simplesmente. Os termos com os quais ele se dirige a Dilma, por exemplo, e ao Temer não têm a ver com uma métrica ética que vale para todo mundo. Tem a ver com uma lógica de disposição e uma lógica de angariar apoio. É assim que funciona.
Chamar uma mulher de anta. Qual é o sentido disso? A não ser o de se apresentar de uma determinada maneira. E se aliar ao Temer? O que está por trás disso? Do meu ponto de vista, é só uma lógica comunicacional.
BBC Brasil - Que erros o senhor cometeu na prefeitura?
Haddad - Eu acredito que o de comunicação foi o maior. Mas tem coisas que é difícil explicar. É difícil explicar para taxistas que eu tinha que regulamentar o Uber.
BBC Brasil - Foi comunicação o seu pior erro?
Haddad - Foi com certeza. Mas tem decisões que eu tomei que são difíceis de comunicar. A regulamentação do Uber traz para a cidade de São Paulo entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões de arrecadação. E o Uber ia operar na cidade eu querendo ou não porque eles tinham ganhado na Justiça.
Então, a regulamentação significou botar ordem no sistema e aumentar a arrecadação da cidade num momento difícil. Como é que você comunica isso para 35 mil taxistas? Então eu tinha 35 mil cabos eleitorais contra durante a eleição. Como é que você resolve isso? 

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/haddad-diz-que-polarizacao-impede-pedido-de-desculpas-do-pt-por-escandalos,efc528395053c05b3cbbe46d7fdf7b34m3dt0pcj.html

Ação da polícia e Forças Armadas no Rio prende ao menos 20

Pelo menos 20 pessoas foram presas na manhã de hoje (21) em operação conjunta das polícias estaduais, federais e das Forças Armadas, em sete comunidades da zona norte da cidade do Rio de Janeiro. A ação faz parte do plano federal de segurança para o estado do Rio. 

 
Cerca de 20 pessoas presas durante operação das Forças Armadas e polícias em sete comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), chegam à Cidade da Polícia, na manhã desta segunda-feira (21).
Cerca de 20 pessoas presas durante operação das Forças Armadas e polícias em sete comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), chegam à Cidade da Polícia, na manhã desta segunda-feira (21).
Foto: José Lucena/Futura Press
Os policiais cumprem ordens judiciais em sete comunidades da zona norte do Rio de Janeiro: Jacarezinho, Alemão, Manguinhos, Mandela, Bandeira Dois, Parque Arará, além do Condomínio Morar Carioca. 

Enquanto isso, os militares fazem cerco às comunidades afetadas. O espaço aéreo sobre essas áreas está restrito para aeronaves civis, mas o tráfego do Aeroporto Internacional Tom Jobim, que fica nas proximidades, não foi afetado. 

Além das polícias estaduais (Civil e Militar) e das três Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), participam da ação agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional de Segurança Pública e da Agência Brasileira de Inteligência. 

Integrantes do serviço Disque-Denúncia também participam da ação. Eles estão no Centro Integrado de Comando e Controle do Rio, repassando, em tempo real, denúncias de esconderijos de criminosos, armas e drogas para o comando da operação. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo telefone (21) 2253-1177. 

Um soldado do Exército foi preso na manhã de hoje, suspeito de ter vazado informações para criminosos das comunidades alvos da operação. De acordo com o Comando Militar do Leste, divisão do Exército responsável pelo Rio de Janeiro, o suspeito estava sendo monitorado e foi preso hoje.
O objetivo da ação conjunta é prender 14 traficantes, além de armas e drogas. Durante a operação, foram apreendidas drogas, máquinas caça-níqueis e uma pistola.
O objetivo da ação conjunta é prender 14 traficantes, além de armas e drogas. Durante a operação, foram apreendidas drogas, máquinas caça-níqueis e uma pistola.
Foto: José Lucena/Futura Press
 
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/policia/operacao-conjunta-da-policia-com-forcas-armadas-no-rio-ja-tem-ao-menos-20-presos,d4f06d3b59d31d7fe961b1324c5242cdwyqxc0oo.html 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lobistas entregam a Moro planilhas e recibos de propina paga a políticos do PMDB.

Após confirmar repasse de R$ 11,5 milhões a Renan, Aníbal, Jader e Silas Rondeau, operadores Jorge Luz e Bruno Luz entregaram hoje comprovantes de pagamentos no exterior que totalizam US$ 417 mil ao grupo político

Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) nega propina e diz não encontrar operador Jorge Luz há 25 anos
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 17.11.2016
Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) nega propina e diz não encontrar operador Jorge Luz há 25 anos

A defesa do lobista Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, entregou nesta terça-feira (1º) ao juiz Sérgio Moro planilhas e recibos que comprovam o pagamento de propina a políticos do PMDB. As informações foram anexadas à ação penal da Lava Jato na qual a dupla e mais sete pessoas são réus por esquema envolvendo contratos para compra e operação dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000.
Preso desde fevereiro deste ano, Jorge Luz já havia confirmado em depoimento prestado no fim do mês passado  que atuou no repasse de R$ 11,5 milhões a quatro políticos do PMDB : os senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), o deputado Aníbal Gomes (CE) e o ex-ministro Silas Rondeau.
Os pagamentos, segundo o operador, referem-se a comissões decorrentes da atuação do grupo político para manter os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa em seus cargos.
A planilha apresentada pelos lobistas nesta terça-feira indicam uma série de transferências entre contas do próprio Jorge Luz , do lobista Fernando Baiano, do grupo Schahin, do empresário Júlio Camargo (que atuou em favor da Samsung Heavy Industries em negócios com a Petrobras).
Em ao menos seis ocasiões, entre junho de 2007 e novembro de 2008, foram feitos aportes na conta Headliner Limited (Suíça), que teria sido indicada pelo deputado Aníbal Gomes . Segundo Jorge Luz, o parlamentar era o responsável por distribuir os valores aos seus correligionários.
Os repasses feitos sempre a partir da conta Pentagram Energy, controlada por Jorge Luz, aos peemedebistas totalizaram cerca de US$ 417 mil.
A defesa dos lobistas disse ainda ao juiz Moro que "existem pelo menos mais cinco contas indicadas por Aníbal que se destinavam à JADER/RENAN/SILLAS/ANÍBAL".

Defesa 

À época da deflagração da 38ª fase da Lava Jato , que culminou na prisão de Jorge e Bruno Luz, o senador Renan Calheiros divulgou nota negando as acusações, apesar de confirmar que conhece o operador, mas que não o vê há 25 anos. 
"O senador Renan Calheiros reafirma que a chance de se encontrar qualquer irregularidade em suas contas pessoais ou eleitorais é zero. O senador reitera ainda que todas as suas relações com empresas, diretores ou outros investigados não ultrapassaram os limites institucionais", diz o comunicado distribuído pelo peemedebista.
O senador Jader Barbalho também rechaçou a informação de que participou de um jantar com Nestor Cerveró e Jorge Luz para tratar do pagamento de propina.
O deputado Aníbal Gomes e o ex-ministro Silas Rondeau não se manifestaram a respeito das acusações.
De acordo com a denúncia oferecida pela força-tarefa de procuradores da Lava Jato, Jorge Luz e Bruno Luz movimentaram cerca de US$ 40 milhões em propina, incluindo nesse montante o valor repassado aos políticos do PMDB. 

 http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/pmdb.html

Temer exonera ministros para que participem de votação de denúncia na Câmara

Conforme previsto, parlamentares reassumirão mandatos na Câmara e devem votar a favor da arquivação da abertura de inquérito contra Temer


Eliseu Padilha informou que as exonerações dos ministros de Michel Temer devem sair na edição de quarta-feira do DOU
Wilson Dias/Agência Brasil - 7.12.15
Eliseu Padilha informou que as exonerações dos ministros de Michel Temer devem sair na edição de quarta-feira do DOU

Os ministros do governo que têm mandato de deputado serão exonerados temporariamente do cargo para retornar à Câmara e participar, nesta quarta-feira (2), da votação em plenário sobre a admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer  pelo suposto crime de corrupção passiva.  

O ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, informou nesta terça-feira (1º) que as exonerações dos ministros de Michel Temer devem sair na edição de amanhã do Diário Oficial da União. Segundo Padilha, apenas o ministro da Defesa, Raul Jungmann, que está no Rio de Janeiro, não irá votar.   

“Amanhã, o Diário Oficial libera os ministros que querem exercer o direito a voto. O simbolismo da votação se reveste também da participação dos ministros no plenário fazendo as conversas que normalmente se faz e também exercendo o direito ao voto”, disse Padilha, ao deixar almoço da Frente Parlamentar da Agricultura.

Estratégia recorrente

Esta não será a primeira vez que ministros retornam ao Congresso para votar em matéria de interesse do governo. Em outubro do ano passado, Temer exonerou dois ministros para que votassem a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê um teto para os gastos públicos.
Em abril deste ano, o presidente usou o mesmo recurso ao exonerar os ministros para reassumir o mandato de deputado federal e votar no projeto da reforma trabalhista, que foi aprovada.

Também em abril, Temer havia decidido que ministros retornariam mais uma vez à Câmara para participar da votação em plenário da PEC da Reforma da Previdência. Prevista inicialmente para ser colocada em pauta em maio, a PEC ainda não foi levada ao plenário.

Conforme o calendário estabelecido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) da Casa contrário ao prosseguimento da denúncia, foi lido nesta terça-feira em plenário. Na quarta-feira (2), a votação só será aberta quando pelo menos 342 dos 513 deputados registrarem presença em plenário.

Acusação

Michel Temer é acusado pela Procuradoria Geral da República de ter cometido o crime de corrupção passiva. Para que a acusação possa ser investigada pelo Supremo Tribunal Federal, é preciso que a Câmara autorize com pelo menos 342 votos em plenário, o que representa dois terços dos 513 parlamentares da Casa.

Gilmar Mendes critica Janot por pedir novamente a prisão de Aécio

“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira (1º)


Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes , em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.

Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.

Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.

O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.

O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma do STF , composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema tão logo haja manifestação da defesa do acusado.

Ligação entre Gilmar e Aécio

Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar e Aécio Neves na qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade.

Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.

* Com informações da Agência Brasil
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes , em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.
Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/gilmar-mendes.html

“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira (1º)


Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes , em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.
Leia também: Sérgio Moro decreta prisão preventiva de Aldemir Bendine
O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.
O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma do STF , composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema tão logo haja manifestação da defesa do acusado.

Ligação entre Gilmar e Aécio

Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar e Aécio Neves na qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade.
Leia também: STF julga pedido para soltar procurador acusado de vazar informações a Joesley
Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.

* Com informações da Agência Brasil
Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/gilmar-mendes.html

“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira (1º)



Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes , em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.
Leia também: Sérgio Moro decreta prisão preventiva de Aldemir Bendine
O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.
O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma do STF , composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema tão logo haja manifestação da defesa do acusado.

Ligação entre Gilmar e Aécio

Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar e Aécio Neves na qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade.
Leia também: STF julga pedido para soltar procurador acusado de vazar informações a Joesley
Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.

* Com informações da Agência Brasil
Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/gilmar-mendes.html

Por que mesmo rejeitado pela população Temer deve conseguir se manter no cargo hoje

Presidente é mais impopular que Dilma na véspera da votação do impeachment, mas mantém apoios importantes no Congresso e na elite econômica; Câmara dos Deputados vota andamento de denúncia contra Temer por corrupção passiva nesta quarta.

 Assim como a ex-presidente Dilma Rousseff em abril de 2016, o presidente Michel Temer amarga índices baixíssimos de popularidade no momento em que enfrenta uma votação crucial na Câmara dos Deputados.

Aprovação de Temer hoje é mais baixa do que a de Dilma às vésperas do impeachment
Aprovação de Temer hoje é mais baixa do que a de Dilma às vésperas do impeachment
Foto: Reuters
Aliás, sua taxa de aprovação hoje (apenas 5%, segundo o Ibope) é até mesmo pior que a da petista em março do ano passado (10%), pouco antes da Casa aprovar a continuidade do processo contra ela. 

Apesar disso, a expectativa é de que Temer consiga barrar nesta quarta-feira o andamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República que o acusa de corrupção passiva, impedindo que o Supremo Tribunal Federal possa avaliar a abertura de uma ação penal que afastaria o presidente por até seis meses. 

Mas se não é popularidade, o que Temer tem que Dilma não tinha e lhe garante força para resistir no cargo?
Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o presidente sobrevive de uma mistura de forte articulação política no Congresso, ausência de protestos de massa nas ruas e apoio da elite econômica satisfeita com o andamento de reformas impopulares. 

"A principal diferença é que o Temer tem apoio de quem importa", resume o professor de gestão de políticas públicas da USP Pablo Ortellado. 

"Ele não tem apoio popular, mas ainda tem um bom apoio no Congresso, do empresariado, e a oposição não está fazendo esforço nenhum de derrubá-lo", ressalta. 

Ortellado tenta explicar a falta de grandes protestos nas ruas. De um lado, observa, os movimentos sociais de esquerda que têm ligação com o PT aderiram à estratégia do partido de deixar o atual governo sangrar até 2018, já que a baixíssima popularidade de Temer deve garantir um espaço privilegiado de campanha para a oposição na próxima eleição.
Para cientista político, um elemento importante da resistência de Temer no cargo é a ausência de protestos expressivos nas ruas
Para cientista político, um elemento importante da resistência de Temer no cargo é a ausência de protestos expressivos nas ruas
Foto: BBCBrasil.com
De outro lado, afirma Ortellado, os movimentos anticorrupção que derrubaram Dilma tampouco estão mobilizados em grandes manifestações para afastar Temer. Esses grupos em geral têm viés econômico liberal que se alinha com a agenda de reformas do governo. 

Além disso, nota ele, a excessiva polarização da sociedade entre "petralhas" e "coxinhas" dificulta que esquerda e direita se unam no movimento "Fora, Temer", embora as pesquisas de opinião indiquem que essa seja uma pauta comum à grande maioria da sociedade. 

"Temer não tem apoio popular. Um movimento de rua de consistência o derrubaria com certeza, mas quem convoca o movimento de rua não quer derrubá-lo", diz o professor da USP. 

Por parte dos empresários, Ortellado acredita que prevalece uma satisfação com as reformas que Temer tem implementado, como a criação de um teto para o aumento dos gastos públicos e as mudanças nas regras trabalhistas - e com as que ainda pretende aprovar, como a da Previdência. 

"Realmente, o presidente Temer tem proporcionado medidas para o futuro do país fantásticas. Está mexendo em muita coisa que tem que ser feita. Quem sabe o que permite isso é sua baixa popularidade, porque é alguém que não está buscando resultados imediatos", afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, ao defender a continuidade do governo.
Por parte dos empresários, prevalece a satisfação com as reformas de Temer
Por parte dos empresários, prevalece a satisfação com as reformas de Temer
Foto: BBCBrasil.com
Para Martins, a troca de presidente traria mais instabilidade para o país. Além disso, o líder empresarial sustenta que a denúncia contra Temer "é muito fraca". 

O presidente é acusado de ser destinatário de propina negociada entre o dono da JBS Joesley Batista e o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures, indicado pelo presidente como seu interlocutor para resolver questões da empresa junto a órgãos públicos, em conversa gravada pelo empresário. 

Loures, por sua vez, foi gravado depois recebendo uma mala de R$ 500 mil, mas a defesa de Temer nega que o presidente tenha dado aval a esse pagamento ou fosse se beneficiar dele. Aliados do presidente têm ressaltado também que a PGR não realizou o monitoramento do destino da mala de R$ 500 mil de modo a provar que ele iria para Temer. 

"Quem lê as 64 páginas da denúncia não consegue ser convencido do preço a ser pago (pela troca de presidente). É uma denúncia muito fraca para o trauma que nós estamos vivendo, para ter mais seis meses do Brasil parado", afirma Martins.

Congresso, o apoio mais importante

Se o silêncio das ruas e o apoio dos empresários ajuda Temer a sobreviver, seu maior trunfo está na sua capacidade de articulação no Congresso, observa a professora de Ciências Políticas da USP Maria Hermínia Tavares. Ela ressalta que Temer foi três vezes presidente da Câmara dos Deputados. 

"Ele conhece profundamente o Congresso e tem uma atenção especial com as parlamentares, que não consiste só em liberar emenda (recursos para as bases eleitorais dos congressistas), distribuir cargos. Ele também trata bem, coisa que Dilma e (o ex-presidente Fernando) Collor (derrubado em 1992 por impeachment) nunca fizeram. Temer passa boa parte do tempo conversando com os parlamentares", reforça Tavares. 

Para que o STF fique autorizado a analisar a abertura de um processo penal contra Temer, são necessários 342 votos do total de 513 deputados. Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo , por enquanto apenas 194 dizem que votarão a favor do andamento da denúncia. 

A votação, entretanto, só poderá ser realizada se houver um quórum mínimo de dois terços da Casa, ou seja, se 342 deputados tiveram registrado presença. Deputados da oposição chegaram a considerar a possibilidade de tentar esvaziar a sessão para que não haja quórum - e, assim, adiar a votação. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse recentemente estar confiante de que pelo menos 480 deputados estarão presentes.
Professora diz que maior trunfo de Temer é sua capacidade de articulação no Congresso
 
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/lava-jato/por-que-mesmo-rejeitado-pela-populacao-temer-deve-conseguir-se-manter-no-cargo-hoje,c122c79c3c0bd22a70d1b74746c7ccb4jxylk326.html

 

 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Herdeiro político, amigo de Aécio e juiz não praticante: quem é o autor do relatório que pode salvar Temer

Paulo Abi-Ackel herdou o sobrenome e a vida pública do pai, Ibrahim Abi-Ackel, ministro durante a ditadura, e é um dos principais interlocutores de Congresso de Aécio Neves, senador tucano investigado pela Lava Jato; é dele o parecer favorável ao presidente, que deve ser analisado pelo plenário nesta semana.

Falar sobre Paulo Abi-Ackel é falar sobre suas relações. Quando discute-se a trajetória do deputado, autor do parecer que pode salvar o mandato do presidente Michel Temer, dois nomes sempre aparecem: Ibrahim Abi-Ackel, seu pai, e Aécio Neves (PSDB-MG), colega de partido. Do primeiro, ministro durante a ditadura, herdou o sobrenome e a vida pública; do último, senador investigado pela operação Lava Jato, é um dos principais interlocutores no Congresso.  

'Paulo é considerado um sujeito bem preparado, mas não tem o famoso brilhantismo do pai', diz um conhecido advogado criminal da capital mineira
'Paulo é considerado um sujeito bem preparado, mas não tem o famoso brilhantismo do pai', diz um conhecido advogado criminal da capital mineira
Foto: BBCBrasil.com
Ambos são peças importantes para entender a história do parlamentar, escolhido em meados de julho como relator da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente após o parecer anterior, de Sergio Zveiter (PMDB-RJ), ser rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) - seu relatório, pedindo o arquivamento do processo, foi aprovado em votação-relâmpago logo em seguida. 

O homem que pode poupar Temer de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), caso seu parecer passe pelo plenário nesta semana, faz parte de um grupo tradicional de políticos mineiros, do qual também vem Aécio. Mas diferentemente do conterrâneo, Paulo não é lembrado apenas pelo primeiro nome. 

Abi-Ackel elegeu-se para a Câmara pela primeira vez em 2006, aos 43 anos. Antes de ser parlamentar, advogou por duas décadas no escritório fundado pelo pai e foi juiz substituto no Tribunal Regional Eleitoral de Minas. 

Apesar da chegada tardia a Brasília, sua ligação com a política começou na adolescência, quando fez parte da Juventude do PDS, partido de sustentação do governo militar. Na época, seu pai era ministro da Justiça do presidente João Figueiredo, que o hoje deputado chegou a conhecer pessoalmente. 

Segundo a biografia disponível em seu site, o parlamentar e outros filhos de políticos foram recebidos por Figueiredo para pedir a realização das Eleições Diretas, em 1985. Um dos participantes do encontro, Murilo Prado Badaró, filho do então ministro da Indústria e Comércio, ofereceu à BBC Brasil uma versão um pouco diferente sobre o que aconteceu na reunião. 

"Nós fomos chamados porque estávamos numa linha renovadora demais para o momento. A Juventude do PDS falava em eleição direta, e o partido lutava contra isso. O Palácio do Planalto nos chamou lá e falou que a gente tinha que maneirar." 

Ele diz que o aviso não fez o grupo parar com a militância. 

Amigo do deputado desde os 15 anos, por causa da proximidade das famílias, Badaró conta que sempre conversavam sobre quando entrariam na política, seguindo o exemplo dos pais. 

"Nós tivemos uma formação política e familiar dos políticos tradicionais de Minas Gerais, muito baseada no espírito público, na ética, diferentemente da classe que tomou conta de Brasília." 

Badaró tornou-se economista e Abi-Ackel demorou a ingressar na vida pública, concorrendo a uma vaga quando o pai já deixava a Câmara, após sete mandatos. Para o amigo, a sucessão seguiu um "processo natural" e não foi pensada para que o filho arrecadasse os votos. 

"O pai era o protagonista da história, sempre foi, e no momento certo ele (Paulo) entrou e teve mais votos do que Ibrahim."

Laços de família

As comparações entre pai e filho são constantes quando se fala dos Abi-Ackel. 

Com longo e prestigiado currículo - ex-ministro, ex-deputado, exímio orador, advogado brilhante, Ibrahim é citado como referência no direito e na política. As diferenças entre os dois são mencionadas em tom mais ou menos elogioso, a depender de quem fala. O consenso é que "Paulinho', como muitos o chamam em BH, não teria a mesma grandeza do antecessor. 

"Ibrahim é um dos maiores oradores da história desse país. É um cara inteligentíssimo, cultíssimo. Até brinco com o Paulo que ele não tem essa verve toda do pai, mas Paulinho é um cara muito preparado", diz Badaró.
Entre a esquerda mineira, os comentários são mais ácidos. Um deputado estadual do PT diz que o parlamentar é uma "figura apagadíssima". 

"Se quiser saber dele, só perguntando pelo pai. É totalmente inexpressivo, foi uma surpresa (a escolha dele como relator). Como advogado não é brilhante, não teve grande carteira", afirma. 

"Só não teve dificuldade de se eleger porque Aécio investiu muito nele, foi um candidato priorizado."
Quanto à atuação de Abi-Ackel no escritório de direito penal e eleitoral em que foi sócio do pai, advogados e professores de direito de Belo Horizonte ouvidos pela BBC Brasil dizem que a banca é respeitada na cidade, mas não lembraram de um caso de repercussão na carreira de Paulo. 

"O escritório é bem-sucedido na área de advocacia de massa. Lida com empresas de cartão de crédito, telefonia, aviação. Paulo é considerado um sujeito bem preparado, mas não tem o famoso brilhantismo do pai", diz um conhecido advogado criminal da capital mineira.

Juiz não praticante

Por ser advogado, Paulo Abi-Ackel pôde ser indicado como juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele ocupou o posto de magistrado substituto por pouco mais de um ano, de 2004 a 2005, período em que deveria substituir dois advogados nomeados como juízes titulares. 

A passagem pela corte é motivo de destaque em seu currículo. Mas, segundo apurou a BBC Brasil em consulta ao TRE, não há registros de que Abi-Ackel tenha relatado processos nem participado de sessões de julgamento. Ele também não é lembrado por funcionários antigos do tribunal. 

Uma das hipóteses que explicariam a ausência é a de que nenhum dos titulares tenha faltado nesse período e que, por isso, não tenha sido necessária a presença do substituto - a reportagem não conseguiu falar com os juízes. 

Procurado, o parlamentar disse que não daria entrevistas antes da votação do relatório no plenário da Câmara. Pessoas próximas afirmam que Abi-Ackel participou de "várias" sessões do TRE e tem como provar, mas não deram exemplos de processos que ele ajudou a julgar.

Interlocutor de Aécio

Abi-Ackel deixou o tribunal no mesmo dia em que se filiou ao PSDB: 18 de outubro de 2005. Ele precisava ter um ano de filiação para poder concorrer às eleições do ano seguinte, segundo as regras da época. Antes, era filiado ao PTB, onde ficou durante cinco anos. 

Entre os tucanos, é tido como um dos principais interlocutores de Aécio Neves, informação que consta até no site do PSDB. 

O relacionamento entre os herdeiros políticos começou nas visitas de Tancredo Neves, avô de Aécio, à família Abi-Ackel e se fortaleceu ao longo dos anos. Para a esquerda mineira, a ajuda do senador foi essencial para que Paulo vencesse as eleições de 2014, quando teve sua pior votação: 104 mil votos, a 32º posição no Estado. 

O deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG), próximo do congressista, diz que o colega "vem de uma família competente, e é um jurista renomado". 

"É uma referência quando se fala em qualquer matéria de Constituição e Justiça. Politicamente tem sido motivo de orgulho para bancada de Minas Gerais. É um dos mais respeitados no PSDB." 

Abi-Ackel é considerado peça-chave na articulação interna do PSDB de Minas Gerais e assumiu alguns postos dentro do partido, como presidente estadual e líder da Minoria parlamentar. Mesmo assim, é visto por grupos da oposição como um fiel servo do senador que não ocupou cargos de projeção nem propôs projetos relevantes. 

"Tem alguma importância no PSDB de Minas, mas nunca foi líder do partido, presidente das principais comissões ou esteve em algum posto de destaque nacional. Não diria que é o braço direito (de Aécio). Pode ser a perna direita ou esquerda", disse um deputado do PSB, sigla que foi para a oposição ao governo Michel Temer em maio. 

"Não me lembro, nos três mandatos do Paulo, de ele relatar algum projeto que tenha sido proeminente."
Entre os projetos de lei de autoria de Paulo Abi-Ackel há um que impõe novos limites de indenização a vítimas de acidentes aéreos e a seus familiares; outro que permite a estudantes de Direito se inscreverem na OAB como estagiários a partir do quinto período do curso; e um terceiro que cria a possibilidade de intimações processuais por email. Nenhuma de suas propostas virou lei. 

Em rankings de desempenho, a ausência de projetos aprovados pesa negativamente para o mineiro. Na lista da plataforma Atlas Político, ele fica em 404º lugar na Câmara entre 498 nomes analisados.

Escolha e voto

Mais do que definir a posição de Abi-Ackel no Congresso, a relação com Aécio é, para alguns deputados, o que explica a escolha do tucano como relator pelo presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PDMB-MG). 

Um das teses repetidas pela oposição e por alas oposicionistas do PSDB é a de que ele teria sido nomeado relator da denúncia contra Temer para pagar uma dívida de Aécio com o PMDB: o arquivamento, em junho, de um pedido de cassação de mandato contra o senador, então afastado de suas funções pelo Supremo.

Mesmo com um pedido de prisão da Procuradoria-Geral da República contra Aécio à época por causa da delação da JBS, o presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza, do PMDB do Maranhão, afirmou que não haveria elementos "convincentes para que se abrisse um processo" de quebra de decoro contra o tucano. 

Para Abi-Ackel, pagar o favor do senador também seria bom negócio, argumentam alguns parlamentares, já que ganharia uma posição de destaque que nunca teve antes, mesmo votando a favor de um presidente tão impopular. 

Procurada, a assessoria de imprensa de Aécio disse que ele não foi informado de que o colega Abi-Ackel seria designado como relator. 

À BBC Brasil , Pacheco disse que, após a derrota do relatório de Zveiter, o regimento da Casa determinava a indicação de um novo relator entre aqueles que votaram contra o parecer anterior, ou seja, contra a continuidade da denúncia. 

"Dentre os 40 que votaram contra o parecer do deputado Sergio Zveiter, escolhi Paulo Abi-Ackel, do PSDB de Minas Gerais, que é um advogado que conheço e sei da competência. E podia ser qualquer um dos outros que fizeram votos em separado, sem problema nenhum." 

Pacheco nega que sua postura tenha intenções políticas: "não foi para agradar ala A, ala B, Planalto ou coisa que o valha". 

Apesar do silêncio de Abi-Ackel, seus interlocutores apontam a fragilidade das provas da Procuradoria como principal motivação para que redigisse um voto em separado, contrário à admissibilidade da denúncia, e depois aceitasse a relatoria. 

No documento, ele diz que as acusações contra Temer são resultado de ação "suspeitíssima" de Joesley Batista, empresário da JBS, que fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Para o parlamentar, falta o "nexo causal" (ligação) entre o presidente e os atos de corrupção mencionados. 

O advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, afirma que o parecer aprovado merece "aplausos" da defesa. 

"Ele enfrentou questões que não foram enfrentadas pelo relator anterior. Todos os pontos favoráveis à defesa o outro relator não tocou, passou ao largo."
Se é aplaudido por Mariz, os argumentos são vistos com desconfiança pelo PSDB. 

A escolha de Abi-Ackel pegou de surpresa a legenda que, na Comissão de Constituição e Justiça, se colocou majoritariamente a favor da continuidade da denúncia. Quando o parecer do deputado foi aprovado, Silvio Torres (PSDB-SP) fez questão de afirmar que a posição não era compartilhada pela maioria da bancada - apesar de os parlamentares estarem livres para votar como quisessem. 

"Quando chegamos à comissão, soubemos que ele seria o responsável pela leitura do voto. Ficamos surpresos. (Ele) resolveu que era o relator e disse que era uma posição pessoal", afirmou à BBC Brasil. 

Integrantes do PSDB disseram que, inicialmente, as justificativas de Abi-Ackel e do presidente da CCJ não batiam. Um deles relata que, enquanto Rodrigo Pacheco afirmava que o tucano pediu a relatoria, o relator dizia ter sido escolhido. Para os entrevistados, não ficou claro o critério da decisão do presidente da CCJ. 

Outro ponto em aberto são as consequências que o papel de relator terá no futuro político de Abi-Ackel. Até então sem histórico de altos cargos na vida parlamentar, o tucano é cotado em Minas para o Senado ou o governo do Estado. Apesar da impopularidade de Temer e da proximidade com Aécio, há quem veja vantagens na postura "corajosa" do parlamentar, que já foi citado em delação da Odebrecht. 

"Aécio não foi julgado, ainda é um nome de grande respeito em Minas e foi o melhor governador dos últimos cinquenta anos. Sai dessa crise forte. E Abi-Ackel pode ser um dos construtores do caminho de volta e de fortalecimento do partido no Estado. Acho que isso só traz vantagem. Um relatório bem feito, aprovado, é mais um upgrade na campanha para qualquer cargo majoritário que vier a pleitear", diz Danilo de Castro, que foi secretário de Estado do governo de Minas entre 2003 e 2014. 

Mas se os parlamentares alcançam um consenso sobre o passado de Abi-Ackel, o mesmo não se pode dizer sobre seu futuro. 

"Acho que Paulo mais perdeu do ganhou com a relatoria. Vamos ver", opina um congressista da bancada mineira.

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/herdeiro-politico-amigo-de-aecio-e-juiz-nao-praticante-quem-e-o-autor-do-relatorio-que-pode-salvar-temer,6962c92b4d3f2d794e3eb5aae35a298fe3jtqtrt.html




PGR entra com 3º pedido de prisão contra Aécio no Supremo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) entrou hoje (31) no Supremo Tribunal Federal (STF) com novo recurso pedindo a prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG). A PGR pretende anular decisão anterior do ministro Marco Aurélio, que negou outro pedido de prisão e determinou o retorno do parlamentar, no mês passado, às atividades no Senado. 

Foto: EFE
É o terceiro pedido sucessivo feito pela procuradoria para prender o senador. Dois foram rejeitados desde a homologação da delação premiada da JBS. A questão será analisada pela Primeira Turma da Corte, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do relator. 

Publicidade
No mês passado, Marco Aurélio manteve decisão anterior de negar o pedido de prisão preventiva do senador, mas proibiu Aécio de deixar o país e de fazer contato com outros investigados ou réus no processo. 

Antes da decisão de Marco Aurélio, Aécio Neves estava afastado da atividade parlamentar por uma decisão do antigo relator do caso, ministro Edson Fachin. Aécio foi citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato. 

À época, a defesa de Aécio comemorou a decisão de Marco Aurélio e o senador disse que sempre acreditou Justiça e que seguiria "no exercício do mandato que me foi conferido por mais de 7 milhões de mineiros, com a seriedade e a determinação que jamais me faltaram em 32 anos de vida pública", declarou em nota.

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/pgr-volta-a-pedir-prisao-de-aecio-neves-ao-supremo,c62c09083d6869cb6641e132e14e5e5d8717u58s.html