Foi inaugurada na China a "maior e mais longa" ponte de vidro do mundo,
que tem cerca de 430 metros de comprimento e custou mais de US$ 3
milhões para ser construída, segundo dados oficiais. A construção, cujo
piso é feito de vidro, liga duas montanhas na região de Zhangjiajie, na
província de Hunan.
A ponte tem cerca de 430 metros de comprimento e custou mais de US$ 3 milhões
Foto: EFE
A ponte, construída a uma altura de cerca de 300 metros, tem 6 metros
de largura e foi desenhada pelo arquiteto israelense Haim Dotan.
Publicidade
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, a ponte deve receber cerca de
8 mil visitantes por dia, que são aconselhados a comprar seus ingressos
com antecedência.
As pontes de vidro são uma febre no país e costumam atrair milhares de visitantes, além de sediar eventos, como casamentos.
As autoridades chinesas garantem que as construções são seguras.
O juiz federal Sérgio Moro autorizou a ida do ex-executivo da Queiroz
Galvão, Ildefonso Colares Filho, ao hospital para a realização de
exames. Ildefonso foi preso no início desse mês durante a 33ª fase da
Operação Lava Jato.
Segundo a decisão do juiz, a defesa alega que o ex-executivo precisa de
cuidados médicos e de acompanhamento devido ao tratamento de tumores
pulmonares e pede que seja autorizada a ida ao hospital para a
realização de exames. Segundo Moro, os advogados pedem ainda para que
Ildefonso possa receber visita médica na carceragem da Superintendência
da Polícia Federal no Paraná, onde está preso.
Publicidade
"Os exames deverão ser custados pelo investigado e realizados nesta
capital [Curitiba], preferencialmente no Hospital Santa Cruz, já
relativamente preparado para as rotinas médicas relacionadas aos presos
da Operação Lava Jato", diz a decisão.
No texto o juiz diz ainda que tanto o deslocamento como a permanência
de Colares no hospital deve ter a escolta da Polícia Federal. Moro
determina ainda que os exames sejam realizados em um único dia e que a
data agendada deve ser informada à Justiça com antecedência. "Deverão
ser agendados e comunicados a este Juízo com pelo menos cinco dias de
antecedência."
Brasília – O jantar entre o presidente interino, Michel Temer (PMDB), e a cúpula do PSDB
surtiu efeito e dará mais poder de decisão a legenda tucana. Após o
encontro, ficou definido que o PSDB terá maior participação na condução
da política econômica.
Não é
de hoje que os pessedebistas reclamavam do pouco protagonismo que
vinham apresentando no governo interino. A partir de agora, o líder do
governo no Senado,
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) participará ativamente de reuniões da
equipe econômica. O partido que ser o titular do compromisso fiscal do
governo.
Diante das críticas
do PSDB às concessões de Temer sobre o ajuste fiscal, o presidente
interino reforçou seu compromisso com o corte rigoroso dos gastos. O
peemedebista, porém, lamentou que esteja enfrentando resistência para
emplacar medidas no Congresso com mais rapidez.
A EXAME.com,
Aloysio destacou que o "PSDB continuará cobrando o compromisso com a
agenda econômica depois do impeachment de Dilma [Rousseff]".
No encontro, os tucanos
reivindicaram que o governo estabeleça um limite para barrar novos
reajustes para o funcionalismo público. O tema deve ser debatido com a
cúpula do governo e líderes em reunião em São Paulo nesta sexta-feira
(19), às 15 horas.
Com
viagem marcada para participar da reunião do G20, Temer deve fazer seu
primeiro pronunciamento em cadeia nacional apenas em 7 de setembro. Além
de anunciar medidas econômicas, pedirá por unidade nacional. Movimentos
sociais já se articulam para realizar protestos e apitaços durante o
pronunciamento.
Documento comprovaria que Patrícia Lelis mente compulsivamente. Investigação deve pedir prisão dela por crimes contra assessor de Feliciano.
A
jornalista Patrícia Lelis, o deputado federal Marco Feliciano e o
assesor dele, Talma Bauer (Foto: Reprodução/GloboNews, Nilson
Bastian/Câmara dos Deputados e Reprodução/TV Globo)
A Polícia Civil de São Paulo informou nesta sexta-feira (19) que tem
laudo de uma psicóloga que revela que a jornalista e estudante de
direito Patrícia Lelis, de 22 anos, é "mitomaníaca", ou seja, tem
transtorno de personalidade que faz com que minta compulsivamente.
Na quinta (18), a polícia indiciou Patrícia por denunciação caluniosa e extorsão no
caso em que ela acusa Talma Bauer, assessor do deputado federal Pastor
Marco Feliciano (PSC-SP) de sequestro e cárcere privado num hotel na
capital paulista, entre julho e agosto. Após concluir o inquérito, a
investigação informou que vai pedir à Justiça a prisão preventiva da
jornalista.
"Recebi documentos com laudo psicológico que diagnosticou a moça como 'mitomaníaca'. Possui mitomania", disse ao G1
o delegado Luiz Roberto Hellmeister, titular do 3º Distrito Policial
(DP), na Santa Ifigênia, região central da capital paulista. "Ela é
mentirosa compulsiva."
Patrícia também acusou Feliciano de ter tentado estuprá-la no
apartamento dele em Brasília, em junho. Como o político tem foro
privilegiado, esse caso é investigado pela polícia do Distrito Federal.
Segundo o delegado, a polícia e Ministério Público (MP) do Distrito Federal
pediram avaliação psicológica de tê-la estuprado diversas vezes em sua
casa, quando ela era adolescente, sem que sua família soubesse.
"Ela acusava o homem de tê-la estuprado diversas vezes em sua casa
quando tinha apenas 15 anos", disse o delegado. "Mas esse caso foi
arquivado em Brasília por falta de provas."
Questionada pelo G1, a advogada de Patricia, Rebeca
Novaes Aguiar, confirmou que uma psicóloga chegou a mencionar, em
depoimento em Brasília, que sua cliente pudesse ter "mitomania", mas
não era uma análise conclusiva.
Segundo a advogada, essa psicóloga seria de uma igreja evangélica que
Patrícia procurou após ter denunciado o caso de estupro quando era
adolescente no Distrito Federal. "Foram duas sessões só", afirmou
Rebeca. "Não existe no inquérito laudo técnico que demonstre que ela
tenha mitomania."
Independentemente da posição da defesa de Patrícia, Hellmeister afirmou
que irá anexar ao inquérito de São Paulo o que entende ser perfil
psicológico da jornalista que demonstra que ela mente reiteradamente.
Procurado pela reportagem, o psiquiatra forense Guido Palomba explicou
que a mitomania não tem cura, mas pode ser tratada. "Transtornos de
personalidade são incuráveis. É uma perturbação de saúde mental", disse o
especialista. "O que é possível é um tratamento psicopedagógico."
Prisão
Apesar disso, Hellmeister afirmou que está convencido em pedir a prisão
de Patrícia. "Ela representa risco à sociedade por mentir e causar
danos a diversas pessoas". disse o delegado. "Fez a polícia investigar
alguém por um crime que ela mesma sabe que não existiu."
As investigações começaram a partir de denúncia feita inicialmente por
Patrícia. No dia 5 de agosto, a jornalista registrou boletim de
ocorrência na delegacia contra Bauer, que chegou a ser detido e liberado
após negar as acusações. Ela o acusou de mantê-la em cárcere privado
num hotel, oferecido dinheiro e a ameaçado com uma arma para gravar
vídeos nos quais inocenta Feliciano dos crimes sexuais que teria
cometido contra ela.
No dia 7, Patrícia também registrou boletim de ocorrência, mas dessa
vez na polícia em Brasília por abuso sexual contra o deputado. A
denúncia da suposta tentativa de estupro havia sido divulgada antes na
coluna Esplanada, do UOL, no dia 2. Esse caso é investigado pela
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, na Asa Sul.
O assédio sexual teria sido cometido por Feliciano no dia 15 de junho
no apartamento funcional dele na capital federal. Patrícia ainda relatou
que o parlamentar a agrediu e manteve em cárcere, lhe oferecendo R$ 15
mil mensais para ser sua amante. Proposta que a jornalista disse ter
recusado.
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que é procuradora especial da
Mulher no Senado, protocolou ofício junto ao MP do Distrito Federal
pedindo investigação sobre Feliciano pela suposta tentativa de estupro. O
PSC também criou uma comissão interna para apurar o caso.
Patrícia
acusa assessor de parlamentar de tê-la sequestrado em São Paulo. Para
delegado, ela mentiu sobre acusação (Foto: Reprodução / TV Globo)
Hotel
Segundo a polícia, além de depoimentos, gravações do hotel obtidas pela
polícia levaram a investigação a desmentir a versão da jornalista de
que foi sequestrada. Se somadas, as penas dos crimes de denunciação
caluniosa e extorsão podem variar de seis a 20 anos de prisão.
O primeiro vídeo, registrado no fim da tarde de 30 de julho, mostra
Bauer, e a Patrícia no lobby do hotel. Eles se abraçam na recepção. Nas
outras imagens, feitas em 4 de agosto, a jovem aparece abraçada a um
amigo no sofá na área comum do estabelecimento. Ao lado deles está o
assessor de Feliciano falando ao celular.
O chefe de gabinete disse ainda que Patrícia cobrou dinheiro para
gravar vídeos desmentindo a acusação de tentativa de assédio sexual que
ela fez contra Feliciano. Bauer afirmou que pagou R$ 20 mil a Artur
Mangabeira, que seria amigo dela. Segundo policiais, o assessor disse
que não avisou Feliciano da suposta extorsão para preservá-lo.
O dinheiro foi apreendido pela polícia com Mangabeira, que será indiciado por extorsão, segundo o delegado. O G1 não conseguiu localizar o suspeito para comentar o assunto.
Rebeca, que atua na defesa de Patrícia ao lado do advogado Roberto da
Gama Cidade, criticou a investigação da Polícia Civil de São Paulo.
"Vamos mandar pedido para a Corregedoria afastar o delegado do caso para
que outro assuma", disse a advogada, que soube de selfies postadas nas
redes sociais por testemunhas ao lado de Hellmeister. "A investigação é
totalmente parcial".
O G1 não conseguiu localizar Hellmeister depois para comentar a declaração acima da advogada de Patrícia.
Em vídeo, Feliciano nega acusações de assédio sexual contra militante do PSC (Foto: Reprodução/YouTube)
Interrogatório
Segundo Rebeca, o delegado não quis ouvir sua cliente na quinta-feira,
quando se apresentou espontaneamente no 3º DP. "Ele disse: 'se for para
ela falar o que já me disse, eu prefiro colocar aqui que ela vai falar
só em juízo", disse a advogada, que criticou o indiciamento de Patrícia.
"Foi precipitado porque não a ouviu".
Para Hellmeister, foi a jornalista que não quis responder ao
interrogatório. "Ao final ela comentou que tudo o que disse
anteriormente é verdade e que iria provar isso", falou o delegado, que,
no entanto, não acredita na versão de Patrícia. Uma defesa anterior da
jornalista negou que sua cliente tenha cometido extorsão.
Segundo o delegado, Patrícia também é investigada por ameaça depois de
aparecer numa gravação, obtida pela polícia, ordenando que Bauer matasse
um amigo dela. Bauer, que também é policial civil aposentado, e se
recusou a obedecer Patrícia.
Em nota, Feliciano declarou que o indiciamento de Patrícia reafirma sua
plena confiança na lisura das instituições públicas e da Justiça.
"Boatos são boatos e nunca serão verdades! Seguimos confiantes de até o
término das investigações", informa a nota.
Secretário do Ambiente do Rio celebra 'sucesso': poucas reclamações. Ele diz que despoluição pode levar 20 anos e depende da iniciativa privada.
Baía de Guanabara durante Olimpíada (Foto: Divulgação/Secretaria Estadual do Ambiente)
O fracasso na meta olímpica de despoluir 80% da Baía de Guanabara,
constatado antes mesmo da Cerimônia de Abertura da Rio 2016, pode ter
sido uma das maiores decepções desta edição dos Jogos. As medidas
paliativas, com a instalação de ecobarreiras, no entanto, foram vistas
como um sucesso pela Secretaria Estadual do Ambiente. Ao longo do mês de
agosto deste ano, foram recolhidos 31 toneladas de lixo flutuante das
águas e o secretário da pasta, André Correa, disse que a operação
"funcionou perfeitamente".
Autoridades estaduais avaliam que o problema da poluição da Baía pode levar 20 anos e pedem apoio da iniciativa privada. Isso
não impediu que velejadores como as brasileiras Martina Grael e Kahena
Kunze, que ganharam o ouro na categoria categoria 49er FX da vela
chegaram a mergulhar na baía para comemorar e não tiveram problemas.
O velejador Marcelo Ferreira, medalhista em Atlanta e Atenas, disse que a baía teve água de Caribe. "Tivemos sorte, temos que falar, pois não tivemos chuva forte, que poderia trazer lixo flutuante pra Baía de Guanabara. (...) Ninguém pensou em nada de poluição, realmente a água estava lindíssima", afirmou em entrevista ao SporTV.
Já o atleta belga Evi Van Acken não pode dizer o mesmo. No dia 11 deste
mês, ela passou mal ao entrar em contato com a água da Baía e culpou a
balneabilidade. A Federação Internacional de Vela, no entanto,
contemporizou e disse que este fora o "único caso". Para Correa, não é possível confirmar que a causa da doença foi a água.
Ao G1, a Federação Britânica de Vela relatou que
nenhum de seus atletas teve problema de saúde. Para isso, porém, a
equipe adotou rigorosos procedimentos de saúde para "mitigar o risco de
qualquer doença contraída da água, incluindo o uso de suplementos
probióticos e um kit de desinfecção".
"[Tivemos problemas] cinco vezes. Não queríamos falar muito do assunto,
mas foi muito ruim, muita sujeira. Estávamos em segundo, mas pegamos
muito lixo. Não sei se acontece com os outros, mas aconteceu conosco
hoje", disse Samuel ao Globoesporte.com.
Ao G1, o secretário disse que a dupla teve "muito
azar". Ele disse que os dois já haviam reclamado do lixo em um
evento-teste, mas disse que não queria fazer um "prejulgamento" sobre o
caso. "Tivemos em torno de 300 atletas e só eles tiveram esse problema.
Muito baixa essa probabilidade: 300 ateltas e apenas um reclamar. É
muito azar uma fatalidade acontecer duas vezes"
Na avaliação da Federação Britânica, a questão agora é o "desafio dos
organizadores" de tirar a sujeira do caminho dos atletas, não só porque
pode servir como uma barreira física, mas sobretudo porque pode "causar
graves prejuízos às pessoas".
Futuro da Baía de Guanabara
Correa voltou a dizer que o projeto do Governo do Estado de despoluir a
baía em 80% foi superestimado. Para ele, com a crise não há outra
alternativa que não seja a participação da iniciativa privada.
"Foi uma meta muito ousada que efetivamente contribuiu nesse erro de
comunicação. Metas muito ousadas geram muita expectativa. Do ponto de
vista orçamentário, não há recurso. Recurso empregado hoje é emprestado
do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para questões de longo
prazo não vejo outra alternativa que não sejam as parcerias
público-privadas", afirmou o secretário.
Correa disse que o projeto é de longo prazo: ao menos 20 anos. "Só vai
ter baía despoluída quando tiver todos municípios do entorno saneados,
como São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu".
Ex-diretor
de Serviços da Petrobrás, preso desde março de 2015 e condenado a mais
de 50 anos de prisão como braço do partido no esquema de cartel e
corrupção, tenta pela terceira vez redução de pena em troca de
informações sobre crimes
O ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato de Souza Duque,
condenado na Operação Lava Jato há mais de 50 anos de prisão como braço
do PT no esquema de propinas na Petrobrás, retomou as negociações para
um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal.
Detido há um ano e cinco meses, em Curitiba (PR), o conteúdo de suas
revelações envolve o partido, a presidente afastada Dilma Rousseff e o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sistemática de cartel e
corrupção na estatal – com rombo reconhecido até aqui de R$ 6,2 milhões.
Lula é um dos pontos centrais das negociações com a força-tarefa da
Lava Jato. Além de confirmar que o ex-presidente sabia do esquema, o
ex-diretor da estatal teria provas documentais para apresentar. As
tratativas são feitas com membros da Procuradoria Geral da República
(PGR), por citar políticos com foro privilegiado, e da Procuradoria, em
Curitiba.
A colaboração do ex-diretor – se for aceita pela Procuradoria e
homologada pela Justiça – pode ser a primeira a ligar diretamente Dilma
ao esquema sistematizado de corrupção como “regra do jogo” na Petrobrás,
a partir de 2004 e que vigorou até 2014. Nesta semana, a presidente
afastada virou alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por
tentativa de obstrução às investigações.
No esquema alvo da Lava Jato, diretores indicados e sustentados nos
cargos por partidos, em especial PT, PMDB e PP, tinham orientação
expressa de seus “padrinhos políticos” para “ajudarem” as legendas com
obtenção de recursos de empresas contratadas pela estatal. Obras de
refinarias de mais de R$ 20 bilhões, como a Abreu e Lima, em Pernambuco,
o pacote de construção de plataformas de exploração de petróleo para o
pré-sal, negócio de US$ 21 bilhões, tiveram desvios de 1% a 3% já
comprovados em juízo.
Dilma e Lula na mira da Lava Jato. Fotos: Dida Sampaio e Werther Santana/Estadão
O braço direito de Duque na estatal, Pedro Barusco, confessou em
delação, fechada em 2015, que o PT teria recebido em dez anos mais de R$
100 milhões em propinas, segundo suas estimativas, via Diretoria de
Serviços. Espécie de contador informal do dinheiro da corrupção que
entrava para a área controlada pelo partido, ele entregou os registros
dos valores recebidos via ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto,
identificado com o codinome Moch – referência à mochila preta usualmente
carregada por ele.
Avanço. Preso desde março de 2015, em Curitiba (PR),
e condenado a mais de 50 anos de detenção em três processos julgados
pelo juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, Duque mudou seu endereço prisional
no último mês. Deixou o Complexo Médico-Penal, em Pinhais, onde está a
maioria dos detidos do caso, e voltou para a carceragem da
Superintendência da Polícia Federal para facilitar as entrevistas com
investigadores.
É a terceira tentativa de delação de Duque, que foi diretor da
Petrobrás entre 2003 e 2012, indicado na cota controlada pelo
ex-ministro José Dirceu (Casa Civil, governo Lula). As negociações estão
em fase de discussão de anexos, em que a defesa elabora um esboço dos
crimes que ele vai confessar e os novos fatos ilegais que vai revelar,
em troca de uma redução de pena.
Figura emblemática da Lava Jato, o ex-diretor ligado ao PT foi preso
em duas operações. A primeira, em novembro de 2014, foi levado para a
cadeia junto com o primeiros empreiteiros acusados de cartel – entre
eles o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, que
negocia delação, e o dono da UTC, Ricardo Pessoa, já delator. Liberado
um mês depois, Duque voltou a ser preso em março de 2015, flagrado
tentando transferir fortuna de 20 milhões de euros da Suíça para Mônaco.
O nome da operação reproduziu a frase dita por ele, quando pela
primeira vez recebeu em sua porta agentes da Polícia Federal: “Que País é
Esse?”.
Dilma e Moro. Apesar das duas outras tentativas
frustradas, o contexto agora é outro. As tratativas avançam às vésperas
do julgamento final da cassação do mandato presidencial de Dilma, no
Senado, e da conclusão dos primeiros inquéritos que têm Lula como alvo
da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba.
O ex-presidente é alvo de pelo menos três inquéritos, em Curitiba. Um
deles, que apura a compra, a propriedade e as reformas no Sítio Santa
Bárbara, em Atibaia (SP), está em fase final. O imóvel seria propriedade
oculta da família do petista, reformada pelas empreiteiras OAS e
Odebrecht, como contrapartida por negócios na estatal, sustentam os
investigadores.
A defesa do ex-presidente nega e diz que não há relação das obras e da propriedade com os desvios na estatal.
No caso de Dilma, se o Senado confirmar sua cassação e a Lava Jato
fechar acordo com Duque – comprovando aquilo que o ex-diretor diz -, ela
corre o risco de enfrentar investigações em Curitiba, base do juiz
Sérgio Moro.
Até aqui, a presidente afastada é alvo do inquérito aberto pelo STF
nesta semana para apurar envolvimento dela, do ex-presidente Lula, do
ex-senador Delcídio Amaral – também delator – e dos ex-ministros Aloizio
Mercadante (Educação Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) em
três episódios de suposta tentativa de obstrução à Lava Jato.
São apuradas as responsabilidades da petista na compra do silêncio do
ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, a nomeação do ministro
Alexandre Navarro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a
nomeação de Lula como ministro da Casa Civil – todos episódios
considerados pelos investigadores tentativas de obstrução à Justiça.
COM A PALAVRA, O INSTITUTO LULA
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, por meio de nota
divulgada pela assessoria de imprensa do Instituto Lula, que “não
cometeu nenhum ato ilegal nem antes nem durante, nem depois do exercício
de dois mandatos como Presidente da República, eleito pelo voto popular
para dois mandatos”. “Não comentaremos supostas negociações de delações
para a obtenção de benefícios judiciais”, informa a nota.
O ex-presidente atacou os investigadores da força-tarefa e disse, na
nota, que “graves violações aos direitos fundamentais de Lula foram
comunicados ao Comitê de Direitos Humanos da ONU”. “Os operadores da
Lava Jato persistem na prática ilegal e inconstitucional de antecipar
juízos sobre investigações em curso e de fomentar propaganda opressiva
contra o ex-presidente Lula. Mesmo depois de uma devassa, os
investigadores não conseguiram produzir uma prova sequer para denunciar
Lula.”
Leia a íntegra da nota do Insituto Lula:
“Os operadores da Lava Jato persistem na prática ilegal e
inconstitucional de antecipar juízos sobre investigações em curso e de
fomentar propaganda opressiva contra o ex-presidente Lula. Mesmo depois
de uma devassa, os investigadores não conseguiram produzir uma prova
sequer para denunciar Lula. Produzem manchetes que não primam pelo
equilíbrio jornalístico. As graves violações aos direitos fundamentais
de Lula foram comunicados ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em
28/07/2016.
O ex-presidente Lula não cometeu nenhum ato ilegal nem antes nem
durante, nem depois do exercício de dois mandatos como Presidente da
República, eleito pelo voto popular para dois mandatos.
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a partir de uma
reclamação formulada pelos advogados de Lula, abriu sindicância para
apurar a conduta de membro do MPF que sistematicamente viola
determinações daquele órgão de controle ao formular acusações contra o
ex-Presidente na imprensa antes da finalização das investigações. Há
outra denúncia ainda pendente de apreciação pelo CNMP pela mesma prática
nefasta contra outros quatro membros do MPF.
Empresário presta depoimento esclarecendo a compra do sítio
em Atibaia, que é apontado como de propriedade do ex-presidente Lula.
Verdadeiro dono de sítio em Atibaia depõe para a PF
Para muitos cidadãos, as investigações orquestradas pelo juiz Sérgio
Moro são consideradas perseguição política, por apresentar parcialidade em suas investigações.
Esse é um dos diversos pontos que são apontados diariamente por
inúmeros brasileiros que desconfiam das operações da Lava-Jato.
Alguns
desdobramentos das investigações trazem à tona algumas das desconfianças
dos brasileiros em relação à Lava-Jato. Um ponto crucial tanto para a
mídia quanto para o sistema jurídico foi a imagem do ex-presidente #Lula
ligada à aquisição de um tríplex em São Paulo, no Guarujá. A notícia
estampou jornais e teve inúmeras reportagens dedicadas a uma versão que
foi descartada pela Polícia Federal, após notificar a verdadeira dona do tríplex....
Santiago
do Chile, 19 ago (EFE).- A Mitsubishi Chile informou nesta sexta-feira
que quatro executivos e representantes da montadora japonesa morreram
durante o teste de um novo automóvel, que era realizado na região sul do
país.
O
acidente ocorreu na tarde de ontem na cidade de Ensenada, a cerca de
mil quilômetros de Santiago, na região de Los Lagos, enquanto eram
realizados testes do novo modelo da caminhonete Mitsubishi Pajero Sport,
que seria lançado oficialmente na próxima semana.
Um
total de 15 veículos estava sendo testado por executivos da marca e
distribuidores de diversas cidades quando, por causas que ainda estão
sendo investigadas, um dos carros caiu por uma ribanceira de 15 metros
até um pequeno rio, onde ficou tombado.
Quatro
de seus ocupantes morreram na hora e um quinto foi resgatado com vida.
As vítimas são Matías Riquelme, gerente de Vendas da Mitsubishi Chile;
Andrés Donoso, gerente comercial da Skeberge S.A; Carlos Ratti e Marco
Ratti, concessionários da marca na cidade de Rancagua.
O
sobrevivente foi identificado como Ariel Patrício Miranda Figaredo, que
foi levado ao hospital da cidade vizinha de Puerto Varas, onde
permanece em estado grave, mas sem risco de morte, de acordo com os
médicos da unidade.
A
marca japonesa manifestou seu pesar pelas vítimas e cancelou o
lançamento do seu novo 4x4 e do Sangyong Tivoli XLV, previsto para o dia
23 de agosto. EFE
A
justiça americana suspendeu nesta sexta-feira a execução de um homem
texano, prevista para a próxima quarta-feira, que foi condenado à morte
por um homicídio no qual ele nem mesmo esteve presente.
Os
advogados de Jeffery Wood conseguiram esta vitória no tribunal penal de
apelação do Texas, segundo a sentença à que a AFP teve acesso.
No
documento foi considerado que um recurso de Wood, que denunciava o
testemunho de uma psiquiatra durante o seu julgamento - cuja carreira
foi depois muito desacreditada -, tinha fundamento.
"O
tribunal agiu bem ao suspender a execução do senhor Wood", reagiu Jared
Tyler, advogado do réu, em um comunicado enviado à AFP.
Jeffery
Wood tinha sido condenado à pena capital com base em uma controversa
lei texana que coloca no mesmo nível de culpabilidade o autor principal
de um crime e uma pessoa envolvida no projeto inicial, mesmo que esta
última não tivesse nenhuma intenção de matar.
Em
janeiro de 1996, um amigo de Wood matou com um tiro um empregado de um
posto de gasolina durante um assalto planejado pela dupla. No momento do
assassinato, Wood estava ao volante do automóvel que eles usariam para
fugir do local.
Segundo
seu defensores, Wood, que tem o quociente de inteligência de uma
criança, não sabia que seu companheiro carregava uma arma de fogo nesse
dia.
O
acusado, que então tinha 22 anos e nesta sexta-feira completou 43,
continua estando condenado à morte, o que faz com que seu caso seja
excepcional para os juristas.
"Nunca
vi nos Estados Unidos executarem alguém com um nível de culpabilidade
tão baixo", disse na quarta-feira à AFP Kate Black, outra advogada de
Wood.
Nos últimos dias, o comitê de apoio ao presidiário moveu céus e terras para adiar a execução.
Ministro entendeu que alegações não impedem depoimento de Luiz Gonzaga Beluzzo e Geraldo Prado
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do processo de
impeachment, Ricardo Lewandowski, negou nesta sexta-feira o pedido da
acusação para suspender os depoimentos de duas testemunhas arroladas
pela defesa da presidente afastada Dilma Rousseff. O ministro também
proferiu mais três decisões.
Lewandowski entendeu que as
alegações apresentadas pelos autores do processo de impeachment para
evitar o depoimento do economista Luiz Gonzaga Beluzzo e do jurista
Geraldo Prado não estão entre as causas de impedimento de testemunhas
previstas no Código de Processo Penal (CPP). Em outras decisões, o
ministro aceitou pedido do jurista Miguel Reali Júnior, um dos autores
do pedido de impeachment, para corrigir um erro no processo e que conste
a justificação dos fatos imputados a Dilma.
O
presidente do STF também negou requerimento da defesa de Dilma para
convocação de peritos e rejeitou pedido da acusação para que um vídeo do
jurista Hélio Bicudo fosse transmitido durante o julgamento. Bicudo tem
94 anos e está com problemas de saúde.
Julgamento
O
início do julgamento definitivo de Dilma está marcado para começar no
próximo dia 25, às 9h, no plenário do Senado. Para afastar
definitivamente a presidente do mandato, serão necessários dois terços
dos votos, ou seja, o apoio de, no mínimo, 54 dos 81 senadores.
Se
esse cenário se confirmar, o presidente interino assume definitivamente
o cargo e a petista fica inelegível por oito anos. Se o mínimo
necessário para o impeachment não for alcançado, ela retoma o mandato e o
processo no Senado é arquivado.
Advogados de Dilma dizem que a inclusão de uma nova acusação no parecer do relator Antonio Anastasia não foi previamente analisada; autores do impeachment pedem a impugnação de duas das seis testemunhas da defesa
André Dusek/Estadão Conteúdo - 19.08.2016
Advogados de Dilma Rousseff requerem a anulação da decisão de prosseguimento do processo de impeachment
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, deve decidir nesta sexta-feira (19) os rumos dos requerimentos e recursos protocolados pela defesa da presidente afastada Dilma Rousseff. Os advogados de Dilma requerem a anulação da decisão do prosseguimento do impeachment devido à inclusão de uma nova acusação contra Dilma no parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG). De acodo com os advogados da petista, essas acusações não foram previamente analisadas.
A defesa de Dilma ainda solicitou que durante o julgamento, marcado para o dia 29, sejam ouvidos os técnicos da perícia do Senado, além dos assistentes da defesa e da acusação que também participaram do processo. Até agora, a previsão é que sejam ouvidas apenas as testemunhas indicadas pela defesa e acusação, além do depoimento da própria presidente da República. A defesa justificou as solicitações seguindo o rito do impeachment do ex-presidente Collor em que essas questões foram resolvidas antes do início do processo de julgamento.
O recurso protocolado ao Supremo justificou o pedido de anulação alegando que, como nos requerimentos preliminares da defesa, as acusações deveriam ser analisadas separadamente, como em um processo jurídico, e não em bloco, seguindo o modelo de apreciação de projetos parlamentares no Senado.
Dida Sampaio/Agência Estado-16.08.2016
Dilma pediu que durante o julgamento do impeachment, na segunda-feira 29, também seja ouvida a perícia do Senado
Pedidos da acusação
Os autores do processo de impeachment também fizeram questionamentos ao ministro do Supremo. Eles pedem a impugnação de duas das seis testemunhas indicadas pela defesa por considerarem que se tratam de especialistas, e não pessoas que tiveram ligação com os fatos imputados à presidente.
Na noite da quinta-feira (18), a acusação também protocolou um pedido de maior abertura para questionar Dilma sobre existência do crime de responsabilidade no dia do julgamento.
No auge do distanciamento, a presidente afastada Dilma Rousseff e a cúpula do PT agora se acusam mutuamente, nos bastidores, pela iminente perda de poder. Dirigentes e parlamentares do PT temem que, confirmado o impeachment, Dilma tente salvar apenas sua biografia, apontando o dedo para a avalanche de problemas do partido, às vésperas das eleições municipais.
Concessionária RioGaleão faz recomendação para segunda-feira. Estima-se que 85 mil passageiros passarão por aeroporto no dia seguinte ao encerramento dos Jogos Olímpicos. Eles serão recebidos com programação especial.
A concessionária que administra o aeroporto do Rio de Janeiro, a RioGaleão, pediu nesta sexta-feira (19/08) que os passageiros de voos internacionais marcados para a próxima segunda-feira cheguem com pelo menos seis horas de antecedência.
A RioGaleão estima que cerca de 85 mil passageiros irão embarcar em voos internacionais no dia seguinte ao encerramento dos Jogos Olímpicos. Esse será o maior fluxo da história do aeroporto que recebe em média diariamente 40 mil pessoas.
"O momento crítico será às 19h de segunda, quando teremos 23 aviões de grande porte nas portas de embarque, além de voos domésticos, alcançando um total de 70 aeronaves no pátio", disse o gerente de operações da concessionária, Carlos Rodriguez.
A RioGaleão calcula ainda que aproximadamente 28 mil bagagens serão despachadas nesse dia, quando o aeroporto receberá 430 aeronaves. Para reduzir filas, as companhias aéreas se comprometeram em abrir os balcões de check-in mais cedo.
A concessionária afirmou ainda que adotou um esquema especial para garantir um bom fluxo dos passageiro. As medidas incluem uma série de eventos para entreter os visitantes dentro da aérea restrita, como shows de escola de samba, bossa nova e food trucks.
Além disso, a empresa vai instalar um posto na Vila Olímpica onde os esportistas poderão fazer o check-in. As malas despachadas neste posto irão direto para o pátio de embarque do aeroporto. Estima-se que 7,5 mil atletas e integrantes de comitês olímpicos deixarão o Rio de Janeiro na segunda-feira.
"Durante anos, nos preparamos para esse momento. Nosso objetivo é ganhar a medalha de ouro", disse Rodriguez.
Cerca de 541 mil turistas estrangeiros desembarcaram no Rio de Janeiro entre 1º e 15 de agosto para assistir os Jogos Olímpicos.
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu ontem (18) queixa apresentada pela estudante de jornalismo Patrícia Lélis contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal no início do mês, Patrícia acusou o parlamentar de tentativa de estupro. O caso foi remetido ao Supremo pelo fato de o deputado ter foro privilegiado. O processo já está com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O processo contra Marco Feliciano está com a Procuradoria-Geral da República
Foto: Agência Brasil
Patrícia é da juventude do PSC, partido de Feliciano. A estudante contou que foi chamada por Feliciano para ir ao apartamento funcional dele, em Brasília, no dia 15 de junho, para participar de uma reunião sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria a União Nacional dos Estudantes (UNE).
Publicidade
Segundo Patrícia, ao chegar à casa do deputado, ela descobriu que ele estava sozinho e que não havia reunião. Feliciano então, segundo a estudante, tentou estuprá-la. Patrícia relata que gritou e que uma vizinha do deputado bateu à porta para saber o que estava acontecendo, o que colaborou para que o fato não se concretizasse.
Na Polícia Civil de São Paulo, Patrícia Lélis foi indiciada por denunciação caluniosa e extorsão por acusar Talma Bauer, assessor do deputado, de cárcere privado e sequestro.
Em um vídeo postado em sua página na internet logo após a denúncia, Marco Feliciano negou as acusações e disse que com o tempo ficará provado que as acusações não passam de "engodo" e "mentira".
Juiz federal no Estado de Maryland, nos Estados Unidos, o americano
Peter Messitte diz que o julgamento do mensalão e a Operação Lava Jato
deixaram para trás os tempos em que escândalos de corrupção política
terminavam em pizza no Brasil.
Juiz americano Peter Messitte diz que a Operação Lava Jato é exemplo mundial de combate à corrupção
Foto: Wilson Center/BBCBrasil.com
"Por muito tempo os brasileiros reclamaram da impunidade, e muitos
achavam que era algo com que se devia conviver", ele diz em entrevista à
BBC Brasil. "Isso mudou."
Segundo ele, a atuação do juiz Sérgio Moro e dos procuradores e
policiais federais da Operação Lava Jato é citada em conferências
globais como um exemplo do que pode ser feito contra a corrupção.
Ele afirma, porém, que há questionamentos legítimos sobre o uso de
prisões preventivas no processo para conseguir acordos de delação
premiada, quando réus confessam os crimes e aceitam colaborar com as
investigações em troca de penas menores. Vários réus na Lava Jato foram
presos antes de serem condenados e negociaram acordos de delação
enquanto estavam na prisão.
Messitte criou laços com o Brasil na década de 1960, quando passou dois
anos fazendo trabalho voluntário em São Paulo e aprendeu português.
Desde então, visitou o país várias vezes e se tornou um dos maiores
especialistas estrangeiros no Judiciário brasileiro.
Ele conheceu o juiz Sérgio Moro em julho, quando ambos participaram de
um evento no Wilson Center, em Washington, e almoçaram na American
University, onde Messitte dirige o Programa de Estudos Legais e
Judiciais Brasil-EUA.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista com o juiz americano:
BBC Brasil - Em 2008, o senhor disse numa palestra sobre corrupção no
Brasil que "talvez tenha ficado para trás o tempo em que tudo terminava
em pizza". A previsão estava certa?
Peter Messitte
- Obviamente as coisas mudaram, e o cenário hoje é bem diferente. A
forma como os casos do mensalão e da Lava Jato emergiram representam
avanços significativos na luta contra a corrupção política. Vocês estão
encontrando malfeitores, e em muitos casos eles têm sido julgados e
condenados.
É um caminho irreversível. O público está disposto a sair às ruas. Não é
mais provável que as coisas acabem em pizza hoje ou no futuro. É uma
mudança drástica.
BBC Brasil - Juízes e advogados nos EUA acompanham a Lava Jato?
Messitte -
A maioria dos juízes e advogados entende que houve acusações de
corrupção massiva no Brasil, que houve denúncias e confissões. Há muitas
conferências e atividades anticorrupção acontecendo pelo mundo, com
envolvimento do Banco Mundial e entidades como a Transparência
International.
A atuação do juiz Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal na
Lava Jato sempre aparece como um exemplo do que pode ser feito.
O juiz americano conheceu Sérgio Moro em julho, quando ambos participaram de um evento no Wilson Center
BBC Brasil - Como compara o caso do mensalão e a Lava Jato?
Messitte -
Eles são um pouco diferentes pela natureza da corrupção. O mensalão
eram pagamentos por um partido a políticos no Congresso. Na Lava Jato,
há mais atores envolvidos.
Nos dois casos, vemos o começo do uso da delação premiada contra o
crime organizado no Brasil. Houve algumas delações no mensalão e muitas
na Lava Jato. É um desenvolvimento importante.
E a Lava Jato está sendo muito mais rápida. No mensalão, passaram-se
muitos anos até o caso chegar ao Supremo. Na Lava Jato, muitas sentenças
já saíram em dois anos.
A principal mudança foi a prisão preventiva. Muitos acusados na Lava
Jato foram postos na prisão antes do julgamento. Isso realmente aumentou
a pressão sobre eles para que fechassem acordos, cooperassem e
depusessem contra outros para sair da prisão mais cedo. Isso não
aconteceu tanto no mensalão.
Há críticas a serem feitas, se a prisão preventiva pode ser uma
ferramenta para estimular pessoas a fazer delação premiada. Muitos
questionam isso do ponto de vista constitucional.
BBC Brasil - Tem havido abuso no uso das prisões preventivas?
Messitte -
Se a pessoa pode fugir, contribuir para a continuação das atividades
criminosas ou destruir provas, há uma boa razão para prendê-la antes do
julgamento. Esse deve ser o critério. Não tenho razões para acreditar
que o juiz Moro esteja usando as prisões preventivas por outras razões
além dessas.
Houve casos em que ele ordenou a prisão preventiva e o Supremo reverteu
a decisão. Ainda terá de ser resolvido até onde a prisão preventiva
pode ser usada sem que haja exagero. Esse é um debate legítimo e que
eventualmente chegará ao Supremo.
Se as pessoas vão fazer delações premiadas, poderiam fazê-las sem a
pressão da prisão. A ideia é que as delações premiadas sejam
voluntárias. Se há presunção de inocência, por que alguém pode ser preso
antes da determinação final sobre sua culpa?
BBC Brasil - Nos EUA, é comum que réus sejam presos para estimulá-los a fazer uma delação?
Messitte -
Não, não seria próprio pôr alguém na prisão com o único propósito de
arrancar uma delação premiada. Nenhum juiz concordaria com isso. No
sistema federal, onde sirvo, os critérios para a prisão preventiva são
risco de fuga ou risco à comunidade.
BBC Brasil - Alguns no Brasil questionam a confiabilidade das delações
premiadas, dizendo que réus podem mentir só para sair da prisão.
Messitte -
Teoricamente, isso é possível em alguns casos. Mas para aprovar o
acordo de delação - que é negociado pelo Ministério Público -, o juiz
tem de verificar se ele é legal, regular e voluntário. Se determinar que
a pessoa está mentindo ou que há algo irregular na forma como depôs,
não deve aprová-lo. E não é suficiente admitir a culpa para entrar num
acordo, é preciso colaborar.
O juiz Sérgio Moro é o responsável por uma das maiores investigações da história brasileira
Foto: Agência Brasil
BBC Brasil - Na última década o combate à corrupção no Brasil esteve
muito enfocado em iniciativas legais, como a aprovação da Lei da Ficha
Limpa. Em que medida a corrupção pode ser combatida por leis, e em que
medida é uma questão cultural mais complexa e difícil de ser sanada?
Messitte -
Por muito tempo os brasileiros reclamaram da impunidade, e muitos achavam que era algo com que se devia conviver. Isso mudou.
A ideia agora é: "não precisamos aceitar isso, não é a forma como deve
ser". O Brasil virou a página. Houve uma mudança cultural, e foram as
leis que fizeram isso, leis que definiram o que é a corrupção política.
As delações premiadas começaram no Brasil nos anos 1990 com os crimes
hediondos. De repente, passaram a ser usadas contra o crime organizado,
porque leis ampliaram a possibilidade de que fossem aplicadas nesses
casos.
BBC Brasil - O juiz Sérgio Moro é uma figura controversa no Brasil,
tratado como herói por uns e acusado por outros de abusar de seus
poderes e agir politicamente. Que impressão teve dele ao encontrá-lo?
Messitte -
Achei que ele é um cara muito direto e decente. Não detectei nele
qualquer inclinação política. Há leis no Brasil contra corrupção,
lavagem de dinheiro e extorsão. Alguém tem de aplicá-las. Não esqueçamos
o papel do Ministério Público e da Polícia Federal: eles podem não ter a
mesma publicidade que o juiz Moro, mas merecem o mesmo crédito.
Às vezes, quando você aplica a lei e isso fere alguém, essa pessoa se
diz vítima, afirma que sua decisão é política. Algumas pessoas te amam
pelo que faz, e outros te odeiam.
Eu aprecio as posições dele. Imagine se, diante de depoimentos de
informantes internos de que havia corrupção massiva [na Petrobras], um
juiz dissesse que ninguém é culpado e não aceitasse nenhum acordo de
delação?
Haverá erros no processo? Não tenho dúvida. Espero que eles sejam
corrigidos na apelação. Mas menos de 5% das decisões de Moro foram
revertidas até agora.
BBC Brasil - Não é arriscado e indesejável que um juiz se torne uma figura tão pública e atraia tanta atenção?
Messitte -
É inevitável. Às vezes, acontece o inverso. Veja o que ocorreu com
Giovanni Falcone e Paolo Borsellino na Itália. Estavam indo atrás do que
consideravam a verdade e terminaram na situação mais infeliz [os dois
juízes foram mortos após julgarem grandes casos contra a máfia
italiana].
Deve-se dar crédito a Moro pela coragem. Esse cara inspirou um grande
número de brasileiros, [mostrando] que há possibilidade de Justiça, de
tratamento igualitário perante a lei. Qual a última vez que isso
aconteceu no Brasil? Você não vê figuras assim com frequência.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou hoje (10)
que fará uma reunião com os líderes dos partidos na próxima semana para
definir os detalhes e regras da sessão de julgamento do impeachment da
presidente afastada Dilma Rousseff. Segundo Renan, a sessão começará no
dia 25 deste mês e deve durar pelo menos três dias. "Mas eu espero que
não entremos no quarto dia."
Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
De acordo com Renan, não está decidido se haverá sessão no fim de
semana, ou se o julgamento será suspenso na sexta-feira e retomado na
segunda. Isso deve ser resolvido na reunião da próxima semana. "O
presidente (do Supremo Tribunal Federal) (Ricardo) Lewandowski pediu que
façamos, tão logo tenhamos a citação da presidente e o cumprimento dos
prazos da defesa e da acusação, essa reunião para estabelecermos um
roteiro para a sessão de julgamento."
Sessão do Congresso
Renan informou também que a sessão do Congresso Nacional para votação
de vetos presidenciais e da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que não
pôde ser realizada hoje por falta de quórum, foi remarcada para o
próximo dia 23.
Segundo o senador, não foi possível agendar a sessão para a próxima
semana porque a Câmara aprovou um calendário especial, e os deputados só
voltarão a comparecer à Casa na semana dos dias 22 e 23 deste mês.
Da mesma forma, Renan disse que vai definir com os líderes partidários
um calendário especial para o funcionamento do Senado no período de
campanha e das eleições municipais, época em que, tradicionalmente, os
parlamentares ausentam-se do Congresso Nacional e se dedicam à em suas
bases.
Ainda não foi decidido se haverá sessão no fim de semana, diz o presidente do Senado
Foto: Agência Brasil
DRU e dívida dos estados
Na próxima semana, os senadores vão votar a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) da Desvinculação das Receitas da União (DRU). A PEC
precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ir a votação e,
para isso, os prazos estão sendo contados nas sessões desta semana.
De acordo com Renan, os senadores também vão deliberar sobre o projeto
de lei que trata da renegociação da dívida dos estados, que foi aprovado
ontem na Câmara. O senador disse que os governadores ainda serão
ouvidos sobre seus pleitos referentes ao projeto, mas os parlamentares
não devem mudar o texto enviado pela Câmara.
"Nós deveremos aprovar do jeito que veio da Câmara. Ontem [9] tivemos
uma conversa com os governadores, e teremos nova conversa com eles
governadores na semana que vem, para definir um encaminhamento para os
pleitos estaduais que não foram contemplados com a renegociação da
dívida."