quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lobistas entregam a Moro planilhas e recibos de propina paga a políticos do PMDB.

Após confirmar repasse de R$ 11,5 milhões a Renan, Aníbal, Jader e Silas Rondeau, operadores Jorge Luz e Bruno Luz entregaram hoje comprovantes de pagamentos no exterior que totalizam US$ 417 mil ao grupo político

Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) nega propina e diz não encontrar operador Jorge Luz há 25 anos
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 17.11.2016
Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) nega propina e diz não encontrar operador Jorge Luz há 25 anos

A defesa do lobista Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, entregou nesta terça-feira (1º) ao juiz Sérgio Moro planilhas e recibos que comprovam o pagamento de propina a políticos do PMDB. As informações foram anexadas à ação penal da Lava Jato na qual a dupla e mais sete pessoas são réus por esquema envolvendo contratos para compra e operação dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000.
Preso desde fevereiro deste ano, Jorge Luz já havia confirmado em depoimento prestado no fim do mês passado  que atuou no repasse de R$ 11,5 milhões a quatro políticos do PMDB : os senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), o deputado Aníbal Gomes (CE) e o ex-ministro Silas Rondeau.
Os pagamentos, segundo o operador, referem-se a comissões decorrentes da atuação do grupo político para manter os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa em seus cargos.
A planilha apresentada pelos lobistas nesta terça-feira indicam uma série de transferências entre contas do próprio Jorge Luz , do lobista Fernando Baiano, do grupo Schahin, do empresário Júlio Camargo (que atuou em favor da Samsung Heavy Industries em negócios com a Petrobras).
Em ao menos seis ocasiões, entre junho de 2007 e novembro de 2008, foram feitos aportes na conta Headliner Limited (Suíça), que teria sido indicada pelo deputado Aníbal Gomes . Segundo Jorge Luz, o parlamentar era o responsável por distribuir os valores aos seus correligionários.
Os repasses feitos sempre a partir da conta Pentagram Energy, controlada por Jorge Luz, aos peemedebistas totalizaram cerca de US$ 417 mil.
A defesa dos lobistas disse ainda ao juiz Moro que "existem pelo menos mais cinco contas indicadas por Aníbal que se destinavam à JADER/RENAN/SILLAS/ANÍBAL".

Defesa 

À época da deflagração da 38ª fase da Lava Jato , que culminou na prisão de Jorge e Bruno Luz, o senador Renan Calheiros divulgou nota negando as acusações, apesar de confirmar que conhece o operador, mas que não o vê há 25 anos. 
"O senador Renan Calheiros reafirma que a chance de se encontrar qualquer irregularidade em suas contas pessoais ou eleitorais é zero. O senador reitera ainda que todas as suas relações com empresas, diretores ou outros investigados não ultrapassaram os limites institucionais", diz o comunicado distribuído pelo peemedebista.
O senador Jader Barbalho também rechaçou a informação de que participou de um jantar com Nestor Cerveró e Jorge Luz para tratar do pagamento de propina.
O deputado Aníbal Gomes e o ex-ministro Silas Rondeau não se manifestaram a respeito das acusações.
De acordo com a denúncia oferecida pela força-tarefa de procuradores da Lava Jato, Jorge Luz e Bruno Luz movimentaram cerca de US$ 40 milhões em propina, incluindo nesse montante o valor repassado aos políticos do PMDB. 

 http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/pmdb.html

Temer exonera ministros para que participem de votação de denúncia na Câmara

Conforme previsto, parlamentares reassumirão mandatos na Câmara e devem votar a favor da arquivação da abertura de inquérito contra Temer


Eliseu Padilha informou que as exonerações dos ministros de Michel Temer devem sair na edição de quarta-feira do DOU
Wilson Dias/Agência Brasil - 7.12.15
Eliseu Padilha informou que as exonerações dos ministros de Michel Temer devem sair na edição de quarta-feira do DOU

Os ministros do governo que têm mandato de deputado serão exonerados temporariamente do cargo para retornar à Câmara e participar, nesta quarta-feira (2), da votação em plenário sobre a admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer  pelo suposto crime de corrupção passiva.  

O ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, informou nesta terça-feira (1º) que as exonerações dos ministros de Michel Temer devem sair na edição de amanhã do Diário Oficial da União. Segundo Padilha, apenas o ministro da Defesa, Raul Jungmann, que está no Rio de Janeiro, não irá votar.   

“Amanhã, o Diário Oficial libera os ministros que querem exercer o direito a voto. O simbolismo da votação se reveste também da participação dos ministros no plenário fazendo as conversas que normalmente se faz e também exercendo o direito ao voto”, disse Padilha, ao deixar almoço da Frente Parlamentar da Agricultura.

Estratégia recorrente

Esta não será a primeira vez que ministros retornam ao Congresso para votar em matéria de interesse do governo. Em outubro do ano passado, Temer exonerou dois ministros para que votassem a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê um teto para os gastos públicos.
Em abril deste ano, o presidente usou o mesmo recurso ao exonerar os ministros para reassumir o mandato de deputado federal e votar no projeto da reforma trabalhista, que foi aprovada.

Também em abril, Temer havia decidido que ministros retornariam mais uma vez à Câmara para participar da votação em plenário da PEC da Reforma da Previdência. Prevista inicialmente para ser colocada em pauta em maio, a PEC ainda não foi levada ao plenário.

Conforme o calendário estabelecido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) da Casa contrário ao prosseguimento da denúncia, foi lido nesta terça-feira em plenário. Na quarta-feira (2), a votação só será aberta quando pelo menos 342 dos 513 deputados registrarem presença em plenário.

Acusação

Michel Temer é acusado pela Procuradoria Geral da República de ter cometido o crime de corrupção passiva. Para que a acusação possa ser investigada pelo Supremo Tribunal Federal, é preciso que a Câmara autorize com pelo menos 342 votos em plenário, o que representa dois terços dos 513 parlamentares da Casa.

Gilmar Mendes critica Janot por pedir novamente a prisão de Aécio

“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira (1º)


Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes , em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.

Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.

Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.

O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.

O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma do STF , composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema tão logo haja manifestação da defesa do acusado.

Ligação entre Gilmar e Aécio

Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar e Aécio Neves na qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade.

Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.

* Com informações da Agência Brasil
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes , em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.
Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/gilmar-mendes.html

“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira (1º)


Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes , em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.
Leia também: Sérgio Moro decreta prisão preventiva de Aldemir Bendine
O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.
O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma do STF , composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema tão logo haja manifestação da defesa do acusado.

Ligação entre Gilmar e Aécio

Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar e Aécio Neves na qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade.
Leia também: STF julga pedido para soltar procurador acusado de vazar informações a Joesley
Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.

* Com informações da Agência Brasil
Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/gilmar-mendes.html

“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira (1º)



Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes , em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.
Leia também: Sérgio Moro decreta prisão preventiva de Aldemir Bendine
O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.
O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma do STF , composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema tão logo haja manifestação da defesa do acusado.

Ligação entre Gilmar e Aécio

Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar e Aécio Neves na qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade.
Leia também: STF julga pedido para soltar procurador acusado de vazar informações a Joesley
Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.

* Com informações da Agência Brasil
Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/gilmar-mendes.html

Por que mesmo rejeitado pela população Temer deve conseguir se manter no cargo hoje

Presidente é mais impopular que Dilma na véspera da votação do impeachment, mas mantém apoios importantes no Congresso e na elite econômica; Câmara dos Deputados vota andamento de denúncia contra Temer por corrupção passiva nesta quarta.

 Assim como a ex-presidente Dilma Rousseff em abril de 2016, o presidente Michel Temer amarga índices baixíssimos de popularidade no momento em que enfrenta uma votação crucial na Câmara dos Deputados.

Aprovação de Temer hoje é mais baixa do que a de Dilma às vésperas do impeachment
Aprovação de Temer hoje é mais baixa do que a de Dilma às vésperas do impeachment
Foto: Reuters
Aliás, sua taxa de aprovação hoje (apenas 5%, segundo o Ibope) é até mesmo pior que a da petista em março do ano passado (10%), pouco antes da Casa aprovar a continuidade do processo contra ela. 

Apesar disso, a expectativa é de que Temer consiga barrar nesta quarta-feira o andamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República que o acusa de corrupção passiva, impedindo que o Supremo Tribunal Federal possa avaliar a abertura de uma ação penal que afastaria o presidente por até seis meses. 

Mas se não é popularidade, o que Temer tem que Dilma não tinha e lhe garante força para resistir no cargo?
Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o presidente sobrevive de uma mistura de forte articulação política no Congresso, ausência de protestos de massa nas ruas e apoio da elite econômica satisfeita com o andamento de reformas impopulares. 

"A principal diferença é que o Temer tem apoio de quem importa", resume o professor de gestão de políticas públicas da USP Pablo Ortellado. 

"Ele não tem apoio popular, mas ainda tem um bom apoio no Congresso, do empresariado, e a oposição não está fazendo esforço nenhum de derrubá-lo", ressalta. 

Ortellado tenta explicar a falta de grandes protestos nas ruas. De um lado, observa, os movimentos sociais de esquerda que têm ligação com o PT aderiram à estratégia do partido de deixar o atual governo sangrar até 2018, já que a baixíssima popularidade de Temer deve garantir um espaço privilegiado de campanha para a oposição na próxima eleição.
Para cientista político, um elemento importante da resistência de Temer no cargo é a ausência de protestos expressivos nas ruas
Para cientista político, um elemento importante da resistência de Temer no cargo é a ausência de protestos expressivos nas ruas
Foto: BBCBrasil.com
De outro lado, afirma Ortellado, os movimentos anticorrupção que derrubaram Dilma tampouco estão mobilizados em grandes manifestações para afastar Temer. Esses grupos em geral têm viés econômico liberal que se alinha com a agenda de reformas do governo. 

Além disso, nota ele, a excessiva polarização da sociedade entre "petralhas" e "coxinhas" dificulta que esquerda e direita se unam no movimento "Fora, Temer", embora as pesquisas de opinião indiquem que essa seja uma pauta comum à grande maioria da sociedade. 

"Temer não tem apoio popular. Um movimento de rua de consistência o derrubaria com certeza, mas quem convoca o movimento de rua não quer derrubá-lo", diz o professor da USP. 

Por parte dos empresários, Ortellado acredita que prevalece uma satisfação com as reformas que Temer tem implementado, como a criação de um teto para o aumento dos gastos públicos e as mudanças nas regras trabalhistas - e com as que ainda pretende aprovar, como a da Previdência. 

"Realmente, o presidente Temer tem proporcionado medidas para o futuro do país fantásticas. Está mexendo em muita coisa que tem que ser feita. Quem sabe o que permite isso é sua baixa popularidade, porque é alguém que não está buscando resultados imediatos", afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, ao defender a continuidade do governo.
Por parte dos empresários, prevalece a satisfação com as reformas de Temer
Por parte dos empresários, prevalece a satisfação com as reformas de Temer
Foto: BBCBrasil.com
Para Martins, a troca de presidente traria mais instabilidade para o país. Além disso, o líder empresarial sustenta que a denúncia contra Temer "é muito fraca". 

O presidente é acusado de ser destinatário de propina negociada entre o dono da JBS Joesley Batista e o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures, indicado pelo presidente como seu interlocutor para resolver questões da empresa junto a órgãos públicos, em conversa gravada pelo empresário. 

Loures, por sua vez, foi gravado depois recebendo uma mala de R$ 500 mil, mas a defesa de Temer nega que o presidente tenha dado aval a esse pagamento ou fosse se beneficiar dele. Aliados do presidente têm ressaltado também que a PGR não realizou o monitoramento do destino da mala de R$ 500 mil de modo a provar que ele iria para Temer. 

"Quem lê as 64 páginas da denúncia não consegue ser convencido do preço a ser pago (pela troca de presidente). É uma denúncia muito fraca para o trauma que nós estamos vivendo, para ter mais seis meses do Brasil parado", afirma Martins.

Congresso, o apoio mais importante

Se o silêncio das ruas e o apoio dos empresários ajuda Temer a sobreviver, seu maior trunfo está na sua capacidade de articulação no Congresso, observa a professora de Ciências Políticas da USP Maria Hermínia Tavares. Ela ressalta que Temer foi três vezes presidente da Câmara dos Deputados. 

"Ele conhece profundamente o Congresso e tem uma atenção especial com as parlamentares, que não consiste só em liberar emenda (recursos para as bases eleitorais dos congressistas), distribuir cargos. Ele também trata bem, coisa que Dilma e (o ex-presidente Fernando) Collor (derrubado em 1992 por impeachment) nunca fizeram. Temer passa boa parte do tempo conversando com os parlamentares", reforça Tavares. 

Para que o STF fique autorizado a analisar a abertura de um processo penal contra Temer, são necessários 342 votos do total de 513 deputados. Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo , por enquanto apenas 194 dizem que votarão a favor do andamento da denúncia. 

A votação, entretanto, só poderá ser realizada se houver um quórum mínimo de dois terços da Casa, ou seja, se 342 deputados tiveram registrado presença. Deputados da oposição chegaram a considerar a possibilidade de tentar esvaziar a sessão para que não haja quórum - e, assim, adiar a votação. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse recentemente estar confiante de que pelo menos 480 deputados estarão presentes.
Professora diz que maior trunfo de Temer é sua capacidade de articulação no Congresso
 
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/lava-jato/por-que-mesmo-rejeitado-pela-populacao-temer-deve-conseguir-se-manter-no-cargo-hoje,c122c79c3c0bd22a70d1b74746c7ccb4jxylk326.html

 

 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Herdeiro político, amigo de Aécio e juiz não praticante: quem é o autor do relatório que pode salvar Temer

Paulo Abi-Ackel herdou o sobrenome e a vida pública do pai, Ibrahim Abi-Ackel, ministro durante a ditadura, e é um dos principais interlocutores de Congresso de Aécio Neves, senador tucano investigado pela Lava Jato; é dele o parecer favorável ao presidente, que deve ser analisado pelo plenário nesta semana.

Falar sobre Paulo Abi-Ackel é falar sobre suas relações. Quando discute-se a trajetória do deputado, autor do parecer que pode salvar o mandato do presidente Michel Temer, dois nomes sempre aparecem: Ibrahim Abi-Ackel, seu pai, e Aécio Neves (PSDB-MG), colega de partido. Do primeiro, ministro durante a ditadura, herdou o sobrenome e a vida pública; do último, senador investigado pela operação Lava Jato, é um dos principais interlocutores no Congresso.  

'Paulo é considerado um sujeito bem preparado, mas não tem o famoso brilhantismo do pai', diz um conhecido advogado criminal da capital mineira
'Paulo é considerado um sujeito bem preparado, mas não tem o famoso brilhantismo do pai', diz um conhecido advogado criminal da capital mineira
Foto: BBCBrasil.com
Ambos são peças importantes para entender a história do parlamentar, escolhido em meados de julho como relator da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente após o parecer anterior, de Sergio Zveiter (PMDB-RJ), ser rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) - seu relatório, pedindo o arquivamento do processo, foi aprovado em votação-relâmpago logo em seguida. 

O homem que pode poupar Temer de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), caso seu parecer passe pelo plenário nesta semana, faz parte de um grupo tradicional de políticos mineiros, do qual também vem Aécio. Mas diferentemente do conterrâneo, Paulo não é lembrado apenas pelo primeiro nome. 

Abi-Ackel elegeu-se para a Câmara pela primeira vez em 2006, aos 43 anos. Antes de ser parlamentar, advogou por duas décadas no escritório fundado pelo pai e foi juiz substituto no Tribunal Regional Eleitoral de Minas. 

Apesar da chegada tardia a Brasília, sua ligação com a política começou na adolescência, quando fez parte da Juventude do PDS, partido de sustentação do governo militar. Na época, seu pai era ministro da Justiça do presidente João Figueiredo, que o hoje deputado chegou a conhecer pessoalmente. 

Segundo a biografia disponível em seu site, o parlamentar e outros filhos de políticos foram recebidos por Figueiredo para pedir a realização das Eleições Diretas, em 1985. Um dos participantes do encontro, Murilo Prado Badaró, filho do então ministro da Indústria e Comércio, ofereceu à BBC Brasil uma versão um pouco diferente sobre o que aconteceu na reunião. 

"Nós fomos chamados porque estávamos numa linha renovadora demais para o momento. A Juventude do PDS falava em eleição direta, e o partido lutava contra isso. O Palácio do Planalto nos chamou lá e falou que a gente tinha que maneirar." 

Ele diz que o aviso não fez o grupo parar com a militância. 

Amigo do deputado desde os 15 anos, por causa da proximidade das famílias, Badaró conta que sempre conversavam sobre quando entrariam na política, seguindo o exemplo dos pais. 

"Nós tivemos uma formação política e familiar dos políticos tradicionais de Minas Gerais, muito baseada no espírito público, na ética, diferentemente da classe que tomou conta de Brasília." 

Badaró tornou-se economista e Abi-Ackel demorou a ingressar na vida pública, concorrendo a uma vaga quando o pai já deixava a Câmara, após sete mandatos. Para o amigo, a sucessão seguiu um "processo natural" e não foi pensada para que o filho arrecadasse os votos. 

"O pai era o protagonista da história, sempre foi, e no momento certo ele (Paulo) entrou e teve mais votos do que Ibrahim."

Laços de família

As comparações entre pai e filho são constantes quando se fala dos Abi-Ackel. 

Com longo e prestigiado currículo - ex-ministro, ex-deputado, exímio orador, advogado brilhante, Ibrahim é citado como referência no direito e na política. As diferenças entre os dois são mencionadas em tom mais ou menos elogioso, a depender de quem fala. O consenso é que "Paulinho', como muitos o chamam em BH, não teria a mesma grandeza do antecessor. 

"Ibrahim é um dos maiores oradores da história desse país. É um cara inteligentíssimo, cultíssimo. Até brinco com o Paulo que ele não tem essa verve toda do pai, mas Paulinho é um cara muito preparado", diz Badaró.
Entre a esquerda mineira, os comentários são mais ácidos. Um deputado estadual do PT diz que o parlamentar é uma "figura apagadíssima". 

"Se quiser saber dele, só perguntando pelo pai. É totalmente inexpressivo, foi uma surpresa (a escolha dele como relator). Como advogado não é brilhante, não teve grande carteira", afirma. 

"Só não teve dificuldade de se eleger porque Aécio investiu muito nele, foi um candidato priorizado."
Quanto à atuação de Abi-Ackel no escritório de direito penal e eleitoral em que foi sócio do pai, advogados e professores de direito de Belo Horizonte ouvidos pela BBC Brasil dizem que a banca é respeitada na cidade, mas não lembraram de um caso de repercussão na carreira de Paulo. 

"O escritório é bem-sucedido na área de advocacia de massa. Lida com empresas de cartão de crédito, telefonia, aviação. Paulo é considerado um sujeito bem preparado, mas não tem o famoso brilhantismo do pai", diz um conhecido advogado criminal da capital mineira.

Juiz não praticante

Por ser advogado, Paulo Abi-Ackel pôde ser indicado como juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele ocupou o posto de magistrado substituto por pouco mais de um ano, de 2004 a 2005, período em que deveria substituir dois advogados nomeados como juízes titulares. 

A passagem pela corte é motivo de destaque em seu currículo. Mas, segundo apurou a BBC Brasil em consulta ao TRE, não há registros de que Abi-Ackel tenha relatado processos nem participado de sessões de julgamento. Ele também não é lembrado por funcionários antigos do tribunal. 

Uma das hipóteses que explicariam a ausência é a de que nenhum dos titulares tenha faltado nesse período e que, por isso, não tenha sido necessária a presença do substituto - a reportagem não conseguiu falar com os juízes. 

Procurado, o parlamentar disse que não daria entrevistas antes da votação do relatório no plenário da Câmara. Pessoas próximas afirmam que Abi-Ackel participou de "várias" sessões do TRE e tem como provar, mas não deram exemplos de processos que ele ajudou a julgar.

Interlocutor de Aécio

Abi-Ackel deixou o tribunal no mesmo dia em que se filiou ao PSDB: 18 de outubro de 2005. Ele precisava ter um ano de filiação para poder concorrer às eleições do ano seguinte, segundo as regras da época. Antes, era filiado ao PTB, onde ficou durante cinco anos. 

Entre os tucanos, é tido como um dos principais interlocutores de Aécio Neves, informação que consta até no site do PSDB. 

O relacionamento entre os herdeiros políticos começou nas visitas de Tancredo Neves, avô de Aécio, à família Abi-Ackel e se fortaleceu ao longo dos anos. Para a esquerda mineira, a ajuda do senador foi essencial para que Paulo vencesse as eleições de 2014, quando teve sua pior votação: 104 mil votos, a 32º posição no Estado. 

O deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG), próximo do congressista, diz que o colega "vem de uma família competente, e é um jurista renomado". 

"É uma referência quando se fala em qualquer matéria de Constituição e Justiça. Politicamente tem sido motivo de orgulho para bancada de Minas Gerais. É um dos mais respeitados no PSDB." 

Abi-Ackel é considerado peça-chave na articulação interna do PSDB de Minas Gerais e assumiu alguns postos dentro do partido, como presidente estadual e líder da Minoria parlamentar. Mesmo assim, é visto por grupos da oposição como um fiel servo do senador que não ocupou cargos de projeção nem propôs projetos relevantes. 

"Tem alguma importância no PSDB de Minas, mas nunca foi líder do partido, presidente das principais comissões ou esteve em algum posto de destaque nacional. Não diria que é o braço direito (de Aécio). Pode ser a perna direita ou esquerda", disse um deputado do PSB, sigla que foi para a oposição ao governo Michel Temer em maio. 

"Não me lembro, nos três mandatos do Paulo, de ele relatar algum projeto que tenha sido proeminente."
Entre os projetos de lei de autoria de Paulo Abi-Ackel há um que impõe novos limites de indenização a vítimas de acidentes aéreos e a seus familiares; outro que permite a estudantes de Direito se inscreverem na OAB como estagiários a partir do quinto período do curso; e um terceiro que cria a possibilidade de intimações processuais por email. Nenhuma de suas propostas virou lei. 

Em rankings de desempenho, a ausência de projetos aprovados pesa negativamente para o mineiro. Na lista da plataforma Atlas Político, ele fica em 404º lugar na Câmara entre 498 nomes analisados.

Escolha e voto

Mais do que definir a posição de Abi-Ackel no Congresso, a relação com Aécio é, para alguns deputados, o que explica a escolha do tucano como relator pelo presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PDMB-MG). 

Um das teses repetidas pela oposição e por alas oposicionistas do PSDB é a de que ele teria sido nomeado relator da denúncia contra Temer para pagar uma dívida de Aécio com o PMDB: o arquivamento, em junho, de um pedido de cassação de mandato contra o senador, então afastado de suas funções pelo Supremo.

Mesmo com um pedido de prisão da Procuradoria-Geral da República contra Aécio à época por causa da delação da JBS, o presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza, do PMDB do Maranhão, afirmou que não haveria elementos "convincentes para que se abrisse um processo" de quebra de decoro contra o tucano. 

Para Abi-Ackel, pagar o favor do senador também seria bom negócio, argumentam alguns parlamentares, já que ganharia uma posição de destaque que nunca teve antes, mesmo votando a favor de um presidente tão impopular. 

Procurada, a assessoria de imprensa de Aécio disse que ele não foi informado de que o colega Abi-Ackel seria designado como relator. 

À BBC Brasil , Pacheco disse que, após a derrota do relatório de Zveiter, o regimento da Casa determinava a indicação de um novo relator entre aqueles que votaram contra o parecer anterior, ou seja, contra a continuidade da denúncia. 

"Dentre os 40 que votaram contra o parecer do deputado Sergio Zveiter, escolhi Paulo Abi-Ackel, do PSDB de Minas Gerais, que é um advogado que conheço e sei da competência. E podia ser qualquer um dos outros que fizeram votos em separado, sem problema nenhum." 

Pacheco nega que sua postura tenha intenções políticas: "não foi para agradar ala A, ala B, Planalto ou coisa que o valha". 

Apesar do silêncio de Abi-Ackel, seus interlocutores apontam a fragilidade das provas da Procuradoria como principal motivação para que redigisse um voto em separado, contrário à admissibilidade da denúncia, e depois aceitasse a relatoria. 

No documento, ele diz que as acusações contra Temer são resultado de ação "suspeitíssima" de Joesley Batista, empresário da JBS, que fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Para o parlamentar, falta o "nexo causal" (ligação) entre o presidente e os atos de corrupção mencionados. 

O advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, afirma que o parecer aprovado merece "aplausos" da defesa. 

"Ele enfrentou questões que não foram enfrentadas pelo relator anterior. Todos os pontos favoráveis à defesa o outro relator não tocou, passou ao largo."
Se é aplaudido por Mariz, os argumentos são vistos com desconfiança pelo PSDB. 

A escolha de Abi-Ackel pegou de surpresa a legenda que, na Comissão de Constituição e Justiça, se colocou majoritariamente a favor da continuidade da denúncia. Quando o parecer do deputado foi aprovado, Silvio Torres (PSDB-SP) fez questão de afirmar que a posição não era compartilhada pela maioria da bancada - apesar de os parlamentares estarem livres para votar como quisessem. 

"Quando chegamos à comissão, soubemos que ele seria o responsável pela leitura do voto. Ficamos surpresos. (Ele) resolveu que era o relator e disse que era uma posição pessoal", afirmou à BBC Brasil. 

Integrantes do PSDB disseram que, inicialmente, as justificativas de Abi-Ackel e do presidente da CCJ não batiam. Um deles relata que, enquanto Rodrigo Pacheco afirmava que o tucano pediu a relatoria, o relator dizia ter sido escolhido. Para os entrevistados, não ficou claro o critério da decisão do presidente da CCJ. 

Outro ponto em aberto são as consequências que o papel de relator terá no futuro político de Abi-Ackel. Até então sem histórico de altos cargos na vida parlamentar, o tucano é cotado em Minas para o Senado ou o governo do Estado. Apesar da impopularidade de Temer e da proximidade com Aécio, há quem veja vantagens na postura "corajosa" do parlamentar, que já foi citado em delação da Odebrecht. 

"Aécio não foi julgado, ainda é um nome de grande respeito em Minas e foi o melhor governador dos últimos cinquenta anos. Sai dessa crise forte. E Abi-Ackel pode ser um dos construtores do caminho de volta e de fortalecimento do partido no Estado. Acho que isso só traz vantagem. Um relatório bem feito, aprovado, é mais um upgrade na campanha para qualquer cargo majoritário que vier a pleitear", diz Danilo de Castro, que foi secretário de Estado do governo de Minas entre 2003 e 2014. 

Mas se os parlamentares alcançam um consenso sobre o passado de Abi-Ackel, o mesmo não se pode dizer sobre seu futuro. 

"Acho que Paulo mais perdeu do ganhou com a relatoria. Vamos ver", opina um congressista da bancada mineira.

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/herdeiro-politico-amigo-de-aecio-e-juiz-nao-praticante-quem-e-o-autor-do-relatorio-que-pode-salvar-temer,6962c92b4d3f2d794e3eb5aae35a298fe3jtqtrt.html




PGR entra com 3º pedido de prisão contra Aécio no Supremo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) entrou hoje (31) no Supremo Tribunal Federal (STF) com novo recurso pedindo a prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG). A PGR pretende anular decisão anterior do ministro Marco Aurélio, que negou outro pedido de prisão e determinou o retorno do parlamentar, no mês passado, às atividades no Senado. 

Foto: EFE
É o terceiro pedido sucessivo feito pela procuradoria para prender o senador. Dois foram rejeitados desde a homologação da delação premiada da JBS. A questão será analisada pela Primeira Turma da Corte, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do relator. 

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No mês passado, Marco Aurélio manteve decisão anterior de negar o pedido de prisão preventiva do senador, mas proibiu Aécio de deixar o país e de fazer contato com outros investigados ou réus no processo. 

Antes da decisão de Marco Aurélio, Aécio Neves estava afastado da atividade parlamentar por uma decisão do antigo relator do caso, ministro Edson Fachin. Aécio foi citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato. 

À época, a defesa de Aécio comemorou a decisão de Marco Aurélio e o senador disse que sempre acreditou Justiça e que seguiria "no exercício do mandato que me foi conferido por mais de 7 milhões de mineiros, com a seriedade e a determinação que jamais me faltaram em 32 anos de vida pública", declarou em nota.

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/pgr-volta-a-pedir-prisao-de-aecio-neves-ao-supremo,c62c09083d6869cb6641e132e14e5e5d8717u58s.html

Votação de denúncia contra Temer domina a volta do recesso

Com as atenções voltadas para a votação sobre a admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer, senadores e deputados voltam ao trabalho nesta terça-feira (1º), após duas semanas de recesso.
Congresso Nacional
Congresso Nacional
Foto: Agência Brasil
Pelo calendário estabelecido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, hoje, no primeiro dia de trabalho, o parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), contrário ao prosseguimento da denúncia, será lido em plenário. Amanhã (2) o parecer deverá ser votado pelos 513 deputados.

Acusação

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa Temer de corrupção passiva com base em gravações e na delação dos donos do grupo J&F, que controla o frigorífico JBS. O empresário Joesley Batista gravou uma conversa com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu, que gerou a denúncia. O presidente nega ter cometido ilegalidades e sua defesa deve repetir os argumentos apresentados à CCJ de que não há provas e que a denúncia se baseia em ilações dos procuradores.

Votação

Nesta quarta-feira (2), a votação só será aberta quando pelo menos 342 dos 513 deputados registrarem presença em plenário. Rodrigo Maia decidiu adotar esse critério para evitar questionamentos futuros na Justiça. A exemplo do que aconteceu no impeachment da presidente Dilma Rousseff, a votação será nominal e aberta (no microfone). Para que a acusação da PGR siga adiante, são necessários 342 votos contrários ao parecer da CCJ que livra Temer da denúncia.

Negociações

Durante o recesso parlamentar, foram intensas as reuniões e conversas entre o presidente Temer e deputados. Interlocutores do governo estão confiantes de que vão conseguir enterrar a denúncia.

Medidas provisórias

A definição da denúncia contra o presidente da República deve interferir diretamente no andamento da pauta de votações da Câmara e do Senado. Vinte e três medidas provisórias (MPs) estão na fila para análise do Congresso. Somente na semana passada, seis MPs foram editadas. Uma delas é a que trata do Programa de Desligamento Voluntário (PDV) de servidores do Executivo. Outras mudam 23 pontos do Código de Mineração. Das MPs que já começaram a ser analisadas, 14 estão em regime de urgência e já trancam a pauta de votações na Câmara e no Senado.

Reforma da Previdência

Na Câmara, outra pauta pendente de votação no plenário e que pode causar divergências é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que trata da reforma da Previdência. Depois de aprovar com folga a reforma trabalhista, a Câmara não conseguiu avançar com a análise do projeto, que propõe várias mudanças nas regras de acesso à aposentadoria. 

A reforma previdenciária tomou boa parte da agenda do início deste ano, com a realização de debates e a mobilização de diferentes setores em torno da elaboração do parecer da comissão especial criada para analisar a proposta. Mas, desde a divulgação das denúncias envolvendo o presidente da República, a PEC aguarda para ser pautada no plenário.

Reforma política

Outro tema considerado urgente e difícil de obter consenso neste segundo semestre é a reforma política. As propostas precisam ser votadas nas duas Casas até setembro. Se forem votadas depois desse prazo, as novas regras não poderão entrar em vigor nas eleições do ano que vem. 

Além do financiamento de campanha, três pontos se destacam na reforma política negociada entre a Câmara e o Senado: as novas regras para a escolha de vereadores e deputados, o fim das coligações nas eleições proporcionais e a cláusula de barreira para o funcionamento dos partidos. 

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/votacao-de-denuncia-contra-temer-domina-debates-na-volta-do-recesso-parlamentar,56d333a044f93dae25a552bec6c642aathyeybzy.html

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Moro bloqueia R$ 3 mi de Bendine e operadores

O juiz federal Sérgio Moro decretou o bloqueio de até R$ 3 milhões do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine 'Cobra', seus supostos operadores de propina André Gustavo Vieira da Silva e de Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e a empresa MP Marketing, Planejamento Institucional e Sistema de Informação Ltda. A decisão atende a pedido do Ministério Público Federal. Aldemir Bendine foi preso nesta quinta-feira, 27, pela Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato.

O montante a ser bloqueado se refere à propina supostamente recebida por Bendine da Odebrecht. Os R$ 3 milhões teriam sido repassados em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em um apartamento em São Paulo, alugado por Antônio Carlos.

Os pagamentos, segundo a força-tarefa da Lava Jato, ocorreram em 2015, nos dias 17 e 24 de junho e 1º de julho pelo Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas da empreiteira que abasteceu centenas de políticos.

O bloqueio será implementado pelo BacenJud, sistema do Banco Central acionado para executar ordens dessa natureza. Moro mandou juntar o comprovante do confisco nos autos da Lava Jato.

A MP Marketing, Planejamento Institucional e Sistema de Informação é controlada por André Gustavo Vieira da Silva. Segundo a Lava Jato, a empresa é 'de fachada' e 'o quadro de empregados da empresa durante toda sua existência foi absolutamente exíguo ou nulo'.

"Apesar de sustentar que os R$ 3 milhões pagos em São Paulo são lícitos e se referem à consultoria prestada pela MP Marketing, Planejamento Institucional e Sistema de Informação Ltda à Odebrecht, André Gustavo faz questão de registrar que seu irmão Antônio Carlos, alvo da Operação Xepa, "desconhece os fatos completamente e não possui qualquer responsabilidade no recebimento de tais valores', o que causa estranhamento, pois Antônio Carlos também é sócio da MP Marketing, Planejamento Institucional e Sistema de Informação Ltda e seria natural que estivesse a par de um contrato de consultoria com valor tão expressivo", afirma a Lava Jato.

"A empresa MP Marketing de André Gustavo claramente não tem atividade e foi criada apenas para emissão de notas relacionadas a contratos fictícios de recursos de origem criminosa."
COM A PALAVRA, ADEMAR RIGUEIRA, QUE DEFENDE ANDRÉ GUSTAVO VIEIRA E ANTONIO CARLOS VIEIRA
"Há uma precipitação em relação ao André. Ele vem, desde que o inquérito se encontra no Supremo, ele vem se manifestando, vem peticionando. A própria competência do juiz Sérgio Moro foi determinada pelo ministro Fachin e dessa decisão nós agravamos. Não há ainda nenhuma manifestação do Supremo sobre a competência. Há uma dúvida ainda sobre a competência, então, me parece precipitado o juiz ter decretado a prisão temporária antes mesmo do Supremo delimitar qual é o juiz competente para apreciar o feito. Independente disso, ele vem contribuindo, já trouxe a versão dele nos autos, ele vem comunicando ao juiz Sérgio Moro todas as viagens que faz. Essa viagem (para Portugal, hoje) foi comunicada ao juiz Sérgio Moro desde o início da semana com passagem de ida e vbolta, local de hospedagem, motivo da viagem. Não nos parece necessária essa prisão. A discussão de indícios de autoria, de prova ou materialidade vão ser auferidas duramente o inquérito, durante o processo. Não se furtou a colaborar desde o início. Ele se coloca a disposição em completo respeito à decisão. A relação mesmo de mérito foi um negocio feito com a Odebrecht, foi procurado pela Odebrecht, se colocou para resolver um problema, resolveu e cobrou os honorários. Ele tem uma relação de conhecimento, de amizade com o ex-presidente do Banco do Brasil, foi colocado para ele um problema, ele se prontificou a ajudar, identificou qual era o problema, levou para Odebrecht e o corpo técnico do Banco do Brasil solucionou o impasse. Já houve auditoria do Banco do Brasil que comprovou que tudo foi feito dentro da legalidade. Ele apenas facilitou os trâmites legais. Ele não é economista, não deu parecer. Mas ele resolveu a identificar o problema e facilitar um diálogo com a Odebrecht e cobrou por isso. O Antonio não tem nenhuma relação, ele é irmão de André Gustavo. A relação que se fala do apartamento em que foi feito um pagamento, que ele era o locatário de um apartamento em São Paulo que servia a ele e ao irmão André Gustavo, e um pagamento foi feito lá. Não tem nenhuma vinculação. Ele não é citado em nenhum momento se fala no nome dele. Nem os delatores da Odebrecht, nem nenhuma outra pessoa. Isso para mim é uma grande injustiça, uma pessoa presa sem qualquer vinculação com isso.

http://www.msn.com/pt-br/noticias/crise-politica/moro-bloqueia-rdollar-3-mi-de-bendine-e-operadores/ar-AAoY1sD?li=AAggXC1

Delação cita contrato com sobrinho de Lula para agradar a petista



Empresário Taiguara Rodrigues em outubro de 2015 durante CPI do BNDES na Câmara.
© Foto: Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados Empresário Taiguara Rodrigues em outubro de 2015 durante CPI do BNDES na Câmara. 
 
Delatores da Odebrecht relataram à Procuradoria-Geral da República que a contratação e os pagamentos feitos em Angola ao empresário Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram para "agradar" ao petista. O Estado teve acesso aos depoimentos e aos anexos de três executivos, ainda mantidos em sigilo, que citam a participação do ex-presidente no caso investigado na Operação Janus.

A filial da Odebrecht em Angola contratou a Exergia, da qual o empresário se tornou sócio. O ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira Alexandrino Alencar afirmou que o ex-presidente pediu a contratação da empresa. Ernesto Sá Baiardi, ex-diretor da construtora em Angola, relatou solicitação do petista para que a construtora ajudasse o empresário. Antonio Carlos Daiha Blando, sucessor de Baiardi, disse ter adiantado pagamentos à Exergia para "agradar" a Lula.

Baiardi foi o diretor da Odebrecht responsável pelo mercado de Angola até 2013. Ele afirmou que foi procurado pela primeira vez por Taiguara em 2011. O primeiro contato não foi respondido e, por causa disso, Alexandrino teria ligado para pedir que o empresário fosse recebido. "Entendi que essa solicitação era de interesse da companhia para atender a pedido de Lula e, imediatamente, chamei Taiguara para uma reunião", relatou o executivo no anexo.

A intervenção direta de Lula teria ocorrido no mesmo ano, quando o ex-presidente visitou Angola e participou de um café da manhã com Emílio Odebrecht, no qual estava presente Taiguara. Baiardi disse em depoimento que, após o café, o petista o chamou de lado e falou que Taiguara era honesto, trabalhador, que estava iniciando carreira empresarial e que, se possível, era para ajudá-lo.

Blando disse que, após assumir a diretoria em Angola, Baiardi lhe pediu que recebesse Taiguara. O delator relatou que recebeu o empresário quando chegou ao país africano e que a "atenção diferenciada" com que tratou "os assuntos da Exergia tinha por finalidade agradar ao ex-presidente Lula".

'Adiantamento'
Ainda segundo Blando, em 2014, Taiguara pediu "adiantamento contratual" a que sua empresa "não tinha direito", mas, mesmo assim, os repasses foram realizados em duas parcelas. Uma de US$ 500 mil e outra de US$ 200 mil. O delator declarou que a "necessidade" de "agradar a Lula" resultou em ordem aos diretores da filial angolana para adiantar o pagamento.

Segundo Alexandrino, apontado como um dos executivos mais próximos ao ex-presidente, Lula apresentou seu sobrinho em um café da manhã no hotel HCTA, em Luanda, capital de Angola. O ex-executivo disse ainda que o petista teria pedido que a Odebrecht avaliasse a possibilidade de contratar as empresas de Taiguara. A solicitação teria sido levada ao patriarca do grupo, Emílio Odebrecht, que, segundo ele, "concordou prontamente".

Janus. O juiz Vallisney de Souza Oliveira aceitou em outubro de 2016 a denúncia criminal do Ministério Público Federal em Brasília contra o ex-presidente e Taiguara no caso. A acusação tem origem na Operação Janus, que chegou a levar Taiguara coercitivamente para depor.

A acusação afirma que a Exergia não prestou os serviços para os quais foi contratada. O trabalho teria sido executado pela própria Odebrecht em retribuição ao fato de ter sido contratada pelo governo angolano com base em financiamento para exportação de serviços, concedido pelo BNDES. A acusação feita pelo MPF é de que Lula recebeu propina nesse caso por meio de terceiros.

Procurada desde quarta-feira, 26, a defesa de Lula não respondeu ao Estado. À época da Operação Janus, o petista afirmou que já esclareceu os fatos sobre Taiguara. Ainda conforme a defesa, Lula "nunca fez lobby", "nunca apresentou Taiguara a nenhum dono de empresa" e, quando Lula foi fazer palestra em Angola, "Taiguara já estava naquele país trabalhando com empresa portuguesa".

A reportagem não conseguiu contato com o advogado Fabio Souza, que representa as empresas de Taiguara. Após a Janus, o advogado negou que a Exergia tenha sido usada para lavar dinheiro. Em depoimento à CPI do BNDES, o próprio Taiguara confirmou a contratação pela empreiteira e disse que os valores recebidos são referentes a serviços de sondagem, avaliação da topografia e gerenciamento de obras prestadas pela empresa. Segundo ele, todos os contratos foram obtidos por meio de licitações.
 
http://www.msn.com/pt-br/noticias/crise-politica/dela%c3%a7%c3%a3o-cita-contrato-com-sobrinho-de-lula-para-agradar-a-petista/ar-AAoYcUg?li=AAggV10