quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

BC reduz juros básicos a 7% ao ano, menor nível da história

O Banco Central cortou nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a 7% ao ano, movimento amplamente esperado pelo mercado e que leva a Selic ao seu menor nível histórico, deixando a porta aberta para nova redução adiante, mas ressalvando que encarará a investida com "cautela".
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Isso porque o BC deixou claro que os passos seguintes estão mais sensíveis a eventuais mudanças no cenário de riscos o que, para analistas, foi uma sinalização sobre como será o desfecho da reforma da Previdência. 

"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária" informou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. 

Mas completou em seguida: "essa visão para a próxima reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores. Para frente, o Comitê entende que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária". 

Em pesquisa Reuters, 52 de 53 economistas esperavam que o Copom reduzisse os juros em 0,50 ponto percentual. A única aposta dissidente foi do HSBC, que previa corte de 0,25 ponto. 

"A próxima reunião é só daqui a longos dois meses e temos a reforma da Previdência neste meio tempo. O cenário básico é fazer (corte de) 0,25 ponto no próximo Copom", afirmou a economista-chefe da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, que ainda matém a perspectiva de que o BC possa reduzir a taxa em 0,50 ponto em fevereiro. 

"Vou esperar até a ata do Copom (na próxima terça-feira) para eventualmente mudar meu cenário", acrescentou ela. 

O governo tem se esforçado para garantir apoio político para aprovar a reforma da Previdência, considerada essencial para colocar as contas públicas em ordem, ainda neste ano na Câmara dos Deputados. 

A mínima histórica da Selic, de 7,25%, havia sido atingida em outubro de 2012, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Mesmo com um novo patamar recorde, o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, perdendo apenas para Turquia, Rússia e Argentina, segundo levantamento da gestora Infinity Asset. 

A investida de agora dá sequência à estratégia do BC de seguir cortando os juros para dar ímpeto à atividade num quadro de inflação baixa, expectativas ancoradas e recuperação econômica ainda gradual. 

Diante da conjuntura, a maioria dos agentes econômicos já esperava nova dose de afrouxamento monetário em fevereiro, primeira reunião do Copom em 2018. 

O economista-chefe do Santander, Mauricio Molon, ressaltou que o corte adotado veio dentro do esperado, bem como a sinalização de que os juros devem cair a 6,75% em fevereiro. A partir daí, o BC deixa em aberto o que pode fazer, acrescentou. 

"A gente acredita que a taxa não vai cair além dos 6,75%, estamos mais otimistas com a atividade econômica do que o mercado. É fato que (o BC) deixou portas abertas. Se continuarmos tendo surpresas do lado inflacionário, ele pode seguir reduzindo", disse Molon. 

No comunicado, o BC também reduziu a projeção de inflação pelo cenário de mercado a 2,9% em 2017, ante 3,3% em sua última estimativa, de outubro, e abaixo do piso da meta oficial deste ano --de 4,5% pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. 

O caminho para a autoridade monetária seguir cortando os juros é pavimentado justamente pela modesta alta de preços na economia, sobretudo por conta dos alimentos. 

Para 2018, o BC passou a ver o IPCA em 4,2 por cento, contra 4,3 % antes, e manteve seu cenário em 4,2% para 2019. O cenário de mercado supõe Selic de 7% ao fim deste ano e do próximo e de 8% ao fim de 2019. 

Num comunicado com poucas mudanças em relação ao anterior, o BC apontou que "o cenário básico para a inflação tem evoluído, em boa medida, conforme o esperado". 

Nos 12 meses até novembro, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, ficou em 2,77%.
Na pesquisa Focus mais recente, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, a expectativa é de uma inflação de 3,03% em 2017, 4,02% para o ano que vem e de 4,25% em 2019. 

https://www.terra.com.br/economia/bc-reduz-juros-basicos-a-7-menor-nivel-historico-e-ve-inflacao-em-2017-abaixo-da-meta,91dc3351b6f405e83cac65898bd55c3cc7mwhgpz.html


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