Após confirmar repasse de R$ 11,5 milhões a Renan, Aníbal, Jader e Silas Rondeau, operadores Jorge Luz e Bruno Luz entregaram hoje comprovantes de pagamentos no exterior que totalizam US$ 417 mil ao grupo político
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 17.11.2016
Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) nega propina e diz não encontrar operador Jorge Luz há 25 anos
A defesa do lobista Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, entregou nesta terça-feira (1º) ao juiz Sérgio Moro planilhas e recibos que comprovam o pagamento de propina a políticos do PMDB. As informações foram anexadas à ação penal da Lava Jato na qual a dupla e mais sete pessoas são réus por esquema envolvendo contratos para compra e operação dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000.
Preso desde fevereiro deste ano, Jorge Luz já haviaconfirmado em depoimento prestado no fim do mês passado que atuou no repasse de R$ 11,5 milhões a quatro políticos doPMDB: os senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), o deputado Aníbal Gomes (CE) e o ex-ministro Silas Rondeau.
Os pagamentos, segundo o operador, referem-se a comissões decorrentes da atuação do grupo político para manter os ex-diretores daPetrobrasNestor Cerveró e Paulo Roberto Costa em seus cargos.
A planilha apresentada pelos lobistas nesta terça-feira indicam uma série de transferências entre contas do próprioJorge Luz, do lobista Fernando Baiano, do grupo Schahin, do empresário Júlio Camargo (que atuou em favor da Samsung Heavy Industries em negócios com a Petrobras).
Em ao menos seis ocasiões, entre junho de 2007 e novembro de 2008, foram feitos aportes na conta Headliner Limited (Suíça), que teria sido indicada pelo deputadoAníbal Gomes. Segundo Jorge Luz, o parlamentar era o responsável por distribuir os valores aos seus correligionários.
Os repasses feitos sempre a partir da conta Pentagram Energy, controlada por Jorge Luz, aos peemedebistas totalizaram cerca de US$ 417 mil.
A defesa dos lobistas disse ainda ao juiz Moro que "existem pelo menos mais cinco contas indicadas por Aníbal que se destinavam à JADER/RENAN/SILLAS/ANÍBAL".
Defesa
À época dadeflagração da 38ª fasedaLava Jato, que culminou na prisão de Jorge e Bruno Luz, o senador Renan Calheiros divulgou nota negando as acusações, apesar de confirmar que conhece o operador, mas que não o vê há 25 anos.
"O senadorRenan Calheirosreafirma que a chance de se encontrar qualquer irregularidade em suas contas pessoais ou eleitorais é zero. O senador reitera ainda que todas as suas relações com empresas, diretores ou outros investigados não ultrapassaram os limites institucionais", diz o comunicado distribuído pelo peemedebista.
O senador Jader Barbalho também rechaçou a informação de que participou de um jantar com Nestor Cerveró e Jorge Luz para tratar do pagamento de propina.
O deputado Aníbal Gomes e o ex-ministro Silas Rondeau não se manifestaram a respeito das acusações.
De acordo com a denúncia oferecida pela força-tarefa de procuradores da Lava Jato, Jorge Luz e Bruno Luz movimentaram cerca de US$ 40 milhões em propina, incluindo nesse montante o valor repassado aos políticos do PMDB.
Conforme previsto, parlamentares reassumirão mandatos na Câmara e devem votar a favor da arquivação da abertura de inquérito contra Temer
Wilson Dias/Agência Brasil - 7.12.15
Eliseu Padilha informou que as exonerações dos ministros de Michel Temer devem sair na edição de quarta-feira do DOU
Os ministros do governo que têm mandato de deputado serão exonerados temporariamente do cargo para retornar à Câmara e participar, nesta quarta-feira (2), da votação em plenário sobre a admissibilidade doprocesso contra o presidente Michel Temer pelo suposto crime de corrupção passiva.
O ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, informou nesta terça-feira (1º) que as exonerações dos ministros deMichel Temerdevem sair na edição de amanhã do Diário Oficial da União. Segundo Padilha, apenas o ministro da Defesa, Raul Jungmann, que está no Rio de Janeiro, não irá votar.
“Amanhã, o Diário Oficial libera os ministros que querem exercer o direito a voto. O simbolismo da votação se reveste também da participação dos ministros no plenário fazendo as conversas que normalmente se faz e também exercendo o direito ao voto”, disse Padilha, ao deixar almoço da Frente Parlamentar da Agricultura.
Estratégia recorrente
Esta não será a primeira vez que ministros retornam aoCongressopara votar em matéria de interesse do governo. Em outubro do ano passado, Temer exonerou dois ministros para que votassem a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê um teto para os gastos públicos.
Em abril deste ano, o presidente usou o mesmo recurso ao exonerar os ministros parareassumir o mandato de deputado federale votar no projeto da reforma trabalhista, que foi aprovada.
Também em abril, Temer havia decidido que ministros retornariam mais uma vez à Câmara para participar da votação em plenário da PEC da Reforma da Previdência. Prevista inicialmente para ser colocada em pauta em maio, a PEC ainda não foi levada ao plenário.
Conforme o calendário estabelecido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) da Casa contrário ao prosseguimento da denúncia, foi lido nesta terça-feira em plenário. Na quarta-feira (2), a votação só será aberta quando pelo menos 342 dos 513 deputados registrarem presença em plenário.
Acusação
Michel Temer é acusado pela Procuradoria Geral da República de ter cometido o crime de corrupção passiva. Para que a acusação possa ser investigada pelo Supremo Tribunal Federal, é preciso que aCâmaraautorize com pelo menos 342 votos em plenário, o que representa dois terços dos 513 parlamentares da Casa.
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira (1º)
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disseGilmar Mendes, em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez, Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado.
O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.
O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma doSTF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema tão logo haja manifestação da defesa do acusado.
Ligação entre Gilmar e Aécio
Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar eAécio Nevesna qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade.
Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes
, em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador
mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais
um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco
Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o
caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única
situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em
exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator
anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o
senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez,
Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado. Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-08-01/gilmar-mendes.html
“Eu
acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes
de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira
(1º)
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
O ministro do STF (Supremo Tribunal
Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de
prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o
senador Aécio Neves (PSDB-MG).
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes
, em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador
mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais
um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco
Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o
caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única
situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em
exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator
anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o
senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez,
Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado. Leia também: Sérgio Moro decreta prisão preventiva de Aldemir Bendine
O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido
citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus
depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que
Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na
Operação Lava Jato.
O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma do STF
, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e
Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator
do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema
tão logo haja manifestação da defesa do acusado.
Ligação entre Gilmar e Aécio
Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar e Aécio Neves
na qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto
de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade. Leia também: STF julga pedido para soltar procurador acusado de vazar informações a Joesley
Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira
junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a
posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A
ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi
aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.
“Eu
acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes
de seguir suas vontades”, afirmou o ministro do STF nesta terça-feira
(1º)
Reprodução/Senado
Em maio, Polícia Federal divulgou o registro de uma conversa telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes
O ministro do STF (Supremo Tribunal
Federal) Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira (1º) o novo pedido de
prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o
senador Aécio Neves (PSDB-MG).
“Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Gilmar Mendes
, em referência à insistência de Janot em pedir a prisão do senador
mineiro, que foi candidato a presidente da República pelo PSDB em 2014.
Na última segunda-feira (31), a PGR protocolou mais
um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco
Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o
caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única
situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em
exercício.
Antes, a prisão já havia sido negada pelo relator
anterior do caso, ministro Edson Fachin, que no entanto afastou o
senador do exercício do mandato. Ao negar a prisão pela segunda vez,
Marco Aurélio também autorizou o retorno de Aécio ao Senado. Leia também: Sérgio Moro decreta prisão preventiva de Aldemir Bendine
O senador é alvo de inquérito no STF por ter sido
citado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e um de seus
depoimentos de delação premiada. Joesley contou aos procuradores que
Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na
Operação Lava Jato.
O terceiro pedido de prisão contra o senador será analisado pela Primeira Turma do STF
, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e
Luís Roberto Barroso, além do presidente do colegiado e também relator
do processo, Marco Aurélio, que nesta terça-feira prometeu pautar o tema
tão logo haja manifestação da defesa do acusado.
Ligação entre Gilmar e Aécio
Em maio deste ano, a Polícia Federal apresentou os registros de uma interceptação telefônica entre Gilmar e Aécio Neves
na qual o magistrado pede ao senador que ajude na tramitação do projeto
de lei que modifica a lei sobre os crimes de abuso de autoridade. Leia também: STF julga pedido para soltar procurador acusado de vazar informações a Joesley
Na conversa, Aécio pede a Gilmar Mendes que interfira
junto ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para que ele seguisse a
posição de Aécio na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A
ligação ocorreu no dia 26 de abril deste ano, data em que a matéria foi
aprovada tanto na comissão quanto no Plenário.
Presidente é mais impopular que Dilma na
véspera da votação do impeachment, mas mantém apoios importantes no
Congresso e na elite econômica; Câmara dos Deputados vota andamento de
denúncia contra Temer por corrupção passiva nesta quarta.
Assim como a ex-presidente Dilma Rousseff em abril de 2016, o presidente
Michel Temer amarga índices baixíssimos de popularidade no momento em
que enfrenta uma votação crucial na Câmara dos Deputados.
Aprovação de Temer hoje é mais baixa do que a de Dilma às vésperas do impeachment
Foto: Reuters
Aliás, sua taxa de aprovação hoje (apenas 5%, segundo o Ibope) é até
mesmo pior que a da petista em março do ano passado (10%), pouco antes
da Casa aprovar a continuidade do processo contra ela.
Apesar disso, a expectativa é de que Temer consiga barrar nesta
quarta-feira o andamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República
que o acusa de corrupção passiva, impedindo que o Supremo Tribunal
Federal possa avaliar a abertura de uma ação penal que afastaria o
presidente por até seis meses.
Mas se não é popularidade, o que Temer tem que Dilma não tinha e lhe garante força para resistir no cargo?
Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o presidente sobrevive de
uma mistura de forte articulação política no Congresso, ausência de
protestos de massa nas ruas e apoio da elite econômica satisfeita com o
andamento de reformas impopulares.
"A principal diferença é que o Temer tem apoio de quem importa", resume
o professor de gestão de políticas públicas da USP Pablo Ortellado.
"Ele não tem apoio popular, mas ainda tem um bom apoio no Congresso, do
empresariado, e a oposição não está fazendo esforço nenhum de
derrubá-lo", ressalta.
Ortellado tenta explicar a falta de grandes protestos nas ruas. De um
lado, observa, os movimentos sociais de esquerda que têm ligação com o
PT aderiram à estratégia do partido de deixar o atual governo sangrar
até 2018, já que a baixíssima popularidade de Temer deve garantir um
espaço privilegiado de campanha para a oposição na próxima eleição.
Para cientista político, um elemento importante da resistência
de Temer no cargo é a ausência de protestos expressivos nas ruas
Foto: BBCBrasil.com
De outro lado, afirma Ortellado, os movimentos anticorrupção que
derrubaram Dilma tampouco estão mobilizados em grandes manifestações
para afastar Temer. Esses grupos em geral têm viés econômico liberal que
se alinha com a agenda de reformas do governo.
Além disso, nota ele, a excessiva polarização da sociedade entre
"petralhas" e "coxinhas" dificulta que esquerda e direita se unam no
movimento "Fora, Temer", embora as pesquisas de opinião indiquem que
essa seja uma pauta comum à grande maioria da sociedade.
"Temer não tem apoio popular. Um movimento de rua de consistência o
derrubaria com certeza, mas quem convoca o movimento de rua não quer
derrubá-lo", diz o professor da USP.
Por parte dos empresários, Ortellado acredita que prevalece uma
satisfação com as reformas que Temer tem implementado, como a criação de
um teto para o aumento dos gastos públicos e as mudanças nas regras
trabalhistas - e com as que ainda pretende aprovar, como a da
Previdência.
"Realmente, o presidente Temer tem proporcionado medidas para o futuro
do país fantásticas. Está mexendo em muita coisa que tem que ser feita.
Quem sabe o que permite isso é sua baixa popularidade, porque é alguém
que não está buscando resultados imediatos", afirma o presidente da
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos
Martins, ao defender a continuidade do governo.
Por parte dos empresários, prevalece a satisfação com as reformas de Temer
Foto: BBCBrasil.com
Para Martins, a troca de presidente traria mais instabilidade para o
país. Além disso, o líder empresarial sustenta que a denúncia contra
Temer "é muito fraca".
O presidente é acusado de ser destinatário de propina negociada entre o
dono da JBS Joesley Batista e o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha
Loures, indicado pelo presidente como seu interlocutor para resolver
questões da empresa junto a órgãos públicos, em conversa gravada pelo
empresário.
Loures, por sua vez, foi gravado depois recebendo uma mala de R$ 500
mil, mas a defesa de Temer nega que o presidente tenha dado aval a esse
pagamento ou fosse se beneficiar dele. Aliados do presidente têm
ressaltado também que a PGR não realizou o monitoramento do destino da
mala de R$ 500 mil de modo a provar que ele iria para Temer.
"Quem lê as 64 páginas da denúncia não consegue ser convencido do preço
a ser pago (pela troca de presidente). É uma denúncia muito fraca para o
trauma que nós estamos vivendo, para ter mais seis meses do Brasil
parado", afirma Martins.
Congresso, o apoio mais importante
Se o silêncio das ruas e o apoio dos empresários ajuda Temer a
sobreviver, seu maior trunfo está na sua capacidade de articulação no
Congresso, observa a professora de Ciências Políticas da USP Maria
Hermínia Tavares. Ela ressalta que Temer foi três vezes presidente da
Câmara dos Deputados.
"Ele conhece profundamente o Congresso e tem uma atenção especial com
as parlamentares, que não consiste só em liberar emenda (recursos para
as bases eleitorais dos congressistas), distribuir cargos. Ele também
trata bem, coisa que Dilma e (o ex-presidente Fernando) Collor
(derrubado em 1992 por impeachment) nunca fizeram. Temer passa boa parte
do tempo conversando com os parlamentares", reforça Tavares.
Para que o STF fique autorizado a analisar a abertura de um processo
penal contra Temer, são necessários 342 votos do total de 513 deputados.
Segundo levantamento do jornal
Folha de S.Paulo
, por enquanto apenas 194 dizem que votarão a favor do andamento da denúncia.
A votação, entretanto, só poderá ser realizada se houver um quórum
mínimo de dois terços da Casa, ou seja, se 342 deputados tiveram
registrado presença. Deputados da oposição chegaram a considerar a
possibilidade de tentar esvaziar a sessão para que não haja quórum - e,
assim, adiar a votação. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), disse recentemente estar confiante de que pelo menos 480
deputados estarão presentes.
Paulo Abi-Ackel herdou o sobrenome e a vida pública do pai, Ibrahim
Abi-Ackel, ministro durante a ditadura, e é um dos principais
interlocutores de Congresso de Aécio Neves, senador tucano investigado
pela Lava Jato; é dele o parecer favorável ao presidente, que deve ser
analisado pelo plenário nesta semana.
Falar sobre Paulo Abi-Ackel é falar sobre suas relações. Quando
discute-se a trajetória do deputado, autor do parecer que pode salvar o
mandato do presidente Michel Temer, dois nomes sempre aparecem: Ibrahim
Abi-Ackel, seu pai, e Aécio Neves (PSDB-MG), colega de partido. Do
primeiro, ministro durante a ditadura, herdou o sobrenome e a vida
pública; do último, senador investigado pela operação Lava Jato, é um
dos principais interlocutores no Congresso.
'Paulo é considerado um sujeito bem preparado, mas não tem o
famoso brilhantismo do pai', diz um conhecido advogado criminal da
capital mineira
Foto: BBCBrasil.com
Ambos são peças importantes para entender a história do parlamentar,
escolhido em meados de julho como relator da denúncia da
Procuradoria-Geral da República contra o presidente após o parecer
anterior, de Sergio Zveiter (PMDB-RJ), ser rejeitado pela Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) - seu relatório, pedindo o arquivamento do
processo, foi aprovado em votação-relâmpago logo em seguida.
O homem que pode poupar Temer de ser julgado pelo Supremo Tribunal
Federal (STF), caso seu parecer passe pelo plenário nesta semana, faz
parte de um grupo tradicional de políticos mineiros, do qual também vem
Aécio. Mas diferentemente do conterrâneo, Paulo não é lembrado apenas
pelo primeiro nome.
Abi-Ackel elegeu-se para a Câmara pela primeira vez em 2006, aos 43
anos. Antes de ser parlamentar, advogou por duas décadas no escritório
fundado pelo pai e foi juiz substituto no Tribunal Regional Eleitoral de
Minas.
Apesar da chegada tardia a Brasília, sua ligação com a política começou
na adolescência, quando fez parte da Juventude do PDS, partido de
sustentação do governo militar. Na época, seu pai era ministro da
Justiça do presidente João Figueiredo, que o hoje deputado chegou a
conhecer pessoalmente.
Segundo a biografia disponível em seu site, o parlamentar e outros
filhos de políticos foram recebidos por Figueiredo para pedir a
realização das Eleições Diretas, em 1985. Um dos participantes do
encontro, Murilo Prado Badaró, filho do então ministro da Indústria e
Comércio, ofereceu à BBC Brasil uma versão um pouco diferente sobre o
que aconteceu na reunião.
"Nós fomos chamados porque estávamos numa linha renovadora demais para o
momento. A Juventude do PDS falava em eleição direta, e o partido
lutava contra isso. O Palácio do Planalto nos chamou lá e falou que a
gente tinha que maneirar."
Ele diz que o aviso não fez o grupo parar com a militância.
Amigo do deputado desde os 15 anos, por causa da proximidade das
famílias, Badaró conta que sempre conversavam sobre quando entrariam na
política, seguindo o exemplo dos pais.
"Nós tivemos uma formação política e familiar dos políticos
tradicionais de Minas Gerais, muito baseada no espírito público, na
ética, diferentemente da classe que tomou conta de Brasília."
Badaró tornou-se economista e Abi-Ackel demorou a ingressar na vida
pública, concorrendo a uma vaga quando o pai já deixava a Câmara, após
sete mandatos. Para o amigo, a sucessão seguiu um "processo natural" e
não foi pensada para que o filho arrecadasse os votos.
"O pai era o protagonista da história, sempre foi, e no momento certo ele (Paulo) entrou e teve mais votos do que Ibrahim."
Laços de família
As comparações entre pai e filho são constantes quando se fala dos Abi-Ackel.
Com longo e prestigiado currículo - ex-ministro, ex-deputado, exímio
orador, advogado brilhante, Ibrahim é citado como referência no direito e
na política. As diferenças entre os dois são mencionadas em tom mais ou
menos elogioso, a depender de quem fala. O consenso é que "Paulinho',
como muitos o chamam em BH, não teria a mesma grandeza do antecessor.
"Ibrahim é um dos maiores oradores da história desse país. É um cara
inteligentíssimo, cultíssimo. Até brinco com o Paulo que ele não tem
essa verve toda do pai, mas Paulinho é um cara muito preparado", diz
Badaró.
Entre a esquerda mineira, os comentários são mais ácidos. Um deputado
estadual do PT diz que o parlamentar é uma "figura apagadíssima".
"Se quiser saber dele, só perguntando pelo pai. É totalmente
inexpressivo, foi uma surpresa (a escolha dele como relator). Como
advogado não é brilhante, não teve grande carteira", afirma.
"Só não teve dificuldade de se eleger porque Aécio investiu muito nele, foi um candidato priorizado."
Quanto à atuação de Abi-Ackel no escritório de direito penal e
eleitoral em que foi sócio do pai, advogados e professores de direito de
Belo Horizonte ouvidos pela BBC Brasil dizem que a banca é respeitada
na cidade, mas não lembraram de um caso de repercussão na carreira de
Paulo.
"O escritório é bem-sucedido na área de advocacia de massa. Lida com
empresas de cartão de crédito, telefonia, aviação. Paulo é considerado
um sujeito bem preparado, mas não tem o famoso brilhantismo do pai", diz
um conhecido advogado criminal da capital mineira.
Juiz não praticante
Por ser advogado, Paulo Abi-Ackel pôde ser indicado como juiz do
Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais pela Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB). Ele ocupou o posto de magistrado substituto por pouco mais
de um ano, de 2004 a 2005, período em que deveria substituir dois
advogados nomeados como juízes titulares.
A passagem pela corte é motivo de destaque em seu currículo. Mas,
segundo apurou a BBC Brasil em consulta ao TRE, não há registros de que
Abi-Ackel tenha relatado processos nem participado de sessões de
julgamento. Ele também não é lembrado por funcionários antigos do
tribunal.
Uma das hipóteses que explicariam a ausência é a de que nenhum dos
titulares tenha faltado nesse período e que, por isso, não tenha sido
necessária a presença do substituto - a reportagem não conseguiu falar
com os juízes.
Procurado, o parlamentar disse que não daria entrevistas antes da
votação do relatório no plenário da Câmara. Pessoas próximas afirmam que
Abi-Ackel participou de "várias" sessões do TRE e tem como provar, mas
não deram exemplos de processos que ele ajudou a julgar.
Interlocutor de Aécio
Abi-Ackel deixou o tribunal no mesmo dia em que se filiou ao PSDB: 18
de outubro de 2005. Ele precisava ter um ano de filiação para poder
concorrer às eleições do ano seguinte, segundo as regras da época.
Antes, era filiado ao PTB, onde ficou durante cinco anos.
Entre os tucanos, é tido como um dos principais interlocutores de Aécio Neves, informação que consta até no site do PSDB.
O relacionamento entre os herdeiros políticos começou nas visitas de
Tancredo Neves, avô de Aécio, à família Abi-Ackel e se fortaleceu ao
longo dos anos. Para a esquerda mineira, a ajuda do senador foi
essencial para que Paulo vencesse as eleições de 2014, quando teve sua
pior votação: 104 mil votos, a 32º posição no Estado.
O deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG), próximo do congressista, diz
que o colega "vem de uma família competente, e é um jurista renomado".
"É uma referência quando se fala em qualquer matéria de Constituição e
Justiça. Politicamente tem sido motivo de orgulho para bancada de Minas
Gerais. É um dos mais respeitados no PSDB."
Abi-Ackel é considerado peça-chave na articulação interna do PSDB de
Minas Gerais e assumiu alguns postos dentro do partido, como presidente
estadual e líder da Minoria parlamentar. Mesmo assim, é visto por grupos
da oposição como um fiel servo do senador que não ocupou cargos de
projeção nem propôs projetos relevantes.
"Tem alguma importância no PSDB de Minas, mas nunca foi líder do
partido, presidente das principais comissões ou esteve em algum posto de
destaque nacional. Não diria que é o braço direito (de Aécio). Pode ser
a perna direita ou esquerda", disse um deputado do PSB, sigla que foi
para a oposição ao governo Michel Temer em maio.
"Não me lembro, nos três mandatos do Paulo, de ele relatar algum projeto que tenha sido proeminente."
Entre os projetos de lei de autoria de Paulo Abi-Ackel há um que impõe
novos limites de indenização a vítimas de acidentes aéreos e a seus
familiares; outro que permite a estudantes de Direito se inscreverem na
OAB como estagiários a partir do quinto período do curso; e um terceiro
que cria a possibilidade de intimações processuais por email. Nenhuma de
suas propostas virou lei.
Em rankings de desempenho, a ausência de projetos aprovados pesa
negativamente para o mineiro. Na lista da plataforma Atlas Político, ele
fica em 404º lugar na Câmara entre 498 nomes analisados.
Escolha e voto
Mais do que definir a posição de Abi-Ackel no Congresso, a relação com
Aécio é, para alguns deputados, o que explica a escolha do tucano como
relator pelo presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PDMB-MG).
Um das teses repetidas pela oposição e por alas oposicionistas do PSDB é
a de que ele teria sido nomeado relator da denúncia contra Temer para
pagar uma dívida de Aécio com o PMDB: o arquivamento, em junho, de um
pedido de cassação de mandato contra o senador, então afastado de suas
funções pelo Supremo.
Mesmo com um pedido de prisão da Procuradoria-Geral da República contra
Aécio à época por causa da delação da JBS, o presidente do Conselho de
Ética do Senado, João Alberto Souza, do PMDB do Maranhão, afirmou que
não haveria elementos "convincentes para que se abrisse um processo" de
quebra de decoro contra o tucano.
Para Abi-Ackel, pagar o favor do senador também seria bom negócio,
argumentam alguns parlamentares, já que ganharia uma posição de destaque
que nunca teve antes, mesmo votando a favor de um presidente tão
impopular.
Procurada, a assessoria de imprensa de Aécio disse que ele não foi
informado de que o colega Abi-Ackel seria designado como relator.
À
BBC Brasil
, Pacheco disse que, após a derrota do relatório de Zveiter, o
regimento da Casa determinava a indicação de um novo relator entre
aqueles que votaram contra o parecer anterior, ou seja, contra a
continuidade da denúncia.
"Dentre os 40 que votaram contra o parecer do deputado Sergio Zveiter,
escolhi Paulo Abi-Ackel, do PSDB de Minas Gerais, que é um advogado que
conheço e sei da competência. E podia ser qualquer um dos outros que
fizeram votos em separado, sem problema nenhum."
Pacheco nega que sua postura tenha intenções políticas: "não foi para agradar ala A, ala B, Planalto ou coisa que o valha".
Apesar do silêncio de Abi-Ackel, seus interlocutores apontam a
fragilidade das provas da Procuradoria como principal motivação para que
redigisse um voto em separado, contrário à admissibilidade da denúncia,
e depois aceitasse a relatoria.
No documento, ele diz que as acusações contra Temer são resultado de
ação "suspeitíssima" de Joesley Batista, empresário da JBS, que fechou
acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Para o
parlamentar, falta o "nexo causal" (ligação) entre o presidente e os
atos de corrupção mencionados.
O advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, afirma que o parecer aprovado merece "aplausos" da defesa.
"Ele enfrentou questões que não foram enfrentadas pelo relator
anterior. Todos os pontos favoráveis à defesa o outro relator não tocou,
passou ao largo."
Se é aplaudido por Mariz, os argumentos são vistos com desconfiança pelo PSDB.
A escolha de Abi-Ackel pegou de surpresa a legenda que, na Comissão de
Constituição e Justiça, se colocou majoritariamente a favor da
continuidade da denúncia. Quando o parecer do deputado foi aprovado,
Silvio Torres (PSDB-SP) fez questão de afirmar que a posição não era
compartilhada pela maioria da bancada - apesar de os parlamentares
estarem livres para votar como quisessem.
"Quando chegamos à comissão, soubemos que ele seria o responsável pela
leitura do voto. Ficamos surpresos. (Ele) resolveu que era o relator e
disse que era uma posição pessoal", afirmou à BBC Brasil.
Integrantes do PSDB disseram que, inicialmente, as justificativas de
Abi-Ackel e do presidente da CCJ não batiam. Um deles relata que,
enquanto Rodrigo Pacheco afirmava que o tucano pediu a relatoria, o
relator dizia ter sido escolhido. Para os entrevistados, não ficou claro
o critério da decisão do presidente da CCJ.
Outro ponto em aberto são as consequências que o papel de relator terá
no futuro político de Abi-Ackel. Até então sem histórico de altos cargos
na vida parlamentar, o tucano é cotado em Minas para o Senado ou o
governo do Estado. Apesar da impopularidade de Temer e da proximidade
com Aécio, há quem veja vantagens na postura "corajosa" do parlamentar,
que já foi citado em delação da Odebrecht.
"Aécio não foi julgado, ainda é um nome de grande respeito em Minas e
foi o melhor governador dos últimos cinquenta anos. Sai dessa crise
forte. E Abi-Ackel pode ser um dos construtores do caminho de volta e de
fortalecimento do partido no Estado. Acho que isso só traz vantagem. Um
relatório bem feito, aprovado, é mais um upgrade na campanha para
qualquer cargo majoritário que vier a pleitear", diz Danilo de Castro,
que foi secretário de Estado do governo de Minas entre 2003 e 2014.
Mas se os parlamentares alcançam um consenso sobre o passado de Abi-Ackel, o mesmo não se pode dizer sobre seu futuro.
"Acho que Paulo mais perdeu do ganhou com a relatoria. Vamos ver", opina um congressista da bancada mineira.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) entrou hoje (31) no Supremo
Tribunal Federal (STF) com novo recurso pedindo a prisão do senador
Aécio Neves (PSDB-MG). A PGR pretende anular decisão anterior do
ministro Marco Aurélio, que negou outro pedido de prisão e determinou o
retorno do parlamentar, no mês passado, às atividades no Senado.
Foto: EFE
É o terceiro pedido sucessivo feito pela procuradoria para prender o
senador. Dois foram rejeitados desde a homologação da delação premiada
da JBS. A questão será analisada pela Primeira Turma da Corte, composta
pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Luís Roberto
Barroso, além do relator.
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No mês passado, Marco Aurélio manteve decisão anterior de negar o
pedido de prisão preventiva do senador, mas proibiu Aécio de deixar o
país e de fazer contato com outros investigados ou réus no processo.
Antes da decisão de Marco Aurélio, Aécio Neves estava afastado da
atividade parlamentar por uma decisão do antigo relator do caso,
ministro Edson Fachin. Aécio foi citado pelo empresário Joesley Batista,
dono do grupo JBS, e um de seus depoimentos de delação premiada.
Joesley contou aos procuradores que Aécio lhe pediu R$ 2 milhões para
pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato.
À época, a defesa de Aécio comemorou a decisão de Marco Aurélio e o
senador disse que sempre acreditou Justiça e que seguiria "no exercício
do mandato que me foi conferido por mais de 7 milhões de mineiros, com a
seriedade e a determinação que jamais me faltaram em 32 anos de vida
pública", declarou em nota.
Com as atenções voltadas para a votação sobre a admissibilidade do
processo contra o presidente Michel Temer, senadores e deputados voltam
ao trabalho nesta terça-feira (1º), após duas semanas de recesso.
Congresso Nacional
Foto: Agência Brasil
Pelo calendário estabelecido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia,
hoje, no primeiro dia de trabalho, o parecer da Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara (CCJ), contrário ao prosseguimento da denúncia,
será lido em plenário. Amanhã (2) o parecer deverá ser votado pelos 513
deputados.
Acusação
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa Temer de
corrupção passiva com base em gravações e na delação dos donos do grupo
J&F, que controla o frigorífico JBS. O empresário Joesley Batista
gravou uma conversa com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu,
que gerou a denúncia. O presidente nega ter cometido ilegalidades e sua
defesa deve repetir os argumentos apresentados à CCJ de que não há
provas e que a denúncia se baseia em ilações dos procuradores.
Votação
Nesta quarta-feira (2), a votação só será aberta quando pelo menos 342
dos 513 deputados registrarem presença em plenário. Rodrigo Maia decidiu
adotar esse critério para evitar questionamentos futuros na Justiça. A
exemplo do que aconteceu no impeachment da presidente Dilma Rousseff, a
votação será nominal e aberta (no microfone). Para que a acusação da PGR
siga adiante, são necessários 342 votos contrários ao parecer da CCJ
que livra Temer da denúncia.
Negociações
Durante o recesso parlamentar, foram intensas as reuniões e conversas
entre o presidente Temer e deputados. Interlocutores do governo estão
confiantes de que vão conseguir enterrar a denúncia.
Medidas provisórias
A definição da denúncia contra o presidente da República deve
interferir diretamente no andamento da pauta de votações da Câmara e do
Senado. Vinte e três medidas provisórias (MPs) estão na fila para
análise do Congresso. Somente na semana passada, seis MPs foram
editadas. Uma delas é a que trata do Programa de Desligamento Voluntário
(PDV) de servidores do Executivo. Outras mudam 23 pontos do Código de
Mineração. Das MPs que já começaram a ser analisadas, 14 estão em regime
de urgência e já trancam a pauta de votações na Câmara e no Senado.
Reforma da Previdência
Na Câmara, outra pauta pendente de votação no plenário e que pode
causar divergências é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
287/2016, que trata da reforma da Previdência. Depois de aprovar com
folga a reforma trabalhista, a Câmara não conseguiu avançar com a
análise do projeto, que propõe várias mudanças nas regras de acesso à
aposentadoria.
A reforma previdenciária tomou boa parte da agenda do início deste ano,
com a realização de debates e a mobilização de diferentes setores em
torno da elaboração do parecer da comissão especial criada para analisar
a proposta. Mas, desde a divulgação das denúncias envolvendo o
presidente da República, a PEC aguarda para ser pautada no plenário.
Reforma política
Outro tema considerado urgente e difícil de obter consenso neste
segundo semestre é a reforma política. As propostas precisam ser votadas
nas duas Casas até setembro. Se forem votadas depois desse prazo, as
novas regras não poderão entrar em vigor nas eleições do ano que vem.
Além do financiamento de campanha, três pontos se destacam na reforma
política negociada entre a Câmara e o Senado: as novas regras para a
escolha de vereadores e deputados, o fim das coligações nas eleições
proporcionais e a cláusula de barreira para o funcionamento dos
partidos.
O juiz federal Sérgio Moro decretou o bloqueio de até R$ 3 milhões do
ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine
'Cobra', seus supostos operadores de propina André Gustavo Vieira da
Silva e de Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e a empresa MP
Marketing, Planejamento Institucional e Sistema de Informação Ltda. A
decisão atende a pedido do Ministério Público Federal. Aldemir Bendine foi preso nesta quinta-feira, 27, pela Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato.
O
montante a ser bloqueado se refere à propina supostamente recebida por
Bendine da Odebrecht. Os R$ 3 milhões teriam sido repassados em três
entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em um apartamento em
São Paulo, alugado por Antônio Carlos.
Os pagamentos, segundo a
força-tarefa da Lava Jato, ocorreram em 2015, nos dias 17 e 24 de junho e
1º de julho pelo Setor de Operações Estruturadas, o departamento de
propinas da empreiteira que abasteceu centenas de políticos.
O
bloqueio será implementado pelo BacenJud, sistema do Banco Central
acionado para executar ordens dessa natureza. Moro mandou juntar o
comprovante do confisco nos autos da Lava Jato.
A
MP Marketing, Planejamento Institucional e Sistema de Informação é
controlada por André Gustavo Vieira da Silva. Segundo a Lava Jato, a
empresa é 'de fachada' e 'o quadro de empregados da empresa durante toda
sua existência foi absolutamente exíguo ou nulo'.
"Apesar de
sustentar que os R$ 3 milhões pagos em São Paulo são lícitos e se
referem à consultoria prestada pela MP Marketing, Planejamento
Institucional e Sistema de Informação Ltda à Odebrecht, André Gustavo
faz questão de registrar que seu irmão Antônio Carlos, alvo da Operação
Xepa, "desconhece os fatos completamente e não possui qualquer
responsabilidade no recebimento de tais valores', o que causa
estranhamento, pois Antônio Carlos também é sócio da MP Marketing,
Planejamento Institucional e Sistema de Informação Ltda e seria natural
que estivesse a par de um contrato de consultoria com valor tão
expressivo", afirma a Lava Jato.
"A empresa MP Marketing de André
Gustavo claramente não tem atividade e foi criada apenas para emissão de
notas relacionadas a contratos fictícios de recursos de origem
criminosa."
COM A PALAVRA, ADEMAR RIGUEIRA, QUE DEFENDE ANDRÉ GUSTAVO VIEIRA E ANTONIO CARLOS VIEIRA
"Há
uma precipitação em relação ao André. Ele vem, desde que o inquérito se
encontra no Supremo, ele vem se manifestando, vem peticionando. A
própria competência do juiz Sérgio Moro foi determinada pelo ministro
Fachin e dessa decisão nós agravamos. Não há ainda nenhuma manifestação
do Supremo sobre a competência. Há uma dúvida ainda sobre a competência,
então, me parece precipitado o juiz ter decretado a prisão temporária
antes mesmo do Supremo delimitar qual é o juiz competente para apreciar o
feito. Independente disso, ele vem contribuindo, já trouxe a versão
dele nos autos, ele vem comunicando ao juiz Sérgio Moro todas as
viagens que faz. Essa viagem (para Portugal, hoje) foi comunicada ao
juiz Sérgio Moro desde o início da semana com passagem de ida e vbolta,
local de hospedagem, motivo da viagem. Não nos parece necessária essa
prisão. A discussão de indícios de autoria, de prova ou materialidade
vão ser auferidas duramente o inquérito, durante o processo. Não se
furtou a colaborar desde o início. Ele se coloca a disposição em
completo respeito à decisão. A relação mesmo de mérito foi um negocio
feito com a Odebrecht, foi procurado pela Odebrecht, se colocou para
resolver um problema, resolveu e cobrou os honorários. Ele tem uma
relação de conhecimento, de amizade com o ex-presidente do Banco do
Brasil, foi colocado para ele um problema, ele se prontificou a ajudar,
identificou qual era o problema, levou para Odebrecht e o corpo técnico
do Banco do Brasil solucionou o impasse. Já houve auditoria do Banco do
Brasil que comprovou que tudo foi feito dentro da legalidade. Ele apenas
facilitou os trâmites legais. Ele não é economista, não deu parecer.
Mas ele resolveu a identificar o problema e facilitar um diálogo com a
Odebrecht e cobrou por isso. O Antonio não tem nenhuma relação, ele é
irmão de André Gustavo. A relação que se fala do apartamento em que foi
feito um pagamento, que ele era o locatário de um apartamento em São
Paulo que servia a ele e ao irmão André Gustavo, e um pagamento foi
feito lá. Não tem nenhuma vinculação. Ele não é citado em nenhum momento
se fala no nome dele. Nem os delatores da Odebrecht, nem nenhuma outra
pessoa. Isso para mim é uma grande injustiça, uma pessoa presa sem
qualquer vinculação com isso.
Delatores da Odebrecht relataram à Procuradoria-Geral da
República que a contratação e os pagamentos feitos em Angola ao
empresário Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram para "agradar" ao
petista. O Estado teve acesso aos depoimentos e aos
anexos de três executivos, ainda mantidos em sigilo, que citam a
participação do ex-presidente no caso investigado na Operação Janus.
A
filial da Odebrecht em Angola contratou a Exergia, da qual o empresário
se tornou sócio. O ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira
Alexandrino Alencar afirmou que o ex-presidente pediu a contratação da
empresa. Ernesto Sá Baiardi, ex-diretor da construtora em Angola,
relatou solicitação do petista para que a construtora ajudasse o
empresário. Antonio Carlos Daiha Blando, sucessor de Baiardi, disse ter
adiantado pagamentos à Exergia para "agradar" a Lula.
Baiardi foi o
diretor da Odebrecht responsável pelo mercado de Angola até 2013. Ele
afirmou que foi procurado pela primeira vez por Taiguara em 2011. O
primeiro contato não foi respondido e, por causa disso, Alexandrino
teria ligado para pedir que o empresário fosse recebido. "Entendi que
essa solicitação era de interesse da companhia para atender a pedido de
Lula e, imediatamente, chamei Taiguara para uma reunião", relatou o
executivo no anexo.
A
intervenção direta de Lula teria ocorrido no mesmo ano, quando o
ex-presidente visitou Angola e participou de um café da manhã com Emílio
Odebrecht, no qual estava presente Taiguara. Baiardi disse em
depoimento que, após o café, o petista o chamou de lado e falou que
Taiguara era honesto, trabalhador, que estava iniciando carreira
empresarial e que, se possível, era para ajudá-lo.
Blando disse
que, após assumir a diretoria em Angola, Baiardi lhe pediu que recebesse
Taiguara. O delator relatou que recebeu o empresário quando chegou ao
país africano e que a "atenção diferenciada" com que tratou "os assuntos
da Exergia tinha por finalidade agradar ao ex-presidente Lula".
'Adiantamento'
Ainda
segundo Blando, em 2014, Taiguara pediu "adiantamento contratual" a que
sua empresa "não tinha direito", mas, mesmo assim, os repasses foram
realizados em duas parcelas. Uma de US$ 500 mil e outra de US$ 200 mil. O
delator declarou que a "necessidade" de "agradar a Lula" resultou em
ordem aos diretores da filial angolana para adiantar o pagamento.
Segundo
Alexandrino, apontado como um dos executivos mais próximos ao
ex-presidente, Lula apresentou seu sobrinho em um café da manhã no hotel
HCTA, em Luanda, capital de Angola. O ex-executivo disse ainda que o
petista teria pedido que a Odebrecht avaliasse a possibilidade de
contratar as empresas de Taiguara. A solicitação teria sido levada ao
patriarca do grupo, Emílio Odebrecht, que, segundo ele, "concordou
prontamente".
Janus.
O juiz Vallisney de Souza Oliveira aceitou em outubro de 2016 a
denúncia criminal do Ministério Público Federal em Brasília contra o
ex-presidente e Taiguara no caso. A acusação tem origem na Operação
Janus, que chegou a levar Taiguara coercitivamente para depor.
A
acusação afirma que a Exergia não prestou os serviços para os quais foi
contratada. O trabalho teria sido executado pela própria Odebrecht em
retribuição ao fato de ter sido contratada pelo governo angolano com
base em financiamento para exportação de serviços, concedido pelo BNDES.
A acusação feita pelo MPF é de que Lula recebeu propina nesse caso por
meio de terceiros.
Procurada desde quarta-feira, 26, a defesa de Lula não respondeu ao Estado.
À época da Operação Janus, o petista afirmou que já esclareceu os fatos
sobre Taiguara. Ainda conforme a defesa, Lula "nunca fez lobby", "nunca
apresentou Taiguara a nenhum dono de empresa" e, quando Lula foi fazer
palestra em Angola, "Taiguara já estava naquele país trabalhando com
empresa portuguesa".
A reportagem não conseguiu contato com o
advogado Fabio Souza, que representa as empresas de Taiguara. Após a
Janus, o advogado negou que a Exergia tenha sido usada para lavar
dinheiro. Em depoimento à CPI do BNDES,
o próprio Taiguara confirmou a contratação pela empreiteira e disse que
os valores recebidos são referentes a serviços de sondagem, avaliação
da topografia e gerenciamento de obras prestadas pela empresa. Segundo
ele, todos os contratos foram obtidos por meio de licitações.